{"id":17451,"date":"2014-05-07T10:41:19","date_gmt":"2014-05-07T10:41:19","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=112435"},"modified":"2014-05-07T10:41:19","modified_gmt":"2014-05-07T10:41:19","slug":"acabemos-com-a-guerra-as-drogas-pedem-premios-nobel-de-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/acabemos-com-a-guerra-as-drogas-pedem-premios-nobel-de-economia\/","title":{"rendered":"Acabemos com a guerra \u00e0s drogas, pedem pr\u00eamios Nobel de Economia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_112436\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/jovem.jpg\"><img class=\" wp-image-112436 \" alt=\"jovem  Acabemos com a guerra \u00e0s drogas, pedem pr\u00eamios Nobel de Economia\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/jovem.jpg\" width=\"529\" height=\"330\" title=\" Acabemos com a guerra \u00e0s drogas, pedem pr\u00eamios Nobel de Economia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Jovem fumando diamba (maconha) na capital de Serra Leoa. Foto: Tommy Trenchard\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 7\/5\/2014 \u2013 Cinco ganhadores do pr\u00eamio Nobel de Economia, entre outros especialistas, afirmam que a guerra \u00e0s drogas \u00e9 um grande fracasso, uma enorme carga financeira e uma viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos b\u00e1sicos, em um informe que ser\u00e1 divulgado hoje pela London School of Economics (LSE). \u201cA implanta\u00e7\u00e3o de uma estrat\u00e9gia mundial de guerra \u00e0s drogas militarizada e de observ\u00e2ncia legal produziu enormes consequ\u00eancias negativas e danos colaterais\u201d, conclui o grupo de especialistas da LSE que redigiu o informe sobre a economia das pol\u00edticas antidrogas<\/p>\n<p>Esse grupo \u00e9 integrado por 13 acad\u00eamicos, apoiados por sete personalidades, entre elas cinco economistas ganhadores do Nobel, o ex-secret\u00e1rio de Estado norte-americano, George Shultz e o atual vice-primeiro-ministro da Gr\u00e3-Bretanha, Nick Clegg. Durante anos, a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o das drogas foi associada a setores marginalizados, como os pr\u00f3prios usu\u00e1rios ou os familiares de condenados pela posse de quantidades m\u00ednimas de subst\u00e2ncias ilegais.<\/p>\n<p>Agora, os economistas, as mais improv\u00e1veis v\u00edtimas da guerra \u00e0s drogas, mas atores vitais para seu desarmamento, d\u00e3o sua contribui\u00e7\u00e3o. \u201cO informe da LSE articula em muitos sentidos o que se disse antes, que estamos desperdi\u00e7ando enormes recursos financeiros e humanos em nome de um modelo falido\u201d, afirmou Kasia Malinowska Sempruch, diretora do Programa Mundial de Pol\u00edticas sobre Drogas da Open Society Foundations.<\/p>\n<p>Essa organiza\u00e7\u00e3o, do magnata, investidor e filantropo George Soros, busca promover a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que respeitem a democracia e os direitos humanos. \u201cA quest\u00e3o da economia\u201d das pol\u00edticas antidrogas \u201cnunca foi calibrada com a for\u00e7a que se faz hoje\u201d, destacou Malinowska \u00e0 IPS. Cada vez mais pa\u00edses est\u00e3o expressando seu descontentamento com as pol\u00edticas proibitivas que lhes impuseram pot\u00eancias como os Estados Unidos, at\u00e9 agora o maior mercado de drogas ilegais.<\/p>\n<p>Em 2012, um comunicado dos chefes de Estado da Col\u00f4mbia, Guatemala e do M\u00e9xico solicitou ao secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Ban Ki-moon, a revis\u00e3o \u201curgente\u201d das pol\u00edticas antidrogas. No ano passado, a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA) publicou um informe que pedia a flexibiliza\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas e que se levasse em conta a possibilidade de sua despenaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Assembleia Geral da ONU de 2013, o presidente da Guatemala, Otto P\u00e9rez Molina, qualificou de \u201cvision\u00e1ria \u201c a legaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e do consumo de maconha adotada pelo Uruguai, e, com diferentes alcances, os Estados de Washington e Colorado, nos Estados Unidos. Em dezembro de 2013, vazou um documento interno contendo recomenda\u00e7\u00f5es dos Estados membros da ONU, que revelava a disposi\u00e7\u00e3o de muitos pa\u00edses em expressar sua inquieta\u00e7\u00e3o particularmente.<\/p>\n<p>O informe da LSE sustenta que as medidas de interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguem nem mesmo seus objetivos mais elementares. \u201cA evid\u00eancia mostra que os pre\u00e7os das drogas baixaram enquanto sua pureza aumentou\u201d, afirmam seus autores. Os US$ 100 bilh\u00f5es de d\u00f3lares gastos a cada ano em todo o mundo na aplica\u00e7\u00e3o de medidas legais e policiais relacionadas com as drogas se desperdi\u00e7am em sua maior parte e geram custos maiores para o futuro.<\/p>\n<p>Um estudo da ONU, mencionado por esse documento, determina que cada d\u00f3lar gasto em terapias de substitui\u00e7\u00e3o de opi\u00e1ceos, como a metadona, \u201cpode produzir um retorno entre US$ 4 e US$ 7 por redu\u00e7\u00e3o da delinqu\u00eancia, dos custos judiciais e dos furtos relacionados com as drogas\u201d. Quando se contabiliza os custos de cuidados de sa\u00fade, \u201ca economia total pode superar os custos na propor\u00e7\u00e3o de 12 para um\u201d. Mas, quando se favorece a proibi\u00e7\u00e3o, o consumo de drogas pode provocar crises sanit\u00e1rias.