{"id":17469,"date":"2014-05-13T15:47:00","date_gmt":"2014-05-13T15:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=112755"},"modified":"2014-05-13T15:47:00","modified_gmt":"2014-05-13T15:47:00","slug":"depois-do-taliba-a-depressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/depois-do-taliba-a-depressao\/","title":{"rendered":"Depois do Talib\u00e3, a depress\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_112756\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Taliba.jpg\"><img class=\" wp-image-112756 \" alt=\"Taliba Depois do Talib\u00e3, a depress\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Taliba.jpg\" width=\"529\" height=\"346\" title=\"Depois do Talib\u00e3, a depress\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Refugiados devido \u00e0 viol\u00eancia no norte do Paquist\u00e3o esperam para serem admitidos no acampamento de Jalozai, pr\u00f3ximo de Peshawar. Foto: Ashfaq Yusufzai\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Peshawar, Paquist\u00e3o, 13\/5\/2014 \u2013 Todas as noites, quando dorme, Rizwan Ahmed v\u00ea como assassinaram seus filhos. \u201cAo acordar, cai em choro. Se d\u00e1 conta de que est\u00e3o mortos e que teve outro pesadelo\u201d, contou Mian Iftikhar Hussain, o psiquiatra que o trata. Ahmed, de 51 anos, era empregado em uma escola de Jyber Bara, uma das sete ag\u00eancias, ou distritos, das \u00c1reas Tribais sob Administra\u00e7\u00e3o Federal (Fata), antes que sofresse a trag\u00e9dia familiar, h\u00e1 quase um ano.<\/p>\n<p>\u201cPerdeu seus dois filhos homens pela viol\u00eancia. Sua dor n\u00e3o deixou de aumentar. Foi trazido ao nosso hospital em dezembro do ano passado, na \u00faltima etapa de seu transtorno mental\u201d, explicou Hussain, diretor-executivo da Sociedade de Promo\u00e7\u00e3o do Bem-Estar em Sa\u00fade (HPWS). \u201cAgora suas possibilidades de melhora s\u00e3o escassas. Se tivesse chegado antes, poderia ter sido tratado\u201d, acrescentou. A HPWS dirige o hospital psiqui\u00e1trico de Iftijar, de 40 leitos, nos arredores de Peshawar, para ajudar os doentes mentais das Fata.<\/p>\n<p>Mais de dois milh\u00f5es de pessoas foram deslocadas pelas Fata, cont\u00edguas \u00e0 prov\u00edncia de Jyber Pajtunjwa, pela insurg\u00eancia do movimento extremista Talib\u00e3 e pela repress\u00e3o militar. A perda de parentes pr\u00f3ximos, o deslocamento e as condi\u00e7\u00f5es em que vivem propiciam transtornos mentais generalizados. Mas a maioria desses pacientes passa desapercebida devido \u00e0 escassez de psiquiatras e psic\u00f3logos, e por falta de consci\u00eancia dos transtornos psicol\u00f3gicos e das doen\u00e7as mentais em geral.<\/p>\n<p>\u201cCom frequ\u00eancia os pacientes sonham com corpos carbonizados de seus entes queridos, mortos por balas ou morteiros. Essas pessoas exigem tratamento cont\u00ednuo\u201d, afirmou Hussain. \u201cQuando termina o tratamento tamb\u00e9m oferecemos capacita\u00e7\u00e3o vocacional aos pacientes\u201d, acrescentou. As mulheres e as crian\u00e7as s\u00e3o as v\u00edtimas mais frequentes.