{"id":17535,"date":"2014-06-02T16:23:14","date_gmt":"2014-06-02T16:23:14","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=114179"},"modified":"2014-06-02T16:23:14","modified_gmt":"2014-06-02T16:23:14","slug":"mexico-vitima-e-agente-de-espionagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/ultimas-noticias\/mexico-vitima-e-agente-de-espionagem\/","title":{"rendered":"M\u00e9xico v\u00edtima e agente de espionagem"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_114181\" style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/23.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-114181\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/23.jpg\" alt=\"23 M\u00e9xico v\u00edtima e agente de espionagem\" width=\"629\" height=\"275\" title=\"M\u00e9xico v\u00edtima e agente de espionagem\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Imagem de recopila\u00e7\u00e3o mundial de dados do SNA. A cor verde indica menor vigil\u00e2ncia, seguida da amarela, laranja e vermelha, a mais alta. Foto: Creative Commons<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cidade do M\u00e9xico, M\u00e9xico, 2\/6\/2014 \u2013 Descontrole, falta de regulamenta\u00e7\u00e3o e de transpar\u00eancia caracterizam o monitoramento e a interven\u00e7\u00e3o das comunica\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicas no M\u00e9xico, um ano depois das revela\u00e7\u00f5es sobre essas pr\u00e1ticas que sacudiram o mundo. Esse pa\u00eds, de quase 118 milh\u00f5es de habitantes, \u00e9 um dos objetivos da ciberintromiss\u00e3o maci\u00e7a e il\u00edcita da Ag\u00eancia Nacional de Seguran\u00e7a (NSA), dos Estados Unidos. Mas a essa intrus\u00e3o clandestina n\u00e3o se respondeu com mudan\u00e7as substanciais para evitar intercepta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 legisla\u00e7\u00e3o sobre vigil\u00e2ncia e interven\u00e7\u00e3o, nem boas pr\u00e1ticas das empresas. Existe um vazio legal. Podem estar arrecadando metadados\u201d, denunciou \u00e0 IPS o ativista Jes\u00fas Robles, da n\u00e3o governamental Proposta C\u00edvica. Metadados s\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es associadas, por exemplo, a uma mensagem de correio eletr\u00f4nico ou a um telefonema, como quem emite e quem recebe, onde, em qual hora e com qual dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 5 de junho de 2013, o jornal brit\u00e2nico <em>The Guardian <\/em>revelou que a NSA coletava informa\u00e7\u00e3o de usu\u00e1rios dentro e fora dos Estados Unidos, neste caso requerida \u00e0 operadora de telefonia m\u00f3vel Verizon Business Network Services, a maior do pa\u00eds. Foi o come\u00e7o de uma s\u00e9rie de revela\u00e7\u00f5es sobre as opera\u00e7\u00f5es secretas dessa ag\u00eancia, feitas por Edward Snowden, ex-contratado da Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia dos Estados Unidos (CIA), atualmente asilado na R\u00fassia.<\/p>\n<p>A NSA usou o programa informatizado Prism para espionar v\u00e1rios pa\u00edses, entre eles o M\u00e9xico, sobre assuntos como combate \u00e0s drogas, energia, seguran\u00e7a e pol\u00edtica interna. Al\u00e9m disso, com o programa Blarney, os Estados Unidos intervieram nas comunica\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias embaixadas em Washington, entre elas a mexicana. Mediante outra ferramenta, a Boundless Informant, grampeou ilegalmente telefonemas e correios eletr\u00f4nicos que passaram pelas redes de telecomunica\u00e7\u00f5es norte-americanas.<\/p>\n<p>O jornalista norte-americano Glenn Greenwald revelou, em 1\u00ba de setembro de 2013, que a NSA havia espionado em 2012 as comunica\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicas do Brasil, da presidente Dilma Rousseff e do presidente do M\u00e9xico, Enrique Pe\u00f1a Nieto, neste caso durante a campanha eleitoral que o levou \u00e0 Presid\u00eancia. Os Estados Unidos ignoraram os protestos mexicanos, que inclu\u00edram uma nota diplom\u00e1tica com o pedido de investiga\u00e7\u00e3o e condena\u00e7\u00e3o do Congresso norte-americano.<\/p>\n<p>O meio digital norte-americano The Intercept, dirigida por Greenwald, divulgou, no dia 19 de maio, que o programa ilegal Mystic coleta metadados dos quase cem milh\u00f5es de telefones celulares operando no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se faz muito. Se a sociedade soubesse mais, poderia pressionar mais as empresas nacionais e estrangeiras para que, por sua vez, pressionassem mais o governo\u201d, disse \u00e0 IPS o especialista C\u00e9dric Laurant, um dos quatro fundadores da n\u00e3o governamental Son Tus Datos, dedicada desde 2012 a divulgar a necessidade de proteger a privacidade nas comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O M\u00e9xico tamb\u00e9m adquiriu programas informatizados para gravar vozes, rastrear telefonemas, correios eletr\u00f4nicos, conversas digitais, visitas a p\u00e1ginas da internet e redes sociais. A Lei Federal de Prote\u00e7\u00e3o de Dados Pessoais em Posse dos Particulares garante desde 2010 o direito \u00e0 privacidade e estabelece que, se uma institui\u00e7\u00e3o deseja transferir essa informa\u00e7\u00e3o para terceiros nacionais ou estrangeiros, dever\u00e1 comunic\u00e1-lo aos usu\u00e1rios donos da informa\u00e7\u00e3o juntamente com o prop\u00f3sito para que seja autorizada.