{"id":17421,"date":"2014-04-28T13:28:17","date_gmt":"2014-04-28T13:28:17","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=111986"},"modified":"2014-04-28T13:28:17","modified_gmt":"2014-04-28T13:28:17","slug":"violencia-chega-a-selvageria-no-sudao-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/violencia-chega-a-selvageria-no-sudao-do-sul\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia chega \u00e0 selvageria no Sud\u00e3o do Sul"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_111988\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Sudao.jpg\"><img class=\" wp-image-111988 \" alt=\"Sudao Viol\u00eancia chega \u00e0 selvageria no Sud\u00e3o do Sul\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Sudao.jpg\" width=\"529\" height=\"318\" title=\"Viol\u00eancia chega \u00e0 selvageria no Sud\u00e3o do Sul\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma mulher e seus filhos atravessam uma \u00e1rea inundada no acampamento para refugiados internos de Tomping, em Juba. Foto: UN Photo\/Isaac Billy<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 28\/4\/2014 \u2013 Ap\u00f3s uma semana na qual aconteceram um massacre dentro de um acampamento da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e uma matan\u00e7a \u00e9tnica em uma zona petroleira, a comunidade internacional se pergunta se resta alguma possibilidade de salvar vidas no Sud\u00e3o do Sul. A portas fechadas, o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU assistiu um v\u00eddeo feito no povoado de Bentiu, onde, entre os dias 22 e 23 deste m\u00eas, grupos rebeldes executaram centenas de civis em uma mesquita e em um hospital<\/p>\n<p>Ap\u00f3s tomarem Bentiu, os rebeldes assumiram o controle da r\u00e1dio local e passaram a transmitir mensagens pedindo aos seus seguidores que se vingassem dos dinkas e dos darfuries, violando as mulheres dessas comunidades \u00e9tnicas, segundo o relat\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Os membros do Conselho manifestaram em uma declara\u00e7\u00e3o o \u201chorror e a raiva pela viol\u00eancia generalizada em Bentiu\u201d e condenaram o ataque do dia 18 contra um acampamento da ONU na cidade de Bor, quando morreram pelo menos 48 das cinco mil pessoas que se refugiavam nele, a maioria da etnia nuer. Uma turba armada at\u00e9 os dentes entrou no complexo e abriu fogo contra a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os Estados que integram o Conselho de Seguran\u00e7a \u201creiteraram sua firme demanda para que cessem imediatamente todos os abusos contra os direitos humanos e as viola\u00e7\u00f5es do direito humanit\u00e1rio internacional e tamb\u00e9m expressaram que est\u00e3o prontos para adotar medidas contra os respons\u00e1veis\u201d, diz a declara\u00e7\u00e3o. Essas medidas poderiam ser san\u00e7\u00f5es seletivas contra os chefes dos grupos acusados de cometerem atrocidades como as de Bentiu e Bor.<\/p>\n<p>No dia 23, a Organiza\u00e7\u00e3o Human Rights Watch (HRW) pediu publicamente ao Conselho de Seguran\u00e7a para \u201cimpor san\u00e7\u00f5es a indiv\u00edduos tanto do governo quanto da oposi\u00e7\u00e3o que sejam respons\u00e1veis por abusos graves\u201d.<\/p>\n<p>O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mencionou este m\u00eas a possibilidade de proibir as viagens e de congelar os ativos de dirigentes pol\u00edticos e militares do Sud\u00e3o do Sul, mas seu governo ainda deve definir quem seria castigado. Em certas ocasi\u00f5es, a simples amea\u00e7a norte-americana de a\u00e7\u00e3o basta para dissuadir, mas as medidas da ONU deveriam ir muito al\u00e9m no Sud\u00e3o do Sul, disse Philippe Bolopion, da HRW.<\/p>\n<p>\u201cAs san\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos s\u00e3o bem-vindas, mas n\u00e3o seriam suficientes porque muitos dos chefes envolvidos na viol\u00eancia t\u00eam contas banc\u00e1rias nos pa\u00edses vizinhos. Se a ONU as adotar, constituir\u00e3o uma firme mensagem a todos de que ter\u00e3o de pagar um pre\u00e7o por seus crimes\u201d. Nesse nov\u00edssimo pa\u00eds, cuja vida independente come\u00e7ou em 2011 com a separa\u00e7\u00e3o do Sud\u00e3o, a crise come\u00e7ou em 15 de dezembro, com um enfrentamento na capital, Juba, entre fac\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o do Povo do Sud\u00e3o, que desde a independ\u00eancia forma o n\u00facleo das for\u00e7as armadas.<\/p>\n<p>O presidente sul-sudan\u00eas, Salva Kiir, ordenou a pris\u00e3o imediata de 11 importantes l\u00edderes opositores e acusou o ex-vice-presidente, Riek Machar, de orquestrar um golpe de Estado. Esse negou a acusa\u00e7\u00e3o e se dirigiu a Juba para assumir o comando das for\u00e7as rebeldes. Kiir \u00e9 dinka e Machar \u00e9 nuer. O conflito \u2013 que se deve, em ess\u00eancia, a problemas n\u00e3o resolvidos de poder e de acesso aos recursos petroleiros \u2013 dividiu o pa\u00eds segundo fronteiras \u00e9tnicas.