{"id":17390,"date":"2014-04-16T13:28:36","date_gmt":"2014-04-16T13:28:36","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=111426"},"modified":"2014-04-16T13:28:36","modified_gmt":"2014-04-16T13:28:36","slug":"a-paz-parte-para-a-republica-centro-africana-mas-demorara-meses-para-chegar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/a-paz-parte-para-a-republica-centro-africana-mas-demorara-meses-para-chegar\/","title":{"rendered":"A paz parte para a Rep\u00fablica Centro-Africana, mas demorar\u00e1 meses para chegar"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_111427\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/rdf-629x448.jpg\"><img class=\" wp-image-111427 \" alt=\"rdf 629x448 A paz parte para a Rep\u00fablica Centro Africana, mas demorar\u00e1 meses para chegar\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/rdf-629x448.jpg\" width=\"529\" height=\"348\" title=\"A paz parte para a Rep\u00fablica Centro Africana, mas demorar\u00e1 meses para chegar\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">For\u00e7as ruandesas na Rep\u00fablica Centro-Africana. Foto: U. S. Army Africa photo by Master Sgt. Thomas Mills<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 16\/4\/2014 \u2013 A nova for\u00e7a de paz da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para a Rep\u00fablica Centro-Africana poderia deter a viol\u00eancia no longo prazo, mas n\u00e3o resolver a grave crise humanit\u00e1ria que esse pa\u00eds j\u00e1 sofre. Diante dos alarmantes informes de limpeza \u00e9tnica, o Conselho de Seguran\u00e7a do f\u00f3rum mundial aprovou por unanimidade, no dia 10, o envio de uma for\u00e7a de paz a esse pa\u00eds, em cuja regi\u00e3o ocidental a minorit\u00e1ria popula\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana praticamente desapareceu.<\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o elaborada pela Fran\u00e7a habilita a cria\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a de dez mil militares e 1.800 policiais que ter\u00e3o a miss\u00e3o de restaurar a ordem e impedir o ressurgimento da viol\u00eancia sect\u00e1ria, que deixou milhares de mortos e refugiados em quase um quarto da popula\u00e7\u00e3o. O Conselho havia conferido mandato a uma for\u00e7a conjunta da Uni\u00e3o Africana e da Fran\u00e7a, que at\u00e9 agora se demonstrou incapaz de deter os ataques \u00e0s comunidades mu\u00e7ulmanas, particularmente as que est\u00e3o fora da capital, Bangui.<\/p>\n<p>A sess\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a foi precedida por informes de ataques das mil\u00edcias crist\u00e3s antifac\u00e3o na localidade de Dekoa, 300 quil\u00f4metros ao norte de Bangui, que deixaram 13 mortos. Mas organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos afirmam que vai demorar seis meses antes que a Miss\u00e3o Multidimensional Integrada de Estabiliza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas na Rep\u00fablica Centro-Africana (Minusca), comece a funcionar.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 dezenas de milhares de centro-africanos vulner\u00e1veis que precisam de prote\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia agora\u201d, ressaltou Mark Yarnell, da organiza\u00e7\u00e3o Refugees International. \u201cUma opera\u00e7\u00e3o de paz da ONU, uma vez plenamente desenvolvida, pode contribuir para a paz e a estabilidade no longo prazo. Mas n\u00e3o enfrentar\u00e1 as atrocidades, o deslocamento e as graves necessidades humanas que existem hoje no terreno\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A transfer\u00eancia de muitos dos cinco mil soldados da Uni\u00e3o Africana acontecer\u00e1 em 15 de setembro, data oficial do in\u00edcio das opera\u00e7\u00f5es de paz da Minusca. Ainda n\u00e3o est\u00e1 claro, devido \u00e0 falta de efetivos, quando alcan\u00e7ar\u00e1 sua plena capacidade. \u201cNem para setembro se conseguir\u00e1 dez mil soldados, pela grande escassez mundial. N\u00e3o h\u00e1 garantia de que cheguem at\u00e9 essa data\u201d, pontuou Yarnell \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Um porta-voz da ONU explicou \u00e0 IPS as dificuldades log\u00edsticas da Rep\u00fablica Centro-Africana, que n\u00e3o tem sa\u00edda para o mar e carece de infraestrutura que facilite o movimento de for\u00e7as de paz. \u201cPodemos enviar engenheiros para darem assist\u00eancia e mandar equipamento para Camar\u00f5es, onde fica o porto mais pr\u00f3ximo\u201d, afirmou. \u201cAs