{"id":17415,"date":"2014-04-25T13:29:38","date_gmt":"2014-04-25T13:29:38","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=111922"},"modified":"2014-04-25T13:29:38","modified_gmt":"2014-04-25T13:29:38","slug":"recrudesce-a-perseguicao-a-homossexuais-em-uganda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/recrudesce-a-perseguicao-a-homossexuais-em-uganda\/","title":{"rendered":"Recrudesce a persegui\u00e7\u00e3o a homossexuais em Uganda"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_111923\" style=\"width: 340px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/uganda_chica.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-111923\" alt=\"uganda chica Recrudesce a persegui\u00e7\u00e3o a homossexuais em Uganda\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/uganda_chica.jpg\" width=\"330\" height=\"472\" title=\"Recrudesce a persegui\u00e7\u00e3o a homossexuais em Uganda\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Sandra Ntebi, que est\u00e1 \u00e0 frente de uma linha telef\u00f4nica de ajuda \u00e0 comunidade LGBTI em Uganda, participa da Marcha do Orgulho Gay 2013. Foto: Amy Fallon\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Kampala, Uganda, 25\/4\/2013 \u2013 \u201cEstou exausta. N\u00e3o sei por onde come\u00e7ar. Temos muitos casos pendentes\u201d, afirmou \u00e0 IPS a ugandesa Sandra Ntebi, enquanto atendia um celular que n\u00e3o parava de tocar e atrav\u00e9s do qual coordena uma linha de ajuda a l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, transg\u00eaneros e intersexuais (LGBTI) a encontrar um teto seguro ap\u00f3s serem hostilizados. \u201cNeste exato momento, algumas pessoas est\u00e3o sendo colocadas para fora de suas casas, e outras est\u00e3o na pris\u00e3o. A cada dia h\u00e1 casos semelhantes\u201d, afirmou, em um hotel de Kampala onde est\u00e1 instalada.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o em Uganda dois meses depois que, em 24 de fevereiro, o presidente Yoweri Museveni promulgou um draconiano projeto antigay, que criminaliza ainda mais a homossexualidade nesse pa\u00eds do leste da \u00c1frica. No dia da entrevista, Ntebi havia recebido telefonemas sobre quatro novos casos de pessoas LGBTI, ou vistas como tal, v\u00edtimas de despejo por parte dos senhores da terra, de pris\u00f5es ou de ataques coletivos.<\/p>\n<p>No total, ela e um colega receberam at\u00e9 agora informa\u00e7\u00f5es sobre cerca de 130 casos em todo o pa\u00eds desde que Museveni assinou a Lei Anti-Homossexualidade. A lei castiga com pris\u00e3o perp\u00e9tua alguns atos homossexuais, e tamb\u00e9m penaliza a \u201cpromo\u00e7\u00e3o da homossexualidade\u201d, entre outras medidas. \u201cA situa\u00e7\u00e3o \u00e9 tensa. Neste momento a lei est\u00e1 promovendo a viol\u00eancia\u201d, destacou Ntebi. \u201cRecebo os informes pela linha telef\u00f4nica para den\u00fancias. Depois nos sentamos para analisar os detalhes e os classificamos em despejos, pris\u00f5es e ataques\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Durante a jornada seu colega recebeu um telefonema sobre novo incidente em Hoima, no leste do pa\u00eds. Entre os casos que Ntebi trata h\u00e1 um novo ataque contra Brenda, uma trabalhadora sexual transg\u00eanero de aproximadamente 40 anos e que tem aids. Ela vive nos sub\u00farbios da capital. Em mar\u00e7o a fizeram \u201cdesfilar\u201d perante a imprensa local, a apontaram como transexual, bateram nela, a desnudaram e a prenderam.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s a resgatamos e Brenda voltou para sua casa na aldeia e n\u00e3o podia nem mesmo sair, porque as pessoas estavam do lado de fora todos os dias, esperando para atirar pedra nela\u201d, contou Ntebi. Brenda passou a ficar na casa de uma amiga, seguindo o conselho dado pela linha telef\u00f4nica de ajuda. Depois, no dia 17, apanhou novamente, foi levada para o hospital e agora se refugia em um hotel. \u201cEstamos procurando uma moradia de aluguel para ela\u201d, disse Ntebi.<\/p>\n<p>No dia 19 de mar\u00e7o, quando Brenda foi atacada pela primeira vez, tr\u00eas homens ugandeses, que se presumia fossem gays, foram atacados e internados no Hospital Mulago, em Kampala. Poucas semanas depois, disse Ntebi, uma embaixada alertou a equipe sobre o poss\u00edvel suic\u00eddio de uma pessoa LGBTI. No dia 3 deste m\u00eas, funcion\u00e1rios de intelig\u00eancia forense invadiram a cl\u00ednica do Projeto Walter Reed, na Universidade Makerere de Kampala. A cl\u00ednica \u00e9 um projeto sem fins lucrativos no qual colaboram a universidade e o programa das For\u00e7as Armadas dos Estados Unidos, para a pesquisa sobre o v\u00edrus HIV, causador da aids.