{"id":17486,"date":"2014-05-19T11:31:17","date_gmt":"2014-05-19T11:31:17","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=113126"},"modified":"2014-05-19T11:31:17","modified_gmt":"2014-05-19T11:31:17","slug":"os-votos-e-a-economia-seguem-caminhos-distintos-na-africa-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/os-votos-e-a-economia-seguem-caminhos-distintos-na-africa-do-sul\/","title":{"rendered":"Os votos e a economia seguem caminhos distintos na \u00c1frica do Sul"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_113164\" style=\"width: 530px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Sudafrica-1.jpg\"><img class=\"wp-image-113164\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Sudafrica-1.jpg\" alt=\"Sudafrica 1 Os votos e a economia seguem caminhos distintos na \u00c1frica do Sul\" width=\"520\" height=\"346\" title=\"Os votos e a economia seguem caminhos distintos na \u00c1frica do Sul\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os \u201cnascidos livres\u201d da \u00c1frica do Sul, que nasceram depois das elei\u00e7\u00f5es de 1994, se dirigem para votar pela primeira vez na comunidade de Mabheleni, em Kwazulu Natal. Foto: GCIS\/CC by 2.0<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cidade do Cabo, \u00c1frica do Sul, 19\/5\/2014 \u2013 A ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Moody\u2019s deu \u00e0 \u00c1frica do Sul uma avalia\u00e7\u00e3o positiva porque os resultados das elei\u00e7\u00f5es gerais do dia 7 asseguraram a continuidade da pol\u00edtica macroecon\u00f4mica do pa\u00eds, ao dar maioria absoluta ao governante Conselho Nacional Africano (CNA). Por\u00e9m, o \u00eaxito do partido Economic Freedom Fighters (EFF, ou Lutadores pela Liberdade Econ\u00f4mica) conta uma hist\u00f3ria diferente, vinculada \u00e0s desigualdades econ\u00f4micas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Com sua caracter\u00edstica boina verde, o fundador do EFF, Julius Malema, se destaca como um revolucion\u00e1rio de esquerda que promete a nacionaliza\u00e7\u00e3o das minas e dos bancos, a expropria\u00e7\u00e3o de terras para entreg\u00e1-las aos sul-africanos negros, cria\u00e7\u00e3o de empregos mediante a prote\u00e7\u00e3o do desenvolvimento industrial e ensino gratuito, assist\u00eancia sanit\u00e1ria, moradia e saneamento.<\/p>\n<p>Com apenas oito meses de exist\u00eancia, o EFF conquistou 25 cadeiras no parlamento e se converteu na terceira for\u00e7a pol\u00edtica do pa\u00eds, com 1,2 milh\u00e3o de votos. Malema \u00e9 um ex-dirigente da Liga Juvenil do CNA, que foi expulso de suas fileiras em 2012, acusado de incita\u00e7\u00e3o ao \u00f3dio contra os sul-africanos brancos, divisionismo dentro do partido, lavagem de dinheiro, fraude, extors\u00e3o e evas\u00e3o de impostos.<\/p>\n<p>Este ano, o governo aprovou o Plano Nacional de Desenvolvimento que, segundo a Tralac, uma organiza\u00e7\u00e3o dedicada ao fomento da capacidade industrial, \u201cse converteu na pedra angular da pol\u00edtica p\u00fablica para encarar objetivos como o aumento do emprego, redu\u00e7\u00e3o da pobreza e da desigualdade\u201d. Mas a greve por demandas salariais, que os integrantes da Associa\u00e7\u00e3o de Mineiros e do Sindicato de Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o mant\u00eam, deixou clara a disparidade da renda nas minas da \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>A tens\u00e3o era vis\u00edvel nestes dias na mina de platina Lonmin, na prov\u00edncia do Noroeste, onde mineiros com armas tradicionais bloquearam os caminhos com barricadas para impedir que seus companheiros regressassem ao trabalho. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o locais informaram, no dia 15, que muitos pareciam partid\u00e1rios do EFF, j\u00e1 que usavam camisetas estampadas com o rosto de Malema.<\/p>\n<p>O EFF de Malema \u00e9 uma plataforma que atrai os que ficaram fora do sistema atual, afirmou o professor Adam Habib, especialista pol\u00edtico da Universidade de Witwatersrand, em Johannesburgo. \u201cMalema aproveitou o nicho dos eleitores descontentes com o CNA, jovens que se esfor\u00e7am para conseguir emprego e trabalhadores que lutam para chegar ao fim do m\u00eas\u201d, apontou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Mas Habib argumenta que o digno resultado do EFF nas urnas n\u00e3o \u00e9 mais do que um voto de protesto em muitos casos. \u201cMuitos cidad\u00e3os n\u00e3o levam Malema a s\u00e9rio. Os eleitores do EFF n\u00e3o votam nele porque o consideram um presidente em quem acreditar. Votam nele por rancor pelo CNA e para enviar uma mensagem \u00e0 elite pol\u00edtica no poder\u201d, assegurou o especialista.