{"id":17521,"date":"2014-05-28T13:54:26","date_gmt":"2014-05-28T13:54:26","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=113895"},"modified":"2014-05-28T13:54:26","modified_gmt":"2014-05-28T13:54:26","slug":"deportacoes-do-quenia-alimento-para-o-al-shabaab-na-somalia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/05\/ultimas-noticias\/deportacoes-do-quenia-alimento-para-o-al-shabaab-na-somalia\/","title":{"rendered":"Deporta\u00e7\u00f5es do Qu\u00eania, alimento para o Al Shabaab na Som\u00e1lia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_113897\" style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/220.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-113897\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/220.jpg\" alt=\"220 Deporta\u00e7\u00f5es do Qu\u00eania, alimento para o Al Shabaab na Som\u00e1lia\" width=\"629\" height=\"418\" title=\"Deporta\u00e7\u00f5es do Qu\u00eania, alimento para o Al Shabaab na Som\u00e1lia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Somalianos deportados do Qu\u00eania s\u00e3o recebidos por autoridades de seu pa\u00eds. Calcula-se que cerca de 500 somalianos foram deportados e outros quatro mil est\u00e3o detidos no Qu\u00eania. Foto: Abdirahman Omar Abdi\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nair\u00f3bi, Qu\u00eania, 28\/5\/2014 \u2013 Uma opera\u00e7\u00e3o de repatria\u00e7\u00e3o e deporta\u00e7\u00e3o de imigrantes somalianos, que o Qu\u00eania aplica desde abril, pode terminar alimentando as fileiras do grupo somaliano radical isl\u00e2mico Al Shabaab, que precisa de combatentes e fundos, afirmaram especialistas e fontes do governo na Som\u00e1lia.<\/p>\n<p>O ministro de Interior e Federalismo da Som\u00e1lia, Mohamud Moalim Yahye, disse \u00e0 IPS que a repatria\u00e7\u00e3o precipitada e a deporta\u00e7\u00e3o coletiva de seus concidad\u00e3os comprometeriam as recentes melhorias na seguran\u00e7a que os governos da regi\u00e3o adotaram contra o Al Shabaab, que causou a morte de 67 pessoas em um atentado contra o shopping Westgate no Qu\u00eania, em setembro.<\/p>\n<p>\u201cA deporta\u00e7\u00e3o, sem planejamento nem coordena\u00e7\u00e3o, de pessoas, especialmente dos jovens, provocar\u00e1 caos e anarquia, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 recursos para apoi\u00e1-los e gerar postos de trabalho para todos\u201d, destacou Yahye \u00e0 IPS, por telefone, de Mogad\u00edscio. O governo somaliano solicitou ao Qu\u00eania que suspenda a deporta\u00e7\u00e3o coletiva de seus cidad\u00e3os, que come\u00e7ou no in\u00edcio de abril, at\u00e9 que seja implantado um acordo tripartite para a repatria\u00e7\u00e3o dos refugiados.<\/p>\n<p>O acordo, que os dois governos e a Ag\u00eancia de Refugiados das Na\u00e7\u00f5es Unidas assinaram em 2013, regula a repatria\u00e7\u00e3o dos refugiados somalianos ao longo dos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos, mas o pacto s\u00f3 se refere a uma repatria\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria e organizada.<\/p>\n<p>A Som\u00e1lia, onde o desemprego entre os jovens de 14 a 29 anos \u00e9 um dos mais altos do mundo, com taxa de 67%, n\u00e3o tem capacidade para receber e integrar um grande n\u00famero de refugidos e deportados, afirmou o ministro Yahye. Em consequ\u00eancia, especialistas em seguran\u00e7a, funcion\u00e1rios e pol\u00edticos em Mogad\u00edscio e Nair\u00f3bi expressaram sua preocupa\u00e7\u00e3o quanto aos deportados e repatriados poderem ser recrutados pelo Al Shabaab, grupo vinculado \u00e0 rede isl\u00e2mica Al Qaeda, que precisa desesperadamente de sangue novo.<\/p>\n<p>\u201cEsses jovens, se somando aos insurgentes, ser\u00e3o uma vantagem que poderia ajudar o grupo a fazer estragos n\u00e3o apenas na Som\u00e1lia e no Qu\u00eania, mas na maior parte da \u00c1frica oriental\u201d, disse Zakariye Yusuf, analista do International Crisis Group, uma organiza\u00e7\u00e3o independente dedicada a prevenir os conflitos armados.<\/p>\n<p>O Qu\u00eania abriga mais de um milh\u00e3o de refugiados somalianos, metade deles imigrantes ilegais, segundo o Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e Com\u00e9rcio Exterior queniano. Em abril, o governo do Qu\u00eania lan\u00e7ou a opera\u00e7\u00e3o Usalama Watch, que colocou sob cust\u00f3dia mais de quatro mil pessoas \u2013 em sua grande maioria refugiados e imigrantes somalianos \u2013 e repatriou outras 500 para a Som\u00e1lia.