<\/p>\n<p>A esposa de Ziarat Gul, um agricultor de 51 anos da ag\u00eancia Bajaur, \u00e9 outra paciente no hospital de Iftijar. \u201cNosso filho foi assassinado enquanto brincava diante de casa. O trauma tomou conta dela quando viu seu corpo manchado de sangue\u201d, contou . Agora a mulher mostra ind\u00edcios de melhora gra\u00e7as \u00e0 medica\u00e7\u00e3o, afirma seu marido, que tamb\u00e9m sofre porque j\u00e1 n\u00e3o pode cuidar de sua granja. O conflito sem fim e as ofensivas militares contra os insurgentes cobraram um pre\u00e7o alto entre as fam\u00edlias das Fata. \u201cNossos filhos cresceram em meio \u00e0 viol\u00eancia. Falam do ex\u00e9rcito, dos talib\u00e3s, dos bombardeios, dos ataques com avi\u00f5es n\u00e3o tripulados e dos toques de recolher\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Depois que as for\u00e7as lideradas pelos Estados Unidos derrubaram o governo do Talib\u00e3 no Afeganist\u00e3o, no final de 2001, muitos insurgentes passaram para o vizinho Paquist\u00e3o e se refugiaram nas Fata. Integrada por sete ag\u00eancias, a regi\u00e3o est\u00e1 repleta de talib\u00e3s e insurgentes da rede extremista Al Qaeda em guerra com as for\u00e7as paquistanesas. As pessoas comuns ficam presas no fogo cruzado. Os refugiados das Fata est\u00e3o dispersos por toda Jyber Pajtunjwa.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, 10% dos mais de 182 milh\u00f5es de paquistaneses sofrem problemas psiqui\u00e1tricos, mas o Paquist\u00e3o tem apenas 300 psiquiatras. As \u00e1reas propensas \u00e0 viol\u00eancia n\u00e3o t\u00eam psiquiatras, e poucos afetados podem viajar para Peshawar, capital de Jyber Pajtunjwa.<\/p>\n<p>Ajmal Shah tem dez anos e vive na ag\u00eancia Jyber, de onde foram deslocadas 73.562 fam\u00edlias nos \u00faltimos dois anos, segundo a Autoridade Nacional de Gest\u00e3o de Desastres. O menino conta como viu morrer seu irm\u00e3o mais velho em 2011, quando um brinquedo-bomba explodiu em suas m\u00e3os. \u201cEle tinha tirado da areia um cavalo de pl\u00e1stico e o olhava quando explodiu. Vi como sua carne flutuava no ar. N\u00e3o posso esquecer\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Dados do departamento de sa\u00fade de Jyber Pajtunjwa indicam que os hospitais p\u00fablicos trataram 82.345 pacientes em 2013, dos quais quase 60 mil procedentes das Fata, em busca de tratamento para suas doen\u00e7as psicol\u00f3gicas. \u201cA propor\u00e7\u00e3o de mulheres e homens afetados \u00e9 de dois para um. As mulheres s\u00e3o mais propensas ao estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico do que os homens porque elas ficam em suas casas devido aos tabus sociais, enquanto os homens podem sair e se divertir\u201d, explicou o psiquiatra Murtaza Ali, da ag\u00eancia Mohmand nas Fata. A maioria dos refugiados apresenta alguma desordem, assegurou. A extrema pobreza os atinge com for\u00e7a.<\/p>\n<p>O chefe da ala psiquiatra do hospital universit\u00e1rio de Jyber, Syed Muhammad Sultan, destacou que os pacientes exigem acompanhamento e psicoterapia. A terapia de reabilita\u00e7\u00e3o e ocupacional depois do tratamento tamb\u00e9m \u00e9 importante para prevenir a reca\u00edda, detalhou. \u201cO uso de rem\u00e9dios psicotr\u00f3picos disparou nas Fata. Mais pessoas apelam para tranquilizantes, sedativos e antidepressivos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Muitos na \u00e1rea de conflito se queixam de ins\u00f4nia. \u201cA maioria teme um futuro sombrio. S\u00e3o prisioneiros da ansiedade\u201d. A situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode piorar, j\u00e1 que o fim do conflito n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 vista, lamentou Sultan. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Peshawar, Paquist&atilde;o, 13\/5\/2014 &ndash; Todas as noites, quando dorme, Rizwan Ahmed v&ecirc; como assassinaram seus filhos. &ldquo;Ao acordar, cai em choro. Se d&aacute; conta de que est&atilde;o mortos e que teve outro pesadelo&rdquo;, contou Mian Iftikhar Hussain, o psiquiatra que o trata. 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