<\/p>\n<p>Mas essa garantia ficou minimizada com a entrada em vigor em mar\u00e7o de 2012 da Lei de Geolocaliza\u00e7\u00e3o, que permite ao governo coletar, sem nenhum aviso e em tempo real, dados geogr\u00e1ficos de usu\u00e1rios de telefones celulares. Al\u00e9m disso, o C\u00f3digo Nacional de Procedimentos Penais, vigente desde mar\u00e7o, permite \u00e0s autoridades acesso a dados de geolocaliza\u00e7\u00e3o ao vivo e sem autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de um juiz.<\/p>\n<p>O laborat\u00f3rio interdisciplinar Citizen Lab, da Universidade de Toronto, no Canad\u00e1, informou, em mar\u00e7o de 2013, sobre a descoberta de dois servi\u00e7os do programa intrusivo FinFisher, fabricado pela empresa brit\u00e2nica Gamma Group, em redes de duas companhias mexicanas de telefonia: Iusacel e Uninet, filial da Telefones Mexicanos (Telmex).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s essa descoberta, a Proposta C\u00edvica e a ContingenteMX, uma organiza\u00e7\u00e3o que defende os direitos humanos digitais, solicitaram ao Instituto Federal de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o e Prote\u00e7\u00e3o de Dados (Ifai) uma investiga\u00e7\u00e3o sobre a empresa Obses do M\u00e9xico sobre o uso desse programa. O Ifai aprovou em mar\u00e7o san\u00e7\u00f5es para a companhia por vender o FinFisher a entidades governamentais.<\/p>\n<p>Em 12 de maio, os tribunais da Gr\u00e3-Bretanha condenaram a decis\u00e3o do Escrit\u00f3rio de Aduanas e Entradas de n\u00e3o investigar a poss\u00edvel ilegalidade de exporta\u00e7\u00e3o do FinFisher pela subsidi\u00e1ria internacional do Gamma Group, o que abre caminho para uma revis\u00e3o das vendas do programa ao exterior.<\/p>\n<p>Em fevereiro, o Citizen Lab voltou \u00e0 carga com dois informes sobre utiliza\u00e7\u00e3o de programas espi\u00f5es. Em um deles, <em>Mapeando os Programas Espi\u00f5es n\u00e3o Rastre\u00e1veis de Hacking Team<\/em>, indica que ag\u00eancias de 21 pa\u00edses usam ou usaram o Sistema de Controle Remoto (RCS), entre eles M\u00e9xico, Col\u00f4mbia e Panam\u00e1. O RCS pode copiar arquivos de um computador, gravar telefonemas por meio do sistema digital Skype, e-mails, mensagens de texto e contra-senhas, e pode ligar c\u00e2meras e microfones para espionar seu objetivo. Est\u00e1 destinado unicamente a governos.<\/p>\n<p>O informe fala da exist\u00eancia de pelo menos quatro servidores no M\u00e9xico vinculados com empresas privadas que formam um circuito eletr\u00f4nico para ocultar a rota da espionagem.<\/p>\n<p>O documento <em>O V\u00ednculo do Hacking Team com os Estados Unidos<\/em>, tamb\u00e9m do Citizen Lab, identificou ao menos 12 casos de centros de dados com sede nos Estados Unidos que pertencem a uma estrutura de espionagem fora desse pa\u00eds. Esses servidores parecem cooperar com dez pa\u00edses, entre eles M\u00e9xico e Col\u00f4mbia, em espionagem e opera\u00e7\u00f5es legais ou clandestinas. A organiza\u00e7\u00e3o encontrou 14 endere\u00e7os IP (protocolo da internet que distingue cada endere\u00e7o na rede), dos quais 12 continuariam ativos.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio anual 2013 da Iniciativa da Rede Global (GNI) s\u00e3o citados os casos de Argentina, Brasil e M\u00e9xico, mas sem fornecer detalhes. A GNI, integrada por governos, acad\u00eamicos e empresas da internet, avaliou Google, Microsoft e Yahoo! A partir de 59 expedientes, dos quais 47 envolviam uma peti\u00e7\u00e3o governamental, 30 eram sobre privacidade e 17 sobre liberdade de express\u00e3o. O documento informa sobre 29 casos de peti\u00e7\u00e3o de dados do usu\u00e1rio, 11 de criminaliza\u00e7\u00e3o de uma express\u00e3o leg\u00edtima e dez de bloqueio ou filtro da liga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o mexicana n\u00e3o obriga as empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es a revelarem pedidos do governo sobre atividades dos usu\u00e1rios da rede. \u201cA interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o provou sua efic\u00e1cia, h\u00e1 vulnerabilidade de direitos\u201d, ressaltou Robles. \u201c\u00c9 preciso conscientizar o usu\u00e1rio para que, com um n\u00famero maior, essa massa possa pressionar as empresas, e que o usu\u00e1rio tome a privacidade em suas m\u00e3os com as novas ferramentas\u201d, destacou Laurant. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 2\/6\/2014 &ndash; Descontrole, falta de regulamenta&ccedil;&atilde;o e de transpar&ecirc;ncia caracterizam o monitoramento e a interven&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es eletr&ocirc;nicas no M&eacute;xico, um ano depois das revela&ccedil;&otilde;es sobre essas pr&aacute;ticas que sacudiram o mundo. 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