<\/p>\n<div id=\"attachment_113165\" style=\"width: 530px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/SsuSudaf.jpg\"><img class=\"wp-image-113165\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/SsuSudaf.jpg\" alt=\"SsuSudaf Os votos e a economia seguem caminhos distintos na \u00c1frica do Sul\" width=\"520\" height=\"346\" title=\"Os votos e a economia seguem caminhos distintos na \u00c1frica do Sul\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Membros da comunidade de Mabheleni, em Kwazulu Natal, \u00c1frica do Sul, quando se iam para votar, no dia 7 deste m\u00eas, ap\u00f3s 20 anos de democracia. Foto: GCIS\/CC by 2.0<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O CNA poder\u00e1 ter s\u00e9rios problemas se o partido n\u00e3o olhar para frente, e para dentro de si pr\u00f3prio. O esc\u00e2ndalo e o descumprimento de muitas promessas afetou o partido governante de Jacob Zuma. Deixou muitos \u2013 jovens, pobres, marginalizados e partid\u00e1rios do CNA de longa data \u2013 profundamente insatisfeitos e desiludidos. Muitos n\u00e3o votaram ou abandonaram o partido por outras for\u00e7as que lhes oferecem uma mudan\u00e7a radical.<\/p>\n<p>Se o CNA espera recuperar a confian\u00e7a e mobilizar os milh\u00f5es de jovens \u201cnascidos livres\u201d que cresceram na democracia, seus dirigentes ter\u00e3o de insistir mais em seu compromisso com o futuro do que no papel que desempenharam para acabar com o regime racista do apartheid (1948-1992), afirmou Habib. \u201cTemos de apelar a eles e aos seus interesses\u201d, disse em refer\u00eancia ao eleitorado juvenil.<\/p>\n<p>\u201cA grande maioria \u00e9 pobre e marginalizada. Um partido deve ter uma mensagem que lhes proporcione um futuro, uma mensagem de inclus\u00e3o, que aborde a desigualdade e proporcione \u00e0s pessoas um emprego e um n\u00edvel de vida digno\u201d, acrescentou Habib, ressaltando que tem de ser \u201cuma mensagem de modernidade, de serem cidad\u00e3os do s\u00e9culo 21. Enquanto n\u00e3o o fizerem, n\u00e3o impulsionar\u00e3o essa gera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O CNA foi o partido preferido de grande parte do eleitorado desde o fim do apartheid, gra\u00e7as \u00e0 sua hist\u00f3ria de luta contra o apartheid e ao legado do l\u00edder Nelson Mandela, que governou o pa\u00eds entre 1994 e 1999 e faleceu em dezembro de 2013. O partido governante obteve 62% dos votos, mas perdeu terreno importante em antigos redutos como a prov\u00edncia de Gauteng e caiu quatro pontos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es anteriores.<\/p>\n<p>\u00c9 hora de os pol\u00edticos analisarem em profundidade seu comportamento atual, segundo Habib, j\u00e1 que o apoio que o CNA recebe est\u00e1 em seu m\u00ednimo hist\u00f3rico. \u201cA queda de 4% do CNA dever ser um chamado de aten\u00e7\u00e3o para a elite governante, sobretudo depois da redu\u00e7\u00e3o de 4% em 2009. Se isso n\u00e3o basta, o susto deveria despert\u00e1-lo de sua complac\u00eancia\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Essa complac\u00eancia ficou evidente no per\u00edodo pr\u00e9-eleitoral, quando o presidente Zuma declarou que s\u00f3 as classes m\u00e9dias \u201cinteligentes\u201d se preocupavam com o esc\u00e2ndalo em torno das \u201cobras de seguran\u00e7a\u201d realizadas em sua casa de retiro em Nkandla, com um custo milion\u00e1rio.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es de 2014 s\u00e3o uma \u201cintrodu\u00e7\u00e3o para o jogo real\u201d do que ocorrer\u00e1 em cinco anos, segundo Habib. Esse sentimento \u00e9 compartilhado por analistas pol\u00edticos como o professor Steven Friedman, diretor do Centro para o Estudo da Democracia nas universidades de Rhodes e Johannesburgo.<\/p>\n<p>\u201cO CNA reconheceu que muitos de seus partid\u00e1rios n\u00e3o estavam contentes com os l\u00edderes que pareciam mais interessados em si mesmos do que nos eleitores\u201d, apontou Firedman. O partido perdeu o apoio estrat\u00e9gico do Congresso Sindical da \u00c1frica do Sul e sua outrora en\u00e9rgica liga juvenil, acrescentou. \u201cEssa elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o desafiou o dom\u00ednio do CNA nas urnas. Mas, se o resultado convencer seus dirigentes de que j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam de se preocupar pelos problemas causados pelos pol\u00edticos que se exp\u00f5em diante do pa\u00eds, pode preparar o caminho para que haja muito mais competi\u00e7\u00e3o nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es\u201d, enfatizou \u00e0 IPS. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cidade do Cabo, &Aacute;frica do Sul, 19\/5\/2014 &ndash; A ag&ecirc;ncia de classifica&ccedil;&atilde;o de risco Moody&rsquo;s deu &agrave; &Aacute;frica do Sul uma avalia&ccedil;&atilde;o positiva porque os resultados das elei&ccedil;&otilde;es gerais do dia 7 asseguraram a continuidade da pol&iacute;tica macroecon&ocirc;mica do pa&iacute;s, ao dar maioria absoluta ao governante Conselho Nacional Africano (CNA). 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