{"id":17426,"date":"2014-04-29T13:55:21","date_gmt":"2014-04-29T13:55:21","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=112091"},"modified":"2014-04-29T13:55:21","modified_gmt":"2014-04-29T13:55:21","slug":"curandeiros-mutilam-milhoes-de-meninas-no-egito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/curandeiros-mutilam-milhoes-de-meninas-no-egito\/","title":{"rendered":"Curandeiros mutilam milh\u00f5es de meninas no Egito"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_112093\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Egito.jpg\"><img class=\" wp-image-112093 \" alt=\"Egito Curandeiros mutilam milh\u00f5es de meninas no Egito\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Egito.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Curandeiros mutilam milh\u00f5es de meninas no Egito\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As fam\u00edlias pobres do Egito consideram a mutila\u00e7\u00e3o genital feminina uma forma de preservar a castidade das meninas. Foto: Amr Diab\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cairo, Egito, 29\/4\/2014 \u2013 Saber Abd El Mawgoud come\u00e7ou sua carreira castrando ovelhas e cabras, antes de passar aos seres humanos. Seu primeiro experimento foi com um menino que tentou circuncidar em 1999 diante da insist\u00eancia do pai. A crian\u00e7a morreu poucos dias depois de uma infec\u00e7\u00e3o p\u00f3s-operat\u00f3ria, conta Mawgoud, de 67 anos e natural da prov\u00edncia de Al Monofiya, 60 quil\u00f4metros ao norte do Cairo.<\/p>\n<p>Mawgoud continuou com o of\u00edcio de cirurgi\u00e3o, com a assist\u00eancia de uma enfermeira durante alguns anos e depois sozinho. \u201cCostumava fazer uma m\u00e9dia de dez opera\u00e7\u00f5es por semana, passando pelos povoados, e em pouco tempo fiquei muito famoso\u201d, contou \u00e0 IPS. \u201c\u00c0s vezes, os xeques anunciavam nas mesquitas que eu havia chegado, para que os alde\u00f5es fossem me buscar\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Logo come\u00e7ou a operar principalmente meninas. \u201cDepois da minha m\u00e1 experi\u00eancia com a circuncis\u00e3o de meninos, me especializei na mutila\u00e7\u00e3o genital feminina e realizei milhares de opera\u00e7\u00f5es. Algumas morreram, especialmente quando havia epidemias\u201d, contou Mawgoud. \u201cMais de uma vez enfrentei os tribunais porque os pais me denunciavam, mas era solto ap\u00f3s pagar multa por trabalhar sem licen\u00e7a, sobretudo porque os pais acabavam admitindo que haviam concordado que eu fizesse a opera\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Em 2010, a quantidade de cirurgias que praticou caiu, quando o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade lan\u00e7ou uma campanha educativa para que a popula\u00e7\u00e3o procurasse pessoal m\u00e9dico e n\u00e3o curandeiros. Mawgoud s\u00f3 compreendeu que vinha operando as meninas de maneira incorreta, quando uma paciente sofreu grave hemorragia e seu pai a levou ao hospital. No entanto, Mawgoud n\u00e3o tem reparos sobre sua atua\u00e7\u00e3o. \u201cOs pais mutilam seus filhos por costume. Considera-se apropriado que o fa\u00e7am, para evitar a desgra\u00e7a dos pais quando forem idosos\u201d, afirmou. Por\u00e9m, reconhece que n\u00e3o operou suas netas. Pediu \u00e0s suas m\u00e3es que as levasse a um hospital, por medo de causar-lhes algum dano.