{"id":17393,"date":"2014-04-17T13:43:43","date_gmt":"2014-04-17T13:43:43","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=111494"},"modified":"2014-04-17T13:43:43","modified_gmt":"2014-04-17T13:43:43","slug":"solucoes-tecnologicas-marfinenses-para-problemas-locais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/solucoes-tecnologicas-marfinenses-para-problemas-locais\/","title":{"rendered":"Solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas marfinenses para problemas locais"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_111495\" style=\"width: 349px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/CostadoMarfim.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-111495\" alt=\"CostadoMarfim Solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas marfinenses para problemas locais\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/CostadoMarfim.jpg\" width=\"339\" height=\"472\" title=\"Solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas marfinenses para problemas locais\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O tablet Qelasy, desenvolvido por Thierry N\u2019Doufou e seu grupo de especialistas. Foto: Marc-Andre Boisvert\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Abidjan, Costa do Marfim, 17\/4\/2014 \u2013 Quando o marfinense Thierry N\u2019Doufou viu estudantes sofrendo com suas enormes mochilas cheias de livros, teve uma ideia que tamb\u00e9m ajudaria a superar a brecha digital nas aulas. N\u2019Doufou integra uma equipe de dez marfinenses especialistas em tecnologias da informa\u00e7\u00e3o que desenvolveram o Qelasy, um tablet de 20 cent\u00edmetros que ser\u00e1 lan\u00e7ado no pr\u00f3ximo m\u00eas por sua empresa, a Siregex.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de algo mais do que ter sentido pena deles. Trata-se de preencher a brecha digital entre Sul e Norte, e de levar o ensino marfinense para o s\u00e9culo 21\u201d, afirmou \u00e0 IPS. Qelasy significa \u201csala de aula\u201d em v\u00e1rios idiomas africanos, como akan, malinke, lingala e bamikele. O grupo de especialistas come\u00e7ou a transformar todos os livros de textos em formato digital. \u201cNos obrigamos a processar tudo de maneira a ter imagens de qualidade para telas de alta defini\u00e7\u00e3o. Significou muito trabalho\u201d, explicou N\u2019Doufou, diretor-executivo da Siregex.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m enriquecemos o programa com imagens e v\u00eddeos, de forma a tornar mais agrad\u00e1vel a experi\u00eancia educacional\u201d, detalhou N\u2019Doufou. O tablet utiliza o sistema operacional Android e \u00e9 resistente \u00e0 \u00e1gua, ao p\u00f3, \u00e0 umidade e ao calor. \u201cO Qelasy est\u00e1 protegido contra tudo o que um aluno africano sem transporte pode encontrar pela frente quando faz seu caminho entre a escola e sua casa\u201d, acrescentou. \u201cSab\u00edamos que precis\u00e1vamos de nosso pr\u00f3prio produto. As necessidades de nossos clientes s\u00e3o muito espec\u00edficas\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>O tablet, controlado pelos pais e professores, substitui todos os livros de texto, as calculadoras e as lousas individuais para desenhar, frequentemente usadas nas aulas no pa\u00eds. Tamb\u00e9m pode ser programado para permitir que as crian\u00e7as naveguem na internet ou acessem jogos em tempos determinados. O pessoal da Siregex tamb\u00e9m desenvolveu um espa\u00e7o virtual em que pais e educadores podem comprar mais de mil elementos, como aplicativos, material educativo e livros.<\/p>\n<p>Embora o Qelasy esteja atualmente concentrado na educa\u00e7\u00e3o, o diretor de marketing da Siregex, Fabrice Dan, informou \u00e0 IPS que os usu\u00e1rios logo poder\u00e3o us\u00e1-lo para outras coisas. \u201cAcreditamos na tecnologia como forma de conseguir mudan\u00e7as positivas. E acreditamos na educa\u00e7\u00e3o. Mas, no fim das contas, oferecemos solu\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m em outras \u00e1reas, como agricultura e microcr\u00e9ditos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento do Qelasy aconteceu no Congresso Mundial de Telefonia M\u00f3vel, realizado em fevereiro em Barcelona, na Espanha. Ainda n\u00e3o est\u00e1 decidido o pre\u00e7o do produto, mas estima-se que ficar\u00e1 entre US$ 275 e US$ 315. Trata-se de um pre\u00e7o alto em um pa\u00eds onde, segundo o governo, apenas dois milh\u00f5es de seus 23 milh\u00f5es de habitantes s\u00e3o classificados como classe m\u00e9dia, com renda entre US$ 2 e US$ 20 por dia.