{"id":17416,"date":"2014-04-25T13:26:43","date_gmt":"2014-04-25T13:26:43","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=111919"},"modified":"2014-04-25T13:26:43","modified_gmt":"2014-04-25T13:26:43","slug":"japao-busca-trabalhadores-estrangeiros-a-contragosto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/japao-busca-trabalhadores-estrangeiros-a-contragosto\/","title":{"rendered":"Jap\u00e3o busca trabalhadores estrangeiros, a contragosto"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_111920\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Japan-workers-629x404-chica.jpg\"><img class=\" wp-image-111920 \" alt=\"Japan workers 629x404 chica Jap\u00e3o busca trabalhadores estrangeiros, a contragosto\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Japan-workers-629x404-chica.jpg\" width=\"529\" height=\"304\" title=\"Jap\u00e3o busca trabalhadores estrangeiros, a contragosto\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Trabalhadores estrangeiros se manifestam em T\u00f3quio contra a discrimina\u00e7\u00e3o e em defesa de seus direitos b\u00e1sicos. Foto: Catherine Makino\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00f3quio, Jap\u00e3o, 25\/4\/2014 \u2013 Desesperado pela falta de m\u00e3o de obra para atender o auge da constru\u00e7\u00e3o, o Jap\u00e3o prop\u00f4s ampliar seu controvertido programa de aprendizes estrangeiros para que mais trabalhadores n\u00e3o qualificados da \u00c1sia possam trabalhar em empresas japonesas durante cinco anos. At\u00e9 agora o plano de est\u00e1gio, vigente desde 1993, permite a estrangeiros n\u00e3o qualificados trabalhar em companhias japonesas durante tr\u00eas anos, com o objetivo de se capacitarem em novas tecnologias antes de regressarem para casa.<\/p>\n<p>Entretanto, o sistema est\u00e1 cheio de problemas. Em 2012 foram denunciadas mais de 200 empresas por baixos sal\u00e1rios e longas jornadas para os estrangeiros. Ativistas veem o atual sistema como uma medida para enfrentar o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o. Cerca de um quarto dos 130 milh\u00f5es de japoneses tem mais de 65 anos. Em 1995, a for\u00e7a de trabalho atingiu seu pico m\u00e1ximo de 83 milh\u00f5es de trabalhadores, mas esse n\u00famero baixou para quase 78 milh\u00f5es em 2012.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o civil precisa urgentemente de m\u00e3o de obra estrangeira para trabalhos como gesseiro ou fabricante de moldes. O governo prop\u00f5e ampliar em dois anos os vistos de aprendizes em \u201catividades espec\u00edficas\u201d. Fontes sindicais afirmam que a medida pretende atender as constru\u00e7\u00f5es vinculadas aos Jogos Ol\u00edmpicos que o Jap\u00e3o vai sediar em 2020, e que o sistema de forma\u00e7\u00e3o representa muito pouco para a pol\u00edtica oficial de interc\u00e2mbio tecnol\u00f3gico com os pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u201cA pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o se nega a tratar os trabalhadores estrangeiros como pessoas com direitos que devem ser protegidos. A nova medida \u00e9 um claro exemplo do objetivo \u2018use e abuse da m\u00e3o de obra estrangeira\u2019\u201d, apontou \u00e0 IPS o dirigente Ippei Torii, chefe do setor dos trabalhadores estrangeiros na central sindical Zentotsu.<\/p>\n<p>A central negocia a situa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios trabalhadores estrangeiros que foram discriminados por seus empregadores. Um caso t\u00edpico \u00e9 o de seis mulheres chinesas que ganhavam US$ 4 por hora, metade do sal\u00e1rio m\u00ednimo legal, em uma f\u00e1brica t\u00eaxtil de uma \u00e1rea rural do Jap\u00e3o, onde trabalharam durante tr\u00eas anos. \u201cN\u00e3o podiam ir embora porque cada uma delas tinha d\u00edvida de US$ 8 mil com intermedi\u00e1rios em seus lugares de origem na China\u201d, explicou Ippei.<\/p>\n<p>Atualmente, 136.603 trabalhadores estrangeiros, 19% do total, est\u00e3o como aprendizes no Jap\u00e3o. Cidad\u00e3os de China, Vietn\u00e3 e Filipinas encabe\u00e7am a lista. Aproximadamente 15 mil trabalham na constru\u00e7\u00e3o civil. Seu sal\u00e1rio m\u00e9dio \u00e9 calculado em US$ 1,2 mil mensais, mais horas extras.