{"id":1738,"date":"2006-05-02T00:00:00","date_gmt":"2006-05-02T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1738"},"modified":"2006-05-02T00:00:00","modified_gmt":"2006-05-02T00:00:00","slug":"1-de-maio-sindicato-e-governo-coquetel-malogrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/05\/america-latina\/1-de-maio-sindicato-e-governo-coquetel-malogrado\/","title":{"rendered":"1&ordm; de Maio: Sindicato e governo, coquetel malogrado"},"content":{"rendered":"<p>Santiago, 02\/05\/2006 &ndash; Na Argentina, no Brasil, Uruguai e, em menor medida, no Chile, governam for\u00e7as pol\u00edticas afins ao sindicalismo, mas as rela\u00e7\u00f5es entre estes dois atores apresentam at\u00e9 agora balan\u00e7os contradit\u00f3rios e freq\u00fcentemente cr\u00edticos, segundo especialistas e l\u00edderes destes quatro pa\u00edses. <!--more--> A comemora\u00e7\u00e3o do Dia Internacional do Trabalho surpreende os sindicatos do Cone Sul latino-americano em uma dupla luta, na qual devem defender direitos suprimidos pelo neoliberalismo imperante nos anos 90 e, ao mesmo tempo, brigar para manter sua influ\u00eancia em um cen\u00e1rio social no qual irrompem cada vez mais outras organiza\u00e7\u00f5es. Express\u00f5es da discrimina\u00e7\u00e3o, o desemprego cr\u00f4nico e a precariedade ou informalidade do trabalho, como os piqueteiros da Argentina (trabalhadores desocupados) ou os mapuches no Chile, concorrem atualmente com as not\u00edcias sobre mobiliza\u00e7\u00f5es e a agita\u00e7\u00e3o com maior assiduidade das centrais sindicais.            <\/p>\n<p>No Brasil, o \u00eaxodo rural aumentou em termos relativos a sindicaliza\u00e7\u00e3o no campo, mas o Movimento dos Sem-Terra se mant\u00e9m como ator combativo, com alta participa\u00e7\u00e3o nos conflitos, o que n\u00e3o ocorre com a Central \u00danica dos Trabalhadores. As duas agrupa\u00e7\u00f5es est\u00e3o identificadas com o esquerdista Partido dos Trabalhadores. O \u00edndice de sindicaliza\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 estimado em 18% da for\u00e7a de trabalho, segundo dados de 2004, com uma recupera\u00e7\u00e3o de 15,9% em rela\u00e7\u00e3o a janeiro de 2003, com o ex-l\u00edder sindical Luiz In\u00e1cio Lula da Silva assumindo a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Na Argentina, onde as pesquisadoras Adriana Marshall e Laura Perelman lamentam a falta de informa\u00e7\u00e3o e a car\u00eancia de dados confi\u00e1veis e compar\u00e1veis historicamente sobre a filia\u00e7\u00e3o sindical, pode-se estimar que esta oscilou entre 42% e 47% da for\u00e7a trabalhista no convulsionado per\u00edodo de 1988 a 2003. Enquanto a Argentina ainda mant\u00e9m essa alta sindicaliza\u00e7\u00e3o atribu\u00edvel \u00e0s redes de assist\u00eancia social criadas com apoio oficial desde as organiza\u00e7\u00f5es trabalhistas, no Chile, pioneiro na Am\u00e9rica Latina na implanta\u00e7\u00e3o do neoliberalismo sob a ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990), essa taxa \u00e9 de apenas 13%.<\/p>\n<p>No Uruguai, segundo a central sindical \u00fanica PIT-CNT, em 2003 foi quebrada a tend\u00eancia de baixa da sindicaliza\u00e7\u00e3o, comum em toda a Am\u00e9rica Latina e no mundo em desenvolvimento, e a taxa agora est\u00e1 em 24% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa. A Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho pediu mais dados sobre o fen\u00f4meno do crescimento. A PIT-CNT tem uma identifica\u00e7\u00e3o forte com a Frente Ampla, a alian\u00e7a pol\u00edtica da esquerda que em outubro de 2004 venceu pela primeira vez as elei\u00e7\u00f5es para instalar a partir de mar\u00e7o de 2005 o governo do presidente Tabar\u00e9 V\u00e1zquez. H\u00e9lios Sarthou, catedr\u00e1tico em Direito Trabalhista da estatal Universidade da Rep\u00fablica, em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 IPS apontou a exist\u00eancia de &quot;um complexo de culpa na esquerda&quot;, que leva V\u00e1zquez a buscar uma pol\u00edtica conciliat\u00f3ria nas rela\u00e7\u00f5es trabalhistas.