{"id":17481,"date":"2014-05-16T16:11:46","date_gmt":"2014-05-16T16:11:46","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=113062"},"modified":"2014-05-16T16:11:46","modified_gmt":"2014-05-16T16:11:46","slug":"cresce-ignorancia-mundial-sobre-o-holocausto-judeu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/cresce-ignorancia-mundial-sobre-o-holocausto-judeu\/","title":{"rendered":"Cresce ignor\u00e2ncia mundial sobre o Holocausto judeu"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_113064\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/feminista.jpg\"><img class=\"wp-image-113064\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/feminista.jpg\" alt=\"feminista Cresce ignor\u00e2ncia mundial sobre o Holocausto judeu\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"Cresce ignor\u00e2ncia mundial sobre o Holocausto judeu\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A feminista e judia ultraortodoxa Jenny Menashe discute com o rabino Nahum Weiss em Jerusal\u00e9m, em junho de 2012. Foto: Pierre Klochendler\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 16\/5\/2014 \u2013 Pouco mais da metade (54%) de mais de 53 mil pessoas entrevistadas em todo o mundo disse conhecer o Holocausto judeu cometido pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), afirma uma pesquisa publicada esta semana. Embora as atitudes antissemitas sejam mais frequentes nos pa\u00edses \u00e1rabes, persistem em grande parte do mundo, especialmente na Europa oriental, onde a maioria da popula\u00e7\u00e3o judia foi exterminada no Holocausto.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o resultado que se depreende da pesquisa Global 100, para a qual foram ouvidas mais de 53 mil pessoas de 102 pa\u00edses e dos territ\u00f3rios palestinos ocupados por Israel. O estudo, esteve a cargo da Liga Antidifama\u00e7\u00e3o (ADL), uma organiza\u00e7\u00e3o com sede em Nova York que combate o antissemitismo desde sua funda\u00e7\u00e3o, em 1913. Uma dado particularmente alarmante para a ADL \u00e9 a ignor\u00e2ncia sobre o Holocausto, o genoc\u00eddio de aproximadamente seis milh\u00f5es de judeus majoritariamente europeus entre 1939 e 1945, que teve um papel fundamental para que Europa e Estados Unidos apoiassem a cria\u00e7\u00e3o de Israel.<\/p>\n<p>Pouco mais da metade (54%) dos entrevistados \u2013 e apenas 48% dos menores de 35 anos \u2013 disseram conhecer o Holocausto. O conhecimento \u00e9 maior na Europa ocidental (94%), Oceania e Am\u00e9rica, e menor na \u00c1frica subsaariana (24%) e no Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica (38%). Entre os entrevistados que disseram ter ouvido sobre o Holocausto, 32% afirmaram que \u00e9 um mito ou um grande exagero. Na regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio, 63% se expressaram dessa forma.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa, 26% dos adultos entrevistados apresentaram pontos de vista antissemitas, que a ADL define como estar de acordo com pelo menos seis de 11 frases negativas, ou com estere\u00f3tipos comuns, e, em alguns casos, muito antigos, sobre os judeus. Na regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica essa propor\u00e7\u00e3o \u00e9 quase tr\u00eas vezes maior, 74%, enquanto na Europa Oriental 34% dos entrevistados expressaram sentimentos antissemitas. No outro extremo do espectro, o antissemitismo cai para 14% entre os entrevistados da Oceania, que inclui Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia, e para 19% na Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>O Ir\u00e3 tem a popula\u00e7\u00e3o menos antissemita do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica \u2013 menor inclusive do que a vizinha Turquia, onde vive a maior popula\u00e7\u00e3o judia da regi\u00e3o fora de Israel \u2013 embora o governo iraniano seja acusado por Israel e organiza\u00e7\u00f5es judias norte-americanas como a ADL de abrigar prop\u00f3sitos genocidas em rela\u00e7\u00e3o aos israelenses. Dos entrevistados iranianos, 56% mostraram atitudes antissemitas, contra 69% na Turquia.<\/p>\n<p>Embora 80% dos entrevistados iranianos tenham dito ter opini\u00f5es desfavor\u00e1veis sobre Israel, que amea\u00e7ou em reiteradas ocasi\u00f5es atacar instala\u00e7\u00f5es nucleares do Ir\u00e3, 43% disseram que as a\u00e7\u00f5es israelenses exerceram uma influ\u00eancia menor ou nula sobre suas atitudes em rela\u00e7\u00e3o aos judeus.<\/p>\n<p>De fato, um ponto importante da pesquisa \u00e9 a escassa correspond\u00eancia entre as atitudes com os judeus e com Israel. Os pa\u00edses \u00e1rabes s\u00e3o a exce\u00e7\u00e3o, onde a ADL encontrou um alto grau de correla\u00e7\u00e3o nas opini\u00f5es negativas sobre os judeus e sobre Israel, que v\u00e3o de 75% a mais de 90%. Na Holanda, onde apenas 5% dos entrevistados expressaram pontos de vista antissemitas, 43% afirmaram ter opini\u00f5es negativas sobre Israel, contra 33% na Su\u00e9cia, o pa\u00eds menos antissemita da Europa ocidental.