{"id":17406,"date":"2014-04-23T15:04:03","date_gmt":"2014-04-23T15:04:03","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=111748"},"modified":"2014-04-23T15:04:03","modified_gmt":"2014-04-23T15:04:03","slug":"polonia-usa-a-ucrania-para-impulsionar-o-carvao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/polonia-usa-a-ucrania-para-impulsionar-o-carvao\/","title":{"rendered":"Pol\u00f4nia usa a Ucr\u00e2nia para impulsionar o carv\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_111749\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/polonia640.jpg\"><img class=\" wp-image-111749 \" alt=\"polonia640 Pol\u00f4nia usa a Ucr\u00e2nia para impulsionar o carv\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/polonia640.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Pol\u00f4nia usa a Ucr\u00e2nia para impulsionar o carv\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Ambientalistas protestam contra o carv\u00e3o diante do Minist\u00e9rio da Economia da Pol\u00f4nia. Foto: Claudia Ciobanu\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vars\u00f3via, Pol\u00f4nia, 23\/4\/2014 \u2013 O primeiro-ministro da Pol\u00f4nia, Donald Tusk, prop\u00f4s uma \u201cuni\u00e3o estrat\u00e9gica\u201d dentro da Uni\u00e3o Europeia (UE) como resposta do bloco \u00e0 crise da Ucr\u00e2nia, mas seu plano pode ser um cavalo de Troia a favor dos combust\u00edveis f\u00f3sseis. Pela proximidade geogr\u00e1fica e pelos profundos v\u00ednculos hist\u00f3ricos entre Pol\u00f4nia e Ucr\u00e2nia, o governo de centro-direita de Tusk assumiu uma posi\u00e7\u00e3o relevante nas tentativas de aliviar a crise ucraniana.<\/p>\n<p>O ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Radoslaw Sikorski, participou ativamente das negocia\u00e7\u00f5es de fevereiro entre os l\u00edderes opositores do Euromaidan, como s\u00e3o conhecidos os protestos a favor da UE registrados em novembro em Kiev, e o ent\u00e3o presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, deposto no dia 22 daquele m\u00eas. O protagonismo do governo polon\u00eas na crise lhe rende cr\u00e9ditos eleitorais. Em uma pesquisa realizada no come\u00e7o de abril pela TNS Polska, a governante Plataforma C\u00edvica liderou as prefer\u00eancias dos entrevistados, desbancando pela primeira vez em anos o Partido de Paz e Justi\u00e7a, do ex-primeiro-ministro Jaroslaw Kaczynski (2006-2007).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o s\u00f3 a Plataforma C\u00edvica volta a liderar, como tamb\u00e9m h\u00e1 mais poloneses dispostos a votar e a faz\u00ea-lo no governo\u201d, pontuou \u00e0 IPS o analista Lukasz Lipinski, do grupo de especialistas Polityka Insight, de Vars\u00f3via. Como resultado, na campanha para as elei\u00e7\u00f5es legislativas da UE de 25 de maio, \u201ctodos os partidos opositores querem agora privilegiar o debate sobre assuntos internos, porque assim \u00e9 muito mais f\u00e1cil criticar a Plataforma C\u00edvica ap\u00f3s seis anos no poder\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Mas o governo insiste no tema da Ucr\u00e2nia e, no final de mar\u00e7o, o primeiro-ministro prop\u00f4s uma uni\u00e3o energ\u00e9tica europeia que torne o continente resistente a crises como o conflito entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia pela pen\u00ednsula da Crimeia. \u201cA experi\u00eancia da invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia nas \u00faltimas semanas mostra que a Europa deve caminhar para a solidariedade em mat\u00e9ria de energia\u201d, disse o primeiro-ministro em Tychy, cidade da regi\u00e3o da Sil\u00e9sia, produtora de carv\u00e3o.<\/p>\n<p>Tusk prop\u00f4s seis dimens\u00f5es da \u201cuni\u00e3o energ\u00e9tica\u201d: cria\u00e7\u00e3o de um mecanismo efetivo de solidariedade em rela\u00e7\u00e3o ao g\u00e1s em caso de crise de fornecimento, financiamento com fundos da UE para uma infraestrutura que garanta a solidariedade energ\u00e9tica, em particular no leste do bloco, compra coletiva de energia, reabilita\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o como fonte, extra\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto e diversifica\u00e7\u00e3o radical do fornecimento de g\u00e1s \u00e0 UE.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito decepcionante a total aus\u00eancia de medidas de efici\u00eancia energ\u00e9tica nessa vis\u00e3o, embora esse ponto tenha sido crucial nas conclus\u00f5es do Conselho Europeu sobre a Crimeia, apresentadas em mar\u00e7o\u201d, apontou \u00e0 IPS Julia Michalak, encarregada de pol\u00edticas clim\u00e1ticas da UE na n\u00e3o governamental coaliz\u00e3o Climate Action Network Europe. \u201cSe a crise na Crimeia n\u00e3o conseguiu fazer o governo entender que a efici\u00eancia \u00e9 a maneira mais f\u00e1cil e mais barata de conseguir uma real seguran\u00e7a energ\u00e9tica para a Europa, n\u00e3o sei o que conseguir\u00e1\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Embora algumas das medidas propostas por Tusk possam conduzir a uma maior coopera\u00e7\u00e3o europeia, reclamar protagonismo para o carv\u00e3o e o g\u00e1s de xisto \u00e9 principalmente um assunto polon\u00eas. No momento, a UE n\u00e3o tem pol\u00edticas comuns vinculantes sobre o g\u00e1s de xisto. V\u00e1rios Estados membros, como Fran\u00e7a e Bulg\u00e1ria, inclusive t\u00eam sua explora\u00e7\u00e3o proibida. E os objetivos clim\u00e1ticos do bloco no longo prazo, principalmente a meta de descarboniza\u00e7\u00e3o at\u00e9 2050, tornam improv\u00e1vel que o carv\u00e3o ressuscite.