{"id":17388,"date":"2014-04-16T13:44:04","date_gmt":"2014-04-16T13:44:04","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=111432"},"modified":"2014-04-16T13:44:04","modified_gmt":"2014-04-16T13:44:04","slug":"estudo-climatico-do-ipcc-alerta-que-assim-vamos-mal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/estudo-climatico-do-ipcc-alerta-que-assim-vamos-mal\/","title":{"rendered":"Estudo clim\u00e1tico do IPCC alerta que assim vamos mal"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_111433\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/power-plant-640-629x419.jpg\"><img class=\" wp-image-111433 \" alt=\"power plant 640 629x419 Estudo clim\u00e1tico do IPCC alerta que assim vamos mal\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/power-plant-640-629x419.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Estudo clim\u00e1tico do IPCC alerta que assim vamos mal\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A mitiga\u00e7\u00e3o est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o do que devem conseguir as negocia\u00e7\u00f5es sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica: como pagar as caras transforma\u00e7\u00f5es para um modelo econ\u00f4mico e energ\u00e9tico de baixo carbono. Foto: Bigstock<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 16\/4\/2014 \u2013 As emiss\u00f5es humanas de gases-estufa cresceram mais rapidamente entre 2000 e 2010 do que nas tr\u00eas d\u00e9cadas anteriores, apesar da ado\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de leis nacionais para reduzi-las em diferentes lugares do planeta, afirmam os principais cientistas do clima. As conclus\u00f5es constam do terceiro volume do Quinto Informe de Avalia\u00e7\u00e3o divulgado ontem pelo Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC), dedicado \u00e0 mitiga\u00e7\u00e3o ou, em outras palavras, \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases que causam o aquecimento global.<\/p>\n<p>O informe, de quase 500 p\u00e1ginas e assinado por 235 autores de 58 pa\u00edses, alerta que \u201capenas grandes mudan\u00e7as institucionais e tecnol\u00f3gicas podem tornar poss\u00edvel que o aquecimento global n\u00e3o exceda\u201d os dois graus cent\u00edgrados at\u00e9 o final deste s\u00e9culo, o limite que, segundo a ci\u00eancia, n\u00e3o se deve cruzar para evitar transforma\u00e7\u00f5es catastr\u00f3ficas. Antes da divulga\u00e7\u00e3o, no dia 13, em Berlim, de um resumo desse informe para os governos, houve uma semana de acaloradas negocia\u00e7\u00f5es entre seus representantes.<\/p>\n<p>O informe diz que ainda \u00e9 poss\u00edvel limitar o aquecimento global a dois graus em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s temperaturas anteriores \u00e0 era industrial. \u201cMas n\u00e3o estamos no caminho de conseguir isso\u201d, pontuou \u00e0 IPS a especialista Kelly Levin, do World Resources Institute, um centro de pensamento com sede em Washington.<\/p>\n<p>\u201cOutros estudos conclu\u00edram que n\u00e3o estar\u00edamos nesse caminho nem mesmo se os pa\u00edses tivessem cumprido seus compromissos anteriores (de redu\u00e7\u00e3o nas emiss\u00f5es). E h\u00e1 v\u00e1rios que n\u00e3o est\u00e3o nem perto de cumpri-los\u201d, acrescentou Levin, lembrando que \u201cuma mensagem fundamental \u00e9 que devemos fazer um esfor\u00e7o muito maior em mitiga\u00e7\u00e3o, e esta \u00e9 uma d\u00e9cada crucial para tais a\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>O primeiro volume do Quinto Informe, publicado em 2013, se foca na ci\u00eancia da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. O segundo, divulgado em 31 de mar\u00e7o, analisa os impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica que j\u00e1 s\u00e3o sentidos em quase todos os pa\u00edses do mundo. O novo documento examina o que fazer para enfrentar e deter o fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um fort\u00edssimo chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o internacional, centrado especialmente na no\u00e7\u00e3o de que \u00e9 um problema de bens comuns\u201d, ressaltou Levin. \u201cCada pa\u00eds deve participar da solu\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 complexo porque os pa\u00edses t\u00eam capacidades muito diferentes de reduzir as emiss\u00f5es e de se adaptar \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Agora se espera muito debate sobre o grau em que devem crescer a coopera\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o coletiva para serem equitativas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O informe exp\u00f5e o atual consenso cient\u00edfico sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e o potencial para responder a ele. Seu conte\u00fado \u00e9 polarizador. Os tr\u00eas volumes j\u00e1 publicados ser\u00e3o apresentados em uma obra conjunta em outubro, que constituir\u00e1 a base para as negocia\u00e7\u00f5es que deveriam levar, em 2015, a um novo tratado para enfrentar esse problema ambiental global, sob patroc\u00ednio da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>A mitiga\u00e7\u00e3o \u00e9 o assunto mais pol\u00eamico das negocia\u00e7\u00f5es: como pagar as custosas transforma\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para adotar um modelo produtivo e energ\u00e9tico que emita pouqu\u00edssimo di\u00f3xido de carbono, o principal g\u00e1s-estufa. O informe examina 1.200 cen\u00e1rios poss\u00edveis e determina que as emiss\u00f5es dever\u00e3o diminuir entre 40% e 70% nos pr\u00f3ximos 35 anos para conter o aquecimento em dois graus. E, a partir da\u00ed, dever\u00e3o chegar a quase zero no final do s\u00e9culo.