{"id":17436,"date":"2014-05-05T14:07:52","date_gmt":"2014-05-05T14:07:52","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=112319"},"modified":"2014-05-05T14:07:52","modified_gmt":"2014-05-05T14:07:52","slug":"terramerica-eletricidade-comunitaria-se-acende-na-espanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/terramerica-eletricidade-comunitaria-se-acende-na-espanha\/","title":{"rendered":"Terram\u00e9rica \u2013 Eletricidade comunit\u00e1ria se acende na Espanha"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_112320\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/EspanhaPainelFotvoltaico.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-112320\" alt=\"EspanhaPainelFotvoltaico Terram\u00e9rica   Eletricidade comunit\u00e1ria se acende na Espanha\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/EspanhaPainelFotvoltaico.jpg\" width=\"340\" height=\"255\" title=\"Terram\u00e9rica   Eletricidade comunit\u00e1ria se acende na Espanha\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Fachada fotovoltaica de um dos pr\u00e9dios do Museu da Ci\u00eancia e da T\u00e9cnica da Catalunha. Foto: Chixoy CC BY-SA 3.0)<\/p><\/div>\n<p>M\u00e1laga, Espanha, 5 de maio de 2014 (Terram\u00e9rica).- At\u00e9 h\u00e1 pouco era impens\u00e1vel que, em pa\u00edses industrializados totalmente eletrificados como a Espanha, pequenos grupos da sociedade civil gerassem sua pr\u00f3pria luz de fontes limpas, desafiando o modelo energ\u00e9tico imperante. Agora, quem quiser se converter em \u201cagente de mudan\u00e7a\u201d pode ser copropriet\u00e1rio de projetos coletivos que promovem as energias renov\u00e1veis, como o Horta Solar Amigos da Terra, uma planta fotovoltaica de 20 quilowatts no munic\u00edpio de Sisante, um empreendimento da empresa sem fins lucrativos Ecooo e Amigos da Terra Espanha.<\/p>\n<p>\u201cTemos que mudar o modelo do s\u00e9culo 20, pelo qual a energia \u00e9 igual a combust\u00edveis f\u00f3sseis e o cidad\u00e3o \u00e9 considerado um simples consumidor\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o respons\u00e1vel de Energia e Clima da Amigos da Terra, H\u00e9ctor de Prado. \u201cComprando participa\u00e7\u00f5es a partir de cem euros as pessoas se convertem em copropriet\u00e1rias e recebem uma rentabilidade\u201d, explicou ao Terram\u00e9rica Jos\u00e9 Vicente Barcia, porta-voz da Ecooo, que conta com 65 instala\u00e7\u00f5es fotovoltaicas coletivizadas instaladas em telhados de diferentes comunidades espanholas, rurais e urbanas.<\/p>\n<p>A Ecooo, que integra a Plataforma por Um Novo Modelo Energ\u00e9tico, junto a mais de 300 organiza\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m instala e mant\u00e9m pain\u00e9is fotovoltaicos para particulares e realiza auditorias para analisar o consumo el\u00e9trico. \u201cA pot\u00eancia instalada \u00e9 superior ao que se necessita, para lucro das corpora\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas\u201d, pontuou Barcia. O que se necessita \u00e9 uma cultura da economia, porque \u201co quilowatt mais ecol\u00f3gico e econ\u00f4mico \u00e9 o que n\u00e3o se consome\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Outra possibilidade de um usu\u00e1rio que deseja fazer parte do progresso da energia coletiva e renov\u00e1vel \u00e9 mudar sua comercializa\u00e7\u00e3o habitual de eletricidade por uma de v\u00e1rias cooperativas \u201cverdes\u201d que operam na Espanha, como a Zencer, na regi\u00e3o de Andaluzia, a Som Energia, na Catalunha, ou GoiEner e Nosa Enerxia, na Gal\u00edcia.<\/p>\n<p>\u201cQueremos o consumidor participando da gest\u00e3o da energia que consome\u201d, explicou ao Terram\u00e9rica o arquiteto Francisco Javier Porras, fundador e presidente da Zencer, que desde janeiro de 2013 comercializa eletricidade em n\u00edvel nacional procedente de fontes renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Essas cooperativas podem adquirir eletricidade do mercado geral e dos grandes oligop\u00f3lios energ\u00e9ticos, mas garantem a origem limpa de toda energia que comercializam, administrando Certificados de Garantias de Origem para os produtores de fontes renov\u00e1veis. Segundo Porras, entre 30% e 40% da energia comercializada no mercado el\u00e9trico espanhol procede de fontes renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Em seu escrit\u00f3rio em Fuengirola, em M\u00e1laga, Porras reconhece que o usu\u00e1rio \u00e9 \u201cmuito reticente \u00e0s mudan\u00e7as na \u00e1rea energ\u00e9tica\u201d, apesar de o pre\u00e7o das contas ter disparado nos \u00faltimos anos. O custo da eletricidade para os s\u00f3cios dessas cooperativas n\u00e3o \u00e9 maior do que o das grandes corpora\u00e7\u00f5es como Iberdrola, Gas Natural Fenosa, Endesa, HC e E.On., e inclusive pode ser menor, e sup\u00f5e um aporte limpo ao consumo, destacam alguns de seus membros.