{"id":17498,"date":"2014-05-21T13:39:56","date_gmt":"2014-05-21T13:39:56","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=113401"},"modified":"2014-05-21T13:39:56","modified_gmt":"2014-05-21T13:39:56","slug":"nao-ha-esperanca-para-a-infancia-trabalhadora-da-somalia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/nao-ha-esperanca-para-a-infancia-trabalhadora-da-somalia\/","title":{"rendered":"N\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a para a inf\u00e2ncia trabalhadora da Som\u00e1lia"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Somalia.jpg\"><img class=\"aligncenter wp-image-113403\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Somalia.jpg\" alt=\"Somalia N\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a para a inf\u00e2ncia trabalhadora da Som\u00e1lia\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"N\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a para a inf\u00e2ncia trabalhadora da Som\u00e1lia\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nair\u00f3bi, Qu\u00eania e Mogad\u00edscio, Som\u00e1lia, 21\/5\/2014 \u2013 Halima Mohamed Ali tem 12 anos e acorda todos os dias \u00e0s cinco da manh\u00e3, n\u00e3o para ir \u00e0 escola, mas para trabalhar como bab\u00e1 de cinco crian\u00e7as. O mais velho deles \u00e9 apenas dois anos mais novo que ela. Halima come\u00e7a a preparar o desjejum, depois acorda as crian\u00e7as, d\u00e1 banho e as veste para que possam ir \u00e0 escola ou \u00e0 madrasa, uma institui\u00e7\u00e3o de ensino mu\u00e7ulmano. A guerra e a fome da Som\u00e1lia obrigaram Halima e milhares de crian\u00e7as como ela a abandonar o sonho da educa\u00e7\u00e3o e se converterem em trabalhadoras.<\/p>\n<p>Metade das meninas e dos meninos de cinco a 14 anos de idade do centro e sul da Som\u00e1lia trabalham, segundo as \u00faltimas estat\u00edsticas do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef), referentes a 2011. Em Puntl\u00e2ndia e Somalil\u00e2ndia, que nos \u00faltimos 20 anos gozaram de maior estabilidade do que outras partes desse pa\u00eds do Chifre da \u00c1frica, mais de 25% das crian\u00e7as trabalham As tarefas estafantes para as quais s\u00e3o contratadas, trabalho manual e dom\u00e9stico, pagam pouco e exigem muito.<\/p>\n<p>Halima trabalha de \u201csol a sol\u201d, j\u00e1 que cozinha, passa roupa, lava o ch\u00e3o, banha as crian\u00e7as e por fim os coloca na cama antes de encerrar a jornada. \u201c\u00c9 um trabalho muito estressante\u201d, disse a menina, que nunca p\u00f4s os p\u00e9s em uma sala de aula. Ela adoraria abandonar esses deveres e se dedicar aos livros, mas seu sal\u00e1rio mensal de US$ 50 \u00e9 imprescind\u00edvel para o sustento de sua fam\u00edlia de cinco membros, sendo que s\u00f3 ela tem emprego remunerado.<\/p>\n<p>\u201cSe perco um s\u00f3 dia de trabalho, minha fam\u00edlia vai para a cama com fome\u201d, contou Halima \u00e0 IPS, ao lado de sua m\u00e3e e seus irm\u00e3os mais novos em um de seus escassos per\u00edodos de descanso. \u00c9 uma tremenda carga para uma menina, mas em compara\u00e7\u00e3o com a pen\u00faria que a fam\u00edlia Ali teve de suportar, Halima trabalhar n\u00e3o \u00e9 o fim do mundo. A fam\u00edlia \u00e9 origin\u00e1ria do distrito de Dinsor, na zona da ba\u00eda de Som\u00e1lia, a 266 quil\u00f4metros de Mogad\u00edscio, capital do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em 2011, fugiram dali por causa da fome que matou quase 250 mil pessoas dedicadas ao pastoreio, enquanto uma feroz seca consumia o campo e provocava a morte de centenas de milhares de cabe\u00e7as de gado. Quando finalmente chegou a Mogad\u00edscio, a fam\u00edlia se refugiou em um acampamento improvisado chamado Badbaado, que significa \u201csalva\u00e7\u00e3o\u201d em somaliano, junto com outros 50 mil refugiados.