{"id":17534,"date":"2014-06-02T15:32:57","date_gmt":"2014-06-02T15:32:57","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=114165"},"modified":"2014-06-02T15:32:57","modified_gmt":"2014-06-02T15:32:57","slug":"a-desigualdade-esta-na-moda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/ultimas-noticias\/a-desigualdade-esta-na-moda\/","title":{"rendered":"A desigualdade est\u00e1 na moda"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_114167\" style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/2.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-114167\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/2.jpg\" alt=\"2 A desigualdade est\u00e1 na moda\" width=\"629\" height=\"422\" title=\"A desigualdade est\u00e1 na moda\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Distribui\u00e7\u00e3o de renda na Am\u00e9rica Latina: os 20% mais ricos da popula\u00e7\u00e3o ret\u00eam 47% da renda da regi\u00e3o; os 20% mais pobres da popula\u00e7\u00e3o recebem 5%; a renda anual dos 113 latino-americanos mais ricos pagaria o or\u00e7amento de El Salvador, Guatemala e Nicar\u00e1gua; poderia tirar da pobreza 25 milh\u00f5es de pessoas.<br \/>Fontes: Cepal e Oxfam<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Montevid\u00e9u, Uruguai, 2\/6\/2014 \u2013 As muito contempor\u00e2neas novelas medievais do gal\u00eas Ken Follett transportam a um tempo em que os ricos tinham tudo e os pobres n\u00e3o tinham nem a si mesmos. Essas hist\u00f3rias ambientadas nos s\u00e9culos 12, 13 e 14 reconfortam de certo modo o leitor contempor\u00e2neo, rodeado de comodidades, liberdades e garantias. A marca daquela \u00e9poca era a pobreza. Com diz o pr\u00f3prio Follett, \u201co pr\u00edncipe mais rico vivia pior do que, digamos, um recluso em uma pris\u00e3o moderna\u201d.<\/p>\n<p>Pobreza e desigualdade n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa, mas refor\u00e7am uma \u00e0 outra. Na pobre Idade M\u00e9dia a desigualdade era terr\u00edvel: entre a plebe despossu\u00edda e os pr\u00edncipes, senhores e membros poderosos do clero havia um vazio social e econ\u00f4mico que levou s\u00e9culos preencher.<\/p>\n<p>A sociedade do s\u00e9culo 21 vive sob o signo da opul\u00eancia. Mas o problema \u00e9 que os ricos est\u00e3o ficando cada vez mais ricos, em todo o mundo, e os ex\u00e9rcitos de pobres saem do fosso com muita lentid\u00e3o e ficam muito perto da borda e com um p\u00e9 no vazio.<\/p>\n<p>Na \u00cdndia, onde vivem 1,2 bilh\u00e3o de pessoas, os bilion\u00e1rios se multiplicaram por dez na \u00faltima d\u00e9cada. Em 2001, possu\u00edam 1,8% da riqueza nacional e em 2008 j\u00e1 tinham em suas m\u00e3os 26%, indica a organiza\u00e7\u00e3o internacional para o desenvolvimento Oxfam. Por outro lado, a supera\u00e7\u00e3o da pobreza extrema nesse pa\u00eds \u00e9 muito lenta: em 1981 havia 429 milh\u00f5es de indigentes e em 2010 eram 400 milh\u00f5es, segundo o Banco Mundial.<\/p>\n<p>A desigualdade aumenta em todo o mundo, alertam institui\u00e7\u00f5es representativas tanto do pensamento liberal e desregulador quanto o Fundo Monet\u00e1rio Internacional e o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial (FEM). Segundo o banco Credit Suisse, 10% da popula\u00e7\u00e3o mundial possui 86% de todas as riquezas, enquanto os 70% mais pobres (mais de tr\u00eas bilh\u00f5es de pessoas) contam com apenas 3%.<\/p>\n<p>Nas pesquisas com as elites mundiais sobre riscos globais que o FEM realiza ressalta-se a iniquidade de renda como um dos principais perigos emergentes.<\/p>\n<div id=\"attachment_114168\" style=\"width: 635px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/2.png\"><img class=\"size-full wp-image-114168\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/2.png\" alt=\"2 A desigualdade est\u00e1 na moda\" width=\"625\" height=\"415\" title=\"A desigualdade est\u00e1 na moda\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Desde 2012 a desigualdade de renda lidera as pesquisas dos cinco riscos globais mais prov\u00e1veis. Em 2014 j\u00e1 \u00e9 considerado o quarto maior perigo global. Fontes: F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estaremos voltando \u00e0 Idade M\u00e9dia?<\/p>\n<p>Isso parece imposs\u00edvel. As classes m\u00e9dias, ou os \u201cn\u00e3o pobres\u201d, continuam aumentando, sobretudo nos grandes pa\u00edses do mundo em desenvolvimento.<\/p>\n<p>A extrema pobreza diminuiu drasticamente desde a d\u00e9cada de 1980 em todo o mundo. Em 1981, mais da metade da popula\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses em desenvolvimento era indigente. Em 2010, essa propor\u00e7\u00e3o caiu para 21%, segundo o Banco Mundial. Mas as brechas de riqueza e renda aumentam, tamb\u00e9m em lugares onde as classes m\u00e9dias est\u00e3o bem assentadas, como Europa e Estados Unidos.