{"id":17504,"date":"2014-05-23T15:18:16","date_gmt":"2014-05-23T15:18:16","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=113539"},"modified":"2014-05-23T15:18:16","modified_gmt":"2014-05-23T15:18:16","slug":"temporarias-da-agricultura-grandes-excluidas-da-bonanca-chilena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/temporarias-da-agricultura-grandes-excluidas-da-bonanca-chilena\/","title":{"rendered":"Tempor\u00e1rias da agricultura, grandes exclu\u00eddas da bonan\u00e7a chilena"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_113541\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/trabalhadoras.jpg\"><img class=\"wp-image-113541\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/trabalhadoras.jpg\" alt=\"trabalhadoras Tempor\u00e1rias da agricultura, grandes exclu\u00eddas da bonan\u00e7a chilena\" width=\"529\" height=\"354\" title=\"Tempor\u00e1rias da agricultura, grandes exclu\u00eddas da bonan\u00e7a chilena\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Duas trabalhadoras tempor\u00e1rias da regi\u00e3o chilena de Coquimbo descansam um pouco em uma dura jornada de colheita de fruta. Foto: Tamara Albarran\/Minist\u00e9rio da Agricultura<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Santiago, Chile, 23\/5\/2014 \u2013 Milhares de mulheres rurais do Chile que trabalham como tempor\u00e1rias na agricultura para a exporta\u00e7\u00e3o s\u00e3o foco de pobreza e desigualdade e da falta de prote\u00e7\u00e3o trabalhista, apesar de seu trabalho gerar ganhos multimilion\u00e1rios \u00e0 ind\u00fastria local. Em 2013, as exporta\u00e7\u00f5es agropecu\u00e1rias do Chile totalizaram US$ 11,58 bilh\u00f5es, mas a remunera\u00e7\u00e3o mensal da maioria das tempor\u00e1rias do setor n\u00e3o passou de US$ 380, equivalente ao sal\u00e1rio m\u00ednimo desse pa\u00eds de 17,6 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>O Chile est\u00e1 catalogado por consultorias internacionais como um dos 25 pa\u00edses com maior crescimento no mundo e o segundo que mais cresceu na Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), da qual \u00e9 integrante desde 2010 como o \u00fanico pa\u00eds latino-americano al\u00e9m do M\u00e9xico. Tamb\u00e9m \u00e9 o pa\u00eds com maiores graus de trabalho formal na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho.<\/p>\n<p>Entretanto, aqui ainda persistem trabalhos por dia ou por temporada, prec\u00e1rios e carentes de direitos sociais b\u00e1sicos. \u201cNo Chile h\u00e1 uma grande quantidade de trabalhadores, e em particular de trabalhadoras, que se vinculam a espa\u00e7os do mundo do trabalho que s\u00e3o prec\u00e1rios por terem maus sal\u00e1rios, carecerem de estabilidade trabalhista ou n\u00e3o terem condi\u00e7\u00f5es legais nas quais amparar seu trabalho, porque s\u00e3o terceirizados, subcontratados, etc.\u201d, disse \u00e0 IPS a ministra do Servi\u00e7o Nacional da Mulher (Sernam), Claudia Pascual.<\/p>\n<p>Se a essa precariedade for acrescentado o fato de ser mulher, morar em bairros prec\u00e1rios urbanos ou nas \u00e1reas rurais, a realidade se torna ainda pior, afirmou Pascual. \u201cN\u00e3o \u00e9 o mesmo ser mulher pobre, ser mulher mapuche, ayumara, quechua; ser mulher rural, ser profissional ou n\u00e3o\u201d, acrescentou. O trabalho das e dos tempor\u00e1rios chilenos se tornou um fen\u00f4meno de massa na d\u00e9cada de 1980, devido ao auge das planta\u00e7\u00f5es de frutas para exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o abriram-se as portas para o trabalho de mulheres assalariadas, que em princ\u00edpio foram mulheres pobres, camponesas\u201d, explicou Alicia Mu\u00f1oz, diretora da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Mulheres Rurais e Ind\u00edgenas (Anamuri). \u201cLogo come\u00e7aram a emigrar as mulheres das cidades para o campo, que se transformaram em uma m\u00e3o de obra qualificada e em l\u00edderes do trabalho assalariado do campo\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Atualmente, entre 400 mil e 500 mil chilenas e chilenos trabalham na colheita de frutas em cada temporada, que se estende de setembro a mar\u00e7o. Metade s\u00e3o mulheres e 70% delas trabalham sem contrato, segundo um estudo do Sernam. Os produtos agropecu\u00e1rios s\u00e3o o segundo item de exporta\u00e7\u00e3o do Chile, atr\u00e1s do cobre.<\/p>\n<p>Nesse pa\u00eds, os trabalhos tempor\u00e1rios s\u00e3o proporcionados principalmente por empresas terceirizadas nos setores da minera\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o e pesca, onde tamb\u00e9m existem contratos por dia. Mas estudos e especialistas coincidem quanto a serem as mulheres tempor\u00e1rias da fruta as mais vulner\u00e1veis, pela informalidade do trabalho e aus\u00eancia total de benef\u00edcios sociais.