{"id":17411,"date":"2014-04-24T16:16:38","date_gmt":"2014-04-24T16:16:38","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=111854"},"modified":"2014-04-24T16:16:38","modified_gmt":"2014-04-24T16:16:38","slug":"porto-rico-segue-os-passos-de-grecia-e-detroit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/porto-rico-segue-os-passos-de-grecia-e-detroit\/","title":{"rendered":"Porto Rico segue os passos de Gr\u00e9cia e Detroit"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 14px; line-height: 1.5em;\"><\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_111856\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/prico.jpg\"><img class=\" wp-image-111856 \" alt=\"prico Porto Rico segue os passos de Gr\u00e9cia e Detroit\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/prico.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Porto Rico segue os passos de Gr\u00e9cia e Detroit\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Integrantes da Uni\u00e3o de Trabalhadores da Ind\u00fastria El\u00e9trica e de Irriga\u00e7\u00e3o de Porto Rico protestam pedindo mais seguran\u00e7a no trabalho. O sindicato lidera a luta contra as privatiza\u00e7\u00f5es e contra as impopulares medidas econ\u00f4micas de emerg\u00eancia do governo. Foto: Cortesia de Photo Jam<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>San Juan, Porto Rico, 24\/4\/2014 \u2013 A sociedade de Porto Rico sente como s\u00e3o sacudidas suas bases desde que as consultorias Standard &amp; Poor\u2019s e Moody\u2019s rebaixaram a lixo, em fevereiro, a qualifica\u00e7\u00e3o de seu risco credit\u00edcio. Os problemas atuais \u201cj\u00e1 t\u00eam muito tempo em desenvolvimento, incluindo anos de d\u00e9ficit, de sistema de previs\u00f5es sem financiamento e de desequil\u00edbrios or\u00e7ament\u00e1rios, al\u00e9m de sete anos de recess\u00e3o econ\u00f4mica\u201d, segundo a Moddy\u2019s.<\/p>\n<p>Localizado no Mar do Caribe, Porto Rico \u00e9 um Estado livre associado aos Estados Unidos. Para pagar os servi\u00e7os da d\u00edvida, o Poder Legislativo de Porto Rico est\u00e1 aprovando medidas \u00e0s quais se op\u00f5em os sindicatos, com lan\u00e7ar m\u00e3o do fundo de aposentadoria dos professores. No come\u00e7o deste ano, foi adotada a Lei 160, que reformou essas aposentadorias.<\/p>\n<p>Os sindicatos questionaram a lei na justi\u00e7a. E, no dia 11 deste m\u00eas, a Suprema Corte de Justi\u00e7a decidiu que algumas de suas disposi\u00e7\u00f5es s\u00e3o inconstitucionais porque violam os contratos trabalhistas dos professores. Os sindicatos de docentes festejaram a senten\u00e7a como uma vit\u00f3ria, embora a Corte tenha mantido outros artigos da lei que afetam pagamentos extraordin\u00e1rios no Natal, licen\u00e7as de ver\u00e3o e benef\u00edcios m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>A crise fiscal \u00e9 resultado do fracasso do modelo econ\u00f4mico de Porto Rico, segundo o sindicalista Luis Pedraza-Leduc. \u201cNosso modelo econ\u00f4mico, que consiste em fornecer m\u00e3o de obra barata \u00e0s ind\u00fastrias farmac\u00eautica e petroqu\u00edmica e \u00e0 manufatura leve, est\u00e1 esgotado\u201d, afirmou \u00e0 IPS. \u201cNas \u00faltimas d\u00e9cadas houve uma tend\u00eancia mundial de reduzir ao m\u00ednimo a participa\u00e7\u00e3o do Estado na economia\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cOs que antes eram considerados servi\u00e7os b\u00e1sicos a serem proporcionados pelo Estado, agora se convertem em mercadorias nas m\u00e3os de empresas privadas. Para n\u00e3o ter que reduzir esses servi\u00e7os essenciais, o governo se endividou\u201d, apontou Pedraza-Leduc, respons\u00e1vel pelo Programa de Solidariedade da Uni\u00e3o de Trabalhadores da Ind\u00fastria El\u00e9trica e de Irriga\u00e7\u00e3o e porta-voz da Coordenadoria Sindical, que re\u00fane uma dezena de sindicatos.<\/p>\n<p>Segundo dados do escrit\u00f3rio do governador Alejandro Garc\u00eda Padilla, do Partido Popular Democr\u00e1tico (PPD), a d\u00edvida p\u00fablica chegou a US$ 10 bilh\u00f5es em 1987, quando o PPD era governo, e alcan\u00e7ou os US$ 20 bilh\u00f5es em 1998, durante a gest\u00e3o de Pedro Rossell\u00f3, do Novo Partido Progressista. No governo de Sila Mar\u00eda Calder\u00f3n (2001-2005), do PPD, a d\u00edvida passou para US$ 30 bilh\u00f5es. E ao concluir seu mandato em 2012, o governador Luis Fortu\u00f1o, do mesmo partido, deixou Porto Rico com mais de US$ 60 bilh\u00f5es de d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Pedraza-Leduc recordou que sucessivos governadores adotaram mais medidas neoliberais. \u201cRossell\u00f3 privatizou a sa\u00fade, a companhia telef\u00f4nica e a empresa de \u00e1gua. O governador An\u00edbal Acevedo Vil\u00e1 (PPD, 2004-2007) criou o imposto sobre venda no varejo (IVU)\u201d, detalhou o sindicalista. Fortu\u00f1o demitiu mais de 30 mil funcion\u00e1rios p\u00fablicos, e introduziu as \u201cassocia\u00e7\u00f5es p\u00fablico-privadas\u201d, que os sindicatos consideram esquemas de privatiza\u00e7\u00e3o mal disfar\u00e7ados.