<\/p>\n<p>A abla\u00e7\u00e3o \u00e9 prejudicial em muitos aspectos, segundo a m\u00e9dica El Naglaa Shabrawy, chefe do departamento de obstetr\u00edcia e ginecologia da Faculdade de Medicina Al Azhar. \u201c\u00c9 um costume tradicional de nossa sociedade ignorante. Remonta \u00e0 era dos fara\u00f3s e n\u00e3o tem benef\u00edcios para a sa\u00fade e nenhum tipo de fundamento religioso no Isl\u00e3\u201d, disse a m\u00e9dica \u00e0 IPS. \u201cTamb\u00e9m tem efeitos negativos nas mulheres, que sofrem hemorragias mortais, reten\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria severa e infec\u00e7\u00f5es\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Outros problemas s\u00e3o de cunho psicol\u00f3gico. \u201cPode afetar as rela\u00e7\u00f5es sexuais e causar problemas para toda a vida. A mutila\u00e7\u00e3o provoca apatia emocional nas mulheres pelo fato de terem cortado parte de um \u00f3rg\u00e3o humano criado por Deus\u201d, explicou Shabrawy. Segundo o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef), mais de 125 milh\u00f5es de meninas e mulheres sofreram algum tipo de mutila\u00e7\u00e3o genital em 29 pa\u00edses da \u00c1frica e do Oriente M\u00e9dio. Outros 30 milh\u00f5es de meninas correm o risco de sofr\u00ea-la nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u201cNo Egito, o apoio geral \u00e0 mutila\u00e7\u00e3o genital feminina est\u00e1 diminuindo e a pr\u00e1tica se reduz lentamente\u201d, segundo Shabrawy. Mas a queda \u00e9 m\u00ednima nesse pa\u00eds de 83 milh\u00f5es de habitantes. \u201cA preval\u00eancia diminuiu de 76%, em 2005, para 74%, em 2008, para as meninas entre 15 e 17 anos. S\u00e3o necess\u00e1rios esfor\u00e7os coletivos para avan\u00e7ar para a elimina\u00e7\u00e3o dessa pr\u00e1tica nociva\u201d, destacou.<\/p>\n<p>De fato, as mutila\u00e7\u00f5es continuam apesar de estarem proibidas desde 2007, quando uma menina de 11 anos morreu em uma cl\u00ednica particular enquanto era submetida \u00e0 opera\u00e7\u00e3o. A lei prev\u00ea pena de at\u00e9 tr\u00eas anos de pris\u00e3o por desfigurar ou danificar o corpo humano. A Pesquisa Demogr\u00e1fica e Sanit\u00e1ria do Egito, realizada em 2005, mostra que as fam\u00edlias pobres das zonas rurais do Alto Egito s\u00e3o as mais propensas \u00e0 pr\u00e1tica. O estudo indica que 80,7% das jovens de 15 a 19 anos foram mutiladas, e essa propor\u00e7\u00e3o aumenta para 87,4% entre as mulheres de at\u00e9 24 anos.<\/p>\n<p>A mutila\u00e7\u00e3o acabou com o casamento de Abeer Masoud, de 30 anos, natural de Al Monofiya. \u201cDecidi n\u00e3o me casar novamente devido \u00e0 press\u00e3o f\u00edsica e ps\u00edquica pela qual passei, sobretudo depois que minha situa\u00e7\u00e3o se espalhou pelo povoado. Ningu\u00e9m me prop\u00f4s casamento desde que me divorciei\u201d, contou \u00e0 IPS. As mulheres mutiladas vivem com suas consequ\u00eancias para toda a vida.<\/p>\n<p>A abla\u00e7\u00e3o \u201cconsiste em seccionar quatro zonas dos genitais externos da mulher. Uma delas, o clit\u00f3ris, \u00e9 o principal respons\u00e1vel pela sensibilidade durante o coito, e sua aus\u00eancia \u00e9 o que causa problemas conjugais\u201d, explicou Shabrawy. \u201cA mutila\u00e7\u00e3o impede o prazer sexual, e o coito com frequ\u00eancia termina em congest\u00e3o p\u00e9lvica, dor e secre\u00e7\u00f5es vaginais, al\u00e9m de tens\u00f5es emocionais e psicol\u00f3gicas\u201d, enfatizou a m\u00e9dica. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cairo, Egito, 29\/4\/2014 &ndash; Saber Abd El Mawgoud come&ccedil;ou sua carreira castrando ovelhas e cabras, antes de passar aos seres humanos. Seu primeiro experimento foi com um menino que tentou circuncidar em 1999 diante da insist&ecirc;ncia do pai. 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