<\/p>\n<p>A pesquisa, realizada por telefone e em entrevistas pessoais entre julho de 2013 e fevereiro deste ano, incluiu pelo menos 500 adultos em cada um dos 102 pa\u00edses cujos habitantes somados representam aproximadamente 86% da popula\u00e7\u00e3o mundial. Trata-se de longe da pesquisa mais ambiciosa patrocinada pela ADL, que rastreia as opini\u00f5es e os incidentes antissemitas, principalmente nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O n\u00facleo da pesquisa se centra em saber se os entrevistados concordam com 11 frases que a ADL considera \u201cestere\u00f3tipos antissemitas\u201d. Concordando com seis ou mais s\u00e3o qualificados de antissemitas. Algumas dessas frases s\u00e3o: \u201cos judeus s\u00e3o mais fi\u00e9is a Israel do que (ao pa\u00eds onde vivem)\u201d; \u201ct\u00eam poder em demasia\u201d no mundo dos neg\u00f3cios, nos mercados financeiros internacionais ou nos meios de comunica\u00e7\u00e3o; \u201ct\u00eam demasiado controle sobre os assuntos internacionais\u201d ou sobre o governo dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Outras frases s\u00e3o: \u201caos judeus n\u00e3o importa o que aconte\u00e7a a ningu\u00e9m mais que n\u00e3o sejam os seus\u201d; \u201cpensam que s\u00e3o melhores do que os demais\u201d; \u201cfalam muito sobre o Holocausto\u201d; \u201cs\u00e3o respons\u00e1veis pela maioria das guerras do mundo\u201d; e \u201ca gente odeia os judeus pela forma como se comportam\u201d. Dos entrevistados, 41% concordaram que os judeus s\u00e3o mais fi\u00e9is a Israel do que ao seu pr\u00f3prio pa\u00eds. Al\u00e9m do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica, onde essa frase recebeu 74% de ades\u00f5es, a Europa ocidental, com 45%, foi a regi\u00e3o onde mais predominou essa resposta.<\/p>\n<p>O segundo estere\u00f3tipo mais aceito \u00e9 que os judeus t\u00eam muito poder no mundo dos neg\u00f3cios. Mais da metade, 53%, dos europeus orientais concordaram com essa opini\u00e3o. E no que poderia ser um reflexo da influ\u00eancia de Israel na percep\u00e7\u00e3o dos judeus em sua pr\u00f3pria regi\u00e3o, 75% dos entrevistados ali concordaram que \u201cas pessoas odeiam os judeus pela forma como se comportam\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 evidente que o conflito do Oriente M\u00e9dio tem import\u00e2ncia com rela\u00e7\u00e3o ao antissemitismo\u201d, disse Abe Foxman, presidente da ADL desde 1987. \u201cMas, a partir dos resultados da pesquisa, n\u00e3o fica claro se o conflito do Oriente M\u00e9dio \u00e9 a causa ou a desculpa do antissemitismo\u201d. Os mu\u00e7ulmanos tendem a ter pontos de vista mais antissemitas do que os entrevistados de outras grandes religi\u00f5es, mas o fator mais importante na determina\u00e7\u00e3o das atitudes em rela\u00e7\u00e3o aos judeus parece ser a localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>Assim, 75% dos mu\u00e7ulmanos ouvidos no Oriente M\u00e9dio e no Norte da \u00c1frica s\u00e3o considerados antissemitas na pesquisa, uma atitude que s\u00f3 \u00e9 atribu\u00edda a 37% dos mu\u00e7ulmanos da \u00c1sia e a 18% no caso da \u00c1frica subsaariana. Entre os crist\u00e3os, 64% dos habitantes do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica deram respostas que os definem como antissemitas, enquanto foram 35% na Europa oriental e 19% na Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m mostra que os mais velhos s\u00e3o mais propensos do que os jovens a ter pontos de vista antissemitas e que, quanto mais familiaridade se tem com judeus, menos antissemita se \u00e9. Al\u00e9m disso, os entrevistados com maior n\u00edvel educacional t\u00eam menos probabilidades de abrigar sentimentos contra os judeus, salvo no Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica, onde os mais educados s\u00e3o mais inclinados a ter pontos de vista antissemitas do que os com menos instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Curiosamente, na Europa ocidental e na Am\u00e9rica, a segunda frase negativa mais aceita sobre judeus \u00e9 que \u201cfalam muito sobre o Holocausto\u201d. Quase tr\u00eas quartos (74%) dos entrevistados afirmaram n\u00e3o conhecer uma pessoa judia. Destes, 25% tinham pontos de vista antissemitas. Dos 26% que concordaram com pelo menos seis das frases negativas sobre os judeus, 70% afirmaram que, na realidade, nunca haviam conhecido uma pessoa judia.<\/p>\n<p>Vozes cr\u00edticas \u00e0 ADL, uma defensora implac\u00e1vel de Israel, argumentam que a organiza\u00e7\u00e3o tem um interesse pr\u00f3prio em exagerar a onipresen\u00e7a do antissemitismo e a nega\u00e7\u00e3o do Holocausto. Mas Foxman recha\u00e7ou essa acusa\u00e7\u00e3o ao apresentar a pesquisa e insistiu que a inten\u00e7\u00e3o do estudo \u00e9 \u201cdocumentar empiricamente como s\u00e3o as coisas\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 16\/5\/2014 &ndash; Pouco mais da metade (54%) de mais de 53 mil pessoas entrevistadas em todo o mundo disse conhecer o Holocausto judeu cometido pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), afirma uma pesquisa publicada esta semana. 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