{"id":17468,"date":"2014-05-13T15:51:23","date_gmt":"2014-05-13T15:51:23","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=112758"},"modified":"2014-05-13T15:51:23","modified_gmt":"2014-05-13T15:51:23","slug":"pastoreio-sem-controle-prejudica-ambiente-no-sudao-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/pastoreio-sem-controle-prejudica-ambiente-no-sudao-do-sul\/","title":{"rendered":"Pastoreio sem controle prejudica ambiente no Sud\u00e3o do Sul"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_112759\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/agnes640-629x419.jpg\"><img class=\" wp-image-112759\" alt=\"agnes640 629x419 Pastoreio sem controle prejudica ambiente no Sud\u00e3o do Sul\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/agnes640-629x419.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Pastoreio sem controle prejudica ambiente no Sud\u00e3o do Sul\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Angelo Waranyang, da tribo mundari, cuida de suas reses na localidade sul-sudanesa de Terekeka. Foto: Jared Ferrie\/IPS<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p>Juba, Sud\u00e3o do Sul, 13\/5\/2014 \u2013 Wani Lo Keji, de 20 anos, fica olhando o c\u00e9u enquanto seu gado bebe \u00e1gua na margem oriental do rio Nilo, do outro lado dessa cidade, capital do Sud\u00e3o do Sul. \u201cTodos os dias trazemos nossos animais aqui porque o rio perto de nossa aldeia secou. Ali havia muitos pastores lutando pela \u00e1gua\u201d, contou o jovem \u00e0 IPS. O problema de Keji \u00e9 muito comum nesse pa\u00eds, onde as cabe\u00e7as de gado superam o n\u00famero de habitantes.<\/p>\n<p>Estima-se que no Sud\u00e3o do Sul h\u00e1 11,7 milh\u00f5es de reses, al\u00e9m de 12,4 milh\u00f5es de cabras e 12,1 milh\u00f5es de ovelhas, segundo estat\u00edsticas do Minist\u00e9rio de Agricultura, Silvicultura, Turismo, Recursos Animais e Pesca. No pa\u00eds vivem dez milh\u00f5es de pessoas. O valor do gado no pa\u00eds \u00e9 estimado em US$ 2,2 bilh\u00f5es, o mais alto por habitante da \u00c1frica. Mas o especialista em gest\u00e3o de recursos naturais Isaac Woja apontou \u00e0 IPS que por falta de um manejo sustent\u00e1vel surge a escassez de \u00e1gua e a degrada\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>\u201cO gado no Sud\u00e3o do Sul \u00e9 uma maldi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 um recurso que d\u00ea benef\u00edcios \u00e0 popula\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o \u00e9 criado para obter recursos econ\u00f4micos nem para garantir a seguran\u00e7a econ\u00f4mica, mas por uma quest\u00e3o de prest\u00edgio\u201d, explicou Woja. \u201cO importante \u00e9 ter a maior quantidade de animais, para ganhar o respeito dentro de sua comunidade como quem tem mais gado na regi\u00e3o. Por isso, na esta\u00e7\u00e3o seca aparece a escassez de \u00e1gua e de pastagens\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Nesse pa\u00eds se venera o gado, e h\u00e1 comunidades de pastores que nem mesmo contemplam a possibilidade de us\u00e1-lo para se alimentar. O Sud\u00e3o do Sul importa animais em p\u00e9, principalmente da vizinha Uganda, que sacrifica para consumo humano. Segundo o Banco de Desenvolvimento Asi\u00e1tico, 80% da popula\u00e7\u00e3o desse pa\u00eds vive em zonas rurais e dependem da agricultura, silvicultura e pesca para subsistirem. Na maioria das comunidades sul-sudanesas, as vacas s\u00e3o usadas para pagar o dote e como forma de compensa\u00e7\u00e3o em casos de assassinato ou adult\u00e9rio.