<\/p>\n<p>Ao iniciar seu mandato, em 2013, Padilla privatizou o aeroporto internacional de San Juan, e estuda novos impostos. A Constitui\u00e7\u00e3o obriga o governo a pagar suas d\u00edvidas. \u201cPara pagar os possuidores de b\u00f4nus, o governo pode fechar escolas, reduzir o servi\u00e7o di\u00e1rio do Trem Urbano e o sistema de emerg\u00eancia telef\u00f4nica 911, al\u00e9m de congelar a contrata\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios p\u00fablicos\u201d, ressaltou Pedraza-Leduc. Tamb\u00e9m \u201cconsidera reduzir as bonifica\u00e7\u00f5es de Natal e os dias de licen\u00e7a por doen\u00e7a\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo a economista Martha Qui\u00f1ones, da Universidade de Porto Rico, essa ilha experimenta \u201ca mesma crise que a Gr\u00e9cia e Detroit\u201d. Mas \u201caqui \u00e9 mais ampla por nossa situa\u00e7\u00e3o colonial. Nossa economia consistia em atrair corpora\u00e7\u00f5es estrangeiras com m\u00e3o de obra barata e incentivos fiscais\u201d, um modelo \u201cex\u00f3geno\u201d e dependente de investimentos do exterior, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o funcionou. N\u00e3o foram criados empregos suficientes e os desempregados n\u00e3o pagam impostos. As empresas locais acabaram assumindo a carga tribut\u00e1ria que foi exonerada das estrangeiras, ent\u00e3o muitas tiveram que fechar. N\u00e3o havia competi\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de igualdade entre o capital nacional e o estrangeiro\u201d, destacou Qui\u00f1ones.<\/p>\n<p>Para a economista, a senten\u00e7a de morte foi decretada pelo Tratado de Livre Com\u00e9rcio da Am\u00e9rica do Norte (TLCAN), em vigor desde 1994, e outros acordos de liberaliza\u00e7\u00e3o comercial forjados pelos Estados Unidos, que baratearam ainda mais a m\u00e3o de obra dispon\u00edvel em outras regi\u00f5es e liquidaram a escassa vantagem comparativa de Porto Rico. Sucessivos governos tentaram compensar esses fracassos solicitando a Washington b\u00f4nus de alimentos e seguro desemprego, al\u00e9m de outras formas de assist\u00eancia social.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram emitidos b\u00f4nus, que levaram ao endividamento e \u00e0 d\u00e9b\u00e2cle atual. A alternativa, para Qui\u00f1ones, \u00e9 um modelo econ\u00f4mico \u201cend\u00f3geno\u201d, que fortale\u00e7a as capacidades nacionais em lugar de olhar para fora para cobrir as necessidades. \u201cO governo deve apoiar as empresas de capital local. Essas s\u00e3o as que criam empregos e pagam impostos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cO governo tamb\u00e9m deve arrecadar o IVU, que a maioria dos comerciantes n\u00e3o est\u00e1 pagando. \u00c9 preciso uma reforma tribut\u00e1ria progressista, e os ricos que sonegarem impostos devem ir \u00e0 justi\u00e7a. \u00c9 necess\u00e1rio come\u00e7ar investigando as empresas que s\u00f3 aceitam pagamentos em dinheiro e as pessoas que solicitam uma segunda hipoteca. Esses s\u00e3o sinais vermelhos muito \u00f3bvios\u201d, afirmou a economista. Qui\u00f1ones tamb\u00e9m disse que o sistema de sa\u00fade deve passar a ser de pagador \u00fanico, \u201cem lugar do ineficiente e insustent\u00e1vel que temos agora\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Pedraza-Leduc, \u201cos trabalhadores enfrentam tr\u00eas op\u00e7\u00f5es: podem emigrar, se resignar com a pobreza, ou sair \u00e0s ruas para se organizar e lutar por justi\u00e7a\u201d. Contudo, admitiu, as perspectivas de uma luta popular s\u00e3o ao menos incertas porque \u201cfalta consci\u00eancia de classe. Talvez n\u00e3o estejamos preparados para uma confronta\u00e7\u00e3o\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>Para ele, a sa\u00edda \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o. \u201cProponho um projeto educacional, uma Escola Sindical que possa transcender os sindicatos e se diversificar em assuntos mais amplos, favorecendo, assim, a luta pol\u00edtica\u201d, afirmou. \u201cE precisamos de um novo modelo, devemos falar concretamente de justi\u00e7a e de uma distribui\u00e7\u00e3o equitativa da riqueza\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>\u201cSer\u00e1 preciso reexaminar a rela\u00e7\u00e3o de Porto Rico com os Estados Unidos. Nosso <i>status<\/i> atual n\u00e3o nos permite assinar acordos comerciais com outros pa\u00edses. Poder\u00edamos estar associados a outras na\u00e7\u00f5es, e tamb\u00e9m obter petr\u00f3leo mais barato da Venezuela. Mas assim n\u00e3o podemos\u201d, concluiu Pedraza-Leduc. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; San Juan, Porto Rico, 24\/4\/2014 &ndash; A sociedade de Porto Rico sente como s&atilde;o sacudidas suas bases desde que as consultorias Standard &amp; Poor&rsquo;s e Moody&rsquo;s rebaixaram a lixo, em fevereiro, a qualifica&ccedil;&atilde;o de seu risco credit&iacute;cio. 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