<\/p>\n<p>Centenas esperam pela deporta\u00e7\u00e3o, segundo informou a embaixada da Som\u00e1lia no Qu\u00eania. Empregados de linhas a\u00e9reas e ag\u00eancias de viagens disseram que outras sete mil pessoas, metade delas jovens, fugiram de Nair\u00f3bi para Mogad\u00edscio ap\u00f3s come\u00e7ar a opera\u00e7\u00e3o. Acredita-se que milhares cruzaram a fronteira com o Qu\u00eania e regressaram \u00e0 Som\u00e1lia.<\/p>\n<p>O Al Shabaab poderia recrutar esses jovens, por seu conhecimento do idioma swahili e da cultura da regi\u00e3o, para desenvolver atividades terroristas no Qu\u00eania e, possivelmente, em outros pa\u00edses da \u00c1frica oriental, pontuou Yusuf. \u201cEles ter\u00e3o maior facilidade para se esconder, infiltrar-se na sociedade e instalar casas seguras para coordenar suas opera\u00e7\u00f5es do que outros que n\u00e3o viveram no Qu\u00eania\u201d, acrescentou o analista.<\/p>\n<p>O Al Shabaab tem necessidades financeiras desde que perdeu sua influ\u00eancia em Mogad\u00edscio e na cidade portu\u00e1ria de Kismayo. Na verdade, sofre escassez de combatentes nos \u00faltimos tr\u00eas anos porque centenas de seus homens morreram, fugiram do pa\u00eds ou passaram para as fileiras do governo, que lhes prometeu anistia, prote\u00e7\u00e3o e um futuro melhor.<\/p>\n<p>\u201cEsses jovens antes tinham uma pequena empresa ou trabalhavam como vendedores em lojas de Nair\u00f3bi, mas suas vidas foram interrompidas pela repress\u00e3o e deporta\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Abdiwahab Sheikh Abdisamad, especialista no Chifre da \u00c1frica da Universidade do Qu\u00eania. \u201cAgora est\u00e3o de volta ao seu pa\u00eds, desesperados por fazer o que puderem para ganhar a vida. \u00c9 esse tipo de recrutas que o Al Shabaab busca\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Segundo esse especialista, o grupo tem os dias contados. \u201cA repatria\u00e7\u00e3o ou deporta\u00e7\u00e3o de pessoas, especialmente homens jovens, para a Som\u00e1lia equivale simplesmente a dar um salva-vidas ao Al Shabaab, que tem um hist\u00f3rico de recrutamento for\u00e7ado de pessoas, em um momento crucial\u201d, acrescentou. Para Abdisamad, os que retornam se uniriam \u00e0 guerrilha para ganhar um sal\u00e1rio a fim de manterem suas fam\u00edlias, ou por vingan\u00e7a, por se sentirem humilhados e maltratados no Qu\u00eania.<\/p>\n<p>As deporta\u00e7\u00f5es geram uma situa\u00e7\u00e3o que permitiria ao Al Shabaab recrutar combatentes jovens e a baixo custo, ressaltou Abdisamad. \u201cQuando o tema do terrorismo \u00e9 mal manejado, tem muitas repercuss\u00f5es. Isso \u00e9 algo que os guerrilheiros queriam e esperavam h\u00e1 anos. Assim, n\u00e3o melhorou em nada em termos de seguran\u00e7a desde que foi lan\u00e7ada a opera\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Um comandante do Al Shabaab, Fuad Mohamed Khalaf, disse este m\u00eas que o grupo levaria a guerra ao vizinho Qu\u00eania, e amea\u00e7ou enviar terroristas suicidas adolescentes a Nair\u00f3bi. Khalaf exortou os mu\u00e7ulmanos quenianos a lutarem contra seu governo como repres\u00e1lia por seus \u201cirm\u00e3os mu\u00e7ulmanos\u201d mortos no Qu\u00eania e na Som\u00e1lia.<\/p>\n<p>Abdisamad afirmou que a opera\u00e7\u00e3o Usalama Watch, prejudicada por falta de uma estrat\u00e9gia clara de luta contra o terrorismo, pelos abusos e pela intimida\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de seguran\u00e7a quenianas, \u00e9 contraproducente e \u00e9 o caminho perfeito para o recrutamento pelo Al Shabaab. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 28\/5\/2014 &ndash; Uma opera&ccedil;&atilde;o de repatria&ccedil;&atilde;o e deporta&ccedil;&atilde;o de imigrantes somalianos, que o Qu&ecirc;nia aplica desde abril, pode terminar alimentando as fileiras do grupo somaliano radical isl&acirc;mico Al Shabaab, que precisa de combatentes e fundos, afirmaram especialistas e fontes do governo na Som&aacute;lia. 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