{"id":17507,"date":"2014-05-23T14:44:06","date_gmt":"2014-05-23T14:44:06","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=113526"},"modified":"2014-05-23T14:44:06","modified_gmt":"2014-05-23T14:44:06","slug":"sancoes-dos-estados-unidos-a-venezuela-podem-agravar-sua-crise-interna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/sancoes-dos-estados-unidos-a-venezuela-podem-agravar-sua-crise-interna\/","title":{"rendered":"San\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos a Venezuela podem agravar sua crise interna"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_113529\" style=\"width: 504px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Clipboard011-594x472-1.jpg\"><img class=\"wp-image-113529\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Clipboard011-594x472-1.jpg\" alt=\"Clipboard011 594x472 1 San\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos a Venezuela podem agravar sua crise interna\" width=\"494\" height=\"393\" title=\"San\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos a Venezuela podem agravar sua crise interna\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Familiares e estudantes carregam cartazes com os nomes de alguns dos mortos nos protestos na Venezuela, durante uma manifesta\u00e7\u00e3o em Caracas. Foto: Estrella Guti\u00e9rrez\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 23\/5\/2014 \u2013 A crise na Venezuela n\u00e3o se resolver\u00e1, e at\u00e9 poder\u00e1 se agravar, se o Congresso dos Estados Unidos aprovar um projeto de lei que exige do presidente Barack Obama a imposi\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es contra altos funcion\u00e1rios venezuelanos, segundo especialistas independentes e fontes oficiais nesta capital.<\/p>\n<p>O projeto de lei que o Comit\u00ea de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Senado aprovou por esmagadora maioria no dia 20 autoriza Obama a cancelar os vistos e congelar os ativos financeiros em bancos dos Estados Unidos, correspondentes a uma lista de funcion\u00e1rios venezuelanos. As san\u00e7\u00f5es seriam contra os que s\u00e3o considerados respons\u00e1veis por \u201cdirigir atos significativos de viol\u00eancia ou abusos graves contra os direitos humanos das pessoas associadas aos protestos antigovernamentais na Venezuela\u201d.<\/p>\n<p>O projeto tamb\u00e9m autoriza san\u00e7\u00f5es contra qualquer pessoa que tenha prestado assist\u00eancia \u00e0s for\u00e7as de seguran\u00e7a do governo e garante US$ 15 milh\u00f5es em apoio aos grupos \u201cpr\u00f3-democr\u00e1ticos\u201d e aos meios de comunica\u00e7\u00e3o independentes da Venezuela. O Comit\u00ea de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da C\u00e2mara de Representantes aprovou uma vers\u00e3o semelhante da iniciativa no come\u00e7o deste m\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cHoje demos um passo importante para castigar os violadores de direitos humanos no regime\u201d do presidente venezuelano, Nicol\u00e1s Maduro, afirmou o senador Marco Rubio, do opositor e direitista Partido Republicano, que patrocinou o projeto de lei junto com o presidente do Comit\u00ea, o senador democrata Robert Men\u00e9ndez. \u201cAgora que milhares de venezuelanos inocentes protestaram com valentia e em paz contra o fracasso que \u00e9 esse governo chavista, n\u00e3o podemos permitir que a repress\u00e3o, a viol\u00eancia e os assassinatos do governo fiquem impunes\u201d, afirmou Rubio, depois que o projeto foi referendado por 13 votos contra dois.<\/p>\n<p>Maduro foi designado pelo falecido Hugo Ch\u00e1vez, presidente do pa\u00eds entre 1999 e sua morte em mar\u00e7o de 2013, como seu sucessor \u00e0 frente da chamada revolu\u00e7\u00e3o bolivariana.<\/p>\n<p>Durante uma visita ao M\u00e9xico no dia 21, o secret\u00e1rio de Estado norte-americano, John Kerry, destacou o apoio legislativo \u00e0s san\u00e7\u00f5es e deu a entender que Washington pode se sentir obrigada a imp\u00f4-las. \u201cNossa esperan\u00e7a \u00e9 que os l\u00edderes, que o presidente Maduro e outros, tomem as decis\u00f5es para que tornem desnecess\u00e1rias sua implementa\u00e7\u00e3o. Mas todas as op\u00e7\u00f5es est\u00e3o na mesa nesse momento, com a esperan\u00e7a de que possamos avan\u00e7ar no processo\u201d de di\u00e1logo, afirmou.