{"id":17485,"date":"2014-05-19T10:47:34","date_gmt":"2014-05-19T10:47:34","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=113131"},"modified":"2014-05-19T10:47:34","modified_gmt":"2014-05-19T10:47:34","slug":"terramerica-conflitos-doem-no-bolso-de-mineradoras-e-petroleiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/terramerica-conflitos-doem-no-bolso-de-mineradoras-e-petroleiras\/","title":{"rendered":"Terram\u00e9rica \u2013 Conflitos doem no bolso de mineradoras e petroleiras"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_113132\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/PeruAlbertoPizango.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-113132\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/PeruAlbertoPizango.jpg\" alt=\"PeruAlbertoPizango Terram\u00e9rica   Conflitos doem no bolso de mineradoras e petroleiras\" width=\"340\" height=\"339\" title=\"Terram\u00e9rica   Conflitos doem no bolso de mineradoras e petroleiras\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O dirigente ind\u00edgena peruano Alberto Pizango, que enfrenta um processo judicial pelo massacre de Bagua e ao mesmo tempo \u00e9 consultado pelo governo para organizar a pr\u00f3xima c\u00fapula clim\u00e1tica. Foto: Coimbra Sirica\/Burness Global<\/p><\/div>\n<p>Uxbridge, Canad\u00e1, 19 de maio de 2014 (Terram\u00e9rica).- Os conflitos sociais gerados pela explora\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios, petr\u00f3leo e g\u00e1s est\u00e3o custando \u00e0s empresas milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano. Uma \u00fanica companhia registrou custos superiores a US$ 6 bilh\u00f5es em dois anos, de acordo com a primeira investiga\u00e7\u00e3o arbitrada sobre o peso econ\u00f4mico desses enfrentamentos para as ind\u00fastrias extrativistas.<\/p>\n<p>O projeto de explora\u00e7\u00e3o de ouro Pascua Lama, na fronteira entre Chile e Argentina, consumiu US$ 5,4 bilh\u00f5es durante dez anos de protestos e irregularidades. A empresa canadense Barrick Gold n\u00e3o extraiu uma \u00fanica on\u00e7a de ouro e a obra foi suspensa em abril do ano passado por determina\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a chilena.<\/p>\n<p>No Peru, o projeto mineiro Conga, avaliado em US$ 2 bilh\u00f5es, teve de ser suspenso em 2011 pelos protestos sociais que aconteceram diante do perigo de que desaparecessem quatro lagoas de \u00e1gua doce. A partir de ent\u00e3o, a empresa Yanacocha teve de se voltar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de quatro reservat\u00f3rios de \u00e1gua que, segundo seu plano, substituiriam as lagoas afetadas.<\/p>\n<p>\u201cAs comunidades n\u00e3o est\u00e3o impotentes. Nosso estudo mostra que conseguem se organizar e se mobilizar, o que leva as empresas a incorrerem em grandes gastos\u201d, explicou o coautor da pesquisa, Daniel Franks, da Universidade de Queensland, na Austr\u00e1lia, e subdiretor do Centre for Social Responsibility in Mining. \u201cLamentavelmente, esses enfrentamentos tamb\u00e9m conduzem a derramamentos de sangue e perda de vidas\u201d, ressaltou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o, publicada no dia 12 deste m\u00eas, na revista <em>Proceedings<\/em>, da Academia Nacional de Ci\u00eancias dos Estados Unidos, se baseou em 45 entrevistas confidenciais e profundas com executivos de alto n\u00edvel de ind\u00fastrias extrativistas (mineiras e energ\u00e9ticas) que operam em todo o mundo. Tamb\u00e9m est\u00e1 dispon\u00edvel um informe especial, baseado na investiga\u00e7\u00e3o, sobre os custos dos conflitos entre comunidades e empresas do setor extrativista.<\/p>\n<p>\u201cQuer\u00edamos documentar os custos do mau relacionamento com as comunidades. As empresas n\u00e3o est\u00e3o completamente conscientes do problema, e s\u00f3 alguns investidores conhecem o alcance desse risco\u201d, pontuou Franks. \u201cSe \u00e0s companhias interessa assegurar seus lucros, devem adotar padr\u00f5es ambientais e sociais de excel\u00eancia e colaborar com as popula\u00e7\u00f5es\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O investimento na constru\u00e7\u00e3o de um bom relacionamento com as comunidades \u00e9 muito menor do que o enfrentamento. As pessoas n\u00e3o se op\u00f5em ao desenvolvimento, em geral. Mas s\u00e3o contra ter pouqu\u00edssima participa\u00e7\u00e3o e controle na forma como esse desenvolvimento \u00e9 adotado, destacou o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cBuscamos um desenvolvimento que beneficie os povos ind\u00edgenas e n\u00e3o s\u00f3 o cunhado de algu\u00e9m\u201d, disse Alberto Pizango, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Inter\u00e9tnica de Desenvolvimento da Selva Peruana (Aidesep), que representa 1.350 comunidades ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia peruana. \u201cOs ind\u00edgenas t\u00eam algo a dizer sobre o desenvolvimento harmonioso com a natureza. N\u00e3o queremos um desenvolvimento que destrua nossa amada Amaz\u00f4nia\u201d, afirmou ao Terram\u00e9rica, de Lima.<\/p>\n<p>Pizango resistiu ativamente \u00e0 concess\u00e3o, efetuada pelo governo a empresas estrangeiras, de terras ancestrais dos povos nativos. Essa luta se tornou violenta no dia 5 de junho de 2009, quando o desbloqueio pela pol\u00edcia de uma via terminou com 24 policiais e dez civis mortos na selv\u00e1tica regi\u00e3o de Bagua. Os ind\u00edgenas haviam se mobilizado contra dez decretos legislativos, considerados inconstitucionais, promulgados pelo governo para promover o investimento privado em territ\u00f3rios abor\u00edgenes.