{"id":17492,"date":"2014-05-20T14:19:13","date_gmt":"2014-05-20T14:19:13","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=113243"},"modified":"2014-05-20T14:19:13","modified_gmt":"2014-05-20T14:19:13","slug":"sem-vento-de-popa-a-economia-do-brasil-enfraquece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/sem-vento-de-popa-a-economia-do-brasil-enfraquece\/","title":{"rendered":"Sem vento de popa, a economia do Brasil enfraquece"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_113245\" style=\"width: 218px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/profile_cardim.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-113245\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/profile_cardim.jpg\" alt=\"profile cardim Sem vento de popa, a economia do Brasil enfraquece\" width=\"208\" height=\"289\" title=\"Sem vento de popa, a economia do Brasil enfraquece\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Fernando Cardim de Carvalho. Foto: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFJR)<\/p><\/div>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, maio\/2014 \u2013 Em 2013 o produto interno bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3%, 2,7% em 2012 e 1% em 2011. As perspectivas para este ano n\u00e3o s\u00e3o otimistas. No entanto, a infla\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m tenazmente em alta: cerca de 6%.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a balan\u00e7a de pagamentos mostra crescentes d\u00e9ficits na conta corrente, a que registra as exporta\u00e7\u00f5es de bens e servi\u00e7os menos as importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia prov\u00e9m do mercado de trabalho, que se aproxima do pleno emprego e mostra uma alta de qualidade, com a passagem de trabalhadores do setor informal para o formal, e os consequentes benef\u00edcios, como o seguro-desemprego e aposentadoria.<\/p>\n<p>H\u00e1 uns poucos anos, a economia brasileira era aclamada, junto com a de outros pa\u00edses do Brics (R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul), como a nova fronteira do crescimento no cen\u00e1rio internacional.<\/p>\n<p>Qual a raz\u00e3o dessa dr\u00e1stica mudan\u00e7a de perspectiva em t\u00e3o curto per\u00edodo?<\/p>\n<p>As ra\u00edzes da presente situa\u00e7\u00e3o est\u00e3o em uma complexa combina\u00e7\u00e3o de dificuldades internacionais, uma condu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pouco eficaz e algumas desgra\u00e7as.<\/p>\n<p>O fator mais vis\u00edvel que afeta a economia brasileira durante o mandato da presidente Dilma Rousseff, iniciado em 2011, \u00e9 a conjuntura internacional.<\/p>\n<p>Durante o segundo mandato de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (2007-2011), o Brasil foi favorecido por um vento de popa, representado em particular pela vigorosa demanda chinesa por mat\u00e9rias-primas e alimentos. N\u00e3o s\u00f3 manteve em boa posi\u00e7\u00e3o a balan\u00e7a de pagamentos como impulsionou o crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Esse quadro mudou, devido \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o atual de governo da China, de esfriar e reformar a economia. Esse freio \u00e0 expans\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es evidencia um problema estrutural da economia brasileira, que se acentuou ap\u00f3s a derrota da alta infla\u00e7\u00e3o em 1994.<\/p>\n<p>Desde aquele ano \u2013 salvo breves per\u00edodos que interromperam a tend\u00eancia \u2013 a valoriza\u00e7\u00e3o do real foi o fator principal de conten\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o. A moeda forte estimulou a importa\u00e7\u00e3o de bens baratos, bem como conteve o aumento de pre\u00e7os por parte dos produtores locais, temerosos de perder mercados.<\/p>\n<p>Isso significa que desde 1994 o Brasil enfrentou um conhecido dilema: a infla\u00e7\u00e3o pode ser mantida baixa valorizando a moeda nacional, ou se pode promover o crescimento industrial desvalorizando a moeda. Mas n\u00e3o se pode alcan\u00e7ar os dois objetivos simultaneamente.<\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia, a economia brasileira oscilou entre per\u00edodos de intensa \u201cdesindustrializa\u00e7\u00e3o\u201d pela alta do real, e per\u00edodos de press\u00e3o inflacion\u00e1ria pela queda do real.