{"id":17419,"date":"2014-04-28T13:42:41","date_gmt":"2014-04-28T13:42:41","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=111990"},"modified":"2014-04-28T13:42:41","modified_gmt":"2014-04-28T13:42:41","slug":"tempestade-em-um-prato-de-arroz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/tempestade-em-um-prato-de-arroz\/","title":{"rendered":"Tempestade em um prato de arroz"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_111992\" style=\"width: 515px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Coreia.jpg\"><img class=\" wp-image-111992 \" alt=\"Coreia Tempestade em um prato de arroz\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Coreia.jpg\" width=\"505\" height=\"372\" title=\"Tempestade em um prato de arroz\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Produtores de arroz da Coreia do Sul protestam em Seul contra as novas importa\u00e7\u00f5es definidas em um acordo com a OMC. Foto: Ahn Mi Young\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Seul, Coreia do Sul, 28\/4\/2014 \u2013 O arroz, alimento ancestral e b\u00e1sico da Coreia do Sul, passa por uma crise na qual se misturam h\u00e1bitos alimentares da modernidade e temores fundados dos agricultores. Para cumprir um compromisso junto \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), o governo dever\u00e1 decidir at\u00e9 junho o que fazer com as importa\u00e7\u00f5es de arroz.<\/p>\n<p>As op\u00e7\u00f5es s\u00e3o abrir o mercado local a fornecedores estrangeiros ou continuar importando uma cota fixa anual de pa\u00edses como Estados Unidos, China e Tail\u00e2ndia. Abrir o mercado do arroz significa competi\u00e7\u00e3o para as variedades locais e a segura oposi\u00e7\u00e3o dos produtores sul-coreanos. Manter a cota implica a entrada de uma enorme quantidade de arroz estrangeiro justamente quando a demanda interna est\u00e1 diminuindo.<\/p>\n<p>Os sul-coreanos j\u00e1 n\u00e3o seguem fielmente a ancestral \u201cdieta camponesa\u201d: uma tigela de arroz, uma sopa de feij\u00e3o fermentado e as verduras picantes do \u201ckimchi\u201d. As pessoas jantam fora mais frequentemente e optam por outros card\u00e1pios. Muitas mulheres que fazem dieta para emagrecer reduzem sua ingest\u00e3o de arroz. O sul-coreano m\u00e9dio consumia 140 quilos de arroz por ano em 1982. Dez anos depois, esse consumo caiu para 113 quilos, e em 2013 j\u00e1 era de apenas 67,2, segundo dados do Minist\u00e9rio da Agricultura.<\/p>\n<p>Em 1993, quando o governo tentou abrir o setor arrozeiro, dezenas de milhares de agricultores indignados protestaram em todo o pa\u00eds. O lema dessas mobiliza\u00e7\u00f5es foi: \u201cAbrir o mercado do arroz \u00e9 como ceder a soberania alimentar do pa\u00eds\u201d. Na \u00e9poca as autoridades prometeram que n\u00e3o liberariam o setor. A OMC concordou que a Coreia do Sul adotasse uma norma de acesso m\u00ednimo ao mercado. Em virtude dela, Seul deveria autorizar uma importa\u00e7\u00e3o fixa de arroz segundo uma cota anual.<\/p>\n<p>Em 1994, o pa\u00eds come\u00e7ou a importar 4% de seu consumo anual. Em 2004, o acordo foi estendido por mais dez anos, com a condi\u00e7\u00e3o de que a cota aumentasse em 20 mil toneladas cada no. Portanto, o arroz importado passou de 225 mil toneladas em 2005 para 408 mil toneladas em 2014. A quantidade que \u00e9 importada atualmente equivale a 10% da produ\u00e7\u00e3o nacional de arroz, que no ano passado foi de 4,23 milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>Os principais vendedores s\u00e3o China, Estados Unidos e Tail\u00e2ndia, e tamb\u00e9m se importa da \u00cdndia, Vietn\u00e3 e Camboja. Por\u00e9m, poucos sul-coreanos compram arroz importado, pois h\u00e1 uma firme prefer\u00eancia pela \u201cdeliciosa\u201d variedade local. A maior parte do arroz importado \u00e9 adquirida pelas ind\u00fastrias aliment\u00edcias e de licores, mas tamb\u00e9m estas dependem crescentemente do arroz sul-coreano, porque \u00e9 o preferido dos consumidores.