{"id":17441,"date":"2014-05-05T15:59:57","date_gmt":"2014-05-05T15:59:57","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=112328"},"modified":"2014-05-05T15:59:57","modified_gmt":"2014-05-05T15:59:57","slug":"o-capitalismo-nao-pode-com-a-mudanca-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/o-capitalismo-nao-pode-com-a-mudanca-climatica\/","title":{"rendered":"O capitalismo n\u00e3o pode com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_112329\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/bosque.jpg\"><img class=\" wp-image-112329 \" alt=\"bosque O capitalismo n\u00e3o pode com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/bosque.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"O capitalismo n\u00e3o pode com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Se os governantes n\u00e3o atuarem com rapidez, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e a degrada\u00e7\u00e3o v\u00e3o piorar e causar maiores problemas globais, alertam cientistas. Foto: Crustmania\/CC by 2.0<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 5\/5\/2014 \u2013 \u00c9 hora de criar novos princ\u00edpios econ\u00f4micos e pol\u00edticos para enfrentar a crise de sustentabilidade, afirma a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do informe do ambientalista Instituto Worldwatch, dos Estados Unidos. A comunidade internacional demorou muito para reagir diante da rapidez da degrada\u00e7\u00e3o ambiental e da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, segundo esse estudo de 294 p\u00e1ginas intitulado <em>Governing for Sustainability<\/em> (Governando para a Sustentabilidade).<\/p>\n<p>A falta de governabilidade gerou os desafios ambientais mais alarmantes que enfrentamos atualmente, desde a escassez de \u00e1gua at\u00e9 a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, alerta o Instituto. O informe, com o qual a organiza\u00e7\u00e3o comemora seu 40\u00ba anivers\u00e1rio, destaca os desafios impostos pela atual ordem econ\u00f4mica e pol\u00edtica. Por exemplo, critica o neoliberalismo por minar os processos democr\u00e1ticos, ao proporcionar uma grande inger\u00eancia pol\u00edtica \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es, que s\u00f3 buscam maximizar seus benef\u00edcios com pouca aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade do ambiente e \u00e0 sustentabilidade.<\/p>\n<p>\u201cO descontrolado fluxo de dinheiro que vai para a pol\u00edtica prejudica a ess\u00eancia da democracia\u201d, alertou Michael Renner, um dos respons\u00e1veis pelo informe, em entrevista \u00e0 IPS. \u201cPrecisamos repensar muitos de nossos supostos mecanismos econ\u00f4micos, e apontar n\u00e3o apenas para uma melhor e mais inteligente distribui\u00e7\u00e3o da riqueza, mas tamb\u00e9m para uma melhor divis\u00e3o do trabalho dispon\u00edvel. Isso n\u00e3o se pode conseguir com as formas convencionais do capitalismo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Em parte, o informe promove as B Corps, como se chama em ingl\u00eas as corpora\u00e7\u00f5es de benef\u00edcio que, n\u00e3o tendo fins lucrativos, tamb\u00e9m concebem suas opera\u00e7\u00f5es para beneficiar setores sociais e ambientais que costumam ser afetados pela atividade das empresas privadas. Seu objetivo \u00e9 \u201cfazer bem, mas tamb\u00e9m fazer o bem\u201d. \u201cEsse movimento emergente ainda \u00e9 menor em rela\u00e7\u00e3o ao conjunto da economia global, mas segue crescendo, principalmente gra\u00e7as a pequenas e m\u00e9dias empresas nos Estados Unidos\u201d, pontuou \u00e0 IPS Colleen Cordes, diretora de extens\u00e3o e desenvolvimento da The Nature Institute, uma organiza\u00e7\u00e3o de pesquisa e promo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, Renner v\u00ea com certo ceticismo que essas corpora\u00e7\u00f5es de benef\u00edcio possam conseguir objetivos de sustentabilidade no longo prazo. \u201cMuitas das companhias que assinam esses princ\u00edpios ainda s\u00e3o pequenas, mas surge a pergunta quanto ao que acontecer\u00e1 quando crescerem e forem maiores\u201d, explicou. \u201cPoder\u00e3o permanecer fi\u00e9is ao interesse p\u00fablico em um sistema que segue governado pelos princ\u00edpios do capitalismo?\u201d, questionou.<\/p>\n<p>Para Renner, as formas tradicionais pelas quais as sociedades democr\u00e1ticas tomavam decis\u00f5es importantes mudaram drasticamente. \u201cOs mercados podem ser excelentes ferramentas para certos fins, mas n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia social, \u00e9tica nem ambiental, e tampouco vis\u00e3o de longo prazo\u201d, apontou. \u201c\u00c9 dif\u00edcil saber o que seria capaz de mudar essa situa\u00e7\u00e3o, mas parece que se necessita de uma mobiliza\u00e7\u00e3o em massa para oferecer certo contrapeso \u00e0 pol\u00edtica manejada pelo dinheiro que vigora atualmente\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Naturalmente, o af\u00e3 de lucro n\u00e3o \u00e9 exclusivo das corpora\u00e7\u00f5es. Os pa\u00edses em desenvolvimento costumam expressar