<\/p>\n<p>Jotaro Kato, da Sociedade pela Amizade dos Povos da \u00c1sia (APFS) afirmou \u00e0 IPS que o governo deve autorizar vistos de trabalho para m\u00e3o de obra n\u00e3o especializada. \u201cO aumento proposto de aprendizes estrangeiros \u00e9 o t\u00edpico estratagema e n\u00e3o representa uma solu\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel para um problema nacional crucial\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o estabelecimento de controles mais rigorosos, os estrangeiros que ficam mais tempo al\u00e9m do permitido passaram de 250 mil na d\u00e9cada de 1990 para apenas seis mil atualmente. \u201cOs pobres da \u00c1sia agora entram no Jap\u00e3o como aprendizes, solicitam o <i>status<\/i> de refugiados ou se casam com japonesas, em uma tentativa desesperada de viver aqui\u201d, explicou Kato.<\/p>\n<p>O Sindicato de Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o recha\u00e7a o novo plano de aprendizes porque aumentaria o n\u00famero de estrangeiros com sal\u00e1rios baixos, o que coloca em risco os sal\u00e1rios mais altos dos japoneses. A Federa\u00e7\u00e3o Japonesa da Constru\u00e7\u00e3o divulgou um comunicado este m\u00eas pedindo que nos pr\u00f3ximos cinco anos seja duplicado o n\u00famero de mulheres trabalhadoras no setor, atualmente 90 mil, para reduzir a brecha entre a oferta e a demanda.<\/p>\n<p>Uma pesquisa de opini\u00e3o p\u00fablica realizada em mar\u00e7o pelo jornal <i>Yomuiri<\/i>, constatou que apenas 10% dos entrevistados estavam dispostos a aceitar trabalhadores migrantes n\u00e3o qualificados, por precau\u00e7\u00f5es como o aumento da criminalidade. Uma esmagadora maioria de 85% apoiou que se some mais mulheres \u00e0 popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa. Menos de 2% da popula\u00e7\u00e3o japonesa aceita os estrangeiros. Isso inclui as quase 400 mil pessoas na categoria de Residentes Permanentes Especiais, reservada para os descendentes de coreanos nascidos no Jap\u00e3o, sem receber a cidadania.<\/p>\n<p>O Jap\u00e3o \u00e9 o pa\u00eds do Norte industrial com menos estrangeiros em sua for\u00e7a de trabalho, apenas 11%, contra 9,4% da Alemanha e 7,6% da Gr\u00e3-Bretanha. A Coreia do Sul teve 2,2% de trabalhadores estrangeiros em 2011, depois que foram concedidas autoriza\u00e7\u00f5es trianuais de trabalho para imigrantes tempor\u00e1rios.<\/p>\n<p>Diante da iminente crise demogr\u00e1fica, o Jap\u00e3o tamb\u00e9m teve que fazer algumas mudan\u00e7as em suas pol\u00edticas de imigra\u00e7\u00e3o. Em 2008, assinou dois acordos de associa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com Indon\u00e9sia e Filipinas, que incluem um dispositivo para que o pessoal de enfermagem desses pa\u00edses possa trabalhar no Jap\u00e3o. Nos \u00faltimos cinco anos, chegaram cerca de 750 enfermeiras procedentes desses pa\u00edses. O Jap\u00e3o apresenta um d\u00e9ficit de 43 mil enfermeiras, segundo o Minist\u00e9rio de Sa\u00fade e Bem-Estar Social. Muitas enfermeiras japonesas se aposentam depois de se casarem, j\u00e1 que n\u00e3o podem lidar com o extenso hor\u00e1rio de trabalho nos hospitais.<\/p>\n<p>Em 1990, o Jap\u00e3o adotou uma pol\u00edtica que permitia aos latino-americanos de ascend\u00eancia japonesa entrar no pa\u00eds como trabalhadores migrantes tempor\u00e1rios. Dessa forma chegaram mais de 220 mil pessoas, em sua maioria do Brasil. Esses nikkeijin, como s\u00e3o chamados, descendem de japoneses que emigraram para a Am\u00e9rica Latina na d\u00e9cada de 1920 e posteriormente. A pol\u00edtica de nikkeijin mudou pouco depois da crise financeira mundial de 2008, quando o governo tomou a medida sem precedentes de oferecer transporte gratuito aos brasileiros-japoneses que optaram por regressar ao Brasil.<\/p>\n<p>O pessoal de enfermagem indon\u00e9sio e filipino que estuda e trabalha no Jap\u00e3o tem dificuldades para terminar seus estudos nesse pa\u00eds. Dos primeiros 104 candidatos indon\u00e9sios, apenas 24 foram aprovados em 2011. Os demais continuam estudando. \u201cDeve haver uma pol\u00edtica que aceite trabalhadores n\u00e3o qualificados estrangeiros como seres humanos que entrar\u00e3o no Jap\u00e3o para trabalhar e come\u00e7ar uma nova vida\u201d, enfatizou Jun Saito, do Centro Japon\u00eas para a Pesquisa Econ\u00f4mica. \u201cN\u00e3o s\u00e3o rob\u00f4s que devolveremos depois de expirados seus vistos\u201d, alertou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; T&oacute;quio, Jap&atilde;o, 25\/4\/2014 &ndash; Desesperado pela falta de m&atilde;o de obra para atender o auge da constru&ccedil;&atilde;o, o Jap&atilde;o prop&ocirc;s ampliar seu controvertido programa de aprendizes estrangeiros para que mais trabalhadores n&atilde;o qualificados da &Aacute;sia possam trabalhar em empresas japonesas durante cinco anos. 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