{"id":17420,"date":"2014-04-28T13:40:53","date_gmt":"2014-04-28T13:40:53","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=111998"},"modified":"2014-04-28T13:40:53","modified_gmt":"2014-04-28T13:40:53","slug":"ruido-de-sabre-entre-estados-unidos-e-russia-entorpece-reuniao-nuclear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/ruido-de-sabre-entre-estados-unidos-e-russia-entorpece-reuniao-nuclear\/","title":{"rendered":"Ru\u00eddo de sabre entre Estados Unidos e R\u00fassia entorpece reuni\u00e3o nuclear"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_111999\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/power-churkin-640-629x419.jpg\"><img class=\" wp-image-111999 \" alt=\"power churkin 640 629x419 Ru\u00eddo de sabre entre Estados Unidos e R\u00fassia entorpece reuni\u00e3o nuclear\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/power-churkin-640-629x419.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Ru\u00eddo de sabre entre Estados Unidos e R\u00fassia entorpece reuni\u00e3o nuclear\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Samantha Power, conversa com o chanceler da R\u00fassia, Serguei Lavrov (direita), e com o representante russo nas Na\u00e7\u00f5es Unidas, Vitaly Churkin (de costas), em \u00e9pocas mais felizes. Foto: UN Photo\/Paulo Filgueiras<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 28\/4\/2014 \u2013 A crescente tens\u00e3o entre Estados Unidos e R\u00fassia pela quest\u00e3o da Ucr\u00e2nia amea\u00e7a desarticular uma das principais iniciativas de paz da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU): o desarmamento nuclear. As duas principais pot\u00eancias at\u00f4micas est\u00e3o enredadas em disputas constantes \u00e0s v\u00e9speras da reuni\u00e3o do Comit\u00ea Preparat\u00f3rio de um tratado para frear a prolifera\u00e7\u00e3o destas armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa.<\/p>\n<p>Os 13 passos que acordaram em 2000, em uma confer\u00eancia do Tratado sobre a N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o das Armas Nucleares (TNP, e os 64 pontos de um plano de a\u00e7\u00e3o, bem como o acordo de 2010 para criar uma zona livre de armamento de destrui\u00e7\u00e3o em massa no Oriente M\u00e9dio constitu\u00edam um bom press\u00e1gio, disse \u00e0 IPS o ex-secret\u00e1rio-geral adjunto da ONU para Assuntos de Desarmamento, Jayantha Dhanapala. Contudo, acrescentou, apesar desses \u00eaxitos, \u201co retorno dos Estados Unidos e da R\u00fassia \u00e0 mentalidade de Guerra Fria e a conduta negativa de todas as pot\u00eancias nucleares converteram a meta de um mundo livre de bombas at\u00f4micas em um milagre\u201d.<\/p>\n<p>E, \u201ca menos que o Comit\u00ea Preparat\u00f3rio reverta essas tend\u00eancias abomin\u00e1veis, a confer\u00eancia do TNP de 2015 est\u00e1 condenada ao fracasso\u201d, advertiu Dhanapala, que preside as Confer\u00eancias sobre Ci\u00eancia e Assuntos Internacionais de Pugwash. Est\u00e1 previsto que o Comit\u00ea Preparat\u00f3rio da confer\u00eancia que no pr\u00f3ximo ano revisar\u00e1 o TNP se re\u00fana entre hoje e 9 de maio.<\/p>\n<p>Um resultado positivo depende em grande parte de Estados Unidos, R\u00fassia e outras pot\u00eancias nucleares declaradas, como China, Fran\u00e7a e Gr\u00e3-Bretanha, que tamb\u00e9m s\u00e3o membros permanentes e com direito a veto do Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Nem Estados Unidos nem R\u00fassia, os pa\u00edses com maiores arsenais nucleares, cumpriram sua obriga\u00e7\u00e3o de negociar a elimina\u00e7\u00e3o dessas armas e, na verdade, gastaram milh\u00f5es de d\u00f3lares para moderniz\u00e1-las e estender sua vida \u00fatil, disse \u00e0 IPS a especialista Ray Acheson.<\/p>\n<p>\u201cAs armas nucleares s\u00e3o perigosas por natureza, e o risco de serem usadas, por acidente ou propositalmente, merece uma a\u00e7\u00e3o de desarmamento urgente\u201d, acrescentou Acheson, diretora do Reaching Critical Will, um programa da Liga Internacional de Mulheres pela Paz e a Liberdade. Durante este ano, os Estados nucleares que s\u00e3o parte do TNP devem informar sobre as atividades concretas que desenvolveram par cumprir as a\u00e7\u00f5es de desarmamento previstas no plano de a\u00e7\u00e3o desde 2010, detalhou.<\/p>\n<p>O alcance dessas a\u00e7\u00f5es de desarmamento que podem ser informadas por esses Estados ser\u00e1 um indicador claro da inten\u00e7\u00e3o que t\u00eam de conduzir e protagonizar esse processo, deduziu Acheson. Mas \u201cnenhuma das manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas feitas at\u00e9 agora d\u00e1 raz\u00e3o para acreditar que estses compromissos s\u00e3o levados a s\u00e9rio\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Alice Slater, representante em Nova York da Funda\u00e7\u00e3o para a Paz na Era Nuclear, pontuou \u00e0 IPS que \u201ch\u00e1 um alarmante ru\u00eddo de sabres \u00e0s v\u00e9speras da reuni\u00e3o do Comit\u00ea Preparat\u00f3rio\u201d. A Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan) est\u00e1 acumulando for\u00e7as militares para \u201cproteger\u201d a Europa oriental, afirmou.