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, v\u00e1rios especialistas e altos funcion\u00e1rios de Washington alertaram que a legisla\u00e7\u00e3o, por mais bem intencionada que seja, poderia piorar as coisas na Venezuela, rica em petr\u00f3leo e profundamente polarizada pol\u00edtica e socialmente. \u201cCreio que as pessoas est\u00e3o realmente frustradas com o que ocorre na Venezuela\u201d, afirmou Michael Shifter, presidente do Di\u00e1logo Interamericano, um centro de estudos hemisf\u00e9ricos com sede em Washington.<\/p>\n<p>Segundo Shifter, \u201cos Estados Unidos n\u00e3o t\u00eam muita capacidade de influir e, embora as san\u00e7\u00f5es fa\u00e7am as pessoas se sentirem bem, n\u00e3o posso imaginar que consigam muito, a n\u00e3o ser dar a Maduro outra raz\u00e3o para atacar Washington\u201d. Al\u00e9m disso, acrescentou, \u201ccorre-se o risco de alienar os governos da Am\u00e9rica Latina\u201d, que junto com o Vaticano e o patroc\u00ednio da Uni\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas (Unasul), tomaram a iniciativa de mediar as divis\u00f5es da Venezuela mediante o di\u00e1logo entre Maduro e as for\u00e7as moderadas da oposi\u00e7\u00e3o. \u201cSimplesmente, n\u00e3o posso imaginar que um governo latino-americano veja isso como uma boa ideia ou \u00fatil nas circunst\u00e2ncias atuais\u201d, ressaltou Shifter \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cOs Estados Unidos se esfor\u00e7aram para n\u00e3o serem o centro do debate, ao se darem conta, corretamente em minha opini\u00e3o, que s\u00f3 ajudaria para que o governo de Maduro apontasse Washington como a fonte dos protestos e para desviar a aten\u00e7\u00e3o das queixas genu\u00ednas e leg\u00edtimas que deram lugar \u00e0s mesmas\u201d, afirmou John Walsh, especialista em Venezuela do Escrit\u00f3rio em Washington para Assuntos Latino-Americanos (Wola), uma organiza\u00e7\u00e3o independente que promove os direitos humanos.<\/p>\n<p>Uma das estrat\u00e9gias de Maduro para \u201cevitar o di\u00e1logo e os principais compromissos que este lhe obrigaria a assumir \u00e9 a capacidade de reformular o movimento de protesto e a oposi\u00e7\u00e3o como pessoas submissas ou que, na realidade, est\u00e3o recebendo ordens do \u2018imp\u00e9rio\u2019, como parte de uma conspira\u00e7\u00e3o internacional para desestabilizar o governo e expulsar o chavismo do poder\u201d, destacou.<\/p>\n<p>De fato, essa \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o adotada pelo governo de Obama durante a crise mais recente, que come\u00e7ou no final de fevereiro quando manifestantes estudantis exigiram a ren\u00fancia de Maduro.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria-adjunta de Estado para o Hemisf\u00e9rio Ocidental, Roberta Jacobson, ressaltou ao Comit\u00ea de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, no come\u00e7o deste m\u00eas, o apoio de Washington \u00e0 iniciativa liderada pela Unasul. \u201cEsse n\u00e3o \u00e9 um assunto dos Estados Unidos e da Venezuela, \u00e9 um assunto interno da Venezuela\u201d, afirmou aos senadores. \u201cResistimos com energia \u00e0s tentativas de sermos utilizados como uma distra\u00e7\u00e3o para os problemas reais\u201d da Venezuela, acrescentou.<\/p>\n<p>O projeto do Senado, cuja aprova\u00e7\u00e3o \u00e9 quase certa se o l\u00edder da maioria, Harry Reid, permitir sua discuss\u00e3o nessa casa legislativa, ocorre depois da suspens\u00e3o, no dia 13 de maio, do di\u00e1logo entre Caracas e a oposi\u00e7\u00e3o, na qual os chanceleres de Brasil, Col\u00f4mbia e Equador atuaram como representantes da Unasul. Entre outros motivos, a suspens\u00e3o aconteceu porque os l\u00edderes opositores exigiram a liberta\u00e7\u00e3o dos estudantes presos nos protestos e tamb\u00e9m de presos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>No informe <em>Venezuela: Ponto de Quebra<\/em>, divulgado no dia 21, a organiza\u00e7\u00e3o independente International Crisis Group (ICG) alertou que o fracasso do di\u00e1logo poderia afundar o pa\u00eds em mais viol\u00eancia, \u201cdeixando-o incapaz de enfrentar a crescente criminalidade e o declive econ\u00f4mico e expondo a incapacidade dos \u00f3rg\u00e3os intergovernamentais regionais para gerir os conflitos no continente\u201d.