{"id":17460,"date":"2014-05-09T15:35:55","date_gmt":"2014-05-09T15:35:55","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=112574"},"modified":"2014-05-09T15:35:55","modified_gmt":"2014-05-09T15:35:55","slug":"estudantes-ilegais-no-limbo-migratorio-dos-estados-unidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/estudantes-ilegais-no-limbo-migratorio-dos-estados-unidos\/","title":{"rendered":"Estudantes ilegais no limbo migrat\u00f3rio dos Estados Unidos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_112575\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/migraciones.jpg\"><img class=\" wp-image-112575 \" alt=\"migraciones Estudantes ilegais no limbo migrat\u00f3rio dos Estados Unidos\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/migraciones.jpg\" width=\"529\" height=\"253\" title=\"Estudantes ilegais no limbo migrat\u00f3rio dos Estados Unidos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Todos os anos, cerca de 65 mil jovens ilegais, como este jogador de futebol de uma escola secund\u00e1ria de Somerville, Estado de Massachusetts, entram no pa\u00eds com seus pais. Mas, com a paralisa\u00e7\u00e3o da reforma migrat\u00f3ria em Washington, ficam presos em um limbo legal sem poderem seguir estudos universit\u00e1rios. Foto: Marcelo Brociner\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Somerville, Estados Unidos, 9\/5\/2014 \u2013 Fez tudo certo. Trabalhou duro. Foi excelente aluno. Se converteu em capit\u00e3o de sua equipe de futebol e \u00e9 procurado por meia dezena de universidades nos Estados Unidos. \u201cMarquei seis gols e dei 28 passes para gols. Minha equipe foi \u00e0s finais estaduais\u201d, contou um tranquilo jovem de 18 anos. Por\u00e9m, essa estrela do futebol da escola secund\u00e1ria de Somerville, no Estado de Massachusetts, n\u00e3o poder\u00e1 ir \u00e0 universidade. N\u00e3o pode aspirar bolsas de estudo nem empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>Nem mesmo pode ter acesso \u00e0 matr\u00edcula estadual, um benef\u00edcio ao qual t\u00eam direito os moradores de cada Estado que queiram entrar em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas como a Universidade de Massachusetts, e que significa desconto de aproximadamente US$ 13 mil por ano. Esse jogador n\u00e3o tem documentos de identidade. \u201cN\u00e3o vou mentir. Deito todas as noites pensando nisso\u201d, confessou o jovem, cuja identidade se preserva para proteg\u00ea-lo e \u00e0 sua fam\u00edlia. \u201c\u00c0s vezes minha m\u00e3e me v\u00ea chorar e pergunta o que acontece, mas n\u00e3o gosto de falar disso. N\u00e3o quero magoar meus pais que trabalham duro\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Todos os anos, cerca de 65 mil jovens ilegais entram no ensino secund\u00e1rio nos Estados Unidos. Chegaram ainda crian\u00e7as ao pa\u00eds, que n\u00e3o consegue aprovar uma reforma migrat\u00f3ria integral, e permanecem em um limbo legal. Pode haver v\u00e1rias dezenas de adolescentes sem documentos legais prestes a se formarem na escola secund\u00e1ria p\u00fablica nessa cidade de 77 mil habitantes, onde, em uma em cada tr\u00eas fam\u00edlias, se fala uma l\u00edngua diferente do ingl\u00eas e dois ter\u00e7os dos estudantes pertencem a minorias \u00e9tnicas.<\/p>\n<p>Como a legisla\u00e7\u00e3o norte-americana garante o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o a todas os meninos e meninas e pro\u00edbe as autoridades de indagar sobre a situa\u00e7\u00e3o legal dos alunos, ningu\u00e9m sabe exatamente o n\u00famero de jovens nessa situa\u00e7\u00e3o. Estima-se que existam cerca de 11 milh\u00f5es de pessoas vivendo ilegalmente nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A conselheira escolar Anne Herzberg, que ajuda os estudantes a preencherem os formul\u00e1rios de inscri\u00e7\u00e3o para a universidade, disse que v\u00ea muitos mo\u00e7os e mo\u00e7as nessa situa\u00e7\u00e3o. \u201cO mais dif\u00edcil \u00e9 ver todos os anos aqueles que fizeram tudo certo no secund\u00e1rio e que, devido ao seu <i>status<\/i> legal, n\u00e3o encontram um lugar que os aceite e lhes d\u00ea a ajuda econ\u00f4mica que precisam para cursarem quatro anos de universidade\u201d, destacou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Um curso de quatro anos pode custar nos Estados Unidos at\u00e9 US$ 60 mil por ano em uma institui\u00e7\u00e3o privada, incluindo alojamento e comida. Nas universidades p\u00fablicas, o valor varia entre US$ 15 mil e US$ 23 mil, se o estudante puder se beneficiar da matr\u00edcula de residente. Alguns jovens ilegais t\u00eam op\u00e7\u00f5es, pois 16 dos 50 Estados norte-americanos oferecem matr\u00edcula estadual a residentes nessa situa\u00e7\u00e3o. Mas Massachusetts n\u00e3o \u00e9 um deles.