{"id":17382,"date":"2014-04-14T13:44:38","date_gmt":"2014-04-14T13:44:38","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=111275"},"modified":"2014-04-14T13:44:38","modified_gmt":"2014-04-14T13:44:38","slug":"espantar-a-fome-plantando-em-terrenos-baldios-e-ilegal-no-zimbabue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/espantar-a-fome-plantando-em-terrenos-baldios-e-ilegal-no-zimbabue\/","title":{"rendered":"Espantar a fome plantando em terrenos baldios \u00e9 ilegal no Zimb\u00e1bue"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_111276\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/13754721354_a5bdb2db8d_o-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-111276 \" alt=\"13754721354 a5bdb2db8d o 629x472 Espantar a fome plantando em terrenos baldios \u00e9 ilegal no Zimb\u00e1bue\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/13754721354_a5bdb2db8d_o-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Espantar a fome plantando em terrenos baldios \u00e9 ilegal no Zimb\u00e1bue\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Moradores dos populosos sub\u00farbios de Bulawayo come\u00e7aram a plantar em terrenos baldios depois das abundantes chuvas do ano passado. Foto: Ignatius Banda\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bulawayo, Zimb\u00e1bue, 14\/4\/2014 \u2013 Janet Zondo tem que encontrar espa\u00e7o na \u00e1rea onde planta em Bulawayo, a segunda cidade do Zimb\u00e1bue, para improvisar um celeiro. Poderia muito bem ser um silo, a julgar pelo tamanho do milharal que se disp\u00f5e a colher. Mas Zondo n\u00e3o \u00e9 uma agricultora de um rinc\u00e3o profundo das zonas rurais. \u00c9 uma das muitas residentes dos populosos sub\u00farbios de Bulawayo que cultivam terrenos baldios desde que a \u00e1rea foi aben\u00e7oada no ano passado com chuvas inesperadas que transbordaram rios e tamb\u00e9m danificaram represas e causaram mortes.<\/p>\n<p>Nos sub\u00farbios de Tshabalala, Sizinda e Nkulumane os terrenos baldios est\u00e3o florescendo de milho. Com muitos aqui, Zondo, natural de Nkulumane, sempre namorou com a agricultura. Mas suas tentativas com o milho fracassavam pela escassez de chuvas. As precipita\u00e7\u00f5es fortes e surpreendentes do ano passado deram as condi\u00e7\u00f5es ideais para semear. \u201cNunca colhi tanto milho\u201d, contou \u00e0 IPS. \u201cEspero produzir mais de cem quilos de farinha\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Outros moradores tamb\u00e9m aguardam colheitas abundantes nessa temporada. Mas n\u00e3o h\u00e1 nenhuma garantia de que Zondo ou os demais plantem a mesma terra na pr\u00f3xima temporada. Os terrenos s\u00e3o propriedade da municipalidade. E as leis do Zimb\u00e1bue pro\u00edbem cultivar em terrenos municipais vazios.<\/p>\n<p>\u201cSabemos que h\u00e1 gente cultivando em \u00e1reas n\u00e3o designadas, mas tamb\u00e9m devemos ter considera\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias. As pessoas precisam de alimentos, e nem todos podem pagar pela farinha de milho\u201d, afirmou \u00e0 IPS um conselheiro (vereador) de Bulawayo que tamb\u00e9m plantou milho em um terreno municipal. \u201cA maior parte da terra \u00e9 reservada para moradias, o que significa que essas atividades agr\u00edcolas n\u00e3o s\u00e3o permanentes\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) reconhece que a agricultura urbana \u00e9 ilegal em muitos pa\u00edses e estima que mais de 800 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo a praticam e, assim, contribuem para amortizar a carestia e a inseguran\u00e7a alimentar. Segundo a FAO, a quantidade de pessoas famintas aumentou para mais de um