<\/p>\n<p>\u201cOs pastores se sentem orgulhosos da quantidade de animais que t\u00eam, mais do que de sua qualidade. Por isso h\u00e1 um pastoreio extensivo\u201d, explicou Justine Miteng, da ag\u00eancia de desenvolvimento holandesa SNV. Isso deriva em um mau uso dos recursos h\u00eddricos, disse \u00e0 IPS. \u201cAs pessoas se aproximam dos cursos de \u00e1gua para dar de beber ao gado e prejudicam o leito do rio. Al\u00e9m disso, tanto os animais quanto as pessoas defecam na \u00e1gua, o que a contamina\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Woja insistiu que o pastoreio excessivo e a consequente eros\u00e3o do solo s\u00e3o um problema. \u201cPor exemplo, se s\u00f3 pode haver tr\u00eas vacas pastando em meio hectare, se encontrar\u00e1 algu\u00e9m que tem cem\u201d, detalhou. Segundo Miteng, para garantir uma gest\u00e3o sustent\u00e1vel do gado deve haver uma normatiza\u00e7\u00e3o sobre a quantidade de animais que os pastores podem ter em uma determinada \u00e1rea. \u201cA forma mais sustent\u00e1vel \u00e9 reduzir a quantidade de animais e adotar outra forma de gest\u00e3o. Por exemplo, se a pessoa tem seu pr\u00f3prio terreno, pode manter seu gado nele\u201d, acrescentou. \u201cTamb\u00e9m pode cultivar pasto para ter feno quando faltar\u201d, sugeriu.<\/p>\n<p>Woja concordou que, para garantir a sustentabilidade, deve haver uma normatiza\u00e7\u00e3o sobre como utilizar a terra, segundo suas caracter\u00edsticas, para a cria\u00e7\u00e3o de gado. \u201cSe h\u00e1 um grande terreno comunit\u00e1rio, deveria ser poss\u00edvel dividi-lo em parcelas que em um ano seria usado para pastoreio e no pr\u00f3ximo os animais deveriam ser levados para outra parte\u201d, explicou. \u201cSe se trabalhar para o gado ser rent\u00e1vel aos seus propriet\u00e1rios, diminuir\u00e3o os conflitos pela \u00e1gua e pastagens, cair\u00e1 ao m\u00ednimo o dano ambiental e melhorar\u00e1 a qualidade dos animais\u201d, destacou.<\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o regulamentada da terra se deve, em parte, \u00e0 falta de pol\u00edticas claras do governo, segundo Leben Nelson Moro, professor de estudos de desenvolvimento na Universidade de Juba. A seu ver, foi dada demasiada \u00eanfase \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, que representa 98% da renda do Sud\u00e3o do Sul, e a isso se soma a press\u00e3o populacional, que ocorreu quando uma grande quantidade de pessoas exiladas regressou ao pa\u00eds ap\u00f3s a declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia em julho de 2011.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos de um planejamento e pol\u00edticas adequadas. Devemos intensificar quais recursos naturais temos e preparar pautas sobre como us\u00e1-los pelo bem das gera\u00e7\u00f5es atuais e futuras. Tem de haver um programa nacional para isso\u201d, pontuou Moro \u00e0 IPS. O governo deve envolver a universidade para realizar estudos sobre como gerir melhor os recursos e evitar a explora\u00e7\u00e3o, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cMas a sociedade civil deve estar pendente do que faz o governo, que costuma se concentrar nos benef\u00edcios de curto prazo da explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais, em lugar de considerar o impacto sobre as comunidades no longo prazo\u201d, acrescentou Moro. Enquanto isso n\u00e3o ocorrer, os pastores como Keji e sua fam\u00edlia continuar\u00e3o adquirindo gado para melhorar seu prest\u00edgio. \u201cEm nossa fam\u00edlia temos centenas de animais e trabalhamos duro para comprar mais\u201d, contou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juba, Sud&atilde;o do Sul, 13\/5\/2014 &ndash; Wani Lo Keji, de 20 anos, fica olhando o c&eacute;u enquanto seu gado bebe &aacute;gua na margem oriental do rio Nilo, do outro lado dessa cidade, capital do Sud&atilde;o do Sul. &ldquo;Todos os dias trazemos nossos animais aqui porque o rio perto de nossa aldeia secou. 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