{"id":17491,"date":"2014-05-20T14:39:10","date_gmt":"2014-05-20T14:39:10","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=113251"},"modified":"2014-05-20T14:39:10","modified_gmt":"2014-05-20T14:39:10","slug":"china-espirra-e-a-america-latina-se-resfria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/china-espirra-e-a-america-latina-se-resfria\/","title":{"rendered":"China espirra e a Am\u00e9rica Latina se resfria"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_113253\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/porto.jpg\"><img class=\"wp-image-113253\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/porto.jpg\" alt=\"porto China espirra e a Am\u00e9rica Latina se resfria\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"China espirra e a Am\u00e9rica Latina se resfria\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Parte do porto Ponta da Madeira, no nordeste do Brasil, de onde saem os navios carregados com min\u00e9rio de ferro destinado \u00e0 China. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 20\/5\/2014 \u2013 O enorme processo de urbaniza\u00e7\u00e3o da China se construiu, literalmente, com metais fornecidos por pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Mas a desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico chin\u00eas e a queda dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas amea\u00e7am o auge das exporta\u00e7\u00f5es latino-americanas.<\/p>\n<p>\u201cNa medida em que baixam os pre\u00e7os dos produtos b\u00e1sicos, as autoridades latino-americanas desejariam ter utilizado parte dos benef\u00edcios do auge para se diversificarem por outros setores\u201d, apontou Kevin Gallagher, professor da Universidade de Boston e autor de um boletim sobre China e Am\u00e9rica Latina da Iniciativa Mundial de Gest\u00e3o Econ\u00f4mica (Gegi).<\/p>\n<p>\u201cEntre 2006 e 2011, o \u00edndice de pre\u00e7os dos produtos b\u00e1sicos do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) subiu uma m\u00e9dia anual de 9,8% e a economia chinesa cresceu a uma taxa m\u00e9dia anual de 10,5%. Mas em 2012 os pre\u00e7os dos produtos b\u00e1sicos ca\u00edram 3,2% e a economia chinesa desacelerou 7,7%\u201d, segundo a publica\u00e7\u00e3o de 2013. A queda dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas afeta principalmente a Am\u00e9rica Latina, j\u00e1 que 86,4% de suas exporta\u00e7\u00f5es para a China correspondem a produtos b\u00e1sicos, enquanto 63,4% das exporta\u00e7\u00f5es chinesas para a regi\u00e3o s\u00e3o de manufaturados.<\/p>\n<p>\u201cNa medida em que os pre\u00e7os subiam, as exporta\u00e7\u00f5es aumentaram e o crescimento melhorou significativamente. A Am\u00e9rica Latina pode agradecer \u00e0 China e ao auge dos produtos b\u00e1sicos pelo fato de a crise financeira mundial (iniciada em 2008) n\u00e3o a ter afetado tanto\u201d, pontuou Gallagher \u00e0 IPS. \u201cMas as taxas de c\u00e2mbio subiram, o investimento se concentrou nas mat\u00e9rias-primas, os fabricantes n\u00e3o puderam competir com as importa\u00e7\u00f5es procedentes da China e, al\u00e9m disso, o crescimento impulsionado pelos produtos b\u00e1sicos provocou numerosos conflitos sociais e ambientais\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo o informe da Gegi, o crescimento anual das exporta\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina para a China teve m\u00e9dia de 23% entre 2006 e 2011, mas caiu para 7,2% em 2012. Essas vendas se concentraram principalmente em cobre, ferro e soja. As exporta\u00e7\u00f5es de metais correspondem a dois pa\u00edses, j\u00e1 que 86% do ferro procede do Brasil e 92% do cobre do Chile.<\/p>\n<p>As exporta\u00e7\u00f5es da China para a Am\u00e9rica Latina s\u00e3o consideravelmente mais diversas, sobretudo de produtos manufaturados, como eletr\u00f4nicos e ve\u00edculos que s\u00e3o menos sens\u00edveis \u00e0s vari\u00e1veis de pre\u00e7os dos bens b\u00e1sicos. De fato, a redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas gerou um desequil\u00edbrio comercial entre Am\u00e9rica Latina e China a favor desta.<\/p>\n<p>\u201cA China baseia sua rela\u00e7\u00e3o com a Am\u00e9rica Latina em sua ideia de gan\u00e2ncia nas duas pontas, complement\u00e1ria das rela\u00e7\u00f5es Sul-Sul, e conseguiu n\u00e3o cair do cavalo quanto ao com\u00e9rcio de produtos b\u00e1sicos com altos pre\u00e7os que oferece benef\u00edcios m\u00fatuos\u201d, apontou Matt Ferchen, diretor do programa China e o Mundo em Desenvolvimento, do Centro de Pol\u00edtica Internacional Carnegie-Tsinghua, da chinesa Universidade de Tsinghua.<\/p>\n<p>\u201cOs pre\u00e7os baixarem realmente \u00e9 bom para a China e para os compradores de produtos b\u00e1sicos, e nem tanto para os exportadores do Brasil e do Chile, onde poder\u00edamos ver algumas dificuldades na rela\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Ferchen durante um debate realizado no Di\u00e1logo Americano, um centro de an\u00e1lises com sede em Washington.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0 queda do crescimento, o presidente chin\u00eas, Xi Jinping, anunciou uma s\u00e9rie de reformas financeiras que ainda n\u00e3o foram promulgadas. \u201cOs novos dirigentes do Partido Comunista discutem sobre a reestrutura\u00e7\u00e3o da economia da China, para afast\u00e1-la das exporta\u00e7\u00f5es pesadas e do investimento p\u00fablico&#8230; Pretende-se que o consumo substitua as exporta\u00e7\u00f5es e o investimento p\u00fablico, e por tr\u00e1s disso est\u00e1 uma nova classe m\u00e9dia em crescimento que impulsionar\u00e1 ainda mais o crescimento econ\u00f4mico\u201d, destacou Ferchen.