{"id":17477,"date":"2014-05-15T13:05:57","date_gmt":"2014-05-15T13:05:57","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=112907"},"modified":"2014-05-15T13:05:57","modified_gmt":"2014-05-15T13:05:57","slug":"enquanto-washington-pensa-bruxelas-negocia-com-cuba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/enquanto-washington-pensa-bruxelas-negocia-com-cuba\/","title":{"rendered":"Enquanto Washington pensa, Bruxelas negocia com Cuba"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_112910\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Christian.jpg\"><img class=\"wp-image-112910\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Christian.jpg\" alt=\"Christian Enquanto Washington pensa, Bruxelas negocia com Cuba\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"Enquanto Washington pensa, Bruxelas negocia com Cuba\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Christian Leffler (centro), diretor-geral para a Am\u00e9rica do Servi\u00e7o Europeu de A\u00e7\u00e3o Exterior da Uni\u00e3o Europeia, na entrevista coletiva realizada em Havana, no dia 30 de abril. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Havana, Cuba, 15\/5\/2010 \u2013 A decis\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia (UE) de relan\u00e7ar suas rela\u00e7\u00f5es com Cuba d\u00e1 mostras de um pragmatismo que deixa ainda mais exposta a pol\u00edtica de embargo e isolamento dos Estados Unidos contra esse pa\u00eds caribenho. Ao fim de um encontro de dois dias, no dia 30, representantes do bloco comunit\u00e1rio e de Havana consideraram positiva sua primeira rodada de conversa\u00e7\u00f5es, na qual acordaram um mapa do caminho para um processo que deve culminar em um acordo marco de colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cHouve um claro interesse das duas partes para chegar a uma r\u00e1pida compreens\u00e3o comum sobre as bases dessa negocia\u00e7\u00e3o\u201d, disse \u00e0 imprensa o negociador da UE, Christian Leffler. Um comunicado cubano afirmou que os interc\u00e2mbios se desenvolveram de maneira \u201cconstrutiva e positiva\u201d e continuar\u00e3o em Bruxelas. O interesse da UE apoia as transforma\u00e7\u00f5es que Cuba iniciou em 2008 e que, para os europeus, s\u00e3o mais amplas do que as determinadas na reforma econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Para o bloco de 28 pa\u00edses, s\u00e3o importantes a morat\u00f3ria da pena de morte, a abertura ao trabalho privado e a restitui\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o dos direitos de viagem e propriedade de moradias e ve\u00edculos. N\u00e3o menos relevante para os olhos europeus \u00e9 o acordo de 2011 do sexto congresso do Partido Comunista de Cuba, de limitar a dois per\u00edodos consecutivos a perman\u00eancia nos principais cargos estatais e governamentais. A decis\u00e3o inclui o presidente Ra\u00fal Castro, que terminar\u00e1 seu segundo e \u00faltimo mandato em 2018.<\/p>\n<p>\u201cFalo de mudan\u00e7as em termos gerais. Para mim h\u00e1 mais mudan\u00e7as em n\u00edvel nacional do que a atualiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. \u00c9 um assunto cubano que estamos prontos para acompanhar\u201d, pontuou Leffler. A Lei de Investimentos Estrangeiros, que entrar\u00e1 em vigor em julho, abre tanto para Cuba quanto para a Uni\u00e3o Europeia novas oportunidades, acrescentou.<\/p>\n<p>A Espanha encabe\u00e7a o interc\u00e2mbio comercial europeu com Havana, com mais de US$ 1,156 bilh\u00e3o em 2012. Mas foi justamente um governo conservador espanhol, o de Jos\u00e9 Mar\u00eda Aznar (1996-2004), o art\u00edfice da chamada Posi\u00e7\u00e3o Comum que a UE adotou em 1996 e que constitui para Cuba uma inger\u00eancia em seus assuntos internos. Esse assunto esteve sobre a mesa nesta primeira rodada de conversa\u00e7\u00f5es. A uma pergunta da IPS, Leffler, de nacionalidade sueca, tamb\u00e9m esclareceu que a Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o apresentou condicionamentos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>\u201cSe queremos negociar um acordo, n\u00e3o \u00e9 muito construtivo chegar com um ponto inicial de condi\u00e7\u00f5es e imposi\u00e7\u00f5es\u201d, afirmou Leffler. Os desacordos entre Bruxelas e Havana em mat\u00e9ria de liberdades fundamentais se tornaram cr\u00edticos em 2003, devido \u00e0 deten\u00e7\u00e3o e severas condena\u00e7\u00f5es impostas por Cuba a 75 opositores pol\u00edticos. Mas em 2008 a calma voltou, e a UE e Cuba acordaram reiniciar o di\u00e1logo pol\u00edtico. Em fevereiro deste ano decidiram iniciar negocia\u00e7\u00f5es para um acordo de coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTodos os prisioneiros da primavera de 2003 foram libertados, a reforma migrat\u00f3ria aconteceu e a economia cubana avan\u00e7a para um sistema misto com um importante componente n\u00e3o estatal. Internacionalmente, Cuba presidiu com \u00eaxito durante 2013 a reuni\u00e3o de c\u00fapula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos\u201d, resumiu \u00e0 IPS o acad\u00eamico cubano Arturo L\u00f3pez-Levy.