{"id":17459,"date":"2014-05-09T15:46:57","date_gmt":"2014-05-09T15:46:57","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=112580"},"modified":"2014-05-09T15:46:57","modified_gmt":"2014-05-09T15:46:57","slug":"o-co2-tira-nutrientes-dos-alimentos-basicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/o-co2-tira-nutrientes-dos-alimentos-basicos\/","title":{"rendered":"O CO2 tira nutrientes dos alimentos b\u00e1sicos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_112582\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/mulheres.jpg\"><img class=\" wp-image-112582 \" alt=\"mulheres O CO2 tira nutrientes dos alimentos b\u00e1sicos\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/mulheres.jpg\" width=\"529\" height=\"311\" title=\"O CO2 tira nutrientes dos alimentos b\u00e1sicos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Mulheres plantam arroz no Nepal. Mais de 2,4 bilh\u00f5es de pessoas obt\u00eam nutrientes essenciais com o consumo de arroz, trigo, milho, soja ou sorgo. Foto: Mallika Aryal\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uxbridge, Canad\u00e1, 9\/5\/2014 \u2013 Os crescentes n\u00edveis de di\u00f3xido de carbono (CO2) deixar\u00e3o muito menos nutritivos os cultivos de alimentos b\u00e1sicos, como arroz e milho, de acordo com um estudo feito pela Universidade de Harvard. Importantes cultivos ter\u00e3o n\u00edveis menores de zinco e ferro em meados deste s\u00e9culo, sem n\u00e3o forem reduzidas as emiss\u00f5es de CO2 procedentes da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, afirma uma an\u00e1lise sobre os experimentos de campo realizados em tr\u00eas continentes.<\/p>\n<p>\u201cDois bilh\u00f5es de pessoas j\u00e1 sofrem de baixos n\u00edveis de zinco e ferro. \u00c9 uma carga enorme para a sa\u00fade mundial\u201d, disse Samuel Myers, da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo <em>O Aumento de CO2 Amea\u00e7a a Nutri\u00e7\u00e3o Humana<\/em>, publicado na edi\u00e7\u00e3o do dia 7 da revista cient\u00edfica Nature.<\/p>\n<p>As defici\u00eancias de zinco e ferro t\u00eam uma ampla gama de repercuss\u00f5es na sa\u00fade humana, como aumento da vulnerabilidade diante das doen\u00e7as infecciosas, anemia, n\u00edveis maiores de mortalidade materna e queda do coeficiente intelectual. Mais de 2,4 bilh\u00f5es de pessoas recebem esses nutrientes essenciais por meio do consumo de arroz, trigo, milho, soja, forragens e sorgo, explicou Myers \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>O cientista e seus colegas de Harvard avaliaram os dados obtidos de 143 cultivos experimentais com n\u00edveis de CO2 que s\u00e3o 100% superiores \u00e0 m\u00e9dia pr\u00e9-industrial, j\u00e1 que, no ritmo atual, as emiss\u00f5es industriais de CO2 duplicar\u00e1 at\u00e9 2060. O trigo cultivado nessas condi\u00e7\u00f5es tem 9,3% menos zinco e 5,1% menos ferro do que as plantas com a concentra\u00e7\u00e3o atual de CO2. \u201cEncontramos efeitos significativos de CO2 alto para todos esses cultivos, mas algumas variedades de sementes tiveram melhores resultados do que outras\u201d, afirmou Myers.<\/p>\n<p>O conte\u00fado nutricional de muitos cultivos de alimentos caiu nos \u00faltimos cem anos, segundo o cientista. Uma raz\u00e3o \u00e9 que os agricultores favoreceram o crescimento r\u00e1pido e o rendimento sem levar em conta o aspecto da nutri\u00e7\u00e3o. A isso se soma o fato de os atuais n\u00edveis de CO2 serem 42% mais elevados do que h\u00e1 150 anos.<\/p>\n<p>\u201cOs n\u00edveis maiores de CO2 ajudam as plantas a crescerem mais rapidamente, mas isso acontece sobretudo com o aumento do amido e dos a\u00e7\u00facares\u201d, afirmou David Wolfe, professor de ecologia das plantas e do solo na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. \u201cH\u00e1 mais hidratos de carbono\u201d, ou seja, amido e a\u00e7\u00facar, \u201ce menos prote\u00ednas e nutrientes\u201d, acrescentou o professor, que participou do estudo de Harvard.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o provoca o que alguns chamam de \u201calimentos ocos\u201d, ou seja, com insuficiente nutri\u00e7\u00e3o, que poderiam ser uma das causas do r\u00e1pido aumento da obesidade. \u00c9 poss\u00edvel que as pessoas comam mais para obter a nutri\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, pontuou Ken Warren, porta-voz do The Land Institute, um centro de pesquisa agr\u00edcola dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Os cultivos retiram minerais, oligoelementos e outras propriedades da terra a cada ano. A agricultura moderna devolve \u00e0 terra alguns fertilizantes qu\u00edmicos que n\u00e3o substituem tudo o que foi retirado, explicou Warren \u00e0 IPS. Uma an\u00e1lise de 2006 do governo brit\u00e2nico, sobre os nutrientes na carne e nos produtos l\u00e1cteos, revelou que o conte\u00fado mineral do leite, do queijo e da carne bovina diminuiu at\u00e9 70% em compara\u00e7\u00e3o com os n\u00edveis registrados na d\u00e9cada de 1930.