{"id":17475,"date":"2014-05-15T13:49:37","date_gmt":"2014-05-15T13:49:37","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=112922"},"modified":"2014-05-15T13:49:37","modified_gmt":"2014-05-15T13:49:37","slug":"mobilidade-urbana-complica-uma-copa-fifa-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/mobilidade-urbana-complica-uma-copa-fifa-sustentavel\/","title":{"rendered":"Mobilidade urbana complica uma Copa Fifa sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_112924\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Estadio-chica-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-112924\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Estadio-chica-629x472.jpg\" alt=\"Estadio chica 629x472 Mobilidade urbana complica uma Copa Fifa sustent\u00e1vel\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"Mobilidade urbana complica uma Copa Fifa sustent\u00e1vel\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Parte das grades da Arena Dunas de Natal, um dos oito est\u00e1dios da Copa Fifa que obtiveram o certificado de constru\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel. Foto: Fab\u00edola Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Natal, Brasil, 15\/4\/2014 \u2013 O Brasil concentrou a promo\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo da Fifa ambientalmente sustent\u00e1vel na constru\u00e7\u00e3o dos est\u00e1dios. Mas as 12 cidades onde est\u00e3o localizados correm contra o rel\u00f3gio para concluir a tempo as obras de mobilidade urbana, um obst\u00e1culo ainda n\u00e3o resolvido. Essa cidade, capital do Rio Grande do Norte, \u00e9 uma das sedes do Mundial de Futebol e nela acontecer\u00e3o quatro jogos. Com 800 mil habitantes, Natal \u00e9 conhecida como \u201ccidade do sol\u201d porque este brilha por aqui 300 dias ao ano, e conta com 400 quil\u00f4metros de praia.<\/p>\n<p>A cidade se orgulha de ter o ar mais puro do continente americano, segundo estudo realizado em 1994 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a pedido da ag\u00eancia espacial dos Estados Unidos, a Nasa. A qualidade da \u00e1gua tamb\u00e9m \u00e9 invej\u00e1vel, \u201cfiltrada\u201d pelas extensas dunas que formam seu mapa urbano. Com voca\u00e7\u00e3o tur\u00edstica e um fluxo anual de 1,5 milh\u00e3o de visitantes, Natal agora luta para passar uma imagem de cidade sustent\u00e1vel no Mundial de Futebol, que acontecer\u00e1 no pa\u00eds de 12 de junho a 13 de julho.<\/p>\n<p>O Arena Dunas de Natal foi inaugurado no dia 22 de janeiro e tem capacidade para 42 mil torcedores. Seu custo foi 30% superior aos US$ 190 milh\u00f5es em que estava or\u00e7ado, mas ao menos o projeto \u00e9 considerado ambientalmente id\u00f4neo. A construtora OAS, que fez as obras e administra o est\u00e1dio, garante que utiliza \u00e1gua da chuva, com isso economizando 40% da \u00e1gua consumida em seu interior. Quase 100% do lixo tamb\u00e9m \u00e9 aproveitado e desde 2012 foram recicladas 240 toneladas de lixo.<\/p>\n<p>Por outro lado, as obras de mobilidade urbana em seus arredores e por toda cidade est\u00e3o sendo terminadas a toque de caixa e correm risco de n\u00e3o estarem prontas em 13 de junho, quando acontecer\u00e1 aqui a primeira partida, colocando a imagem de Natal como cidade sustent\u00e1vel da Copa. Dos sete projetos urbanos previstos, apenas um terminou h\u00e1 um ano. Dos outros seis, tr\u00eas foram descartados e os restantes demoraram a sair do papel, algo que se repetiu em outras cidades que ter\u00e3o jogos do Mundial.<\/p>\n<p>O prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, do Partido Democr\u00e1tico Trabalhista (PDT), aliado do governo federal, garantiu \u00e0 IPS que a cidade estar\u00e1 pronta para receber a Copa gra\u00e7as aos recursos federais, de US$ 250 milh\u00f5es. \u201cQuando Natal foi escolhida sede, tinha 53 meses para realizar o projeto e a obra. Quando assumimos, em janeiro de 2013, faltavam 18 meses e nada estava come\u00e7ado\u201d assegurou. Nas obras urbanas trabalham atualmente por turnos 1.450 pessoas, durante as 24 horas do dia.