<\/p>\n<p>\u00c9 que, com desemprego na casa dos 25% e o custo da energia el\u00e9trica subindo constantemente, aparece um fen\u00f4meno novo: a pobreza energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>A quantidade de espanh\u00f3is com dificuldades para pagar seu consumo de energia cresceu em dois milh\u00f5es entre 2010 e 2012 nesse pa\u00eds com mais de 47 milh\u00f5es de habitantes, segundo estudo da Associa\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancias Ambientais (ACA). Na Espanha existe uma pobreza energ\u00e9tica de mais de 10% das fam\u00edlias, o que representa mais de quatro milh\u00f5es de pessoas, segundo o estudo.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luis L\u00f3pez, coordenador desta pesquisa, acredita que as iniciativas de gest\u00e3o coletiva da energia podem ter \u201ccerta influ\u00eancia\u201d em reduzir a pobreza energ\u00e9tica quando conseguem baratear o custo para seus s\u00f3cios, embora \u201cn\u00e3o exista um efeito imediato de curto prazo\u201d. Promover a energia renov\u00e1vel e aut\u00f3ctone tamb\u00e9m reduz a depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis e, portanto, os milh\u00f5es de euros de custos fixos que saem dos cofres do Estado, acrescentou.<\/p>\n<p>A Amigos da Terra critica o fato de o governo criar obst\u00e1culos ao progresso das energias renov\u00e1veis nesse pa\u00eds de grande potencial \u201cn\u00e3o aproveitado\u201d, enquanto outros pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia encontram nessas fontes um caminho para reduzir as emiss\u00f5es de gases-estufa, respons\u00e1veis pelo aquecimento global. \u201cO que o governo faz \u00e9 uma desfa\u00e7atez\u201d, disse Marc Rosell\u00f3, da Som Energia, se referindo \u00e0s pol\u00edticas do governo, que privilegiam as grandes empresas que usam combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Em julho, o governo iniciou uma reforma energ\u00e9tica e em dezembro aprovou a emenda da Lei do Setor El\u00e9trico, recha\u00e7ada por centenas de organiza\u00e7\u00f5es da Plataforma e por 14 partidos pol\u00edticos da oposi\u00e7\u00e3o. Rosell\u00f3 afirmou ao Terram\u00e9rica que a Som Energia transferiu para a Espanha no final de 2010, um ano ap\u00f3s a liberaliza\u00e7\u00e3o do mercado el\u00e9trico, a experi\u00eancia de modelos europeus afian\u00e7ados como a Ecopower, da B\u00e9lgica, ou a Enercoop, da Fran\u00e7a. \u201cN\u00e3o s\u00f3 comercializamos como produzimos mediante projetos pr\u00f3prios\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>As contas de luz da cooperativa detalham para seus mais de 14 mil s\u00f3cios a origem da eletricidade que distribuem. Em 2013, por exemplo, procediam de fontes fotovoltaicas, e\u00f3licas e biog\u00e1s. Tamb\u00e9m para Porras, da Zencer, \u201co grande objetivo\u201d \u00e9 que a cooperativa, com 600 s\u00f3cios e acreditada para distribuir em toda Espanha, produza com fundos pr\u00f3prios sua energia mediante pequenos projetos de gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora h\u00e1 alguns anos n\u00e3o fosse poss\u00edvel a participa\u00e7\u00e3o social no sistema energ\u00e9tico, agora milhares de pessoas de diferentes perfis \u2013 investidores comprometidos com o meio ambiente, ecologistas e outros \u2013 est\u00e3o se associando ou participando de projetos de energia limpa, como o Viure de L\u2019Aire, um aerogerador de propriedade compartilhada da Catalunha. \u201cCada quilowatt\/hora verde acrescentado \u00e0 rede el\u00e9trica \u00e9 um quilowatt\/hora a menos que se queima de combust\u00edvel f\u00f3ssil\u201d, destacou H\u00e9ctor de Prado. Envolverde\/Terram\u00e9rica<\/p>\n<p><em>* A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Artigos relacionados da IPS<\/b><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ambiente\/terramerica-reforma-prejudica-setor-fotovoltaico\/\" >Reforma prejudica setor fotovoltaico \u2013 2013<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2011\/03\/espana-pone-el-freno-a-las-energias-renovables\/\" >Espanha p\u00f5e freio nas energias renov\u00e1veis \u2013 2011<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2010\/09\/espana-renovables-para-superar-la-crisis\/\" >Espanha: Renov\u00e1veis para superar a crise \u2013 2010<\/a><\/p>\n<p><b>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&aacute;laga, Espanha, 5 de maio de 2014 (Terram&eacute;rica).- At&eacute; h&aacute; pouco era impens&aacute;vel que, em pa&iacute;ses industrializados totalmente eletrificados como a Espanha, pequenos grupos da sociedade civil gerassem sua pr&oacute;pria luz de fontes limpas, desafiando o modelo energ&eacute;tico imperante. 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