{"id":17462,"date":"2014-05-12T15:38:07","date_gmt":"2014-05-12T15:38:07","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=112673"},"modified":"2014-05-12T15:38:07","modified_gmt":"2014-05-12T15:38:07","slug":"movimento-lgbti-latino-americano-saboreia-vitorias-e-quer-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/movimento-lgbti-latino-americano-saboreia-vitorias-e-quer-mais\/","title":{"rendered":"Movimento LGBTI latino-americano saboreia vit\u00f3rias e quer mais"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_112674\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Cuba-chica-629x426.jpg\"><img class=\" wp-image-112674 \" alt=\"Cuba chica 629x426 Movimento LGBTI latino americano saboreia vit\u00f3rias e quer mais\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Cuba-chica-629x426.jpg\" width=\"529\" height=\"326\" title=\"Movimento LGBTI latino americano saboreia vit\u00f3rias e quer mais\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Integrantes da companhia de baile Tropicana animam uma sess\u00e3o da confer\u00eancia da Associa\u00e7\u00e3o Internacional de L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersex para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe, no balne\u00e1rio cubano de Varadero. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Varadero, Cuba, 12\/5\/2014 \u2013 Embora n\u00e3o pare\u00e7a, a Am\u00e9rica Latina \u00e9 a regi\u00e3o mais ativa do mundo na defesa dos direitos de l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, transg\u00eaneros e intersex (LGBTI). Isso se deve \u00e0 maturidade e \u00e0s estrat\u00e9gias inteligentes armadas pelo movimento LGBTI em v\u00e1rios dos 33 pa\u00edses da \u00e1rea, ainda desigual e complexa no tocante a livre orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero, afirmaram ativistas regionais \u00e0 IPS neste emblem\u00e1tico balne\u00e1rio cubano.<\/p>\n<p>As propostas \u201cmais progressistas e interessantes\u201d est\u00e3o sendo conseguidas no continente americano, disse a mexicana Gloria Careaga, durante a VI Confer\u00eancia Regional da Associa\u00e7\u00e3o Internacional de L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersex para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (IlgaLac), que terminou no dia 10, em Varadero. \u00c0 cabe\u00e7a das mudan\u00e7as mais favor\u00e1veis est\u00e3o Argentina e Uruguai, disse a co-secret\u00e1ria da federa\u00e7\u00e3o mundial fundada em 1978 e com status consultivo na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>Esses dois pa\u00edses t\u00eam leis antidiscriminat\u00f3rias, casamento igualit\u00e1rio e permitem a ado\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as por casais gays. Para Careaga, outros pa\u00edses com passos claros s\u00e3o Brasil, Col\u00f4mbia e M\u00e9xico. Tamb\u00e9m destacou avan\u00e7os em Cuba, onde a \u201costenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica da homossexualidade\u201d foi crime at\u00e9 a d\u00e9cada de 1990 e que agora foi anfitri\u00e3 da confer\u00eancia regional, que come\u00e7ou no dia 6. No geral, o Caribe \u00e9 a zona mais atrasada da regi\u00e3o em mat\u00e9ria de direitos dos LGBTI.<\/p>\n<p>Atualmente, s\u00f3 em dois pa\u00edses continentais se penaliza a homossexualidade, Belize e Guiana, enquanto em nove na\u00e7\u00f5es insulares caribenhas s\u00e3o consideradas crime as rela\u00e7\u00f5es entre pessoas do mesmo sexo, especialmente a sodomia. Antiga e Barbuda, Barbados, San Vicente e Granadinas, Dominica, Granada, Jamaica, S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o e Neves, Santa L\u00facia e Trinidad e Tobago vetam desde 1976 a entrada de homossexuais em seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Por essa e outras raz\u00f5es, o encontro no Centro de Conven\u00e7\u00f5es Plaza Am\u00e9rica de Varadero, 121 quil\u00f4metros a leste de Havana, foi o primeiro na regi\u00e3o do Caribe. Nesse balne\u00e1rio se reuniram representantes de mais de 200 organiza\u00e7\u00f5es da IlgaLac, junto com participantes da Europa e dos Estados Unidos. Bandeiras multicoloridas, s\u00edmbolo do respeito \u00e0 livre orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero, e cartazes com mensagens inclusivas decoravam os corredores e sal\u00f5es do centro onde aconteceu o encontro.<\/p>\n<p>Apesar da situa\u00e7\u00e3o no Caribe, a regi\u00e3o em seu conjunto continua tirando terreno da homofobia e do machismo assentado em suas culturas. Careaga destacou como causa dos avan\u00e7os o fato de cada pa\u00eds ter tra\u00e7ado sua pr\u00f3pria agenda, adequada ao seu contexto. Mas o advogado argentino Pedro Paradiso, que defende essa causa h\u00e1 20 anos, foi definitiva a evolu\u00e7\u00e3o do ativismo LGBTI. \u201cFomos mudando. No come\u00e7o a luta era muito mais de vitimiza\u00e7\u00e3o e reclama\u00e7\u00e3o. Essa perspectiva foi se ampliando e se renovando. Agora somos sujeitos de direito\u201d, disse \u00e0 IPS Paradiso, integrante da Comunidade Homossexual Argentina, criada h\u00e1 30 anos.