<\/p>\n<p>Embora N\u2019Doufou espere que o governo compre alguns <i>tablets<\/i> para os alunos de suas escolas, esse produto beneficiar\u00e1 majoritariamente as classes alta e m\u00e9dia do pa\u00eds. No momento, est\u00e3o dispon\u00edveis apenas no mercado marfinense, mas a empresa tamb\u00e9m tem os olhos voltados para toda a \u00c1frica de l\u00edngua francesa e inglesa. Contudo, o maior desafio para o sucesso do produto continua sendo o d\u00e9ficit de eletricidade. Em um pa\u00eds onde, segundo o Banco Mundial, apenas 59% da popula\u00e7\u00e3o tem acesso a energia el\u00e9trica, um <i>tablet<\/i> com bateria de oito horas de dura\u00e7\u00e3o tem uma penetra\u00e7\u00e3o limitada.<\/p>\n<p>N\u2019Doufou afirmou que \u201cos telefones celulares t\u00eam uma penetra\u00e7\u00e3o de 80% na Costa do Marfim, apesar do baixo alcance da eletricidade. Os moradores das aldeias encontram solu\u00e7\u00f5es, e o far\u00e3o tamb\u00e9m para isto\u201d. Embora o especialista destaque que o <i>tablet<\/i> foi criado majoritariamente com conhecimentos marfinenses, explicou que sua montagem ocorreu no centro manufatureiro chin\u00eas de Shenzen, onde foram produzidas dez mil unidades. O Qelasy \u00e9 simplesmente a \u00faltima das tecnologias desenvolvidas localmente especificamente para atender problemas marfinenses.<\/p>\n<p>Na semana passada o jovem programador Regis Bamba lan\u00e7ou um aplicativo para registrar os n\u00fameros das placas e outros detalhes dos tax\u00edmetros. O aplicativo Taxi Tracker permite aos usu\u00e1rios enviar informa\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo a outros para que possam seguir seu trajeto em tempo real. Seu objetivo e tentar evitar incidentes como o assassinato no m\u00eas passado da jovem modelo Awa Fadiga, atacada quando voltava de t\u00e1xi para sua casa. Esse crime exp\u00f4s as brechas nos sistemas de seguran\u00e7a e de sa\u00fade da Costa do Marfim.<\/p>\n<p>A modelo ficou em coma e n\u00e3o recebeu aten\u00e7\u00e3o por mais de 12 horas em um hospital local, que se negou a atend\u00ea-la at\u00e9 serem pagos os procedimentos. \u201c\u00c9 minha rea\u00e7\u00e3o \u00e0 sua morte. Vi sua foto e pensei que poderia ter sido minha irm\u00e3 mais nova. Disse a mim mesmo que n\u00e3o podia ficar de bra\u00e7os cruzados\u201d, contou Bamba \u00e0 IPS. \u201cEsta \u00e9 minha solu\u00e7\u00e3o concreta como cidad\u00e3o at\u00e9 que as autoridades fa\u00e7am algo significativo para proteger a popula\u00e7\u00e3o. Assim, a morte de Awa n\u00e3o ter\u00e1 sido em v\u00e3o\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Em 2013, Jean Delmas Ehui criou o aplicativo M\u00f4 Ni Bah, que permite notificar rapidamente um nascimento por meio de um servi\u00e7o de mensagem de texto, que \u00e9 recebida por pessoal capacitado que os enviam \u00e0s autoridades de registro. Trata-se de outra importante inova\u00e7\u00e3o em um pa\u00eds onde existem grandes dist\u00e2ncias entre \u00e1reas rurais e os centros de registro civil. Segundo o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef), ao menos um ter\u00e7o dos nascimentos neste pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 registrado.<\/p>\n<p>Bacely Yoro Bi, especialista tecnol\u00f3gico, estrategista da internet e organizador do ConnectTIC, grupo que re\u00fane entusiastas das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o em Abidjan, opinou que definitivamente existe um auge desse tipo de inova\u00e7\u00e3o na Costa do Marfim. \u201cEst\u00e3o acontecendo muitas coisas aqui em tecnologia, e n\u00e3o se limitam a Abidjan. Foram criadas muitas companhias <i>startup<\/i> (emergentes baseadas na tecnologia) com um enfoque local\u201d, destacou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Parte do sucesso, segundo Yoro Bi, se deve \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o entre os inovadores. \u201cO Qelasy foi poss\u00edvel gra\u00e7as ao fato de haver uma comunidade tecnol\u00f3gica que apoia a si mesma\u201d, destacou N\u2019Doufou. Yoro Bi acrescentou que as inven\u00e7\u00f5es marfinenses devem ser exportadas para o resto da \u00c1frica ocidental e para o mundo. Com a cria\u00e7\u00e3o de zonas comerciais dedicadas \u00e0 tecnologia nos sub\u00farbios de Abidjan e os investimentos em infraestrutura da internet, ele prev\u00ea que os inovadores como N\u2019Doufou e Bamba logo poder\u00e3o superar as fronteiras nacionais. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abidjan, Costa do Marfim, 17\/4\/2014 &ndash; Quando o marfinense Thierry N&rsquo;Doufou viu estudantes sofrendo com suas enormes mochilas cheias de livros, teve uma ideia que tamb&eacute;m ajudaria a superar a brecha digital nas aulas. 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