{"id":17467,"date":"2014-05-13T15:54:42","date_gmt":"2014-05-13T15:54:42","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=112761"},"modified":"2014-05-13T15:54:42","modified_gmt":"2014-05-13T15:54:42","slug":"a-vida-persiste-na-siria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/a-vida-persiste-na-siria\/","title":{"rendered":"A vida persiste na S\u00edria"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_112762\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Siriramosaico.jpg\"><img class=\" wp-image-112762 \" alt=\"Siriramosaico A vida persiste na S\u00edria\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Siriramosaico.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"A vida persiste na S\u00edria\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um mural de mosaicos em Damasco, \u201cpara dizer ao mundo que os s\u00edrios amam a vida\u201d, afirma o artista Moaffak Makhoul. Foto: Eva Bartlett\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Damasco, S\u00edria, 13\/5\/2014 \u2013 Qualquer dia da semana, nada det\u00e9m o vai e vem de pedestres, autom\u00f3veis, motos e bicicletas na Cidade Velha de Damasco. Os mercados est\u00e3o lotados de clientes que pechincham com os comerciantes os pre\u00e7os de especiarias, perfumes florais, roupas ou qualquer outro produto abundante no bazar de Hamidiyah. No final da hist\u00f3rica Via Reta, tra\u00e7ada na \u00e9poca do Imp\u00e9rio Romano, algumas crian\u00e7as brincam de futebol entre as antigas colunas.<\/p>\n<p>\u00c9 o terceiro ano de um devastador conflito armado interno, apoiado desde o exterior para derrubar o governo de Bashar al Assad. Mais de cem mil pessoas morreram, a imensa maioria civis, e outros dois milh\u00f5es se refugiaram em pa\u00edses vizinhos. Mas a S\u00edria ainda palpita vida e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Nas estreitas ruas da Cidade Velha, os casais passeiam de m\u00e3os dadas e os homens idosos se cumprimentam sorrindo e com um beijo no rosto. A m\u00fasica chega pelas portas abertas das antigas casas, cujos jardins estalam de verde. Um leiteiro faz a entrega em grandes baldes carregados em sua bicicleta. Mas as espa\u00e7osas casas, convertidas em hot\u00e9is e restaurantes, n\u00e3o t\u00eam turistas. Alguns comerciantes se queixam do mesmo: suas lojas t\u00eam os produtos, mas n\u00e3o os habituais compradores estrangeiros.<\/p>\n<p>Bassam dirige a loja familiar de joias e antiguidades Giovanni, perto da Porta Leste da Cidade Velha, em uma casa damascena de grandes arcos e ornamentos em madeira. \u201cAs vendas n\u00e3o v\u00e3o muito bem devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o. Antes vinha muita gente\u201d, afirmou, mostrando uma fotografia na qual aparece junto a uma mulher. \u201c\u00c9 Catherine Deneuve, a atriz francesas. Ela \u00e9 muito famosa\u201d, ressaltou. Personalidades conhecidas de todo o mundo costumavam frequentar sua loja, acrescentou.<\/p>\n<p>Na Mesquita dos Omeyas, os fi\u00e9is rezam e se reconfortam com o ambiente fresco, enquanto um rapaz pratica os giros da dan\u00e7a sufi. Do lado de fora, as mulheres se sentam \u00e0 sombra do jardim com seus filhos e desfrutam de um piquenique de sandu\u00edches. A ampla pra\u00e7a que fica diante da mesquita est\u00e1 repleta de vendedores de alimentos e roupas, fam\u00edlias passeando e crian\u00e7as vendendo rosas.<\/p>\n<p>Um jovem vendedor de pipoca assegurou que as coisas est\u00e3o melhorando. \u201cA vida aqui \u00e9 boa, a situa\u00e7\u00e3o voltou \u00e0 normalidade, o governo nos apoia. Mas minha casa est\u00e1 na Babil\u00f4nia, na periferia de Damasco, e n\u00e3o posso voltar porque foi tomada pelos rebeldes\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Quase diariamente, grupos armados lan\u00e7am ataques de morteiro contra zonas civis a partir de aldeias pr\u00f3ximas, como Jobar ou Mliha. No dia 15 de abril, o fogo de morteiros atingiu a escola prim\u00e1ria de Manar. Morreu um menino e outras 62 crian\u00e7as ficaram feridas. Naquela manh\u00e3 