{"id":17478,"date":"2014-05-15T12:58:19","date_gmt":"2014-05-15T12:58:19","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=112903"},"modified":"2014-05-15T12:58:19","modified_gmt":"2014-05-15T12:58:19","slug":"sabedoria-ancestral-durante-os-ciclones-na-india","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/sabedoria-ancestral-durante-os-ciclones-na-india\/","title":{"rendered":"Sabedoria ancestral durante os ciclones na \u00cdndia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_112905\" style=\"width: 489px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/nicobarese_ch.jpg\"><img class=\"wp-image-112905\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/nicobarese_ch.jpg\" alt=\"nicobarese ch Sabedoria ancestral durante os ciclones na \u00cdndia\" width=\"479\" height=\"318\" title=\"Sabedoria ancestral durante os ciclones na \u00cdndia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma rara combina\u00e7\u00e3o na ilha de Nicobar. Uma fam\u00edlia manteve sua moradia tradicional junto a um \u201cabrigo permanente\u201d de concreto entregue pelo governo como ajuda ap\u00f3s o tsunami de 2004. Foto: Malini Shankar\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Port Blair, \u00cdndia, 15\/5\/2014 \u2013 Entre maio e novembro, anualmente os piores ciclones costumam atingir o arquip\u00e9lago indiano das Ilhas Adam\u00e3 e Nicobar, na ba\u00eda de Bengala, no sudeste asi\u00e1tico. Os governos locais devem se esfor\u00e7ar para tomar medidas a fim de mitigar os desastres, como armazenamento de alimentos, limpeza dos abrigos, armazenamento de \u00e1gua, infraestrutura de saneamento e evacua\u00e7\u00e3o de pessoas em toda a regi\u00e3o que margeia a ba\u00eda.<\/p>\n<p>Os ciclones anunciam as mon\u00e7\u00f5es, que se desenvolvem com diferentes intensidades durante meses e costumam ser um risco para os seres humanos e os animais. Mas as autoridades podem se deparar com o fato de os evacuados rejeitarem a ajuda alimentar, por n\u00e3o se adaptar aos seus costumes ao serem distribu\u00eddas ra\u00e7\u00f5es n\u00e3o perec\u00edveis e ignorados os conhecimentos nativos a respeito do equil\u00edbrio nutricional.<\/p>\n<p>Por exemplo, na \u00e9poca dos ciclones ou de clima hostil, \u201cos andamaneses recorrem \u00e0 ca\u00e7a e \u00e0 coleta\u201d, explicou Anvita Abbi, professor do Centro Lingu\u00edstico da Faculdade de L\u00ednguas, Literatura e Estudos Culturais da Universidade Jawaharlal Nehru, em Nova D\u00e9lhi. Ele decifrou a l\u00edngua dos ind\u00edgenas das Ilhas Andam\u00e3 e Nicobar. \u201cQuando uma ave em particular canta uma can\u00e7\u00e3o, j\u00e1 sabem que t\u00eam de ca\u00e7ar tartarugas na praia, em lugar de ir pescar no mar\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Os abor\u00edgenes se adaptam \u00e0s condi\u00e7\u00f5es geomorfol\u00f3gicas e respeitam a benevol\u00eancia da natureza para resistir aos desastres. O p\u00e2nico do governo lhes parece in\u00fatil, e n\u00e3o surpreende que n\u00e3o se adaptem \u00e0 sociedade indiana e recusem o contato com um sistema corrupto que favorece uns poucos. A sabedoria tradicional os ajuda literalmente a se manterem salvos.<\/p>\n<p>\u201cOs nicobareses e os jarawa recorrem ao arp\u00e3o para pescar em \u00e1guas pouco profundas diante das inclem\u00eancias do tempo. T\u00eam barcos para alto mar, al\u00e9m de canoas com balancim e\/ou caiaques e catamar\u00e3s para pesca costeira\u201d, apontou A. Justin, antrop\u00f3logo do Centro Regional de Estudos Antropol\u00f3gicos da \u00cdndia em Port Blair, capital das Ilhas Andam\u00e3 e Nicobar. Os caiaques e as canoas com balancim s\u00e3o ecol\u00f3gicos por n\u00e3o danificarem os arrecifes de coral em \u00e1guas rasas.<\/p>\n<p>\u201cOs habitantes da ilha de Chowra s\u00e3o reconhecidos por fabricarem barcos de pesca, pelos quais trocam outros bens e servi\u00e7os que o dinheiro n\u00e3o pode comprar no distrito de Nicobar\u201d, disse Justin \u00e0 IPS. \u201cOs andamaneses v\u00e3o pescar nos arroios e rios quando o mar est\u00e1 bravo\u201d, detalhou Abbi. No Estado indiano de Orissa, na ba\u00eda de Bengala, as pessoas recorrem a cinco variedades de arroz para complementar as mudan\u00e7as estacionais que ocorrem na regi\u00e3o, propensa aos desastres ambientais.<\/p>\n<p>Outra tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 a dos soligas, nas colinas do Estado de Karnataka, de recorrer a cultivos alternativos, junto a outros complementares que atuam como pesticidas. Essa comunidade tamb\u00e9m \u00e9 reconhecida pela arte de refrigerar alimentos em bambus. Os povos origin\u00e1rios de Ladakh refrigeram iogurte elaborado com leite de yak para fazer ch\u00e1 com manteiga. \u201cPara enfrentar o frio de Ladakh, a popula\u00e7\u00e3o local consome alimentos gordurosos e bebe muito ch\u00e1 com manteiga\u201d, explicou \u00e0 IPS o trabalhador social Chewang Norphel, em Leh.