<\/p>\n<p>No dia 14 deste m\u00eas, come\u00e7ou em Bagua um julgamento contra Pizango e outras 53 pessoas por incita\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia e outros 18 crimes relacionados com esse massacre. \u201cN\u00e3o t\u00ednhamos op\u00e7\u00e3o e pensamos que nossos protestos foram justos. Mas o pre\u00e7o foi muito alto. N\u00e3o queremos que isso se repita. Queremos passar do grande protesto para a grande proposta\u201d, declarou Pizango, que pode pegar pris\u00e3o perp\u00e9tua se for condenado.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o publicada na <em>Proceedings<\/em> mostra que a viol\u00eancia registrada em Bagua poderia ter sido evitada se as autoridades e as empresas tivessem reconhecido os direitos ind\u00edgenas e trabalhado com eles. \u201cCom grande pena devo dizer que isso ainda n\u00e3o acontece no Peru\u201d, acrescentou Pizango, que nem mesmo estava em Bagua quando se desencadeou a viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o Minist\u00e9rio do Ambiente pediu ao dirigente e \u00e0 Aidesep que colaborem com o planejamento da c\u00fapula sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), que acontecer\u00e1 em Lima no final deste ano. Pizango espera que essa confer\u00eancia permita mostrar ao mundo que os povos ind\u00edgenas podem proteger as florestas e o clima.<\/p>\n<div id=\"attachment_113133\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/EquadorPetroleoTexaco.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-113133\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/EquadorPetroleoTexaco.jpg\" alt=\"EquadorPetroleoTexaco Terram\u00e9rica   Conflitos doem no bolso de mineradoras e petroleiras\" width=\"340\" height=\"255\" title=\"Terram\u00e9rica   Conflitos doem no bolso de mineradoras e petroleiras\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A quichua Rosa Tanguila limpa a contamina\u00e7\u00e3o petroleira deixada pela Texaco em um riacho de sua comunidade, Rumipamba, na Amaz\u00f4nia equatoriana. Foto: Gonzalo Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Reparar as rela\u00e7\u00f5es entre as comunidades, as empresas e os governos \u00e9 dif\u00edcil, afirmou Rachel Davis, coautora da investiga\u00e7\u00e3o e integrante da Iniciativa de Responsabilidade Social Corporativa da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. \u201c\u00c9 muito mais complicado reconstruir um v\u00ednculo destru\u00eddo com uma popula\u00e7\u00e3o local; as rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem se retroajustar\u201d, opinou. Franks compara a situa\u00e7\u00e3o com um div\u00f3rcio. Muito raramente os casais divorciados voltam a se casar.<\/p>\n<p>As principais mineradoras parecem estar entendendo esse assunto e est\u00e3o aplicando os Princ\u00edpios Reitores sobre Empresas e Direitos Humanos da ONU e adotando o Marco de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel do Conselho Internacional de Minera\u00e7\u00e3o e Metais, informou Davis em um comunicado. Mas esse n\u00e3o \u00e9 o caso do setor de hidrocarbonos. \u201cT\u00eam uma cultura muito diferente. N\u00e3o est\u00e3o acostumados a tratar com as comunidades\u201d, disse Franks.<\/p>\n<p>O estudo mostra que o ambiente e a \u00e1gua s\u00e3o os grandes disparadores de tens\u00f5es e enfrentamentos. E, j\u00e1 que atividades como a fratura hidr\u00e1ulica para extrair g\u00e1s e petr\u00f3leo n\u00e3o convencionais est\u00e3o aumentando e afetam as exist\u00eancias de \u00e1gua, pode-se prever que nos esperam grandes conflitos, enfatizou Franks.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um bom informe, mas n\u00e3o aborda um aspecto mais amplo, as press\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas para impulsionar rapidamente os projetos\u201d, apontou o ativista Jamie Kneen, da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental canadense MiningWatch Canada. Os acionistas querem grandes retornos para seus investimentos e os governos querem seus <em>royalties<\/em> e impostos o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Tudo isso faz com que as corpora\u00e7\u00f5es tenham menos interesse em fazer concess\u00f5es ou dedicar um tempo a encontrar alternativas que sejam aceit\u00e1veis para as popula\u00e7\u00f5es locais, ressaltou ao Terram\u00e9rica.<\/p>\n<p>\u201cAs empresas j\u00e1 sabem que haver\u00e1 problemas. No geral, agem para que nenhum conflito chegue a ser not\u00f3rio e tentam ocultar esse risco dos investidores\u201d, afirmou Kneen. Al\u00e9m disso, nem todos os conflitos s\u00e3o evit\u00e1veis, acrescentou, lembrando que \u201calgumas comunidades jamais aceitar\u00e3o algum tipo de risco de contamina\u00e7\u00e3o de sua \u00e1gua\u201d. Envolverde\/Terram\u00e9rica<\/p>\n<p><em>* O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Artigos relacionados da IPS<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2013\/04\/justicia-chilena-suspende-proyecto-minero-pascua-lama\/\" >Justi\u00e7a chilena suspende projeto de minera\u00e7\u00e3o Pascua Lama \u2013 2013, em espanhol<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/terramerica\/terramerica-empenho-para-melhorar-avaliacao-ambiental\/\" >Empenho para melhorar avalia\u00e7\u00e3o ambiental<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uxbridge, Canad&aacute;, 19 de maio de 2014 (Terram&eacute;rica).- Os conflitos sociais gerados pela explora&ccedil;&atilde;o de min&eacute;rios, petr&oacute;leo e g&aacute;s est&atilde;o custando &agrave;s empresas milhares de milh&otilde;es de d&oacute;lares por ano. 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