<\/p>\n<p>O acordo de Seul com a OMC expirar\u00e1 no final deste ano. Em junho o governo dever\u00e1 decidir, e notificar a organiza\u00e7\u00e3o em setembro. \u00c9 muito pouco prov\u00e1vel que esta permita \u00e0 Coreia do Sul continuar protegendo seu mercado do arroz. \u201cSe abrirmos, tentaremos impor uma tarifa de 300% a 500% sobre o arroz importado. Ent\u00e3o a diferen\u00e7a de pre\u00e7os ser\u00e1 t\u00e3o grande que a abertura n\u00e3o afetar\u00e1 nossos agricultores\u201d, disse \u00e0 IPS um alto funcion\u00e1rio do Minist\u00e9rio da Agricultura.<\/p>\n<p>Essa proposta deve ser ratificada pela OMC. \u201cA quest\u00e3o crucial ser\u00e1 at\u00e9 quanto se pode elevar a tarifa sobre a importa\u00e7\u00e3o de arroz\u201d, pontuou o ministro da Agricultura, Lee Dong-Pil, em entrevista coletiva no m\u00eas passado. Atualmente o arroz nacional \u00e9 vendido a US$ 162 por gamani (80 quilos). Se a Coreia do Sul importar a custos entre US$ 56 e US$ 65 por gamani e impuser a tarifa de 400%, o pre\u00e7o do alimento importado chegaria a US$ 280 por gamani.<\/p>\n<p>\u201cDessa forma, haver\u00e1 inclusive menos empresas comprando arroz importado\u201d, afirmou uma alta fonte do Minist\u00e9rio da Agricultura, que pediu para n\u00e3o ser identificada. \u201cIsso explica o motivo de os principais exportadores de arroz, como China ou Estados Unidos, poderem abrigar o secreto desejo de que Seul mantenha o atual sistema de cotas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O governo acredita que voltar a acordar uma cota de importa\u00e7\u00f5es n\u00e3o ajudar\u00e1 o pa\u00eds. \u201cOutra atraso n\u00e3o beneficiar\u00e1 a Coreia do Sul\u201d, destacou Dong-Pil, se referindo \u00e0s crescentes exist\u00eancias de arroz importado. Contudo, s\u00f3 a men\u00e7\u00e3o de abrir o mercado j\u00e1 desatou protestos de agricultores. Centenas de produtores se reuniram, no dia 13 de mar\u00e7o, em Seul, para se manifestarem contra a livre importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEnquanto plantamos arroz em nossos campos tamb\u00e9m semeamos as sementes da preocupa\u00e7\u00e3o em nosso cora\u00e7\u00e3o\u201d, dizia um cartaz mostrado na manifesta\u00e7\u00e3o. Outro dizia: \u201cnunca aceitaremos uma abertura do mercado do arroz\u201d. Nesse pa\u00eds, h\u00e1 1,15 milh\u00e3o de agricultores e 494.352 se dedicam ao cultivo de arroz, segundo dados de 2012 do Servi\u00e7o Coreano de Informa\u00e7\u00e3o Estat\u00edstica.<\/p>\n<p>No m\u00eas passado, cerca de dez mil agricultores se reuniram diante de um pr\u00e9dio de Seul onde funcion\u00e1rios comerciais da Coreia do Sul e da China estavam reunidos para acordar um tratado de livre com\u00e9rcio que permitiria aumentar o interc\u00e2mbio bilateral, reduzindo ou eliminando as tarifas alfandeg\u00e1rias. O l\u00edder dos manifestantes, Lee Byong-Gyu, fez, ent\u00e3o, a pergunta mais importante: \u201cSe for assinado um acordo de livre com\u00e9rcio com Pequim, como Seul poder\u00e1 impor uma tarifa de 300% ao arroz chin\u00eas?\u201d.\u00a0 Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Seul, Coreia do Sul, 28\/4\/2014 &ndash; O arroz, alimento ancestral e b&aacute;sico da Coreia do Sul, passa por uma crise na qual se misturam h&aacute;bitos alimentares da modernidade e temores fundados dos agricultores. 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