<\/p>\n<div id=\"attachment_112917\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Guyana-2-chica.jpg\"><img class=\"wp-image-112917\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Guyana-2-chica.jpg\" alt=\"Guyana 2 chica Mobilidade urbana complica uma Copa Fifa sustent\u00e1vel\" width=\"540\" height=\"359\" title=\"Mobilidade urbana complica uma Copa Fifa sustent\u00e1vel\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A Guiana gasta, em m\u00e9dia, US$ 3 bilh\u00f5es ao ano para manter e refor\u00e7ar a prote\u00e7\u00e3o de seu litoral. Foto: Desmond Brown\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Alves, o dia 31 deste m\u00eas \u00e9 a data-limite para entregar seis t\u00faneis e um viaduto. Um segundo viaduto n\u00e3o estar\u00e1 completado totalmente a tempo, mas funcionar\u00e1 para o transporte durante a Copa. \u201cNatal n\u00e3o acaba com o Mundial. Nos deixar\u00e1 uma grande rede de drenagem subterr\u00e2nea, que custou US$ 60 milh\u00f5es e que estar\u00e1 70% pronta para o torneio\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O grande problema das cidades brasileiras \u00e9 o congestionamento no tr\u00e2nsito e por isso foram projetados t\u00faneis e viadutos para desafogar o tr\u00e1fego, explicou o prefeito. Al\u00e9m disso, o plano da Copa inclui plantar quatro mil \u00e1rvores, acrescentou o prefeito, sem dar maies detalhes.<\/p>\n<p>Entretanto, o coordenador do n\u00facleo de estudos em transporte do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Enilson Medeiros dos Santos, duvida que todas as interven\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas ao est\u00e1dio estar\u00e3o terminadas a tempo. \u201cN\u00e3o estar\u00e3o prontas. O viaduto da rodovia BR-101 (ao lado do est\u00e1dio) n\u00e3o estava previsto no projeto original e n\u00e3o tem a menor chance, \u00e9 uma obra em atraso\u201d, ressaltou. Santos \u00e9 uma voz de destaque no planejamento da cidade e se queixa de que sua equipe n\u00e3o foi consultada para a elabora\u00e7\u00e3o dos projetos de infraestrutura de transporte.<\/p>\n<p>\u201cNatal foi onde os investimentos federais demoraram mais a chegar. O momento do planejamento passou, fazem falta programas de investimento\u201d, pontuou o especialista, que tamb\u00e9m criticou a desinforma\u00e7\u00e3o. De todas as cidades que ser\u00e3o sede na Copa, Natal foi uma das seis suspensas no <em>ranking<\/em> de transpar\u00eancia elaborado em 2013 pelo Instituto Ethos. \u201cNingu\u00e9m tem acesso aos projetos executivos, s\u00e3o um mist\u00e9rio total\u201d, ressaltou. Natal \u00e9 fruto de um desenvolvimento acelerado e est\u00e1 entre as cidades do Nordeste com mais alto \u00edndice de motoriza\u00e7\u00e3o, acrescentou.<\/p>\n<p>A cidade tem um ve\u00edculo para cada quatro habitantes, enquanto cai a demanda de transporte p\u00fablico. O congestionamento \u00e9 parte da realidade urbana porque a frota de ve\u00edculos ultrapassa as 260 mil unidades. Desde 2000, os carros aumentam ao ritmo de 20 mil por ano. \u201cA cidade n\u00e3o tinha um padr\u00e3o de congestionamento, mas o tr\u00e1fego piorou rapidamente nos \u00faltimos dez anos. J\u00e1 hav\u00edamos advertido sobre esse problema em 1998, se a cidade n\u00e3o criasse um transporte p\u00fablico de qualidade\u201d, concluiu Santos.<\/p>\n<p>Em junho de 2012, durante a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, conhecida como Rio+20, a Fifa anunciou que o Mundial 2014 seguiria os princ\u00edpios da sustentabilidade e que investiria nisso US$ 20 milh\u00f5es. A federa\u00e7\u00e3o garantiu que priorizaria fornecedores ambientalmente id\u00f4neos e realizaria estudos para medir os impactos do torneio sobre o entorno.