{"id":17387,"date":"2014-04-16T13:55:41","date_gmt":"2014-04-16T13:55:41","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=111437"},"modified":"2014-04-16T13:55:41","modified_gmt":"2014-04-16T13:55:41","slug":"alimentos-latino-americanos-tem-anemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/alimentos-latino-americanos-tem-anemia\/","title":{"rendered":"Alimentos latino-americanos evitam anemia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_111438\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/hpemitaguai_8_20130304_1791198059-C%C3%B3pia-629x417.jpg\"><img class=\" wp-image-111438 \" alt=\"hpemitaguai 8 20130304 1791198059 C\u00f3pia 629x417 Alimentos latino americanos evitam anemia\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/hpemitaguai_8_20130304_1791198059-C%C3%B3pia-629x417.jpg\" width=\"529\" height=\"317\" title=\"Alimentos latino americanos evitam anemia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Plantas de feij\u00e3o com micronutrientes incorporados. Foto: Cortesia da BioFORT<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kigali, Ruanda, 16\/4\/2013 \u2013 A Am\u00e9rica Latina est\u00e1 na lista de regi\u00f5es do mundo que sofrem \u201cfome oculta\u201d, pela defici\u00eancia de micronutrientes que evitam a anemia, a cegueira, as doen\u00e7as imunol\u00f3gicas e o atraso no desenvolvimento. O Brasil encabe\u00e7a uma iniciativa de biofortifica\u00e7\u00e3o de alimentos na regi\u00e3o para reverter essa situa\u00e7\u00e3o. Nicar\u00e1gua, Guatemala e Honduras s\u00e3o o objetivo do programa de biofortifica\u00e7\u00e3o alimentar, depois de seis pa\u00edses africanos (Nig\u00e9ria, Z\u00e2mbia, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Ruanda, Eti\u00f3pia e Uganda) e tr\u00eas asi\u00e1ticos (Bangladesh, \u00cdndia e Paquist\u00e3o).<\/p>\n<p>A iniciativa \u00e9 impulsionada pelo HarvestPlus, que integra o Programa de Agricultura para a Nutri\u00e7\u00e3o e a Sa\u00fade, do Grupo Consultivo de Pesquisa Agr\u00edcola Internacional (CGIAR), um cons\u00f3rcio independente que lidera os esfor\u00e7os para modificar os alimentos nas regi\u00f5es em desenvolvimento, acrescentando a eles mais minerais e vitaminas. Na regi\u00e3o, esse projeto \u00e9 capitaneado pela Rede Brasileira de Biofortifica\u00e7\u00e3o (BioFORT), que desde 2003 re\u00fane 150 pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) e de universidades e centros especializados.<\/p>\n<p>\u201cNa Am\u00e9rica Latina, tr\u00eas pa\u00edses t\u00eam o mais alto \u00edndice de defici\u00eancia de micronutrientes\u201d, assegurou \u00e0 IPS a engenheira de alimentos da Embrapa, Mar\u00edlia Nutti, que coordena a rede BioFORT no Brasil e na regi\u00e3o. O HarvestPlus estabeleceu o \u00cdndice de Prioridade de Biofortifica\u00e7\u00e3o (BPI) para identificar os pa\u00edses do Sul em desenvolvimento cujas popula\u00e7\u00f5es t\u00eam as maiores car\u00eancias nutricionais na regi\u00e3o. Dentro da Am\u00e9rica, a Nicar\u00e1gua \u00e9 o segundo pa\u00eds, ap\u00f3s o Haiti, quanto a problemas na produ\u00e7\u00e3o e disponibilidade de alimentos nutritivos, afirmou \u00e0 IPS o agr\u00f4nomo Miguel Lacayo, da Universidade Centro-Americana, de Man\u00e1gua.