<\/p>\n<p>\u201cMuitas vias diferentes conduzem a um futuro onde se sustenta a fronteira dos dois graus\u201d, disse no dia 13 um dos vice-presidentes do grupo de trabalho do IPCC encarregado do informe, Ottmar Edenhofer. \u201cTodas requerem grandes investimentos\u201d, completou. N\u00e3o h\u00e1 quantias especificadas. Mas se esclarece que teriam um impacto relativamente baixo no crescimento econ\u00f4mico e que os \u201cesfor\u00e7os de mitiga\u00e7\u00e3o ambiciosos\u201d reduziriam o aumento do consumo em apenas 0,06%. Mas os autores advertem que \u201ca redu\u00e7\u00e3o substancial de emiss\u00f5es exigir\u00e1 grandes mudan\u00e7as nos modelos de investimentos\u201d.<\/p>\n<p>O IPCC estima que os investimentos na gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica convencional com combust\u00edveis f\u00f3sseis \u2013 a mais contaminante \u2013 diminuam possivelmente em 20% nas pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas. Ao mesmo tempo, o financiamento do fornecimento el\u00e9trico de \u201cbaixo custo\u201d, incluindo fontes renov\u00e1veis mas tamb\u00e9m energia nuclear, g\u00e1s natural e t\u00e9cnicas para \u201ccapturar carbono\u201d, duplicar\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cO informe deixa claro que para evitar uma mudan\u00e7a clim\u00e1tica catastr\u00f3fica devemos deixar de investir em combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d, disse \u00e0 IPS o membro associado do centro de pensamento Instituto de Estudos Pol\u00edticos Oscar Reyes. \u201cPor\u00e9m, a forma como o IPCC enfrenta esse assunto \u00e9 problem\u00e1tica e reflete a situa\u00e7\u00e3o atual das din\u00e2micas energ\u00e9ticas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 positivo os autores assinalarem que as fontes renov\u00e1veis s\u00e3o poss\u00edveis em grande escala, mas tamb\u00e9m se referem ao g\u00e1s como um combust\u00edvel de transi\u00e7\u00e3o, quando muitos modelos indicam que esse passo desestimula os investimentos em renov\u00e1veis\u201d, pontuou Reyes. Acrescentou que \u201ctamb\u00e9m h\u00e1 problemas com os tremendos custos de muitas das solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que est\u00e3o impulsionando\u201d.<\/p>\n<p>O resumo para governantes \u00e9 um documento de consenso, o que implica que os 195 pa\u00edses membros do IPCC aceitaram estampar sua assinatura debaixo de suas descobertas. Ao que parece, as discuss\u00f5es pr\u00e9vias em Berlim foram agitadas, sobretudo porque os pa\u00edses buscam se colocar na posi\u00e7\u00e3o mais favor\u00e1vel para as negocia\u00e7\u00f5es do pr\u00f3ximo ano. A discuss\u00e3o sobre como se repartir\u00e1 o custo financeiro da mitiga\u00e7\u00e3o e da adapta\u00e7\u00e3o ficou patente entre os pa\u00edses de renda m\u00e9dia e as pot\u00eancias industriais. Estas s\u00e3o as principais respons\u00e1veis pelas grandes emiss\u00f5es de gases no passado. Entretanto, o cen\u00e1rio atual n\u00e3o \u00e9 o mesmo.<\/p>\n<p>Os informes anteriores do IPCC, seguindo a linguagem da Conven\u00e7\u00e3o, qualificavam os pa\u00edses como \u201cdesenvolvidos\u201d e \u201cem desenvolvimento\u201d. Mas v\u00e1rias pot\u00eancias ricas reclamaram uma diferencia\u00e7\u00e3o mais precisa para os pa\u00edses de renda m\u00e9dia e a responsabilidade que lhes cabe nas emiss\u00f5es atuais. E, no que parece uma resposta a essa reclama\u00e7\u00e3o, o \u00faltimo documento do IPCC caracteriza as economias nacionais em quatro est\u00e1gios. No entanto, v\u00e1rias pot\u00eancias emergentes recha\u00e7aram semelhante caracteriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em uma nota formal de \u201creservas substantivas\u201d \u00e0 qual \u00e0 IPS teve acesso, a delega\u00e7\u00e3o da Ar\u00e1bia Saudita adverte que \u201cagrupar os pa\u00edses segundo seus n\u00edveis de renda\u201d \u00e9 especialmente vago j\u00e1 que estes podem passar de um grupo a outro \u201csem levar em conta suas verdadeiras emiss\u00f5es por habitante\u201d. Outros nove pa\u00edses se somaram \u00e0 nota dos sauditas, entre eles Egito, Mal\u00e1sia, Catar e Venezuela.<\/p>\n<p>A Bol\u00edvia apresentou uma obje\u00e7\u00e3o em separado que recha\u00e7a a mesma classifica\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses segundo sua renda. Contudo, tamb\u00e9m deplora que o IPCC tenha ignorado \u201cenfoques n\u00e3o baseados no mercado, mas de coopera\u00e7\u00e3o internacional em mudan\u00e7a clim\u00e1tica mediante o financiamento e a transfer\u00eancia de tecnologia dos pa\u00edses desenvolvidos para os que est\u00e3o em desenvolvimento\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 16\/4\/2014 &ndash; As emiss&otilde;es humanas de gases-estufa cresceram mais rapidamente entre 2000 e 2010 do que nas tr&ecirc;s d&eacute;cadas anteriores, apesar da ado&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea de leis nacionais para reduzi-las em diferentes lugares do planeta, afirmam os principais cientistas do clima. 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