<\/p>\n<p>A R\u00fassia, um dos poucos pa\u00edses que pro\u00edbe a metadona, tem uma taxa de v\u00edrus HIV \u2013 causador da aids \u2013 que duplica com juros a da maioria dos pa\u00edses da Europa ocidental. No ano passado, o governo russo registrou 55 mil novos casos de HIV, dos quais 58% em usu\u00e1rios de drogas intravenosas. Na rec\u00e9m-anexada Crimeia, as autoridades anunciaram que cancelar\u00e3o as terapias de substitui\u00e7\u00e3o de opi\u00e1ceos.<\/p>\n<p>As leis draconianas contra as drogas podem ter um efeito punitivo para toda a for\u00e7a de trabalho de um pa\u00eds. Em 2000, o governo da Pol\u00f4nia penalizou a posse de quantidades menores de drogas il\u00edcitas. Nos dez anos posteriores, mais de cem mil poloneses passaram a ter antecedentes penais por esse motivo, e agora n\u00e3o podem conseguir empregos no setor p\u00fablico.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos o neg\u00f3cio das pris\u00f5es privadas e das empresas de defesa se beneficiou em grande parte gra\u00e7as ao investimento na aplica\u00e7\u00e3o das leis antidrogas e em alojar os presos condenados por esses crimes. Entre 1979 e 2009 a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria norte-americana cresceu 480%, chegando a 2,2 milh\u00f5es de pessoas. Vinte por cento delas e a metade das que est\u00e3o em pris\u00f5es federais cumprem pena por crimes relacionados \u00e0s drogas.<\/p>\n<p>Informes como o da LSE preparam o cen\u00e1rio para 2015, quando a Assembleia Geral da ONU realizar\u00e1 uma sess\u00e3o especial dedicada ao futuro das pol\u00edticas antidrogas. Em 2013, pela primeira vez, a maioria dos norte-americanos se mostrou a favor da legaliza\u00e7\u00e3o da maconha. Mas, nos Estados Unidos e no resto do mundo, as leis est\u00e3o atr\u00e1s da evolu\u00e7\u00e3o dos costumes.<\/p>\n<p>Apesar das vit\u00f3rias legislativas no Uruguai, em Portugal e alguns Estados norte-americanos, a grande maioria dos 230 milh\u00f5es de consumidores de drogas em todo o mundo vive em pa\u00edses que gerenciam essas subst\u00e2ncias de acordo com dois rigorosos tratados da ONU: a Conven\u00e7\u00e3o \u00danica sobre Entorpecentes (1961) e o Conv\u00eanio sobre Subst\u00e2ncias Psicotr\u00f3picas (1971).<\/p>\n<p>Por\u00e9m, h\u00e1 pa\u00edses que preferem ignorar a Junta Internacional de Fiscaliza\u00e7\u00e3o de Entorpecentes, \u00f3rg\u00e3o de supervis\u00e3o da ONU com poderes praticamente judiciais, se ao se desconhecer as conven\u00e7\u00f5es consegue-se benef\u00edcios.<\/p>\n<p>\u201cAs conven\u00e7\u00f5es s\u00e3o apenas um reflexo do que os Estados veem nelas\u201d, afirmou John Collins, coordenador do Projeto Ideias de Pol\u00edtica Internacional de Drogas, da LSE. Os pa\u00edses \u201cest\u00e3o percebendo que as conven\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito mais flex\u00edveis do que se interpretara antes\u201d, apontou \u00e0 IPS. \u201cEstamos chegando a um ponto de inflex\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de duas d\u00e9cadas a ades\u00e3o aos conv\u00eanios implicava poucas consequ\u00eancias pol\u00edticas para os Estados membros, e menos ainda para aqueles, como os Estados Unidos, que as redigiam nos bastidores. Mas eliminar suas inumer\u00e1veis ramifica\u00e7\u00f5es nos acordos comerciais e no direito internacional exigir\u00e1 muito mais do que o uso da caneta. Muitos pa\u00edses pequenos que se veem prejudicados pela guerra contra as drogas preferem arriscar seu capital pol\u00edtico em temas menos problem\u00e1ticos.<\/p>\n<p>\u201cA Assembleia Geral de 2016 ser\u00e1 um grande sucesso\u201d, destacou Collins. \u201cMas creio que devemos argumentar com mais intensidade para que a ONU deixe de atuar como um capanga nesse assunto. \u201cO mais importante \u00e9 que o que est\u00e3o fazendo os Estados membros nos \u00e2mbitos nacional e regional. Vamos ver como reagem \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o da maconha\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 7\/5\/2014 &ndash; Cinco ganhadores do pr&ecirc;mio Nobel de Economia, entre outros especialistas, afirmam que a guerra &agrave;s drogas &eacute; um grande fracasso, uma enorme carga financeira e uma viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos b&aacute;sicos, em um informe que ser&aacute; divulgado hoje pela London School of Economics (LSE). &ldquo;A implanta&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia mundial [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/acabemos-com-a-guerra-as-drogas-pedem-premios-nobel-de-economia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2314,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1642,2291,989,3178,2292],"class_list":["post-17451","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-drogas","tag-guerra-as-drogas","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips","tag-premios-nobel-de-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17451","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2314"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17451"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17451\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17451"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}