<\/p>\n<p>Em dezembro, o Conselho de Seguran\u00e7a autorizou o envio de 5.500 solados para refor\u00e7ar a Miss\u00e3o de Assist\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas na Rep\u00fablica do Sud\u00e3o do Sul (UNMISS), que conta com sete mil efetivos. Mas at\u00e9 este m\u00eas n\u00e3o chegaram mais do que 700, devido a quest\u00f5es burocr\u00e1ticas, disputas entre Estados membros e a sobrecarga que vive o Departamento de Opera\u00e7\u00f5es de Manuten\u00e7\u00e3o da Paz.<\/p>\n<p>Ainda que sejam enviados rapidamente os 12.500 soldados que a UNMISS deve ter, n\u00e3o est\u00e1 claro o que poder\u00e3o fazer fora das bases e dos acampamentos nos quais se refugiam dezenas de milhares de pessoas desde dezembro. Mesmo essa prote\u00e7\u00e3o foi colocada em xeque depois do ataque a Bor. \u201cNem a miss\u00e3o nem os acampamentos foram criados para isso\u201d, disse a jornalistas o porta-voz do secret\u00e1rio-geral da ONU, Stephane Dujarric.<\/p>\n<p>O Conselho de Seguran\u00e7a apoia a Comiss\u00e3o de Investiga\u00e7\u00e3o sobre o Sud\u00e3o do Sul, criada pela Uni\u00e3o Africana, apesar de sua lentid\u00e3o para come\u00e7ar a funcionar. Este m\u00eas, a Comiss\u00e3o anunciou que se reuniria com autoridades regionais para discutir sobre o conflito, incluindo os presidentes Omar al Bashir, do Sud\u00e3o, e Uhuru Kenyatta, do Qu\u00eania, os dois sob investiga\u00e7\u00e3o do Tribunal Penal Internacional.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o tamb\u00e9m realizar\u00e1 encontros com o mandat\u00e1rio de Uganda, Yoweri Museveni, cujas tropas lutam junto \u00e0s for\u00e7as governamentais do Sud\u00e3o do Sul, enquanto delegados ugandeses tentam facilitar um acordo de paz em negocia\u00e7\u00f5es cada vez mais f\u00fateis em Adis Abeba. No contexto dessas conversa\u00e7\u00f5es, no dia 23 de janeiro, foi assinado um cessar-fogo, violado poucas horas depois.<\/p>\n<p>\u201cNenhuma das partes parece pronta para acabar com as hostilidades\u201d, observou a jornalistas o chefe de opera\u00e7\u00f5es de paz da ONU, Herve Ladsous. \u201cO acordo, assinado h\u00e1 tr\u00eas meses, nunca foi aplicado. E n\u00e3o d\u00e3o sinais de que querem realmente participar de conversa\u00e7\u00f5es de paz\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Na ONU pode-se perceber que as execu\u00e7\u00f5es em Bentiu impactaram delegados acostumados ao fogo lento, ainda que mortal, de uma guerra civil que pode ser discutida amanh\u00e3 ou na pr\u00f3xima semana. O Conselho de Seguran\u00e7a solicitou rapidamente ao Escrit\u00f3rio do Alto Comiss\u00e1rio para os Direitos Humanos que envie especialistas a Bentiu para iniciar uma investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs civis s\u00e3o retirados de uma mesquita e assassinados, pelo r\u00e1dio se convoca as pessoas para violarem mulheres de determinada etnia&#8230; Chegamos a um ponto em que pode acontecer qualquer coisa\u201d, opinou Bolopion \u00e0 IPS. Apesar dos sinais de que h\u00e1 vida no Conselho de Seguran\u00e7a, a solu\u00e7\u00e3o para o Sud\u00e3o do Sul, provavelmente, dependa dos governos da regi\u00e3o que, at\u00e9 agora, n\u00e3o expressaram nem neutralidade e nem vontade de exercer verdadeira press\u00e3o sobre Kiir e Machar.<\/p>\n<p>A Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (Igad), que re\u00fane os pa\u00edses da \u00c1frica oriental, disse ter inten\u00e7\u00f5es de substituir as tropas ugandesas por uma for\u00e7a regional, mas esse plano tamb\u00e9m n\u00e3o se materializou e n\u00e3o necessariamente resolver\u00e1 a falta de imparcialidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s partes em conflito.<\/p>\n<p>\u201cEssas san\u00e7\u00f5es podem ajudar, mas n\u00e3o resolver\u00e3o o problema\u201d, destacou \u00e0 IPS um alto funcion\u00e1rio da \u00e1rea de direitos humanos que pediu para n\u00e3o ser identificado. \u201cOs principais jogadores na ONU sabem que a chave \u00e9 que as pot\u00eancias regionais se mostrem mais ativas e fa\u00e7am o correto. A Igad e os vizinhos s\u00e3o cruciais. Se n\u00e3o encontrarem uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, o conflito ficar\u00e1 muito pior\u201d, afirmou a fonte. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 28\/4\/2014 &ndash; Ap&oacute;s uma semana na qual aconteceram um massacre dentro de um acampamento da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) e uma matan&ccedil;a &eacute;tnica em uma zona petroleira, a comunidade internacional se pergunta se resta alguma possibilidade de salvar vidas no Sud&atilde;o do Sul. 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