bilh\u00e3o e \u201cos pobres urbanos s\u00e3o particularmente vulner\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>Com o programa de horticultura urbana e periurbana Cultivando Cidades Mais Verdes, a FAO trabalha com governos de v\u00e1rios pa\u00edses para integrar essa produ\u00e7\u00e3o \u201caos planos-mestres de desenvolvimento urbano\u201d. Essas medidas poderiam beneficiar produtores como Zondo. \u201cVivemos com o constante medo de que o munic\u00edpio arranque nossa planta\u00e7\u00e3o. Estou colhendo com toda pressa para evitar isso\u201d, contou.<\/p>\n<p>Embora as mulheres estejam na primeira linha do desenvolvimento sustent\u00e1vel, s\u00e3o prejudicadas pela burocracia que lhes impede acesso a terras, pontuou \u00e0 IPS a especialista em ocupa\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria e urbana Regina Pritchett, da Comiss\u00e3o Huairou, uma coaliz\u00e3o mundial de mulheres com sede nos Estados Unidos. \u201cS\u00e3o necess\u00e1rias solu\u00e7\u00f5es locais para que as mulheres tenham terras\u201d, acrescentou. Os especialistas destacam que a falta de posse formal de pequenas \u00e1reas pode amea\u00e7ar no longo prazo o sustento e a seguran\u00e7a alimentar em muitos pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Crescentes contingentes de popula\u00e7\u00e3o urbana se voltaram a plantar seus alimentos, o que poderia ajudar a amortizar a escassez nas cidades desse pa\u00eds da \u00c1frica austral, destacou Japhet Mlilo, pesquisador sobre desenvolvimento da Universidade do Zimb\u00e1bue. J\u00e1 h\u00e1, de fato, uma crise alimentar. No ano passado, foram importadas 150 mil toneladas de milho de Z\u00e2mbia, o que indica que os agricultores nacionais n\u00e3o conseguem abastecer o consumo interno. A demanda chega a 2,2 milh\u00f5es de toneladas de milho por ano, segundo o Minist\u00e9rio da Agricultura.<\/p>\n<p>\u201cDefinitivamente, \u00e9 simples aritm\u00e9tica. Se a agricultura urbana for ilegal e as pessoas n\u00e3o puderem plantar seu milho, passar\u00e3o fome. Mas se for permitido que cultivem, se reduz a popula\u00e7\u00e3o que precisar\u00e1 de ajuda alimentar\u201d, ressaltou Mlilo \u00e0 IPS. \u201cMesmo sem t\u00edtulos, os moradores j\u00e1 sabem qual terreno \u00e9 seu. Ainda n\u00e3o se viu disputas por quem cultiva qual terreno baldio sem aprova\u00e7\u00e3o municipal. \u00c9 uma autorregulamenta\u00e7\u00e3o. Pelo bem da sustentabilidade, uma pessoa tentar se alimentar n\u00e3o deveria ser ilegal\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Se fosse dado \u00e0s mulheres em todo o mundo direito \u00e0 terra, se contribuiria para manter planos agr\u00edcolas, pois possuir um recurso constitui um \u201cincentivo\u201d para que as mulheres continuem plantando, enfatizou a especialista agr\u00e1ria Karol Boudreaux, do Cloudburst Group, um centro de pensamento com sede nos Estados Unidos. \u201cGarantir a posse da terra pode ajudar a resolver assuntos t\u00e3o importantes quanto a seguran\u00e7a alimentar e o empoderamento econ\u00f4mico feminino\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Para Zondo bastaria saber que a pol\u00edcia municipal n\u00e3o destruir\u00e1 seu milharal. \u201cTrabalhei duro por ele, imagine o que seria perd\u00ea-lo\u201d, argumentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Bulawayo, Zimb&aacute;bue, 14\/4\/2014 &ndash; Janet Zondo tem que encontrar espa&ccedil;o na &aacute;rea onde planta em Bulawayo, a segunda cidade do Zimb&aacute;bue, para improvisar um celeiro. Poderia muito bem ser um silo, a julgar pelo tamanho do milharal que se disp&otilde;e a colher. 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