{"id":17395,"date":"2014-04-17T13:56:24","date_gmt":"2014-04-17T13:56:24","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=111501"},"modified":"2014-04-17T13:56:24","modified_gmt":"2014-04-17T13:56:24","slug":"conflito-maoista-alimenta-exploracao-infantil-na-india","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/conflito-maoista-alimenta-exploracao-infantil-na-india\/","title":{"rendered":"Conflito mao\u00edsta alimenta explora\u00e7\u00e3o infantil na \u00cdndia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_111502\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Sumari.jpg\"><img class=\" wp-image-111502 \" alt=\"Sumari Conflito mao\u00edsta alimenta explora\u00e7\u00e3o infantil na \u00cdndia\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Sumari.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Conflito mao\u00edsta alimenta explora\u00e7\u00e3o infantil na \u00cdndia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Sumari Varda, uma menina traficada do distrito indiano de Narayanpur, limpa o ch\u00e3o em lugar de ir \u00e0 escola. Foto: Stella Paul\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kanker, \u00cdndia, 17\/4\/2014 \u2013 Bem cedinho, Sumari Varda, de 14 anos, veste o uniforme escolar azul e se dirige ao tanque da aldeia para buscar \u00e1gua. \u201cSinto falta da escola, tomara que pudesse voltar\u201d, sussurra, por medo que seu patr\u00e3o escute. Sumari nasceu na aldeia indiana de Dhurbeda, mas agora vive em Bhainsasur, ambas no Estado de Chhattisgarh. Se veste o uniforme escolar \u00e9 por ser uma das poucas roupas que possui.<\/p>\n<p>Sua aldeia nativa fica em Abujhmad, na \u00e1rea florestal no distrito de Narayanpur, apontado como um dos maiores esconderijos do ilegal Partido Comunista Mao\u00edsta da \u00cdndia, que lidera uma violenta rebeli\u00e3o contra o Estado em v\u00e1rias partes do pa\u00eds.<\/p>\n<p>H\u00e1 noves meses uma familiar distante de Raipur, capital do Estado, visitou os pais de Sumari, preocupados pela possibilidade de algum dia sua filha unir-se aos mao\u00edstas. A parente, a quem Sumari chama de \u201ctia Bhudan\u201d, a levou, prometendo envi\u00e1-la a uma escola. Mas o que fez foi mand\u00e1-la para Bhainsasur, a cerca de 180 quil\u00f4metros de Raipur. Agora a menina trabalha duramente mais de 14 horas por dia na casa do irm\u00e3o de sua tia, cozinhando, lavando, buscando \u00e1gua e \u00e0s vezes tamb\u00e9m cuidando do gado. Milhares de meninas e meninos de Chhattisgarh t\u00eam a mesma sina a cada ano.<\/p>\n<p>Segundo estudo divulgado em 2013 pelo Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas contra a Droga e o Crime, mais de tr\u00eas mil menores s\u00e3o submetidos ao tr\u00e1fico de pessoas anualmente a partir desse Estado. O documento se centra nos distritos do norte, menos afetados pelo conflito. Distritos como Dantewada, Sukma, Bijapur, Kanker e Narayanpur, celeiros do movimento mao\u00edsta, n\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddos no relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O motivo \u00e9 a falta de dados, disse um funcion\u00e1rio do Departamento de Desenvolvimento Rural. Os pesquisadores e investigadores n\u00e3o chegam a esses locais mais inacess\u00edveis, acrescentou a fonte que pediu para n\u00e3o ser identificada. \u201cEm abril de 2010, os mao\u00edstas mataram 76 agentes de seguran\u00e7a em Dantewada. Desde ent\u00e3o, a rebeli\u00e3o escalou a um n\u00edvel tal que s\u00e3o poucos os que se atrevem a visitar locais como Dantewada, Sukma ou Narayanpur. E se voc\u00ea n\u00e3o entrar na \u00e1rea, como conseguir\u00e1 dados?\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Bhan Sahu acredita que a falta de dados, na realidade, ajuda os traficantes. Ela \u00e9 fundadora da Jurmil Morcha, a \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o feminina tribal do Estado que luta contra os deslocamentos for\u00e7ados de comunidades nativas florestais.