<\/p>\n<p>Segundo Paradiso, aumentar a autoestima da popula\u00e7\u00e3o homossexual e assumir um enfoque baseado em seus direitos como coletivo foram decisivos, embora lembre que h\u00e1 muito mais ingredientes no coquetel do sucesso. A seu ver, come\u00e7aram a ser vis\u00edveis e empoderados. Depois passaram a se institucionalizar e exigir direitos sexuais e reprodutivos como direitos humanos. Tamb\u00e9m ser articularam com outros movimentos sociais e fizeram alian\u00e7as com partidos pol\u00edticos e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas com as universidades.<\/p>\n<p>Outro cen\u00e1rio conquistado foram os f\u00f3runs internacionais da ONU e da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos, que podem exercer alguma press\u00e3o sobre governos e Estados. E, na medida em que cada sistema permitiu, a comunidade LGBTI usou o Poder Judici\u00e1rio para abrir caminhos de igualdade, que \u00e0s vezes foram tortuosos. Esse \u00e9 o caso da Col\u00f4mbia, onde os casais do mesmo sexo se unem legalmente por meio de processos nos tribunais, esperando que seja decretado o casamento gay. \u201cO processo \u00e9 como um parto longo e doloroso\u201d, comparou Ana\u00eds Morales, da Corpora\u00e7\u00e3o Femm, que re\u00fane mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais nesse pa\u00eds.<\/p>\n<p>Essa ativista feminista de 25 anos assegurou que as mulheres continuam sendo poucas na luta pelos direitos sexuais e reprodutivos. \u201cOs homens gays t\u00eam maior visibilidade\u201d, afirmou Morales \u00e0 IPS. \u00a0De maneira geral, as organiza\u00e7\u00f5es de mulheres presentes em Varadero concordaram que elas s\u00e3o duplamente discriminadas, por seu g\u00eanero e pela orienta\u00e7\u00e3o sexual, e que lhes falta mais acesso a reprodu\u00e7\u00e3o assistida, tratamento respeitoso nos servi\u00e7os de sa\u00fade e mais liga\u00e7\u00e3o do movimento feminista com o l\u00e9sbico, entre outros desafios.<\/p>\n<p>A primeira conselheira (vereadora) transg\u00eanero do Chile, Zuliana Araya, disse \u00e0 IPS que o movimento LGBTI deve se unir mais internamente. \u201cEntre n\u00f3s n\u00e3o pode haver nenhuma discrimina\u00e7\u00e3o\u201d, opinou essa conselheira do munic\u00edpio de Valparaiso e ativista em um sindicato local de pessoas trans. \u201cN\u00e3o \u00e9 pelo fato de a maioria de nossa comunidade (trans) exercer o com\u00e9rcio sexual que temos de ficar de fora\u201d, ressaltou a vereadora, de 50 anos, que passou da luta civil para a pol\u00edtica, em um pa\u00eds com leis antidiscriminat\u00f3rias desde maio de 2012. \u201cN\u00f3s ainda estamos na parte de reivindicar\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a cultural e social com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 diversidade sexual e de g\u00eanero \u00e9 o grande desafio, mesmo na Argentina e no Uruguai, cujas legisla\u00e7\u00f5es est\u00e3o entre as mais avan\u00e7adas do mundo. Tamb\u00e9m s\u00e3o sentidos os freios do fundamentalismo religioso e do conservadorismo pol\u00edtico, muito enraizados no Caribe. O militante gay dominicano Davis Ventura assegurou \u00e0 IPS que \u201ch\u00e1 muitos caribes\u201d.<\/p>\n<p>Para Ventura, de 40 anos, no Caribe de l\u00edngua inglesa a criminaliza\u00e7\u00e3o torna quase imposs\u00edvel o ativismo ou o restringe a f\u00f3runs internacionais, enquanto nos pa\u00edses de l\u00edngua espanhola \u2013 Cuba, Rep\u00fablica Dominicana e Porto Rico \u2013 observa-se avan\u00e7os \u201cm\u00e9dios\u201d. As ilhas de influ\u00eancia francesa e holandesa s\u00e3o mais progressistas. Em Porto Rico s\u00e3o dados passos firmes no \u00e2mbito municipal, enquanto a Rep\u00fablica Dominicana tem associa\u00e7\u00f5es j\u00e1 vis\u00edveis e Cuba conseguiu a primeira lei antidiscriminat\u00f3ria em 2013, quando foi aprovado um novo C\u00f3digo do Trabalho que protege explicitamente os direitos trabalhistas das pessoas n\u00e3o heterossexuais.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, v\u00e1rias vozes afirmam que ainda n\u00e3o existe um movimento LGBTI cubano. Manuel V\u00e1zquez, chefe de Assessoria Jur\u00eddica do estatal Centro Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Sexual (Cenesex), disse \u00e0 IPS que \u201cse est\u00e1 vendo grupos com uma conduta ativa em solicitar, exigir e discutir sobre os direitos sexuais\u201d. Para Maykel Gonz\u00e1lez, do Projeto Arco-\u00cdris, o ativismo est\u00e1 \u201cem vias de constitui\u00e7\u00e3o\u201d. O Arco-\u00cdris, que assegura ser independente e anticapitalista, a n\u00e3o governamental Sociedade Cubana Multidisciplinar para o Estudo da Sexualidade, al\u00e9m de iniciativas acompanhadas por entidades estatais como o Cenesex e o Centro Nacional de Preven\u00e7\u00e3o das DST-HIV\/aids representaram Cuba na confer\u00eancia da IlgaLac. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Varadero, Cuba, 12\/5\/2014 &ndash; Embora n&atilde;o pare&ccedil;a, a Am&eacute;rica Latina &eacute; a regi&atilde;o mais ativa do mundo na defesa dos direitos de l&eacute;sbicas, gays, bissexuais, transg&ecirc;neros e intersex (LGBTI). 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