<\/p>\n<p>Este novo modelo econ\u00f4mico responde \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o quanto aos excessivos investimentos do governo em transporte, constru\u00e7\u00e3o de casas e infraestrutura. Mas a \u00eanfase dada no consumo interno se produz \u00e0 custa das importa\u00e7\u00f5es de mat\u00e9rias-primas latino-americanas.<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos governos da Am\u00e9rica Latina n\u00e3o est\u00e1 bem preparada para uma queda de pre\u00e7os dos produtos b\u00e1sicos. O Chile tem um forte fundo de estabiliza\u00e7\u00e3o do cobre e um fundo de riqueza soberana que captou algo do auge dos produtos b\u00e1sicos\u201d, destacou Gallagher. \u201cMas a maioria dos pa\u00edses restantes, como o Peru, nunca foi capaz de pensar que o pre\u00e7o poderia mudar enquanto se fechavam no caminho do crescimento impulsionado pelos produtos b\u00e1sicos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Contudo, pesquisadores do Banco Mundial sugerem que a Am\u00e9rica Latina n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o suscet\u00edvel aos choques externos dos mercados das mat\u00e9rias-primas como nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990. Em primeiro lugar, a maioria dos pa\u00edses latino-americanos adotou sistemas macrofinanceiros imunes, com o pagamento da d\u00edvida externa, o ac\u00famulo de reservas e a redu\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia do d\u00f3lar. O grau de prote\u00e7\u00e3o que possui cada pa\u00eds contra os choques externos varia.<\/p>\n<p>Por exemplo, embora a taxa de investimento na regi\u00e3o chegue a quase 25% do produto interno bruto, pr\u00f3xima do n\u00edvel do sudeste da \u00c1sia, a do Brasil cai para 18%, e alguns cr\u00edticos dizem que a Venezuela n\u00e3o investiu sua renda com petr\u00f3leo de maneira inteligente. Um informe semestral do Banco Mundial destaca que a Am\u00e9rica Latina reestruturou \u201csuas fontes de financiamento, afastando-se dos movimentos de carteira e cr\u00e9ditos banc\u00e1rios para adotar o investimento estrangeiro direto e as remessas\u201d.<\/p>\n<p>Outro bom ponto \u00e9 que o investimento estrangeiro direto da China na Am\u00e9rica Latina, especialmente em infraestrutura e energia, deveria ser positivo para as economias da regi\u00e3o. A presen\u00e7a chinesa, especialmente na fus\u00e3o e aquisi\u00e7\u00e3o de empresas, tamb\u00e9m se estendeu al\u00e9m dos s\u00f3cios tradicionais, como Argentina e Brasil, para incluir Equador, Bol\u00edvia e Peru. Os especialistas esperam que esses mercados adicionais, em particular o da energia, possam compensar a redu\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio de produtos b\u00e1sicos, que se espera diminua apenas no presente ano.<\/p>\n<p>Com dados do Banco Mundial, do FMI e do The Economist Unit, bra\u00e7o de an\u00e1lise e pesquisa da revista <em>The Economist<\/em>, o informe da Gegi prev\u00ea queda de 3,1% no pre\u00e7o da cesta de exporta\u00e7\u00f5es entre Am\u00e9rica Latina e China, quase duas vezes mais do que a redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os de 2013, o que implica um crescente d\u00e9ficit comercial para 2014 entre ambos.<\/p>\n<p>O efeito sobre o crescimento vai variar segundo os pa\u00edses, baseado tanto em fatores externos, como na demanda interna e em pol\u00edticas econ\u00f4micas pr\u00f3prias. O Banco Mundial prev\u00ea que o Panam\u00e1 continuar\u00e1 com expans\u00e3o econ\u00f4mica pr\u00f3xima de 7%, seguido de Peru com 5,5%. Chile e Col\u00f4mbia crescer\u00e3o 3,5%, M\u00e9xico 3% e Brasil cerca de 2%, enquanto a economia da Venezuela se contrair\u00e1 1%, segundo o Banco Mundial.<\/p>\n<p>Essa contra\u00e7\u00e3o dos mercados fortes em produtos b\u00e1sicos repercutir\u00e1 al\u00e9m da Am\u00e9rica Latina. \u201cEsta n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma preocupa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, mas de todo o mundo. Na \u00c1frica, no sudeste asi\u00e1tico e em outros lugares, por seu impacto na m\u00e3o de obra, na quest\u00e3o ambiental, nas quest\u00f5es do investimento estrangeiro direto, isto \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o compartilhada em muitos pa\u00edses\u201d, enfatizou Ferchen. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 20\/5\/2014 &ndash; O enorme processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o da China se construiu, literalmente, com metais fornecidos por pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina. Mas a desacelera&ccedil;&atilde;o do crescimento econ&ocirc;mico chin&ecirc;s e a queda dos pre&ccedil;os das mat&eacute;rias-primas amea&ccedil;am o auge das exporta&ccedil;&otilde;es latino-americanas. &ldquo;Na medida em que baixam os pre&ccedil;os dos produtos b&aacute;sicos, as [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/china-espirra-e-a-america-latina-se-resfria\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,5,1],"tags":[1160,989,3178],"class_list":["post-17491","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-economia","category-ultimas-noticias","tag-china","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17491","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17491"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17491\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17491"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17491"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17491"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}