<\/p>\n<p>No come\u00e7o, recebiam ra\u00e7\u00f5es de alimentos, abrigo e assist\u00eancia m\u00e9dica, contou Halima, mas quando a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) declarou o fim da fome, em fevereiro de 2012, a ajuda praticamente desapareceu. Poucos refugiados conseguiram trabalho, j\u00e1 que carecem de educa\u00e7\u00e3o formal e n\u00e3o possuem outras habilidades al\u00e9m da agricultura ou cria\u00e7\u00e3o de gado. Ent\u00e3o, recorreram \u00e0 \u00fanica op\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel: enviar os filhos para trabalharem.<\/p>\n<div id=\"attachment_113404\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Somalia2.jpg\"><img class=\"wp-image-113404\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Somalia2.jpg\" alt=\"Somalia2 N\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a para a inf\u00e2ncia trabalhadora da Som\u00e1lia\" width=\"529\" height=\"353\" title=\"N\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a para a inf\u00e2ncia trabalhadora da Som\u00e1lia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O desemprego da Som\u00e1lia \u00e9 um dos maiores do mundo, com 54% dos somalianos entre 15 e 64 anos sem trabalho. Por outro lado, parece que h\u00e1 muito trabalho para meninos e meninas. Foto: Cortesia Alinoor Salad<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Embora esteja esgotada ao final de sua jornada de 17 horas de trabalho, Halima se alegra por poder manter sua fam\u00edlia. Sua hist\u00f3ria \u00e9 semelhante \u00e0 de tantos nesse pa\u00eds de 10,2 milh\u00f5es de habitantes, segundo Mohamed Abdi, diretor do programa Somaliano Peace Line, uma organiza\u00e7\u00e3o defensora dos direitos da inf\u00e2ncia. \u201cCentenas de meninas s\u00e3o trazidas para Mogasd\u00edscio, de zonas rurais onde h\u00e1 pobreza e fome, para trabalhar em casas de fam\u00edlias da classe m\u00e9dia. Trabalham muitas horas em troca de comida, alojamento e sal\u00e1rio baixo, que enviam para suas fam\u00edlias\u201d, detalhou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cAfortunadas\u201d como Halima recebem seu sal\u00e1rio, disse Abdi, pois muitas outras t\u00eam o magro pagamento retido durante meses, ficam isoladas de suas fam\u00edlias, sofrem abusos e tratamento de uma escrava. Abdi acredita que a persistente viol\u00eancia no pa\u00eds, que tem suas ra\u00edzes na guerra civil iniciada em 1991, assegurar\u00e1 um fluxo constante de meninos e meninas trabalhadores, enquanto as fam\u00edlias perdem seus empregos e a esperan\u00e7a. \u201cQuando tentamos convencer os pais a n\u00e3o enviarem seus filhos para trabalhar, nos pedem fontes alternativas de renda, que n\u00e3o podemos oferecer-lhes\u201d, admitiu.<\/p>\n<p>Mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o tem renda baixa e 73% dos somalianos vivem com menos de US$ 2 por dia, segundo informe de 2012 do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento. O desemprego \u00e9 um dos maiores do mundo, j\u00e1 que 54% dos somalianos entre 15 e 64 anos de idade est\u00e3o sem trabalho, acrescenta o documento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da vulnerabilidade que sup\u00f5e o trabalho informal, como a jornada que n\u00e3o respeita as oito horas, meninos como Hassan Abdullahi Daule, de 11 anos, tamb\u00e9m recebem sal\u00e1rios menores do que o dos adultos, ainda que exer\u00e7am a mesma fun\u00e7\u00e3o. Quando seu pai morreu, em 2012, em um atentado explosivo em Mogad\u00edscio, Hassan, \u00fanico var\u00e3o da fam\u00edlia, deixou a escola e come\u00e7ou a trabalhar em uma oficina mec\u00e2nica, por 12 horas di\u00e1rias para manter sua m\u00e3e e dois irm\u00e3os menores.<\/p>\n<p>Vestido com seu \u201cuniforme\u201d (camiseta de futebol do clube Arsenal empapada de \u00f3leo e cal\u00e7as curtas), Hassan disse \u00e0 IPS que seu tio lhe conseguiu esse trabalho para sua fam\u00edlia poder comer. Apesar da tenta\u00e7\u00e3o de desistir e voltar a estudar, sente-se respons\u00e1vel. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma lembran\u00e7a distante, por isso sua \u00fanica esperan\u00e7a \u00e9 fazer carreira como mec\u00e2nico. No momento, por\u00e9m, lhe pagam muito menos do que aos seus companheiros de trabalho, e inclusive \u00e0s vezes os obrigam a fazer tarefas dos demais sem receber uma s\u00f3 moeda adicional.<\/p>\n<p>\u201cQuando h\u00e1 muitos carros para consertar ganho, 50 xelins somalianos di\u00e1rios (cerca de US$ 2,5). Nos dias ruins, s\u00f3 recebo o almo\u00e7o e volto sem nada para casa\u201d, contou Hassan, com gotas de suor correndo pelo rosto. \u201cOs adultos ganham 150 xelins (US$ 7,5) por dia, e \u00e0s vezes ficam com meu pagamento pela for\u00e7a. N\u00e3o h\u00e1 nada que possa fazer e ningu\u00e9m para me queixar, por isso s\u00f3 resta esperar a pr\u00f3xima jornada de trabalho\u201d, acrescentou.<\/p>\n<div id=\"attachment_113405\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Somalia3.jpg\"><img class=\"wp-image-113405\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Somalia3.jpg\" alt=\"Somalia3 N\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a para a inf\u00e2ncia trabalhadora da Som\u00e1lia\" width=\"540\" height=\"360\" title=\"N\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a para a inf\u00e2ncia trabalhadora da Som\u00e1lia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Meninos como Hassan Abdullahi Daule, de 11 anos, recebem sal\u00e1rios inferiores aos dos adultos, mesmo desempenhando as mesmas tarefas. Foto: Cortesia Alinoor Salad<\/p><\/div>\n<p>O diretor do Minist\u00e9rio de Desenvolvimento Humano e Servi\u00e7os P\u00fablicos, Aweys Haddad, afirmou que a Constitui\u00e7\u00e3o somaliana pro\u00edbe o trabalho infantil, e acrescentou que o governo ratificou recentemente uma conven\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) que pro\u00edbe as piores formas de trabalho juvenil. Mas h\u00e1 muitos problemas para cumprir a lei, por isso os compromissos assumidos ficam no papel.<\/p>\n<p>Diversos estudos e informes falam de meninas e meninos de apenas cinco anos de idade trabalhando em quase todos os setores, desde constru\u00e7\u00e3o at\u00e9 agricultura. No sul do pa\u00eds, crian\u00e7as s\u00e3o exploradas para a guerra, por exemplo, como guardas em postos de controle ou como terroristas suicidas, e tamb\u00e9m trabalham na rua, lavando autom\u00f3veis, engraxando sapatos e vendendo qat, uma planta que cont\u00e9m um estimulante semelhante \u00e0 anfetamina.<\/p>\n<p>\u201cO governo acredita que uma presen\u00e7a maior na escola pode ajudar a eliminar o trabalho infantil. Estamos em vias de aplicar programas destinados a levar mais crian\u00e7as \u00e0s aulas\u201d, disse Haddad \u00e0 IPS. \u201cPusemos em marcha a iniciativa Volta \u00e0 Escola, que tem por objetivo dar educa\u00e7\u00e3o gratuita a um milh\u00e3o de crian\u00e7as\u201d, acrescentou. Mas esses planos ainda n\u00e3o d\u00e3o frutos.<\/p>\n<p>O Unicef indica que apenas 710.860 de um total de 1,7 milh\u00e3o de crian\u00e7as em idade escolar est\u00e3o matriculados em uma escola. Sem a interrup\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do c\u00edrculo vicioso que perpetua o trabalho infantil, o futuro n\u00e3o oferece esperan\u00e7as. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia e Mogad&iacute;scio, Som&aacute;lia, 21\/5\/2014 &ndash; Halima Mohamed Ali tem 12 anos e acorda todos os dias &agrave;s cinco da manh&atilde;, n&atilde;o para ir &agrave; escola, mas para trabalhar como bab&aacute; de cinco crian&ccedil;as. O mais velho deles &eacute; apenas dois anos mais novo que ela. 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