seu mal-estar com as normas ambientais que as na\u00e7\u00f5es industrializados imp\u00f5em ao com\u00e9rcio, por exemplo, pois dificultam que alcancem maior crescimento e desenvolvimento econ\u00f4mico, ao menos no curto prazo. Renner acredita que \u00e9 poss\u00edvel o desenvolvimento sem a degrada\u00e7\u00e3o ambiental que costuma acompanhar o crescimento econ\u00f4mico, como se v\u00ea na China, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201cDevemos facilitar um processo que permita aos pa\u00edses em desenvolvimento pular etapas para avan\u00e7ar rumo a alternativas muito mais limpas sem demora\u201d, destacou Renner, citando o exemplo da energia renov\u00e1vel. \u201cUm pa\u00eds pobre como Bangladesh conseguiu instalar sistemas solares dom\u00e9sticos por US$ 2,8 milh\u00f5es em \u00e1reas rurais e ao mesmo tempo gerar cerca de cem mil postos de trabalho. Isso \u00e9 muito melhor do que continuar subsidiando o carv\u00e3o e o querosene. Essas s\u00e3o as hist\u00f3rias de sucesso que valem a pena aprender e imitar\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios exemplos contrapostos de pa\u00edses mais ricos que conseguiram pouco ou quase nenhum avan\u00e7o na crise de sustentabilidade. Na verdade, o informe menciona v\u00e1rios Estados que apresentam um retrocesso.<\/p>\n<p>A Austr\u00e1lia, por exemplo, se comprometera a reduzir suas emiss\u00f5es de gases-estufa em 5% abaixo dos n\u00edveis de 2000, mas agora mudou de rumo e poder\u00e1 registrar aumento de 12% at\u00e9 2020. O Jap\u00e3o tamb\u00e9m abandonou seu objetivo de chegar a 2020 com um volume de emiss\u00f5es 25% menor em rela\u00e7\u00e3o ao de 1990. Por sua vez, o Canad\u00e1 investe muito na explora\u00e7\u00e3o das areias de alcatr\u00e3o que emitem grandes quantidades de di\u00f3xido de carbono, uma quest\u00e3o que se converteu em um problema pol\u00edtico muito delicado para o vizinho Estados Unidos.<\/p>\n<p>Sem consenso sobre medidas a tomar para conter a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, n\u00e3o surpreende que a concentra\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono na atmosfera tenha alcan\u00e7ado um m\u00e1ximo hist\u00f3rico. Na verdade, na \u00faltima d\u00e9cada, as emiss\u00f5es desse g\u00e1s contaminante aumentaram de forma sustentada ao ritmo de 2,7% ao ano, triplicando a taxa de emiss\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00e9cada anterior.<\/p>\n<p>Essas estat\u00edsticas refor\u00e7am a ideia de que somente transforma\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas na governan\u00e7a pol\u00edtica e econ\u00f4mica global ser\u00e3o capazes de conseguir uma mudan\u00e7a de rumo. \u201c\u00c9 poss\u00edvel que evitemos o pior da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, e de outros problemas de sustentabilidade como a eros\u00e3o e o acesso \u00e0 \u00e1gua doce. Mas devem ser atendidos j\u00e1\u201d, opinou \u00e0 IPS Tom Prugh, outro dos respons\u00e1veis pelo informe. \u201cQuanto mais demorarmos, mais irrevers\u00edvel ser\u00e1 a pegada que deixaremos no ambiente\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Muitos observadores vinculam essa demora a uma inefic\u00e1cia pol\u00edtica e econ\u00f4mica constru\u00edda a prop\u00f3sito h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas. \u201cMuito antes de a crise clim\u00e1tica ser o maior fracasso de mercado j\u00e1 visto no mundo, foi um enorme fracasso pol\u00edtico e governamental\u201d, apontou \u00e0 IPS o professor de estudos ambientais David Orr, da universidade Oberlin College.<\/p>\n<p>Segundo Orr, assessor do presidente Barack Obama, as administra\u00e7\u00f5es de Ronald Reagan, nos Estados Unidos, e Margareth Thatcher, na Gr\u00e3-Bretanha, que contaram com firme apoio de economistas conservadores como Friedrich Hayek e Milton Friedman, solaparam o papel do Estado. O efeito foi particularmente poderoso nos servi\u00e7os de bem-estar p\u00fablico, como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e ambiente. \u201cA capacidade p\u00fablica de resolver problemas p\u00fablicos diminuiu abruptamente. E o poder do setor privado, bancos, institui\u00e7\u00f5es financeiras e empresas, aumentou\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Para Cordes, do The Nature Institute, a resposta vir\u00e1 do papel que desempenharem as pessoas e as fam\u00edlias. \u201cDevemos nos concentrar na quest\u00e3o urgente de como governar nossos pa\u00edses, mas tamb\u00e9m nossas fam\u00edlias e a n\u00f3s mesmos. \u00c9 hora de pensarmos de forma cr\u00edtica antes de decidir o que compramos, onde trabalhamos e como avaliamos nossa pegada\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 5\/5\/2014 &ndash; &Eacute; hora de criar novos princ&iacute;pios econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos para enfrentar a crise de sustentabilidade, afirma a &uacute;ltima edi&ccedil;&atilde;o do informe do ambientalista Instituto Worldwatch, dos Estados Unidos. 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