<\/p>\n<p>A pol\u00edcia afirmou que o projeto, um dos poucos que em Kampala oferecem servi\u00e7os a pessoas LGBTI com aids, \u201crealizava recrutamento e capacita\u00e7\u00e3o de homens jovens em atos sexuais antinaturais\u201d. Muitos ativistas e outros membros da comunidade gay agora est\u00e3o clandestinos, segundo Ntebi, que usa um jaleco negro de uma campanha de 2006 organizada pela n\u00e3o governamental Minorias Sexuais Uganda, que re\u00fane todas as entidades de homossexuais do pa\u00eds. As palavras Deixe-me Em Paz est\u00e3o bordadas nas costas. Ntebi diz que muitos ativistas fugiram de Uganda para buscar asilo em diferentes pa\u00edses, enquanto a maioria das organiza\u00e7\u00f5es LGBTI fecharam \u201cpor medo\u201d. Agora s\u00f3 vai trabalhar em seu escrit\u00f3rio quando \u00e9 absolutamente essencial.<\/p>\n<p>Um dos que decidiram se esconder \u00e9 Beyondy, um figurinista de 23 anos. Antes, passava os dias costurando para seus clientes ou planejando trabalhos para eventos, como a segunda Marcha do Orgulho Gay do ano passado. Desde que a lei foi promulgada, Beyondy se mudou para uma prec\u00e1ria moradia de um dormit\u00f3rio, em um assentamento no movimentado sub\u00farbio de Kampala, onde quase sempre est\u00e1 fechado, assistindo v\u00eddeos de m\u00fasicas interpretados por Beyonc\u00e9, Pink e Rita Ora. S\u00f3 sai quando \u00e9 imprescind\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cEu queria ser artista, para que as pessoas pudessem ver meu talento e me descobrissem. Mas agora penso que \u00e9 imposs\u00edvel. Agora o assunto \u00e9 sobreviver, salvar sua vida e ficar tranquilo, o tempo todo na clandestinidade\u201d, disse \u00e0 IPS. No passado, Beyondy foi \u201cmuito\u201d atacado, e teme que voltem a agredi-lo agora que est\u00e1 em vigor a lei antigay. \u201cH\u00e1 pouco algu\u00e9m disse: se pud\u00e9ssemos escolher entre perdoar um violador e um gay, escolher\u00edamos o violador\u201d, contou.<\/p>\n<p>Os ativistas esperam que uma peti\u00e7\u00e3o apresentada em mar\u00e7o para desafiar a lei d\u00ea resultados no come\u00e7o do pr\u00f3ximo m\u00eas no tribunal constitucional do pa\u00eds. Segundo o jornal ugandense <i>The Observer<\/i>, o governo apresentou um recurso que sustenta que a lei n\u00e3o viola o direito \u00e0 igualdade e \u00e0 liberdade de castigos cru\u00e9is, desumanos e degradantes que garante a Constitui\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mas, mesmo se a lei for revogada, Beyondy opinou que ser\u00e1 preciso muito mais do que um senten\u00e7a judicial para mudar a atitude da sociedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 homossexualidade em Uganda. Os ativistas ressaltam que esse pa\u00eds \u201cimportou\u201d o atual clima de homofobia por interm\u00e9dio de representantes ocidentais das igrejas evang\u00e9licas. Nesse clima, praticamente todos s\u00e3o conscientes de que podem usar a sexualidade de uma pessoa para atac\u00e1-la. \u201cEst\u00e1 na mentalidade das pessoas e, mesmo que a lei seja anulada, continuar\u00e3o pensando nisso\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kampala, Uganda, 25\/4\/2013 &ndash; &ldquo;Estou exausta. N&atilde;o sei por onde come&ccedil;ar. Temos muitos casos pendentes&rdquo;, afirmou &agrave; IPS a ugandesa Sandra Ntebi, enquanto atendia um celular que n&atilde;o parava de tocar e atrav&eacute;s do qual coordena uma linha de ajuda a l&eacute;sbicas, gays, bissexuais, transg&ecirc;neros e intersexuais (LGBTI) a encontrar um teto seguro ap&oacute;s serem [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/recrudesce-a-perseguicao-a-homossexuais-em-uganda\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2036,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2022,989,3178,2264,1542],"class_list":["post-17415","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-homesexuais","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips","tag-perseguicao","tag-uganda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17415","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2036"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17415"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17415\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17415"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17415"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17415"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}