<\/p>\n<p>\u201cCada vez que ocorre um massacre ou um encontro entre os mao\u00edstas e as for\u00e7as de seguran\u00e7a, muitas fam\u00edlias fogem de suas aldeias. Os traficantes escolhem essas fam\u00edlias, pagam a elas e se oferecem para cuidar de seus filhos\u201d, contou Sahu, que denunciou v\u00e1rios casos de tr\u00e1fico na CG-Net Swara, uma rede de not\u00edcias comunit\u00e1rias. \u201cMas o governo n\u00e3o quer admitir nem as migra\u00e7\u00f5es nem o tr\u00e1fico. Assim, os traficantes n\u00e3o sofrem nenhuma persegui\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Jyoti Dugga, de 11 anos, joga o hula-hola com aros de ferro para entreter os turistas nas praias de Goa, no ocidente da \u00cdndia. Ela tamb\u00e9m \u00e9 de Chhattisgarh. Seu irm\u00e3o mais velho foi preso por supostos v\u00ednculos com os mao\u00edstas. Seus pais se preocupavam que ela tamb\u00e9m fosse presa. H\u00e1 tr\u00eas anos concordaram em envi\u00e1-la com um vizinho chamado Ramesh Gota, que Jyoti chamava de \u201ctio\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO tio disse que tinha muitos contatos e que poderia me conseguir trabalho, por isso meus pais me enviaram com ele\u201d, contou Jyoti, que tamb\u00e9m faz massagens nos p\u00e9s dos turistas. Compartilha um pequeno quarto com outras tr\u00eas crian\u00e7as, todas de Chhattisgarh e com aspecto de desnutri\u00e7\u00e3o. No come\u00e7o deste m\u00eas a pol\u00edcia resgatou 20 crian\u00e7as que eram obrigadas a trabalhar em um circo de Goa. Mas Gota, o empregador de Jyoti, \u00e9 muito h\u00e1bil para se deixar pegar: o tempo todo traslada as crian\u00e7as de uma praia para outra.<\/p>\n<p>O governo nega a exist\u00eancia do tr\u00e1fico e da explora\u00e7\u00e3o infantil. Ram Niwas, diretor-geral adjunto do Departamento de Pol\u00edcia de Chhattisgarh, afirmou que o tr\u00e1fico de pessoas \u201cdiminuiu consideravelmente\u201d ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o de unidades especiais para combat\u00ea-lo. \u201cO processo de identificar esses distritos (onde se concentra o tr\u00e1fico) est\u00e1 em marcha e ter\u00e1 prioridade\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>O informe das Na\u00e7\u00f5es Unidas diz que o desempenho de Chhattisgarh na implanta\u00e7\u00e3o de programas de prote\u00e7\u00e3o infantil \u00e9 inadequado. \u201cAs unidades de prote\u00e7\u00e3o infantil do distrito n\u00e3o existem, e os comit\u00eas de bem-estar infantil n\u00e3o est\u00e3o trabalhando em toda sua capacidade\u201d, segundo o estudo. O documento acrescenta que o Estado n\u00e3o leva a s\u00e9rio a tarefa de devolver aos seus lares as crian\u00e7as exploradas.<\/p>\n<p>Mamata Raghuveer, ativista pelos direitos infantis no vizinho Estado de Andhra Pradesh, lidera a organiza\u00e7\u00e3o Tharuni, que resgata meninos e meninas em colabora\u00e7\u00e3o com o governo estadual. Segundo Raghuveer, nos dois \u00faltimos anos foram resgatadas 65 meninas. A maioria era dos distritos de Chhattisgarh afetadas pelo conflito. \u201cH\u00e1 homens que levam para suas casas meninas de sete e oito anos. Algumas s\u00e3o empregadas como trabalhadoras dom\u00e9sticas, outras s\u00e3o vendidas a exploradores sexuais. Quando os homens correm risco de serem pegos, desaparecem e abandonam as meninas\u201d, explicou.<\/p>\n<p>O governo tem uma Pol\u00edtica Nacional de Trabalho Infantil para a reabilita\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as for\u00e7adas a trabalhar. Os resgatados com idades entre nove e 14 anos s\u00e3o inscritos em centros de capacita\u00e7\u00e3o especial, onde recebem alimenta\u00e7\u00e3o, cuidados com a sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, afirmou no parlamento, em fevereiro, o ministro do Trabalho, Kodikunnil Suresh. \u201cAtualmente, o programa atende 300 mil crian\u00e7as\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A IPS conheceu Mary Suvarna, de nove anos, em um centro de capacita\u00e7\u00e3o especial em Warangal, Estado de Andhra Pradesh. Ela foi resgatada h\u00e1 um ano em uma esta\u00e7\u00e3o de trem da cidade. Vivia em uma aldeia florestal chamada Badekeklar, contou a menina. \u00c9 improv\u00e1vel que alguma vez retorne ao seu lar. Suvarna tem um sonho. \u201cQuero ser oficial de pol\u00edcia\u201d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Kanker, &Iacute;ndia, 17\/4\/2014 &ndash; Bem cedinho, Sumari Varda, de 14 anos, veste o uniforme escolar azul e se dirige ao tanque da aldeia para buscar &aacute;gua. &ldquo;Sinto falta da escola, tomara que pudesse voltar&rdquo;, sussurra, por medo que seu patr&atilde;o escute. 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