{"id":17444,"date":"2014-05-06T15:15:00","date_gmt":"2014-05-06T15:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=112408"},"modified":"2014-05-06T15:15:00","modified_gmt":"2014-05-06T15:15:00","slug":"os-nascidos-livres-da-africa-do-sul-nao-tem-vontade-de-votar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/os-nascidos-livres-da-africa-do-sul-nao-tem-vontade-de-votar\/","title":{"rendered":"Os \u201cnascidos livres\u201d da \u00c1frica do Sul n\u00e3o t\u00eam vontade de votar"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_112409\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Nhlalala.jpg\"><img class=\" wp-image-112409 \" alt=\"Nhlalala Os \u201cnascidos livres\u201d da \u00c1frica do Sul n\u00e3o t\u00eam vontade de votar\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Nhlalala.jpg\" width=\"529\" height=\"317\" title=\"Os \u201cnascidos livres\u201d da \u00c1frica do Sul n\u00e3o t\u00eam vontade de votar\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Nhlalala Rithatso, de Limpopo, aluna do terceiro ano, no campus da Universidade da Cidade do Cabo. Foto: Rebekah Funk\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cidade do Cabo, \u00c1frica do Sul, 6\/5\/2014 \u2013 Nas elei\u00e7\u00f5es gerais de amanh\u00e3, pela primeira vez na hist\u00f3ria democr\u00e1tica da \u00c1frica do Sul, poder\u00e1 votar quem nasceu depois do apartheid, na \u201cna\u00e7\u00e3o do arco-\u00edris\u201d que Nelson Mandela inaugurou em 1994. Mas muitos deles n\u00e3o veem sentido na vota\u00e7\u00e3o. Os \u201cnascidos livres\u201d representam cerca de dois milh\u00f5es dos 31,4 milh\u00f5es de eleitores desse pa\u00eds de 53 milh\u00f5es de habitantes, mas a escassa propor\u00e7\u00e3o deles que se registrou para votar surpreende pol\u00edticos e analistas.<\/p>\n<p>Os jovens de 18 a 20 anos n\u00e3o viveram a luta contra o regime segregacionista branco do apartheid que vigorou entre 1948 e 1994, mas enfrentam as lutas pr\u00f3prias de sua grandeza, como desemprego abismal, corrup\u00e7\u00e3o institucional, gangues, viol\u00eancia, HIV\/aids, desigualdade de renda e falta de acesso a educa\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, apenas um ter\u00e7o, cerca de 683 mil nascidos livres, se registraram para votar, segundo a Comiss\u00e3o Eleitoral Independente da \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Para os especialistas n\u00e3o est\u00e1 claro se a falta de interesse se deve \u00e0 apatia, uma tend\u00eancia mundial entre os jovens, ou a algo completamente diferente. \u201c\u00c9 prov\u00e1vel que a juventude considere suas atividades pol\u00edticas e suas responsabilidades sociais de maneira muito diferente daquela da \u00e9poca de seus pais e av\u00f3s\u201d, opinou o vice-reitor e diretor da Universidade de Witwatersrand, Adam Habib. \u201cA apatia \u00e9 uma tend\u00eancia mundial. A juventude da \u00c1frica do Sul n\u00e3o \u00e9 diferente dos jovens norte-americanos, brit\u00e2nicos, europeus ou indianos. Seria injusto qualific\u00e1-la de apol\u00edtica em seu conjunto\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Frequentemente os jovens n\u00e3o consideram as elei\u00e7\u00f5es nem o ativismo pol\u00edtico como um dever, segundo Habib, em parte por estarem decepcionados pela falta de progressos desde as elei\u00e7\u00f5es de 1994, que inauguraram a democracia. \u201cAs pessoas se sentem deslocadas. Sentem que os pol\u00edticos n\u00e3o defendem seus interesses. Sentem que o voto n\u00e3o faz diferen\u00e7a alguma\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>O acad\u00eamico acredita que os n\u00fameros de desemprego juvenil e a desigualdade de renda dos jovens s\u00e3o \u201cprec\u00e1rios\u201d e alerta que os pol\u00edticos t\u00eam de resolver esses problemas se pretendem atrair o voto da juventude. Mais de 40% da popula\u00e7\u00e3o sul-africana tem menos de 20 anos, por isso \u00e9 crucial que os partidos pol\u00edticos reavaliem suas propostas e atendam as necessidades dos jovens, afirmou Habib.