<\/p>\n<div id=\"attachment_113542\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Melipilla-2.jpg\"><img class=\"wp-image-113542\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Melipilla-2.jpg\" alt=\"Melipilla 2 Tempor\u00e1rias da agricultura, grandes exclu\u00eddas da bonan\u00e7a chilena\" width=\"540\" height=\"304\" title=\"Tempor\u00e1rias da agricultura, grandes exclu\u00eddas da bonan\u00e7a chilena\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Camponesas inclinadas sobre a terra se confundem com a paisagem em uma fazenda de horticultura na localidade chilena de Melpilla. Foto: Eric Le\u00f3n\/Minist\u00e9rio da Agricultura<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A diretora da Anamuri afirma que o n\u00famero de trabalhadores tempor\u00e1rios para as safras \u00e9 superior \u00e0 oficial e que passaria de 700 mil pessoas, com alta presen\u00e7a feminina, especialmente na \u00e1rea de frutas. \u201cO trabalho das mulheres hoje em dia \u00e9 a fruta. J\u00e1 n\u00e3o encontramos as mulheres das hortali\u00e7as\u201d, afirmou. Os sal\u00e1rios dos diaristas para as colheitas praticamente n\u00e3o aumentaram em duas d\u00e9cadas, pois os reajustes s\u00e3o absorvidos pelos intermedi\u00e1rios. \u201cOs sal\u00e1rios est\u00e3o parados h\u00e1 muitos anos, enquanto o custo de vida cresce muito r\u00e1pido\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, para reunir o dinheiro suficiente para sobreviver nos meses sem trabalho, at\u00e9 a colheita seguinte, as mulheres devem se \u201cdesdobrar, fazendo dois turnos (cerca de 16 horas di\u00e1rias), para ganhar US$ 800 ou US$ 1 mil\u201d, disse a dirigente camponesa. Como consequ\u00eancia, \u201ctemos trabalhadoras descartadas, que devido ao cansa\u00e7o e aos pesticidas, aos 40 ou 50 anos est\u00e3o doentes e sem poderem trabalhar\u201d, pontuou Mu\u00f1oz.<\/p>\n<p>Um estudo da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), a condi\u00e7\u00e3o de tempor\u00e1ria oscila entre a regularidade, de formas e ciclos, e a irregularidade, pela instabilidade na dura\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o trabalhista. Tamb\u00e9m varia entre a inclus\u00e3o e a exclus\u00e3o trabalhista. No Chile, o emprego tempor\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 uma escolha, acontece que se trata da \u00fanica op\u00e7\u00e3o, acrescenta a FAO, que tem sua sede regional em Santiago.<\/p>\n<p>\u201cAcabam pobres e desgastadas pelas doen\u00e7as. A maioria das assalariadas s\u00e3o chefes de fam\u00edlia, por isso devem encontrar outro trabalho para os meses em que est\u00e3o longe das colheitas\u201d, explicou Mu\u00f1oz.<\/p>\n<p>O representante regional da FAO para a Am\u00e9rica Latina, Ra\u00fal Ben\u00edtez, afirmou \u00e0 IPS que quando se analisa os padr\u00f5es da inseguran\u00e7a alimentar \u201cpercebe-se que as mulheres sofrem de maneira diferenciada esse problema, mais acentuada\u201d. Por essa raz\u00e3o, \u201ctrabalhamos ativamente com as diferentes agrupa\u00e7\u00f5es de mulheres e da sociedade civil nesses temas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Durante a campanha eleitoral que a recolocou na Presid\u00eancia, em mar\u00e7o, Michelle Bachelet prometeu que impulsionaria a melhoria de um controvertido projeto de estatuto do trabalhador tempor\u00e1rio que, segundo as entidades, busca institucionalizar a precariedade trabalhista no setor. O projeto surgiu durante o primeiro mandato de Bachelet (2006-2010) e foi modificado por seu sucessor, Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era (2010-2014).<\/p>\n<p>O projeto estabelece, entre outros aspectos, a op\u00e7\u00e3o de chegar a um acordo entre empregador e empregado, sem a necessidade de ter um sindicato, e n\u00e3o garante por contrato os direitos sociais dos trabalhadores.<\/p>\n<p>\u201cRejeitamos esse estatuto durante o primeiro governo de Bachelet, porque n\u00e3o ia na dire\u00e7\u00e3o que desej\u00e1vamos. Nos \u00faltimos quatro anos a coisa ficou pior, porque mudou de origem e passou a ser mais uma necessidade empresarial do que de trabalhadores e trabalhadoras\u201d, recordou Mu\u00f1oz. \u201cFelizmente, fomos ouvidas por parlamentares e pol\u00edticos, o estatuto foi ficando pelo caminho\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Agora as organiza\u00e7\u00f5es se preparam para participar de uma nova mesa de negocia\u00e7\u00e3o convocada pelo governo para resolver o problema dos que trabalham por temporada. \u201cEfetivamente, nos chamaram e vamos nos sentar \u00e0 mesa para discutir o tema de forma integral, para que se deixe para tr\u00e1s os interesses empresariais e se ponha finalmente sobre a mesa as necessidades das trabalhadoras e dos trabalhadores do Chile\u201d, afirmou a diretora da Anamuri.<\/p>\n<p>Essas mulheres, trabalhadoras, m\u00e3es e, em muitos casos, \u00fanico sustento de uma fam\u00edlia, podem trabalhar por dois ou tr\u00eas meses durante a temporada de ver\u00e3o, um trabalho que no caso dos homens \u00e9 exercido quase exclusivamente por estudantes, e por per\u00edodos mais longos, de quatro a oito meses.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m existe a chamada \u201ctempor\u00e1ria falsa\u201d, que trabalha dez ou 11 meses para um mesmo empregador, mas com um ou sucessivos contratos por obra ou tarefa, o que a deixa fora de qualquer indeniza\u00e7\u00e3o quando cessa seu trabalho. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Santiago, Chile, 23\/5\/2014 &ndash; Milhares de mulheres rurais do Chile que trabalham como tempor&aacute;rias na agricultura para a exporta&ccedil;&atilde;o s&atilde;o foco de pobreza e desigualdade e da falta de prote&ccedil;&atilde;o trabalhista, apesar de seu trabalho gerar ganhos multimilion&aacute;rios &agrave; ind&uacute;stria local. 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