<\/p>\n<p>Ao menos 42 pessoas morreram desde fevereiro em enfrentamentos entre as for\u00e7as de seguran\u00e7a e grupos pr\u00f3-governamentais conhecidos como \u201ccoletivos\u201d, por um lado, e estudantes e setores da oposi\u00e7\u00e3o, de outro. Embora alguns setores da oposi\u00e7\u00e3o tenham recorrido \u00e0 viol\u00eancia, grupos independentes de direitos humanos acusaram o governo e seus aliados de serem respons\u00e1veis pela maioria das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Em um duro documento publicado no come\u00e7o deste m\u00eas, a Human Rights Watch (HRW), organiza\u00e7\u00e3o de direitos humanos com sede em Nova York, acusou as for\u00e7as de seguran\u00e7a de graves golpes, de disparar a queima-roupa contra manifestantes pac\u00edficos, submeter os detidos a abusos graves, que em ocasi\u00f5es foram torturas, e, em alguns casos, de colaborar com os \u201ccoletivos\u201d em seus ataques contra os manifestantes e transeuntes.<\/p>\n<p>O recrudescimento da repress\u00e3o, bem como a paralisa\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo, redobrou a preocupa\u00e7\u00e3o de Washington sobre a probabilidade de uma polariza\u00e7\u00e3o maior que fortaleceria a linha dura dos dois lados. Em seu informe, o ICG exorta todas as partes a considerarem a escolha de um facilitador internacional, possivelmente do sistema da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, para que se some ao esfor\u00e7o da Unasul e do Vaticano, bem como o envio de uma miss\u00e3o t\u00e9cnica da ONU que o apoie.<\/p>\n<p>Enquanto Washington se op\u00f5e \u00e0s san\u00e7\u00f5es nesse momento, um alto funcion\u00e1rio do Departamento de Estado disse que espera redobrar as conversa\u00e7\u00f5es com os governos regionais, come\u00e7ando com a visita de Kerry ao M\u00e9xico, sobre o que se pode fazer para que o di\u00e1logo seja retomado.<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o real \u00e9 que eles devem trocar impress\u00f5es sobre o que ouvem da Venezuela, se pensamos que os esfor\u00e7os da Unasul e do Vaticano est\u00e3o funcionando, e o que mais podemos fazer de fora do processo, seja como ajuda ou para estarmos prontos para fazer algo mais\u201d, afirmou o funcion\u00e1rio. \u201cA \u00faltima coisa que desejamos fazer \u00e9 sabotar qualquer di\u00e1logo que possa conduzir \u00e0 a\u00e7\u00e3o, mas estamos t\u00e3o frustrados como o Senado por ainda nada ter ocorrido\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Kerry refletiu essa frustra\u00e7\u00e3o no M\u00e9xico, quando acusou Caracas de \u201cincapacidade total para demonstrar a\u00e7\u00f5es de boa f\u00e9 na aplica\u00e7\u00e3o do que acordaram fazer h\u00e1 aproximadamente um m\u00eas\u201d. \u201cCreio que poderiam ser de mais utilidade consultas de alto n\u00edvel com outros governos sobre como veem a situa\u00e7\u00e3o e trabalhar com eles\u201d, disse Shifter.<\/p>\n<p>\u201cMas o pa\u00eds mais importante \u00e9 o Brasil e, infelizmente, as rela\u00e7\u00f5es\u201d de Washington com Bras\u00edlia \u201cn\u00e3o s\u00e3o boas devido ao assunto Snowden, que levou ao adiamento da visita de Estado da presidente Dilma Rousseff que ocorreria no final de 2013\u201d, pontuou Shifter. O ex-analista de intelig\u00eancia norte-americana Edward Snowden vazou uma grande quantidade de informa\u00e7\u00e3o secreta revelando opera\u00e7\u00f5es de espionagem dos Estados Unidos em outros pa\u00edses, entre eles o Brasil. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 23\/5\/2014 &ndash; A crise na Venezuela n&atilde;o se resolver&aacute;, e at&eacute; poder&aacute; se agravar, se o Congresso dos Estados Unidos aprovar um projeto de lei que exige do presidente Barack Obama a imposi&ccedil;&atilde;o de san&ccedil;&otilde;es contra altos funcion&aacute;rios venezuelanos, segundo especialistas independentes e fontes oficiais nesta capital. 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