tamb\u00e9m foi bombardeado um jardim de inf\u00e2ncia no mesmo populoso bairro de Damasco ferindo tr\u00eas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>No dia 29 de abril, esses disparos alcan\u00e7aram o instituto de estudos religiosos Bader Eddin al-Hassni. Morreram 14 estudantes e 86 ficaram feridos, segundo informa\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia \u00e1rabe de not\u00edcias Sana. Uma tarde, enquanto se sentava fora dos muros da Cidade Velha, a cerca de cem metros da Porta Leste, esta rep\u00f3rter viu os clar\u00f5es de disparos procedentes de Jobar, uma \u00e1rea controlada por grupos armados que querem derrubar Assad.<\/p>\n<p>Al Midan, distrito conhecido por seus tradicionais doces, ainda recebe clientes locais, mas sofre a mesma falta de estrangeiros que o restante do turismo. \u201cSempre trazia delega\u00e7\u00f5es aqui para que provassem os doces\u201d, contou Anas, jornalista da televis\u00e3o s\u00edria. \u201cMas, como pode ver, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 turistas\u201d, acrescentou. Nagham, um estudante universit\u00e1rio, disse que tampouco muitos s\u00edrios veem agora a Al Midan. \u201cAs pessoas t\u00eam medo porque estamos muito perto de Yarmouk. Al Midan \u00e9 seguro, mas as pessoas acreditam que os terroristas de Yarmouk disparar\u00e3o morteiros para c\u00e1\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Devido aos ataques contra a popula\u00e7\u00e3o civil com carros-bomba, por exemplo, h\u00e1 barreiras militares em toda a cidade e nas zonas rurais. Enquanto os soldados revistam os ve\u00edculos em busca de explosivos, o tr\u00e2nsito vai se complicando. Mas, sem esses controles, a mortandade de civis seria maior, dizem as autoridades. Os moradores da ocidental cidade de Homs conhecem de sobra os efeitos dos carros-bomba. A cidade esteve por dois anos sob controle de grupos rebeldes, cada vez mais encurralados no centro hist\u00f3rico, que abandonaram no dia 7 deste m\u00eas, em raz\u00e3o de um acordo com o governo.<\/p>\n<p>No dia 9 de abril, por exemplo, dois deles detonaram sucessivamente na mesma rua de um bairro residencial, matando 25 pessoas e ferindo outras 107, segundo meios de comunica\u00e7\u00e3o estatais. E, no dia 29 do mesmo m\u00eas, outros dois carros-bomba e um ataque com foguetes causaram 42 mortes. Entretanto, em Homs tamb\u00e9m come\u00e7ou um movimento de reconcilia\u00e7\u00e3o, com combatentes abandonando as armas e optando por uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para o conflito civil s\u00edrio.<\/p>\n<p>Na cidade costeira de Latakia, 350 quil\u00f4metros a noroeste de Damasco e no Mediterr\u00e2neo, os refugiados internos da aldeia de Kasab, antigo assentamento arm\u00eanio muito pr\u00f3ximo \u00e0 fronteira com a Turquia, se refugiam em um templo da Igreja Ortodoxa. No dia 21 de mar\u00e7o combatentes chechenos e de outros pa\u00edses, filiados \u00e0 rede Al Qaeda e apoiados por for\u00e7as especiais turcas, come\u00e7aram a lan\u00e7ar m\u00edsseis desde a fronteira contra a aldeia, que depois tomaram e onde cometeram atrocidades, segundo testemunhos. H\u00e1 den\u00fancias de 80 pessoas assassinadas. O restante dos quase dois mil habitantes fugiu para Latakia e outras partes.<\/p>\n<p>\u201cPodem destruir nossas casas, mas voltaremos. Acreditamos no ex\u00e9rcito \u00e1rabe da S\u00edria\u201d, disse Suzy, moradora de Kasab. \u201cComo n\u00e3o puderam encontrar as mo\u00e7as, violaram as idosas. Destru\u00edram tudo, sequestraram nossas casas, quebraram a est\u00e1tua da Virgem Maria\u201d, lamentou. Indagada sobre sua opini\u00e3o a respeito de Assad, responde sem duvidar, como muitos nesse pa\u00eds: \u201cTemos um l\u00edder, o doutor Bashar al Assad. O amamos, n\u00e3o queremos mais nada. Queremos ele e queremos recuperar a S\u00edria\u201d.