<\/p>\n<div id=\"attachment_114169\" style=\"width: 649px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/21.png\"><img class=\"size-full wp-image-114169\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/21.png\" alt=\"21 A desigualdade est\u00e1 na moda\" width=\"639\" height=\"423\" title=\"A desigualdade est\u00e1 na moda\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">1950: Um diretor-executivo dos Estados Unidos ganhava 20 vezes mais do que o trabalhador m\u00e9dio. 1980: Um diretor-executivo dos Estados Unidos ganhava 42 vezes mais do que o trabalhador m\u00e9dio. 2013: Cada diretor-executivo das 350 maiores empresas dos Estados Unidos ganha 331 vezes mais do que o trabalhador m\u00e9dio. Fontes: AFL-CIO&#8217;s 2014 Executive PayWatch e Sarah Anderson, Institute for Policy<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>V\u00e1rios analistas vinculam essas maci\u00e7as sa\u00eddas da pobreza e a percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica crescente da desigualdade com a erup\u00e7\u00e3o de descontentamentos sociais mais ou menos difusos em pa\u00edses t\u00e3o distintos como Turquia, Brasil ou Chile.<\/p>\n<p>A desigualdade reaparece com for\u00e7a no s\u00e9culo 21, como um fen\u00f4meno com novas facetas que acompanha o capitalismo globalizado. Nesse cen\u00e1rio, a Am\u00e9rica Latina se apresenta como uma anomalia: continua sendo a regi\u00e3o mais desigual do mundo, mas \u00e9 a \u00fanica que come\u00e7ou a reduzir a brecha nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Em torno da desigualdade se reuniram nos dias 22 e 23 deste m\u00eas em Santiago 23 jornalistas de Chile, Argentina, Bol\u00edvia, Brasil e Uruguai, convidados pela ag\u00eancia internacional de not\u00edcias IPS, com apoio do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Noruega.<\/p>\n<p>O semin\u00e1rio <em>Outras Caras da Desigualdade: Iniquidade, Corrup\u00e7\u00e3o e Economia Informal na Am\u00e9rica Latina<\/em> teve o prop\u00f3sito de estimular os jornalistas a informar sobre os n\u00facleos duros do problema, como debilidade tribut\u00e1ria, evas\u00e3o e peso do trabalho informal ou prec\u00e1rio.<\/p>\n<p>Especialistas das Na\u00e7\u00f5es Unidas e do mundo acad\u00eamico, ativistas pela transpar\u00eancia, pesquisadores e dirigentes sociais e estudantis expuseram dados, n\u00fameros e opini\u00f5es como disparadores do debate. Nessa fonte de informa\u00e7\u00e3o apareceram assuntos opacos que poderiam explicar o descontentamento social na economia mais s\u00f3lida e de sucesso da Am\u00e9rica Latina: Chile.<\/p>\n<p>Por exemplo, a evas\u00e3o do imposto de renda \u00e9 de 46% no segmento mais rico da popula\u00e7\u00e3o. E as ilhas Caiman e Virgens Brit\u00e2nicas, dois tradicionais para\u00edsos fiscais, est\u00e3o entre os principais pa\u00edses de origem do investimento estrangeiro direto no Chile.<\/p>\n<p>A pobreza latino-americana diminuiu 27,9% em 2013. Em 1990 havia chegado a 48,5%. E a indig\u00eancia est\u00e1 em um m\u00ednimo hist\u00f3rico de 11,5%, pontuou Mart\u00edn Hopenhayn, diretor da Divis\u00e3o de Desenvolvimento Social da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal). Mas h\u00e1 sinais de paralisa\u00e7\u00e3o nesses setores. E n\u00e3o se progride na estrutura produtiva nem nos \u00eaxitos educacionais que \u201cconstituem uma causa estrutural da desigualdade\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a regi\u00e3o arrecadou pouco e mal, com renda tribut\u00e1ria direta que constitui apenas 4,4% do produto interno bruto regional, contra 8% dos indiretos, que castigam de maneira desproporcional os pobres. Esse \u00e9 um detalhe fundamental, segundo Hopenhayn, porque a capacidade fiscal pode corrigir \u201cas din\u00e2micas que causam a desigualdade do mercado\u201d.<\/p>\n<p>Mas, com todas suas limita\u00e7\u00f5es, a experi\u00eancia da Am\u00e9rica Latina parece ser inspiradora. \u201cNos d\u00e1 a esperan\u00e7a de que a tend\u00eancia mundial da desigualdade \u00e9 revers\u00edvel\u201d, afirma a Oxfam. \u00c9 a regi\u00e3o do mundo onde a renda fiscal cresceu em maior velocidade nos \u00faltimos anos, e esse crescimento se traduziu em gasto social para abater a injusti\u00e7a.<\/p>\n<p>Entre 2000 e 2011, a desigualdade caiu em 14 de 17 pa\u00edses estudados, e cerca de 50 milh\u00f5es de pessoas subiram para a classe m\u00e9dia. Por isso, pela primeira vez na hist\u00f3ria, h\u00e1 mais popula\u00e7\u00e3o nos setores m\u00e9dios do que na pobreza, segundo o Banco Mundial, embora muitos ainda tenham um p\u00e9 no vazio.<\/p>\n<p>Depois de tanto tempo ganhando campeonatos de injusti\u00e7a, a Am\u00e9rica Latina pode ser a regi\u00e3o do mundo onde a igualdade marque uma tend\u00eancia. Outras mudan\u00e7as indicar\u00e3o se \u00e9 apenas uma moda passageira. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Montevid&eacute;u, Uruguai, 2\/6\/2014 &ndash; As muito contempor&acirc;neas novelas medievais do gal&ecirc;s Ken Follett transportam a um tempo em que os ricos tinham tudo e os pobres n&atilde;o tinham nem a si mesmos. Essas hist&oacute;rias ambientadas nos s&eacute;culos 12, 13 e 14 reconfortam de certo modo o leitor contempor&acirc;neo, rodeado de comodidades, liberdades e garantias. 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