<\/p>\n<p>Os nascidos livres ser\u00e3o cerca de um ter\u00e7o dos eleitores nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es gerais de 2019, explicou o vice-reitor. \u201cO impacto dos nascidos livres mudar\u00e1 fundamentalmente a maneira como a sociedade pensa, se comporta, reflete seus desafios, protesta contra as atrocidades\u201d, pontuou. \u201cSabe o que est\u00e3o pensando? Sabe o que querem? Sabe se o sistema que est\u00e1 propondo pode atender suas inquieta\u00e7\u00f5es?\u201d, perguntou o vice-reitor. Faltar\u00e1 algo mais do que mensagens de texto, an\u00fancios no Youtube e campanhas nas redes sociais para conquistar os eleitores jovens, acrescentou.<\/p>\n<p>Um estudo recente, realizado por pesquisadores independentes da empresa FutureFact entre 262 nascidos livres de \u00e1reas urbanas e rurais, revelou que 64% dos entrevistados t\u00eam \u201cescasso ou nenhum interesse na pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>Xolisa Ngcwabe, de 20 anos, \u00e9 um nascido livre que n\u00e3o votar\u00e1 amanh\u00e3. Ele cursa estudos de grau 12 em um col\u00e9gio da Cidade do Cabo e disse que o sistema pol\u00edtico falhou com os jovens. \u201cNa verdade, n\u00e3o me interessa votar porque n\u00e3o creio que meu voto mude algo\u201d, afirmou. \u201cO governo tem de oferecer resultados e n\u00e3o o fez\u201d, disse o jovem sobre o fato de a administra\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional Africano (CNA) nem mesmo fornecer servi\u00e7os b\u00e1sicos como \u00e1gua corrente, livros escolares e banheiros que funcionem nos assentamentos informais e munic\u00edpios pobres.<\/p>\n<p>Ngcwabe \u00e9 um dos muitos desiludidos com o presidente Jacob Zuma e seu governante CNA. Segundo a pesquisa da FutureFact, cerca de 70% dos entrevistados consideram que o CNA est\u00e1 se afastando dos princ\u00edpios democr\u00e1ticos que tanto lutou para p\u00f4r em pr\u00e1tica, e 75% s\u00e3o pessimistas sobre o futuro da \u00c1frica do Sul devido \u00e0 falta de transpar\u00eancia do governo e \u00e0 sua incapacidade para aplicar as decis\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Os que protagonizaram a luta contra o apartheid n\u00e3o t\u00eam cuidado com os votantes nascidos livres, algo que os partidos mostram frequentemente para obter apoio, segundo a analista pol\u00edtica Susan Booysen. \u201cAs conversa\u00e7\u00f5es de grupos de refer\u00eancia juvenis, em particular de jovens negros, raramente se referem \u00e0 luta de liberta\u00e7\u00e3o e \u00e0 necessidade de recompensar o CNA pela liberdade conquistada\u201d, escreveu Booysen no informe <i>Vinte Anos de Democracia Sul-Africana: Opini\u00f5es dos Cidad\u00e3os Sobre Direitos Humanos, Governan\u00e7a e Sistema Pol\u00edtico<\/i>.<\/p>\n<p>Os partidos devem levar em conta que os nascidos livres, como Alexandra Goldberg, de 20 anos, n\u00e3o t\u00eam interesse pelo passado. \u201cSinto que o governo n\u00e3o sabe o que est\u00e1 fazendo e que culpa o apartheid por tudo, como um mecanismo de defesa\u201d, apontou essa aluna da Universidade da Cidade do Cabo. \u201c\u00c9 muito frustrante. Olhemos para a frente e busquemos um objetivo real\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Mas, ao contr\u00e1rio de outros jovens, essa frustra\u00e7\u00e3o empurrou Goldberg \u00e0s urnas, junto com o conselho de seu pai. \u201cMeu pai apresentou um bom argumento: se n\u00e3o votar n\u00e3o poder\u00e1 se queixar. Com a hist\u00f3ria da \u00c1frica do Sul, n\u00e3o votar \u00e9 como uma bofetada na cara. Lutou-se tanto pelo voto\u201d, ressaltou a jovem. Victor Hlatshwayo, de Vereeniging, de 19 anos concorda. \u201cQuero poder escolher. Ouvi que n\u00e3o votar \u00e9 como faz\u00ea-lo pelo CNA. Estou pesquisando sobre todos os partidos, ouvindo o que dizem e vendo o que na realidade fazem\u201d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cidade do Cabo, &Aacute;frica do Sul, 6\/5\/2014 &ndash; Nas elei&ccedil;&otilde;es gerais de amanh&atilde;, pela primeira vez na hist&oacute;ria democr&aacute;tica da &Aacute;frica do Sul, poder&aacute; votar quem nasceu depois do apartheid, na &ldquo;na&ccedil;&atilde;o do arco-&iacute;ris&rdquo; que Nelson Mandela inaugurou em 1994. Mas muitos deles n&atilde;o veem sentido na vota&ccedil;&atilde;o. 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