<\/p>\n<p>O queijo parmes\u00e3o tinha 70% menos magn\u00e9sio e c\u00e1lcio, as costelas de carne continham 55% menos ferro, o frango 31% menos c\u00e1lcio e 69% menos ferro, enquanto o leite tamb\u00e9m revelou uma forte redu\u00e7\u00e3o na quantidade de ferro e 21% menos magn\u00e9sio. O cobre, um oligoelemento importante e um nutriente essencial que \u00e9 consumido em pequenas quantidades, tamb\u00e9m teve queda de 60% nas carnes e de 90% nos produtos l\u00e1cteos, segundo o estudo brit\u00e2nico. Acredita-se que os cultivos de alto rendimento e os m\u00e9todos de agricultura intensiva s\u00e3o os fatores respons\u00e1veis por esta situa\u00e7\u00e3o, de acordo com a The Food Commission, a organiza\u00e7\u00e3o independente que publicou o estudo.<\/p>\n<p>Os impactos medidos dos altos n\u00edveis de CO2 nos cultivos de alimentos inclu\u00eddos no estudo de Harvard n\u00e3o replicam as temperaturas mais altas e as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremas esperadas para meados deste s\u00e9culo. Outras pesquisas revelam que o aumento do calor estressa as plantas e, embora o maior n\u00edvel de CO2 gere plantas maiores, seu rendimento \u00e9 muito menor, destacou Wolfe.<\/p>\n<p>O cultivo de alimentos nos Estados Unidos ser\u00e1 mais problem\u00e1tico com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, especialmente no Estado da Calif\u00f3rnia, no sudoeste do pa\u00eds e em partes das Grandes Plan\u00edcies, segundo a Avalia\u00e7\u00e3o do Clima Nacional que o governo norte-americano divulgou no dia 6.<\/p>\n<p>O estudo, que durou quatro anos, \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o cient\u00edfica concludente sobre as repercuss\u00f5es atuais e futuras da contamina\u00e7\u00e3o de carbono nos Estados Unidos. O aumento previsto das temperaturas secar\u00e1 as terras, por isso ser\u00e1 imposs\u00edvel cultivar alimentos sem irriga\u00e7\u00e3o extensiva. A regi\u00e3o j\u00e1 sofre uma seca h\u00e1 dez anos, que seguramente se agravar\u00e1.<\/p>\n<p>As temperaturas mais altas tamb\u00e9m aumentam a evapora\u00e7\u00e3o, o que seca ainda mais os solos e tira efetividade da irriga\u00e7\u00e3o. Os recursos h\u00eddricos subterr\u00e2neos tamb\u00e9m est\u00e3o em todas as regi\u00f5es indicadas. \u201cA Calif\u00f3rnia e o sudoeste enfrentam enormes problemas de \u00e1gua\u201d, destacou Wolfe, um dos 300 cientistas que contribu\u00edram para a avalia\u00e7\u00e3o. \u201cA Calif\u00f3rnia tem o clima perfeito para o cultivo de alimentos nesse momento, mas n\u00e3o o ter\u00e1 se o clima esquentar mais\u201d, advertiu.<\/p>\n<p>H\u00e1 poucas d\u00favidas de que a Calif\u00f3rnia e o resto dos Estados Unidos ter\u00e3o temperaturas mais altas se as emiss\u00f5es de CO2 n\u00e3o baixarem nesse pa\u00eds e no resto do mundo. Enquanto a metade ocidental do pais norte-americano \u00e9 cada vez mais seca, a metade oriental, e em particular o nordeste, receber\u00e1 chuvas mais intensas e com maiores inunda\u00e7\u00f5es. O nordeste experimentar\u00e1 mais secas nos ver\u00f5es, mas, quando chegarem as chuvas, estas vir\u00e3o como dil\u00favios, segundo Wolfe.<\/p>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada a regi\u00e3o experimentou um clima de inverno extremamente err\u00e1tico. Em 2012, o calor extremo do inverno permitiu que os cultivos de frutas florescessem quatro semanas antes, mas depois houve uma forte geada que gerou perdas de centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares. \u201cA imprevisibilidade \u00e9 o maior desafio para os agricultores\u201d, enfatizou Wolfe.<\/p>\n<p>O cientista acrescentou que \u00e9 otimista, mas para o futuro prev\u00ea alimentos com pre\u00e7os mais altos, acima do que pode pagar a popula\u00e7\u00e3o pobre, e uma grande quantidade de transtornos para as comunidades agr\u00edcolas. Os produtores de alimentos dos Estados Unidos v\u00e3o precisar de ajuda em educa\u00e7\u00e3o e financiamento para se adaptarem. \u201cTemos de ir al\u00e9m dos seguros para as colheitas. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 arriscada para os agricultores e muitos n\u00e3o t\u00eam fundos para se adaptarem ao que vem por a\u00ed\u201d, alertou Wolfe. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Uxbridge, Canad&aacute;, 9\/5\/2014 &ndash; Os crescentes n&iacute;veis de di&oacute;xido de carbono (CO2) deixar&atilde;o muito menos nutritivos os cultivos de alimentos b&aacute;sicos, como arroz e milho, de acordo com um estudo feito pela Universidade de Harvard. 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