estradas e pontes devem ser refeitas, bem como toda a infraestrutura de transporte. Em Bangui h\u00e1 apenas dois hot\u00e9is. Ser\u00e1 necess\u00e1rio construir nossas bases, come\u00e7ando com as instala\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias e os escrit\u00f3rios\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Os esfor\u00e7os de paz chegam quase dois anos depois que a S\u00e9l\u00e9ka, uma coaliz\u00e3o informal de rebeldes mu\u00e7ulmanos do marginalizado noroeste centro-africano e do Chade, pegou em armas contra o governo do presidente Fran\u00e7ois Boziz\u00e9. Em mar\u00e7o de 2013, os rebeldes tomaram o controle de Bangui e por quase um ano mantiveram o poder em meio ao caos, despojando o Estado da pouca infraestrutura que lhe restava e atacando os crist\u00e3os impunemente.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o da maioria crist\u00e3 foi criar as mil\u00edcias de autodefesa antifac\u00f5es, que mant\u00eam v\u00ednculos com o antigo governo. Ap\u00f3s a chegada das tropas francesas e africanas em dezembro, as mil\u00edcias come\u00e7aram a ganhar a partida. Em janeiro, sob press\u00e3o internacional, Michel Yotodia, ex-l\u00edder da S\u00e9l\u00e9ka, renunciou \u00e0 Presid\u00eancia e os rebeldes come\u00e7aram a se retirar da capital, criando um vazio de poder e deixando as comunidades mu\u00e7ulmanas sob a amea\u00e7a de repres\u00e1lias da maioria crist\u00e3.<\/p>\n<p>As for\u00e7as de paz foram lerdas em reconhecer que a nova e maior amea\u00e7a eram as mil\u00edcias crist\u00e3s, ainda que estas cometessem repetidamente massacres em enclaves mu\u00e7ulmanos, que derivaram, segundo a ONU, em uma campanha de \u201climpeza \u00e9tnico-religiosa\u201d no oeste do pa\u00eds. Em um informe divulgado este m\u00eas, a Anistia Internacional qualifica o \u00eaxodo de mu\u00e7ulmanos centro-africanos de \u201ctrag\u00e9dia de propor\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO atual padr\u00e3o de limpeza \u00e9tnica n\u00e3o causa apenas um dano enorme \u00e0 pr\u00f3pria Rep\u00fablica Centro-Africana, mas tamb\u00e9m estabelece um terr\u00edvel precedente para outros pa\u00edses da regi\u00e3o, muitos dos quais j\u00e1 com seus pr\u00f3prios conflitos sect\u00e1rios e \u00e9tnicos\u201d, diz o estudo. Em resposta a um pedido do governo centro-africano, a resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a d\u00e1 \u00e0 Minusca a capacidade de emerg\u00eancia para apoiar a magra for\u00e7a policial estatal, autorizando-a a realizar pris\u00f5es e cumprir fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de manuten\u00e7\u00e3o da ordem.<\/p>\n<p>O primeiro contingente de mil homens da Uni\u00e3o Europeia (UE) chegou esta semana, aliviando as for\u00e7as francesas que vigiam um acampamento para refugiados no aeroporto de Bangui. At\u00e9 a Minusca estar funcionando plenamente, os capacetes azuis da UE ajudar\u00e3o as autoridades locais a reconstruir o sistema judicial e penal. V\u00e1rios l\u00edderes antifac\u00f5es detidos nos \u00faltimos dias conseguiram fugir ou recuperaram sua liberdade horas depois de serem presos.<\/p>\n<p>O Conselho de Seguran\u00e7a teve a oportunidade de enviar uma miss\u00e3o de paz em novembro, mas decidiu dar tempo \u00e0 Uni\u00e3o Africana para demonstrar sua capacidade de conter a viol\u00eancia. Observadores elogiaram a atua\u00e7\u00e3o de soldados de Ruanda e Burundi, mas os do Chade estiveram implicados em atrocidades, como a morte de mais de 30 civis em um mercado no dia 29 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Os efetivos chadianos tentavam retirar os residentes de um dos poucos enclaves mu\u00e7ulmanos que restam em Bangui quando come\u00e7aram a disparar. Ap\u00f3s esse incidente, o Chade retirou seu batalh\u00e3o da miss\u00e3o da Uni\u00e3o Africana, obrigando o bloco a reunir outros 870 soldados. A vota\u00e7\u00e3o no Conselho de Seguran\u00e7a sobre a Rep\u00fablica Centro-Africana ocorre quando Ruanda relembra os cem dias do genoc\u00eddio que sofreu h\u00e1 20 anos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 16\/4\/2014 &ndash; A nova for&ccedil;a de paz da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) para a Rep&uacute;blica Centro-Africana poderia deter a viol&ecirc;ncia no longo prazo, mas n&atilde;o resolver a grave crise humanit&aacute;ria que esse pa&iacute;s j&aacute; sofre. 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