<\/p>\n<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o contam apenas parte da hist\u00f3ria, justificando os jogos de guerra da Otan, baseando-se nos acontecimentos na Ucr\u00e2nia. A ex-secret\u00e1ria de Estado norte-americana, Hillary Clinton, compara o presidente russo, Vladimir Putin, a Adolf Hitler e a primeira p\u00e1gina do jornal <i>The New York Times<\/i> proclama \u201cEm um eco da Guerra Fria, Obama neutraliza Putin\u201d, descreveu Slater. \u201cMas h\u00e1 pouqu\u00edssima cobertura sobre os temores que desperta na R\u00fassia a expans\u00e3o da Otan at\u00e9 suas pr\u00f3prias fronteiras e o convite para Ucr\u00e2nia e Ge\u00f3rgia unirem-se a ela\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>E isto ocorre apesar de dois presidentes dos Estados Unidos, Ronald Reagan (1981-1989) e George Bush (1989-1993), ap\u00f3s a queda do Muro de Berlim em 1989, prometerem ao ent\u00e3o l\u00edder sovi\u00e9tico Mikhail Gorbachov que a Otan n\u00e3o se expandiria al\u00e9m do territ\u00f3rio da Alemanha oriental. Tampouco se informa como os Estados Unidos se retiraram, em 2001, do Tratado sobre M\u00edsseis Antibal\u00edsticos e instalou esses armamentos na Pol\u00f4nia, Rom\u00eania e Turquia, acrescentou Slater.<\/p>\n<p>No discurso que fez em 1995, durante uma confer\u00eancia que se estendeu indefinidamente na vig\u00eancia do TNP, Dhanapala indicava que \u201ca perman\u00eancia do tratado n\u00e3o representa a perman\u00eancia de obriga\u00e7\u00f5es desequilibradas nem a perman\u00eancia de um apartheid nuclear entre os que t\u00eam e os que n\u00e3o t\u00eam armas at\u00f4micas\u201d. E acrescentou que \u201co que representa \u00e9 nossa dedica\u00e7\u00e3o coletiva \u00e0 perman\u00eancia de uma barreira legal internacional contra a prolifera\u00e7\u00e3o nuclear para que possamos avan\u00e7ar para um mundo livre deste armamento\u201d. Para Slater, inclusive antes dos incidentes entre Estados Unidos e R\u00fassia, o TNP vinha descumprindo as muitas promessas de desarmamento efetuadas em 1970.<\/p>\n<p>Entretanto, essa nova crise pode motivar outros pa\u00edses a pressionarem com maior vigor a favor de um processo que come\u00e7ou em Oslo no ano passado, com a primeira confer\u00eancia sobre o impacto humanit\u00e1rio das armas nucleares, para expor as catastr\u00f3ficas consequ\u00eancias desse armamento e exigir sua proibi\u00e7\u00e3o total. Diante de um arsenal de 16 mil ogivas at\u00f4micas nas m\u00e3os de R\u00fassia e Estados Unidos, os pa\u00edses n\u00e3o nucleares devem multiplicar seus esfor\u00e7os pra conseguir a proibi\u00e7\u00e3o, ressaltou Slater.<\/p>\n<p>As cinco grandes pot\u00eancias nucleares boicotaram tanto a reuni\u00e3o de Oslo, que teve 127 pa\u00edses participantes, como a do M\u00e9xico, que em fevereiro deste ano atraiu 146 na\u00e7\u00f5es. A \u00c1ustria realizar\u00e1 uma terceira, este ano. Por outro lado, \u00cdndia e Paquist\u00e3o, dois pa\u00edses que contam com armamento nuclear, aderiram a esse novo processo. Para Slater, isso exp\u00f5e uma contradi\u00e7\u00e3o crescente dentro do clube nuclear.<\/p>\n<p>Esses pa\u00edses apoiam publicamente o desarmamento e lamentam as catastr\u00f3ficas consequ\u00eancias de uma guerra nuclear nessa nova conversa\u00e7\u00e3o global sobre seus efeitos humanit\u00e1rios, mas continuam aferrados ao seu suposto, e letal, efeito dissuasivo, acrescentou Slater. O Artigo VI do TNP estabelece que todos os pa\u00edses parte s\u00e3o respons\u00e1veis por seu cumprimento.<\/p>\n<p>Acheson disse \u00e0 IPS que, ao contr\u00e1rio de outras armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa (qu\u00edmicas e biol\u00f3gicas), as nucleares ainda n\u00e3o est\u00e3o sujeitas a nenhuma proibi\u00e7\u00e3o legal expl\u00edcita. \u201c\u00c9 hora de acabar com essa anomalia que permitimos por muito tempo. a hist\u00f3ria mostra que as proibi\u00e7\u00f5es legais de sistemas de armamentos, de sua posse e de seu uso facilitam sua elimina\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Quando ilegalizadas, as armas tamb\u00e9m passam a ser crescentemente vistas como ileg\u00edtimas, enfatizou Acheson. Perdem seu <i>status<\/i> pol\u00edtico e, junto com ele, o dinheiro e outros recursos para sua produ\u00e7\u00e3o, moderniza\u00e7\u00e3o, prolifera\u00e7\u00e3o e perpetua\u00e7\u00e3o. Em um cen\u00e1rio de diferen\u00e7as cada vez mais amargas entre dois pa\u00edses com arsenais nucleares, \u00e9 imperativo que os Estados que n\u00e3o os t\u00eam liderem a luta para proibi-los, destacou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 28\/4\/2014 &ndash; A crescente tens&atilde;o entre Estados Unidos e R&uacute;ssia pela quest&atilde;o da Ucr&acirc;nia amea&ccedil;a desarticular uma das principais iniciativas de paz da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU): o desarmamento nuclear. 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