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as constru\u00e7\u00f5es tiveram que obter um certificado ambiental obrigat\u00f3rio, como condi\u00e7\u00e3o para receber financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES). Outro requisito desse \u00f3rg\u00e3o foi que as estruturas contassem com a certifica\u00e7\u00e3o LEED (Lideran\u00e7a em Energia e Design Ambiental), concedido pelo Green Building Council (Conselho para a Constru\u00e7\u00e3o Verde), dos Estados Unidos, reconhecido em mais de 130 pa\u00edses.<\/p>\n<p>No total, oito dos 12 est\u00e1dios da Copa atenderam as normas de constru\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel com tecnologias que economizam \u00e1gua e energia el\u00e9trica, al\u00e9m de materiais reciclados, como concreto de demoli\u00e7\u00e3o. O que parece pouco prov\u00e1vel \u00e9 o uso que se dar\u00e1 ao Arena Dunas depois da Copa. Existe o risco de se converter em um elefante branco, porque o p\u00fablico que costuma assistir jogos nessa cidade n\u00e3o passa de seis mil pessoas, admitiu \u00e0 IPS seu gerente de neg\u00f3cios, Artur Couto.<\/p>\n<p>Esse comparecimento m\u00ednimo significa que seriam necess\u00e1rios mais de tr\u00eas mil jogos apenas para pagar o custo da constru\u00e7\u00e3o. Contudo, esse representante da OAS em Natal defende o uso m\u00faltiplo da estrutura. \u201cFoi feita com o conceito de multifun\u00e7\u00e3o, para ser uma c\u00e9lula viva na cidade. H\u00e1 40 datas para jogos de futebol por ano, mas existem outros usos, como os espet\u00e1culos\u201d, sugeriu.<\/p>\n<p><strong>Mobiliza\u00e7\u00e3o social um, expropria\u00e7\u00f5es zero<\/strong><\/p>\n<p>Em 2012, os habitantes de Natal se surpreenderam com o an\u00fancio de que na avenida Capit\u00e3o Mor Gouveia, uma das principais da cidade, seriam expropriados os im\u00f3veis de tr\u00eas mil moradores e 200 comerciantes para a constru\u00e7\u00e3o de um corredor vi\u00e1rio entre o novo aeroporto e o est\u00e1dio. \u201cCerta manh\u00e3 chegou um oficial de justi\u00e7a e me entregou uma carta na qual dizia que metade dos 200 metros quadrados da minha loja seriam expropriados. O fez de maneira grosseira, e me indignei. Assim, resolvemos lutar contra a medida\u201d, contou \u00e0 IPS o comerciante Jonas Valentim, de 73 anos.<\/p>\n<p>Valentim tinha sua loja no mesmo lugar h\u00e1 30 anos e o susto foi enorme. \u201cQuando soubemos que aqui haveria jogos da Copa todos ficamos felizes, porque n\u00e3o sab\u00edamos que nos golpeariam tanto\u201d, contou. O comerciante se converteu em um dos representantes da Associa\u00e7\u00e3o dos Prejudicados pelas Obras para a Copa em Natal, criada em 2012, e tamb\u00e9m integra o Comit\u00ea Popular da Copa, dedicado a denunciar que as obras de infraestrutura est\u00e3o desvinculadas das necessidades da cidade.<\/p>\n<p>O caso da Capit\u00e3o Mor Gouveia foi emblem\u00e1tico porque deu exemplo de como as comunidades podem evitar a desapropria\u00e7\u00e3o for\u00e7ada. As autoridades n\u00e3o haviam consultado especialistas, mas os moradores da avenida recorreram \u00e0 universidade regional para que os ajudasse a elaborar um projeto alternativo. \u201cFizemos sugest\u00f5es para utilizar outras avenidas de pouco uso e onde n\u00e3o haveria desapropria\u00e7\u00f5es\u201d, detalhou Valentim. Esse \u00e9 o projeto que est\u00e1 sendo executado e que n\u00e3o precisou desalojar ningu\u00e9m. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Natal, Brasil, 15\/4\/2014 &ndash; O Brasil concentrou a promo&ccedil;&atilde;o da Copa do Mundo da Fifa ambientalmente sustent&aacute;vel na constru&ccedil;&atilde;o dos est&aacute;dios. Mas as 12 cidades onde est&atilde;o localizados correm contra o rel&oacute;gio para concluir a tempo as obras de mobilidade urbana, um obst&aacute;culo ainda n&atilde;o resolvido. 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