<\/p>\n<p>\u201cAs casas s\u00e3o feitas com tijolos de barro secos ao sol, cobertas com o mesmo material e de teto baixo. Outra caracter\u00edstica de sua arquitetura ecol\u00f3gica s\u00e3o as janelas e as pequenas portas voltadas para o norte\u201d, acrescentou. O subdiretor da divis\u00e3o de estudos comunit\u00e1rios do Escrit\u00f3rio Nacional de Controle Nutricional, do Instituto Nacional de Nutri\u00e7\u00e3o, Avula Laxman, concorda: \u201cDe fato os povos aut\u00f3ctones adaptam suas estrat\u00e9gias de cultivo, em especial quando ocorrem desastres naturais como secas e inunda\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAdotam diferentes medidas como o consumo de alimentos de baixo custo, redu\u00e7\u00e3o a ingest\u00e3o, pedem emprestado dinheiro ou alimentos, segundo sua situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica, buscam ajuda do governo, usam gr\u00e3os armazenados ou reservas de alimentos ou, ainda, recorrem a economias, e inclusive podem emigrar em busca de emprego ou vender bens para comprar comida\u201d, segundo pesquisa do Instituto Nacional de Nutri\u00e7\u00e3o, na cidade de Hyderabad, contou Laxman.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica de cozinhar e comer em comunidade se baseia no costume de compartilhar recursos. O individualismo \u00e9 odioso para os povos origin\u00e1rios deste pa\u00eds. Outra pr\u00e1tica que \u201ctransferiram como tecnologia de baixo custo\u201d para modernizar a humanidade s\u00e3o os bancos de leite materno. A sabedoria ancestral indica que se uma m\u00e3e morre no parto e seu filho sobrevive, outra mulher da comunidade que esteja amamentando, ou mesmo no hospital, assume essa responsabilidade. Mesmo se uma mulher n\u00e3o tem leite suficiente para seu beb\u00ea, outra a substitui e lhe oferece esse alimento fundamental e lhe cria resili\u00eancia.<\/p>\n<p>Na sociedade jarawa, de fato, todas as m\u00e3es que est\u00e3o amamentando alimentam todos os beb\u00eas para criar um la\u00e7o com as novas gera\u00e7\u00f5es, segundo o livro <em>Andaman and Nicobar Islands in the 20th Century<\/em>, de Kiran Dhingra. \u201cOs la\u00e7os de parentesco evolu\u00edram, e n\u00e3o surpreende que as mulheres lactantes que est\u00e3o em uma das ilhas tenham que cuidar das crian\u00e7as das que foram trabalhar em Port Blair. Por isso n\u00e3o chama a aten\u00e7\u00e3o que amamentem outros beb\u00eas\u201d, disse Abbi.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o permeia diversos setores da sociedade indiana, transcende barreiras de casta e credos. Ali tem origem a ideia de que n\u00e3o h\u00e1 \u00f3rf\u00e3os nos povos aut\u00f3ctones, ainda se tem \u201cexpress\u00f5es precisas para a perda de irm\u00e3os e parentes\u201d, afirmou. \u201cOs abor\u00edgines tentam adaptar culturas urbanas e rurais devido \u00e0 usurpa\u00e7\u00e3o e migra\u00e7\u00e3o de moradores do campo para suas terras. A cultura aut\u00f3ctone \u00fanica mudou totalmente\u201d, pontuou Laxman.<\/p>\n<p>\u201cDevido aos programas do Sistema de Distribui\u00e7\u00e3o P\u00fablica, os povos aut\u00f3ctones s\u00e3o obrigados a comer arroz de forma permanente, pois \u00e9 de f\u00e1cil acesso em lojas com pre\u00e7o fixo\u201d, disse o funcion\u00e1rio de nutri\u00e7\u00e3o. Assim, \u201cos ind\u00edgenas mudam um estilo de vida saud\u00e1vel por outro de maior estresse. Isso se observou especialmente entre os ind\u00edgenas de Kerala, aos quais gerou estresse, inseguran\u00e7a, hipertens\u00e3o e at\u00e9 diabetes\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>\u201cCom base na lei de oferta e procura do mercado que os economistas usam, os jarawas vivem em opul\u00eancia, porque a oferta e a demanda de suas necessidades lhes s\u00e3o favor\u00e1veis\u201d, destacou Abbi. \u201cA floresta lhes oferece mais do que o suficiente em rela\u00e7\u00e3o ao que precisam para viver bem. Os economistas dizem que chegar a um equil\u00edbrio entre oferta e procura \u00e9 o selo do desenvolvimento. Isso ocorre na floresta. N\u00e3o precisam, e n\u00e3o querem nosso sistema que cria submiss\u00e3o\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Port Blair, &Iacute;ndia, 15\/5\/2014 &ndash; Entre maio e novembro, anualmente os piores ciclones costumam atingir o arquip&eacute;lago indiano das Ilhas Adam&atilde; e Nicobar, na ba&iacute;a de Bengala, no sudeste asi&aacute;tico. 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