<\/p>\n<p>Outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 o programa Deferred Action for Childhood Arrivals (Daca), criado em 2012 pelo Departamento de Seguran\u00e7a Interna, que entrega aos jovens autoriza\u00e7\u00e3o de trabalho tempor\u00e1rio e permite que aspirem uma matr\u00edcula estadual e alguns outros benef\u00edcios. Mas o requisito \u00e9 ter entrado no pa\u00eds antes de 15 de junho de 2007 e ter menos de 31 anos em 15 de junho de 2012. O custo \u00e9 de US$ 465 e o cart\u00e3o Daca tem validade de apenas dois anos. Para renov\u00e1-lo \u00e9 preciso pagar novamente esse valor.<\/p>\n<p>No final do ano passado, 610.694 pessoas haviam recebido o cart\u00e3o Daca em todo o pa\u00eds, e 5.232 em Massachusetts, segundo o Departamento de Seguran\u00e7a Interna. \u201cSomerville tem uma grande quantidade de estudantes que podem aspirar o cart\u00e3o Daca\u201d, explicou Herzberg. Ela conhece dez que o solicitaram. Mas \u201c\u00e9 caro, e a grande maioria dos estudantes com os quais trabalho chegou depois de 2007\u201d, lamentou. Esse \u00e9 o caso do jogador de futebol. \u201cCheguei aos Estados Unidos no dia 27 de janeiro de 2009\u201d, contou. \u201cDois anos atrasado\u201d, observou.<\/p>\n<p>\u201cTomara que mais gente compreenda o que \u00e9 ver estudantes se esfor\u00e7arem tanto para descobrirem que n\u00e3o t\u00eam muitas portas abertas. Como imigrante e conselheira escolar, \u00e9 dif\u00edcil para mim n\u00e3o acreditar no sonho americano, que os estudantes possam ficar, ter sucesso, trabalhar duro e consegui-lo\u201d, ressaltou Herzberg.<\/p>\n<p>Em 2001 foi apresentado o projeto de lei Dream (sonho, em ingl\u00eas e acr\u00f4nimo de desenvolvimento, al\u00edvio e educa\u00e7\u00e3o para menores estrangeiros). Reapresentado em 2009, permitiria a legaliza\u00e7\u00e3o dos jovens que fossem \u00e0 universidade ou se alistassem nas for\u00e7as armadas por um per\u00edodo de pelo menos dois anos. Depois teriam um prazo de espera de cinco anos para almejarem a resid\u00eancia permanente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/legislador.jpg\"><img class=\"aligncenter  wp-image-112576\" alt=\"legislador Estudantes ilegais no limbo migrat\u00f3rio dos Estados Unidos\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/legislador.jpg\" width=\"540\" height=\"260\" title=\"Estudantes ilegais no limbo migrat\u00f3rio dos Estados Unidos\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">Entre 800 mil e dois milh\u00f5es de jovens poderiam se beneficiar da lei Dream, e cerca de 27 mil em Massachusetts, segundo o Center for American Progress. Esse centro de pesquisa calcula que a aprova\u00e7\u00e3o da lei injetaria cerca de \u201cUS$ 329 milh\u00f5es na economia norte-americana e criaria 1,4 milh\u00e3o de postos de trabalho at\u00e9 2030\u201d. Mas, como outros projetos sobre imigra\u00e7\u00e3o, a Dream est\u00e1 parada na atual legislatura, considerada por muitos a mais ineficaz da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O representante por Massachusetts, Michael E. Capuano, do governante Partido Democrata, apoia esse projeto \u201ccomo uma ponte para ir onde realmente queremos estar\u201d, que \u00e9 uma reforma migrat\u00f3ria integral. Descendente de italianos e irlandeses, Capuano lamenta que haja tantos jovens \u201cref\u00e9ns\u201d dessa situa\u00e7\u00e3o. \u201cPode-se discutir todos os dias da semana sobre os adultos que chegam ou que ficam de forma ilegal, mas n\u00e3o creio que seja v\u00e1lido incluir na discuss\u00e3o as crian\u00e7as que n\u00e3o escolheram a vida que t\u00eam\u201d, insistiu. \u201cOs imigrantes est\u00e3o aqui pela mesma raz\u00e3o que trouxe minha fam\u00edlia. Para melhorar sua vida e a de seus filhos\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Herzberg incentiva os estudantes a n\u00e3o se renderem. \u201cMeu conselho \u00e9: voc\u00ea pode ir \u00e0 universidade e deve lutar por isso. Participem de organiza\u00e7\u00f5es que lutam pelos direitos dos imigrantes. Quanto mais fizerem, maiores possibilidades ter\u00e3o de que as coisas melhorem, j\u00e1 que sentar e esperar n\u00e3o muda a realidade das pessoas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O jovem jogador de futebol n\u00e3o sabe o que fazer. Se ele e sua fam\u00edlia conseguirem o dinheiro, talvez v\u00e1 para uma universidade comunit\u00e1ria. Ou, talvez, retorne ao seu pa\u00eds de origem, o Brasil. \u201cCreio que, para as pessoas boas, acontecem coisas boas, e trabalhei duro por mim, para ter sucesso e por meu futuro. Tenho esperan\u00e7as. A esperan\u00e7a \u00e9 a \u00faltima que morre\u201d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><i>* Com colabora\u00e7\u00e3o do estudante de jornalismo <b>Marcelo Brociner<\/b>.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Somerville, Estados Unidos, 9\/5\/2014 &ndash; Fez tudo certo. Trabalhou duro. Foi excelente aluno. Se converteu em capit&atilde;o de sua equipe de futebol e &eacute; procurado por meia dezena de universidades nos Estados Unidos. &ldquo;Marquei seis gols e dei 28 passes para gols. 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