<\/p>\n<p>Isto abriu o caminho para que o setor patronal formasse &quot;um impressionante lobby&quot;, que lhe rende &quot;maior influ\u00eancia no governo e a obten\u00e7\u00e3o de mais \u00eaxitos no sindicalismo&quot;, segundo Sarthou, que, a seu ver, os empres\u00e1rios tiveram mais vantagens nos governos anteriores de direita. O especialista, ex-senador pela Frente Ampla, mas que hoje se manifesta cr\u00edtico do governo, admitiu que este quadro concorre ao PIT-CNT, que optou por reduzir a combatividade, em uma posi\u00e7\u00e3o de expectativa. Essa mesma situa\u00e7\u00e3o ocorre no Chile por parte da Central Unit\u00e1ria de Trabalhadores (CUT) diante do novo governo de Michelle Bachelet, da Concerta\u00e7\u00e3o pela Democracia (centro-esquerda) no poder desde 1990.<\/p>\n<p>O socialista Arturo Martinez foi um cr\u00edtico permanente da gest\u00e3o trabalhista de Ricardo Lagos, presidente do Chile entre 2000 e 11 do m\u00eas passado. Para o dirigente, no governo anterior persistiu um panorama trabalhista com &quot;empres\u00e1rios que se acostumaram a pisotear os direitos trabalhistas e a n\u00e3o cumprir a lei&quot;. Os quatro presidentes que se sucederam no Chile desde a restaura\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica em 1990 est\u00e3o sustentados por uma coaliz\u00e3o de quatro partidos de centro-esquerda. Um deles, o Socialista, ao qual tamb\u00e9m pertence Bachelet, dirige a CUT em alian\u00e7a com os comunistas, que n\u00e3o fazem parte do governo e se definem como oposi\u00e7\u00e3o de esquerda.<\/p>\n<p>A alian\u00e7a socialista-comunista na CUT \u00e9 o \u00faltimo resqu\u00edcio da Unidade Popular que governo com Salvador Allende desde 1970 at\u00e9 o golpe de Estado de 1973, mas seu olhar aponta, segundo Martinez, para reformas trabalhistas que respondam ao moderno cen\u00e1rio da globaliza\u00e7\u00e3o com suas seq\u00fcelas de precariza\u00e7\u00e3o do trabalho. Dos quase quatro milh\u00f5es de empregados dependentes, somente 13% est\u00e3o sindicalizados no Chile, e 58% deles n\u00e3o ter\u00e3o fundos suficientes para se aposentar no sistema privado de pens\u00f5es, enquanto 57% dos trabalhadores informais n\u00e3o t\u00eam cobertura previdenci\u00e1ria, informou-se em fevereiro, no 53&ordm; anivers\u00e1rio da CUT.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Andr\u00e9s Herrera, subdiretor do Programa de Economia do Trabalho, um centro de estudos independente, disse \u00e0 IPS que o Chile tem uma sindicaliza\u00e7\u00e3o m\u00ednima que responde a tend\u00eancias do modelo econ\u00f4mico, com a contrata\u00e7\u00e3o \u00e0 margem da empresa de servi\u00e7os e a tecnifica\u00e7\u00e3o que substitui a m\u00e3o-de-obra. Neste pa\u00eds de 15,6 milh\u00f5es de habitantes proliferam as microempresas, com menos de oito trabalhadores, n\u00famero que a lei exige para criar um sindicato, acrescentou Herrera.