<\/p>\n<p>\u201cA dieta da Nicar\u00e1gua \u00e9 baseada principalmente em milho e feij\u00e3o, consumidos duas a tr\u00eas vezes ao dia. Se consome muita tortilha de milho acompanhada de feij\u00f5es no desjejum, almo\u00e7o e jantar\u201d, contou esse especialista em alimentos. Lacayo conversou com a IPS durante a segunda Confer\u00eancia Global de Biofortifica\u00e7\u00e3o, promovida pelo HarvestPlus, que aconteceu em Kigali, capital de Ruanda, entre 31 de mar\u00e7o e 2 deste m\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 que, ao utilizar esses dois alimentos, se aumente a concentra\u00e7\u00e3o de ferro e zinco e se reduza o problema nutricional. Queremos incidir na redu\u00e7\u00e3o da anemia\u201d, afirmou Lacayo. Com seis milh\u00f5es de habitantes, a Nicar\u00e1gua enfrenta s\u00e9rias defici\u00eancias nutricionais, especialmente nas crian\u00e7as e na popula\u00e7\u00e3o rural. \u201c\u00c9 um problema que est\u00e1 em uma fase cr\u00f4nica na popula\u00e7\u00e3o rural menos favorecida, ou seja, 60% dos habitantes do pa\u00eds\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>A biofortifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo que cruza de forma convencional plantas da mesma esp\u00e9cie para gerar cultivos com mais micronutrientes incorporados. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) assegura que existem no mundo dois bilh\u00f5es de pessoas com d\u00e9ficit de micronutrientes, e a cada segundo uma pessoa morre de desnutri\u00e7\u00e3o no mundo.<\/p>\n<p>Um estudo de 2013 do Banco Mundial destaca que a Am\u00e9rica Latina e o Caribe devem priorizar a seguran\u00e7a alimentar de m\u00e3es e crian\u00e7as com menos de dois anos, para reduzir os elevados n\u00edveis de desnutri\u00e7\u00e3o que afetam a popula\u00e7\u00e3o mais pobre. Uma alimenta\u00e7\u00e3o deficiente faz com que as pessoas percam mais de 10% da renda em toda sua vida, enquanto muitos pa\u00edses reduzem em 2% ou 3% seu produto interno bruto por esse motivo.<\/p>\n<p>Segundo o Banco Mundial, na Am\u00e9rica Latina h\u00e1 7,2 milh\u00f5es de crian\u00e7as menores de cinco anos com atraso no crescimento. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) indica que a Nicar\u00e1gua tem desnutri\u00e7\u00e3o que varia de 10% a 19%, s\u00f3 superada pelo Haiti no continente, com \u00edndice de 35%.<\/p>\n<p>A Nicar\u00e1gua, na verdade, come\u00e7ou a biofortificar seus alimentos em 2005, com o projeto Agrosalud, cuja primeira fase terminou em 2010, com financiamento da Ag\u00eancia Canadense para o Desenvolvimento Internacional e do Centro Internacional de Agricultura Tropical. O Agrosalud tamb\u00e9m apoiou o acr\u00e9scimo de micronutrientes na Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Cuba, Guatemala, Haiti, Honduras, Panam\u00e1, Peru e Rep\u00fablica Dominicana. Destes, o Panam\u00e1 avan\u00e7ou com a biofortifica\u00e7\u00e3o para um plano nacional, sem ajuda externa.<\/p>\n<p>Agora, na segunda fase do projeto, a Nicar\u00e1gua se converteu na prioridade, com apoio da BioFORT, centrado inicialmente no milho e no feij\u00e3o. \u201cQueremos apoiar os cultivos biofortificados. Vamos formar uma rede na Nicar\u00e1gua com o HarvestPlus, governos, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, universidades, organismos nacionais e internacionais\u201d, explicou Lacayo a respeito do projeto. Est\u00e1 previsto que o plano nacional comece em junho, quando ser\u00e1 implantada a alian\u00e7a de organismos, com 125 pesquisadores de 25 institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias para promover a seguran\u00e7a e a soberania alimentar nicaraguense.<\/p>\n<p>Lacayo ressaltou que um elemento do plano ser\u00e1 apoiar os pequenos agricultores na produ\u00e7\u00e3o de sementes \u201cpara o autoconsumo, com destaque para comercializa\u00e7\u00e3o e capacidade de transforma\u00e7\u00e3o. Queremos dar-lhe um valor agregado e fortalecer pequenas empresas rurais\u201d. O agr\u00f4nomo vislumbra uma alian\u00e7a duradoura com o Brasil por meio da Embrapa, para que a Nicar\u00e1gua reduza sua fome oculta.