<\/p>\n<p>Segundo Michalak, o carv\u00e3o e o g\u00e1s de xisto s\u00e3o elementos dirigidos ao p\u00fablico interno, que deseja que seu governo jogue duro no cen\u00e1rio internacional, e, por outro lado, serve de ferramenta de negocia\u00e7\u00e3o para obter alguns cr\u00e9ditos espec\u00edficos em Bruxelas. O governo de Tusk fez esfor\u00e7os herc\u00faleos para convencer empresas estrangeiras interessadas no g\u00e1s de xisto a investirem na Pol\u00f4nia. Isto incluiu destituir em novembro o ministro do Meio Ambiente, Marcin Korolec, durante a 19\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 19) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, por n\u00e3o estar suficientemente a favor desse combust\u00edvel.<\/p>\n<p>Apesar disso, este m\u00eas, a francesa Total se converteu na quarta transnacional a anunciar o abandono das explora\u00e7\u00f5es no pa\u00eds, pois o g\u00e1s de xisto resulta mais caro nesse territ\u00f3rio do que se acreditava. O consenso nacional polon\u00eas sobre o carv\u00e3o tamb\u00e9m come\u00e7a a apresentar rachas. Quase 90% da eletricidade usada na Pol\u00f4nia procede do carv\u00e3o, e a estrat\u00e9gia governamental prev\u00ea um papel crucial para este mineral at\u00e9 2060.<\/p>\n<p>O governo de Tusk tentou sem sucesso boicotar a ado\u00e7\u00e3o de metas de descarboniza\u00e7\u00e3o pela UE, por isso no momento n\u00e3o est\u00e1 claro como conciliar\u00e1 os compromissos com o bloco e uma economia dependente do carv\u00e3o. No ano passado, o presidente da empresa de estatal de energia PGE renunciou, argumentando que uma expans\u00e3o de 1.800 megawatts (MW) da central de carv\u00e3o de Opole n\u00e3o \u00e9 rent\u00e1vel. De todo modo, o governo decidiu seguir com os planos de amplia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar da percep\u00e7\u00e3o generalizada na Pol\u00f4nia de que o carv\u00e3o \u00e9 uma forma barata de energia, este m\u00eas os principais jornais, incluindo o conservador <i>Rzeczpospolita<\/i>, aderiram ao debate sobre os fatores externos que afetam o carv\u00e3o, devido a um informe do Instituto de Vars\u00f3via para os Estudos Econ\u00f4micos. O documento mostra que, entre 1990 e 2012, os subs\u00eddios poloneses ao carv\u00e3o somaram 40 bilh\u00f5es de euros (US$ 55,216 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>Em 2013, uma s\u00e9rie de institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais, entre elas Banco Mundial e Banco Europeu de Investimentos, anunciaram restri\u00e7\u00f5es significativas ao financiamento do carv\u00e3o. Segundo os novos crit\u00e9rios, emprestar fundos \u00e0 ind\u00fastria polonesa do carv\u00e3o ser\u00e1 imposs\u00edvel para essas institui\u00e7\u00f5es. A Pol\u00f4nia tamb\u00e9m tem que implantar a Diretriz de Emiss\u00f5es Industriais da UE, que reclama padr\u00f5es de contamina\u00e7\u00e3o mais r\u00edgidos em unidades de produ\u00e7\u00e3o de energia a partir de 2016, ou o fechamento das usinas que n\u00e3o os cumprirem.<\/p>\n<p>\u00c9 potencialmente nesse espa\u00e7o que se poder\u00e1 ver alguns dos benef\u00edcios do jogo duro de Vars\u00f3via em mat\u00e9ria de carv\u00e3o. Em fevereiro, a Comiss\u00e3o Europeia, \u00f3rg\u00e3o executivo da UE, permitiu \u00e0 Pol\u00f4nia exonerar 73 de suas unidades produtoras de energia dos requisitos da Diretriz, incluindo duas velhas unidades da geradora de Belchatow, a maior de seu tipo na Europa (5.298 MW) e tamb\u00e9m a principal emissora de di\u00f3xido de carbono.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, este m\u00eas soube-se que a Pol\u00f4nia busca usar fundos regionais do or\u00e7amento da UE 2014-2020, destinados a abordar a contamina\u00e7\u00e3o a\u00e9rea urbana, para financiar a moderniza\u00e7\u00e3o dos maiores produtores internos de carv\u00e3o e g\u00e1s, p\u00fablicos e privados. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Vars&oacute;via, Pol&ocirc;nia, 23\/4\/2014 &ndash; O primeiro-ministro da Pol&ocirc;nia, Donald Tusk, prop&ocirc;s uma &ldquo;uni&atilde;o estrat&eacute;gica&rdquo; dentro da Uni&atilde;o Europeia (UE) como resposta do bloco &agrave; crise da Ucr&acirc;nia, mas seu plano pode ser um cavalo de Troia a favor dos combust&iacute;veis f&oacute;sseis. 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