<\/p>\n<p>Esse especialista pol\u00edtico radicado nos Estados Unidos menciona tamb\u00e9m como ponto favor\u00e1vel o papel de Havana nas negocia\u00e7\u00f5es para \u201cencerrar o conflito civil colombiano\u201d, realizadas na capital cubana por delega\u00e7\u00f5es das esquerdistas For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (Farc) e do governo desse pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em sua opini\u00e3o, a negocia\u00e7\u00e3o do acordo de coopera\u00e7\u00e3o e o di\u00e1logo com a UE serve \u00e0s prioridades no longo prazo da pol\u00edtica externa cubana, na busca por maior autonomia por meio da diversifica\u00e7\u00e3o de s\u00f3cios. \u201cCuba conseguiu avan\u00e7os em suas rela\u00e7\u00f5es com M\u00e9xico, R\u00fassia e particularmente Brasil e China, que lhe deram poder de negocia\u00e7\u00e3o frente \u00e0 Europa\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Apesar das desaven\u00e7as, a UE vota a favor da resolu\u00e7\u00e3o que Cuba apresenta a cada ano na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para exigir o fim do bloqueio econ\u00f4mico e comercial que os Estados Unidos lhe imp\u00f5em desde a d\u00e9cada de 1960, uma pol\u00edtica restritiva que impede os cidad\u00e3os desse pa\u00eds de viajarem livremente e negociarem com Havana.<\/p>\n<p>Paradoxalmente, esse embargo concede vantagens ao empresariado europeu, interessado em aproveitar as possibilidades da nova legisla\u00e7\u00e3o para atrair capital fresco e investir na Zona Especial de Desenvolvimento de Muriel, uma zona franca que Cuba constr\u00f3i com um milion\u00e1rio aporte financeiro do Brasil e que fica 45 quil\u00f4metros a oeste de Havana.<\/p>\n<p>Esse megaprojeto est\u00e1 destinado a ser um piv\u00f4 do desenvolvimento cubano pela localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica de seu porto, remodelado para receber navios de grande porte. A obra inclui \u00e1reas para impulsionar investimentos em biotecnologia e farmac\u00eautica, energias renov\u00e1veis e ind\u00fastrias agroalimentares, tur\u00edstica e imobili\u00e1ria, entre outras.<\/p>\n<p>\u201cA reforma \u2018raulista\u2019 come\u00e7ou a abrir o apetite empresarial norte-americano, inclusive dos cubanos ricos residentes nos Estados Unidos\u201d, apontou L\u00f3pez-Levy. \u00c9 mais prov\u00e1vel \u201cum cen\u00e1rio no qual Washington substitua a atual pol\u00edtica de isolamento por outra mais afim aos seus valores democr\u00e1ticos, interesses econ\u00f4micos e estrat\u00e9gicos\u201d, opinou.<\/p>\n<p>\u201cA Europa tem um tempo limitado para se posicionar em Cuba antes da arrancada empresarial norte-americana. Estrategicamente, Bruxelas tem tamb\u00e9m tempo limitado para aproveitar a posi\u00e7\u00e3o privilegiada que lhe d\u00e3o as circunst\u00e2ncias nas quais os Estados Unidos restringem suas pr\u00f3prias empresas de competirem pelo mercado cubano\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Talvez esse momento n\u00e3o esteja t\u00e3o longe. Uma pesquisa de opini\u00e3o divulgada em Washington em fevereiro mostra um apoio de 56% dos adultos norte-americanos ouvidos em todo o pa\u00eds ao rein\u00edcio de rela\u00e7\u00f5es ou a uma aproxima\u00e7\u00e3o mais clara com Havana, e uma oposi\u00e7\u00e3o de apenas 35%. O resultado importante dessa pesquisa \u00e9 que uma maioria mais ampla (63%) no Estado da Fl\u00f3rida apoia o rein\u00edcio de rela\u00e7\u00f5es e um compromisso maior. Ali vive a mais numerosa comunidade cubano-norte-americana, incluindo v\u00e1rios dos mais firmes inimigos de Castro no Congresso.<\/p>\n<p>Para Ram\u00f3n S\u00e1nchez-Parodi Montoto, ex-diplomata cubano especialista nas rela\u00e7\u00f5es com os Estados Unidos, n\u00e3o haver\u00e1 mudan\u00e7as no governo de Barack Obama. Em sua opini\u00e3o, se n\u00e3o for na administra\u00e7\u00e3o que o suceder\u00e1, na seguinte \u201cdever\u00e1 haver uma decis\u00e3o substancial para a normaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es com Cuba\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Havana, Cuba, 15\/5\/2010 &ndash; A decis&atilde;o da Uni&atilde;o Europeia (UE) de relan&ccedil;ar suas rela&ccedil;&otilde;es com Cuba d&aacute; mostras de um pragmatismo que deixa ainda mais exposta a pol&iacute;tica de embargo e isolamento dos Estados Unidos contra esse pa&iacute;s caribenho. 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