<\/p>\n<p>A mensagem de permanente desprest\u00edgio da ditadura Pinochet contra as formas de organiza\u00e7\u00e3o com conota\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tamb\u00e9m afetou a convoca\u00e7\u00e3o dos sindicatos e estimulou os chilenos a se organizarem melhor em torno de sua identidade como consumidores. A isto, concluiu Herrera, deve-se acrescentar como um fator fundamental as pr\u00e1ticas anti-sindicais de muitos padr\u00f5es, que preferem pagar multas e desatar conflitos em lugar de permitir a exist\u00eancia de organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores em suas empresas.<\/p>\n<p>O papel dos sindicatos nos pa\u00edses do Cone Sul da Am\u00e9rica \u00e9 apontado em suas rela\u00e7\u00f5es com os governos para a melhoria os sal\u00e1rios, deprimidos pelas sucessivas crises na regi\u00e3o desde a d\u00e9cada de 80. Jo\u00e3o Carlos Gon\u00e7alves, secret\u00e1rio-geral da For\u00e7a Sindical, segunda central oper\u00e1ria brasileira, atr\u00e1s da CUT, destacou \u00e0 IPS o \u00eaxito das corre\u00e7\u00f5es salariais acima da infla\u00e7\u00e3o, mas advertiu que, na medida em que o modelo econ\u00f4mico de estabilidade fiscal n\u00e3o varia, se mant\u00e9m um alto desemprego, sobretudo entre os jovens. No governo Lula, melhoraram as condi\u00e7\u00f5es de negocia\u00e7\u00e3o tripartite com os sindicatos e os patr\u00f5es, ao mesmo tempo em que diminu\u00edram os conflitos entre os desempregados com a cria\u00e7\u00e3o dos Centros de Solidariedade. O governo do Brasil \u00e9 o \u00fanico do Cone Sul que tem um presidente com passado sindicalista e, junto com o Uruguai, um ministro sindicalista, Luiz Marinho, ministro do Trabalho e ex-presidente da CUT.<\/p>\n<p>Na Argentina, onde o governante Partido Justicialista tem uma longa tradi\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a sindical e admite distintas correntes de pensamento em seu interior, o presidente N\u00e9stor Kirchner n\u00e3o deu um tratamento diferente na hist\u00f3rica Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho, que continua convocando os poderosos sindicatos industriais. Kirchner, de tend\u00eancia centro-esquerdista, distribui sua interlocu\u00e7\u00e3o trabalhista tamb\u00e9m com a Central de Trabalhadores Argentinos, mais nova e tamb\u00e9m mais atualizada e progressista, que convoca professores, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, aposentados, desempregados, oper\u00e1rios de f\u00e1bricas recuperadas e meretrizes, entre outras express\u00f5es do variado mundo do trabalho. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>* Com as colabora\u00e7\u00f5es de Marcela Valente (Argentina), Mario Osava (Brasil) e Ra\u00fal Pierri (Uruguai).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, 02\/05\/2006 &ndash; Na Argentina, no Brasil, Uruguai e, em menor medida, no Chile, governam for\u00e7as pol\u00edticas afins ao sindicalismo, mas as rela\u00e7\u00f5es entre estes dois atores apresentam at\u00e9 agora balan\u00e7os contradit\u00f3rios e freq\u00fcentemente cr\u00edticos, segundo especialistas e l\u00edderes destes quatro pa\u00edses. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/05\/america-latina\/1-de-maio-sindicato-e-governo-coquetel-malogrado\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1004,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,9,4],"tags":[],"class_list":["post-1738","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-globalizacao","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1004"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1738"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1738\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}