<\/p>\n<p>Nutti apontou que a rede tem \u201co enfoque inovador\u201d de unir nutri\u00e7\u00e3o, agricultura e sa\u00fade. \u201cA biofortifica\u00e7\u00e3o \u00e9 uma ci\u00eancia nova. A grande vantagem do projeto \u00e9 que uniu agr\u00f4nomos, economistas, nutricionistas e especialistas na ci\u00eancia dos alimentos, com o \u00fanico objetivo de conseguir um impacto na sa\u00fade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Inicialmente, o HarvestPlus pediu ao Brasil para ocupar-se apenas em biofortificar os cultivos de mandioca, mas a BioFORT decidiu que eram necess\u00e1rios micronutrinetes em oito alimentos essenciais na dieta brasileira, como milho, arroz, feij\u00e3o, batata, ab\u00f3bora e trigo. \u201cO pa\u00eds \u00e9 muito grande. \u00c9 preciso demonstrar para as pessoas que essa dieta de alimentos biofortificados \u00e9 melhor\u201d, destacou Nutti.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 trabalhado como um \u201cpa\u00eds-programa\u201d, porque opera com recursos t\u00e9cnicos pr\u00f3prios e \u00e9 tido como exemplo de gest\u00e3o. Algo muito diferente da m\u00e9dia latino-americana, onde faltam recursos para avan\u00e7ar na potencializa\u00e7\u00e3o dos micronutrientes nos alimentos. J\u00e1 na \u00c1frica, o principal objetivo na iniciativa, ser\u00e3o destinados US$ 40 milh\u00f5es \u00e0 biofortifica\u00e7\u00e3o, enquanto o or\u00e7amento para a Am\u00e9rica Latina durante os pr\u00f3ximos cinco anos oscilar\u00e1 entre US$ 500 mil e US$ 1 milh\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 muito para a tarefa, admitiu \u00e0 IPS o pesquisador de tecnologia da BioFORT, Jos\u00e9 Luis Viana de Carvalho. A seu ver, o Brasil conta com experi\u00eancia para estabelecer alian\u00e7as que contribuam para o desenvolvimento da regi\u00e3o no setor. \u201cO Brasil \u00e9 um celeiro pela quantidade de cereais que produz e por sua tecnologia de ponta. Devemos pensar em um prazo de 20 anos para uma redu\u00e7\u00e3o dos bols\u00f5es de fome oculta\u201d, assegurou.<\/p>\n<p>Para Carvalho, o investimento em biofortifica\u00e7\u00e3o \u00e9 menor do que o custo dos servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade se o investimento n\u00e3o for feito. Devemos prevenir mediante alimentos de qualidade. A biofortifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um medicamento, \u00e9 uma preven\u00e7\u00e3o. \u00c9 a alimenta\u00e7\u00e3o cotidiana\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p><b>Um \u00edndice para medir avan\u00e7os<\/b><\/p>\n<p>O \u00edndice de prioriza\u00e7\u00e3o da biofortifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um <i>ranking<\/i> que avalia os avan\u00e7os nacionais na incorpora\u00e7\u00e3o de alimentos de primeira necessidade ricos em vitaminas e minerais para lutar contra as defici\u00eancias nutricionais. Foca-se nas dietas b\u00e1sicas. O potencial de biofortifica\u00e7\u00e3o analisa a maior ou menor necessidade de investir em cultivos com micronutrientes incorporados, ao combinar produ\u00e7\u00e3o, consumo de determinados alimentos e graus de defici\u00eancia nutricional. O \u00edndice \u00e9 calculado com sete alimentos e avaliado em 127 pa\u00edses do Sul em desenvolvimento. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Kigali, Ruanda, 16\/4\/2013 &ndash; A Am&eacute;rica Latina est&aacute; na lista de regi&otilde;es do mundo que sofrem &ldquo;fome oculta&rdquo;, pela defici&ecirc;ncia de micronutrientes que evitam a anemia, a cegueira, as doen&ccedil;as imunol&oacute;gicas e o atraso no desenvolvimento. O Brasil encabe&ccedil;a uma iniciativa de biofortifica&ccedil;&atilde;o de alimentos na regi&atilde;o para reverter essa situa&ccedil;&atilde;o. 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