<\/p>\n<p>Enquanto a economia chinesa crescia em alta velocidade e aumentava as importa\u00e7\u00f5es de pa\u00edses como o Brasil, foi poss\u00edvel sustentar o crescimento econ\u00f4mico, de modo que o aumento das exporta\u00e7\u00f5es substitu\u00edsse o crescimento industrial. Mas a desacelera\u00e7\u00e3o da economia chinesa deixou exposto o dilema brasileiro.<\/p>\n<p>A forte depend\u00eancia da economia internacional caracterizou a economia nacional durante os \u00faltimos 20 anos e a recente diminui\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio internacional desnudou as limita\u00e7\u00f5es da pol\u00edtica atual.<\/p>\n<p>Diante da impossibilidade de resolver o dilema entre crescimento e infla\u00e7\u00e3o, o governo adotou pol\u00edticas <em>ad hoc<\/em> que n\u00e3o deram os resultados desejados e criaram novos problemas.<\/p>\n<p>Por exemplo, como n\u00e3o conseguiu estabelecer um tipo de c\u00e2mbio que incentivasse a ind\u00fastria nacional, o governo concedeu vantagens fiscais a determinados setores.<\/p>\n<p>Essa estrat\u00e9gia, se \u00e9 que pode ser chamada assim, tem escassa efic\u00e1cia. Os benef\u00edcios s\u00e3o temporais, concedidos geralmente a setores em dificuldades que gra\u00e7as \u00e0 ajuda se mant\u00eam de p\u00e9, mas n\u00e3o investem ou expandem a produ\u00e7\u00e3o, enquanto subtraem recursos do Estado.<\/p>\n<p>Diante desses exemplos, os empres\u00e1rios deduzem que lhes conv\u00e9m mais fazer <em>lobby<\/em> do que investir e aumentar a produtividade. O fracasso dessa pol\u00edtica induz os partid\u00e1rios da \u201causteridade\u201d a reclamar o corte de gastos p\u00fablicos. O resultado \u00e9 que s\u00e3o eliminados investimentos p\u00fablicos necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>A inabilidade para definir estrat\u00e9gias para a inser\u00e7\u00e3o do Brasil na economia mundial foi uma caracter\u00edstica permanente dos governos posteriores \u00e0 ditadura militar (1964-1985) e pode ser consequ\u00eancia, em parte, da realidade criada pelo modo como o sistema pol\u00edtico, e sobretudo o sistema partid\u00e1rio, foi reconstru\u00eddo depois que os militares voltaram aos seus quart\u00e9is.<\/p>\n<p>O regime pol\u00edtico \u00e9 claramente disfuncional e reduz muito a capacidade dos governos para instrumentar estrat\u00e9gias coerentes de longo prazo. No Brasil, a pol\u00edtica opera em um mercado \u201cvarejista\u201d e nesse contexto s\u00e3o vi\u00e1veis apenas as opera\u00e7\u00f5es de curto prazo.<\/p>\n<p>Se concedermos a Dilma Rousseff o benef\u00edcio da d\u00favida, pode-se afirmar que, embora tivesse uma di\u00e1fana vis\u00e3o do que \u00e9 necess\u00e1rio para vencer as dificuldades da economia brasileira, seria quase imposs\u00edvel realiz\u00e1-la com o atual regime pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Na aus\u00eancia de um ambiente internacional prop\u00edcio, as limita\u00e7\u00f5es brasileiras emergem como uma barreira insuper\u00e1vel.<\/p>\n<p>Finalmente, h\u00e1 que se reconhecer o papel desempenhado pela m\u00e1 sorte. Uma prolongada seca que afetou a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e a gera\u00e7\u00e3o de energia hidr\u00e1ulica, principal fonte de eletricidade do pa\u00eds. Isso n\u00e3o s\u00f3 impulsionou a infla\u00e7\u00e3o como tamb\u00e9m deixa sombrio o futuro porque muitas empresas decidem adiar seus investimentos.<\/p>\n<p>Em suma, essa \u00e9poca n\u00e3o \u00e9 ben\u00e9fica para o Brasil. E as elei\u00e7\u00f5es de outubro n\u00e3o melhorar\u00e3o o quadro, j\u00e1 que o debate pol\u00edtico tende a se polarizar e desaconselha a ado\u00e7\u00e3o de medidas importantes durante este ano.<\/p>\n<p>Todos esses fatores levam \u00e0 conclus\u00e3o de que a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do Brasil n\u00e3o chegar\u00e1 antes de 2015, no melhor dos casos. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <strong>Fernando Cardim de Carvalho <\/strong>\u00e9 economista e professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, maio\/2014 &ndash; Em 2013 o produto interno bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3%, 2,7% em 2012 e 1% em 2011. 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