<\/p>\n<p>Em outra regi\u00e3o de Latakia, uma cidade protegida pelo ex\u00e9rcito, mas atacada \u00e0 dist\u00e2ncia com m\u00edsseis, crian\u00e7as e adolescentes brincam diante de um amplo e limpo parque, enquanto homens e mulheres se sentam, fumam seus narguil\u00e9s e conversam. Fadia, uma mu\u00e7ulmana sunita que n\u00e3o usa v\u00e9u, est\u00e1 sentada em um grupo de mulheres vestidas com e sem essa pe\u00e7a de roupa religiosa. Segundo ela, em Latakia n\u00e3o h\u00e1 problemas graves.<\/p>\n<p>\u201cA vida \u00e9 boa e somos felizes. O ex\u00e9rcito nos protege. Amamos nosso presidente e nosso ex\u00e9rcito e nosso pa\u00eds. Mas h\u00e1 for\u00e7as externas que querem destru\u00ed-lo. Aqui n\u00e3o h\u00e1 problemas entre crist\u00e3os, mu\u00e7ulmanos, arm\u00eanios e aluitas. Somos uma s\u00f3 fam\u00edlia e ningu\u00e9m pode nos separar\u201d, afirmou enfaticamente.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nesse lugar, Lilly Martin, uma californiana que mora h\u00e1 22 anos na S\u00edria, dirige at\u00e9 sua casa. \u201cNo come\u00e7o (dos protestos contra Assad, em 2011) houve um foco de viol\u00eancia e os manifestantes atacavam a pol\u00edcia. Mas, quase em seguida, o povo de Latakia lhes deu as costas. A popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o aceita o levante. Temos crist\u00e3os, mu\u00e7ulmanos e minorias aqui. H\u00e1 muito pouco apoio aos rebeldes, por isso \u00e9 uma cidade pac\u00edfica\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Em Homs, Latakia e Damasco muros e portas s\u00e3o decorados com grandes bandeiras s\u00edrias e imagens de Assad. As bandeiras s\u00e3o colocadas nas celebra\u00e7\u00f5es de P\u00e1scoa, nos casamentos e em outras festividades. E, junto com as bandeiras, h\u00e1 hinos patri\u00f3ticos cantados pelos celebrantes e acompanhados por gritos e palmas.<\/p>\n<p>Na Autostrad, a principal rua que leva \u00e0 localidade de Al Mezze, em Damasco, um grande mural de mosaicos coloridos, peda\u00e7os de azulejos e outros objetos reciclados, cobre a parede externa de uma escola e ocupa toda uma quadra. \u00c9 o projeto de seis artistas, conduzidos por Moaffak Makhoul, que explica o conceito. \u201cFizemos o mural para as crian\u00e7as, para sorrirem. E queremos enviar ao mundo a mensagem de que os s\u00edrios amam a vida e insistem em viver e sobreviver\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Sua mensagem cont\u00e9m tamb\u00e9m um elemento pol\u00edtico relevante. \u201cDizemos n\u00e3o aos que exp\u00f5em a ideologia que busca eliminar o outro, o takfirismo (uma corrente sunita extremista que considera como seus principais inimigos os que professam outros ramos do Isl\u00e3)\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Quatro adolescentes param para conversar. \u201cAqui viv\u00edamos bem, com seguran\u00e7a. T\u00ednhamos liberdade e agora n\u00e3o a temos\u201d, disse Rehab, uma das mo\u00e7as. \u201cAgora n\u00e3o se sabe quem pode ser um terrorista. Queremos que nosso pa\u00eds volte a ser como era\u201d, acrescentou. Ramez, outra jovem, acredita em mudan\u00e7as e que \u201ca vida est\u00e1 melhorando\u201d. Por seu lado, Batoul afirmou que \u201camamos Bashar. \u00c9 uma boa pessoa. Sabemos o que fez pelo nosso pa\u00eds. Antes de tudo isso come\u00e7ar, viv\u00edamos tranquilos e com seguran\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Em sua solit\u00e1ria loja da Porta Leste, Bassam tamb\u00e9m \u00e9 otimista. \u201cA paz vir\u00e1, cedo ou tarde; n\u00e3o, vir\u00e1 cedo. Damasco \u00e9 uma cidade maravilhosa, e seu povo tamb\u00e9m\u201d, afirmou. Desde a mesquita, o muezim chama a ora\u00e7\u00e3o e soam os sinos das igrejas cat\u00f3licas em uma cidade, e em um pa\u00eds, onde a vida continua. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Damasco, S&iacute;ria, 13\/5\/2014 &ndash; Qualquer dia da semana, nada det&eacute;m o vai e vem de pedestres, autom&oacute;veis, motos e bicicletas na Cidade Velha de Damasco. Os mercados est&atilde;o lotados de clientes que pechincham com os comerciantes os pre&ccedil;os de especiarias, perfumes florais, roupas ou qualquer outro produto abundante no bazar de Hamidiyah. 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