{"id":17544,"date":"2014-06-04T13:38:51","date_gmt":"2014-06-04T13:38:51","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=114341"},"modified":"2014-06-04T13:38:51","modified_gmt":"2014-06-04T13:38:51","slug":"china-projeta-longa-sombra-sobre-a-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/ultimas-noticias\/china-projeta-longa-sombra-sobre-a-america-latina\/","title":{"rendered":"China projeta longa sombra sobre a Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_114343\" style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/232.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-114343\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/232.jpg\" alt=\"232 China projeta longa sombra sobre a Am\u00e9rica Latina\" width=\"629\" height=\"472\" title=\"China projeta longa sombra sobre a Am\u00e9rica Latina\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Descarga de cont\u00eaineres no porto de Pec\u00e9m, no Estado do Cear\u00e1, Brasil. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Boston, Estados Unidos, 4\/6\/2014 \u2013 Nos \u00faltimos 15 anos a China passou de s\u00f3cio econ\u00f4mico relativamente menor da Am\u00e9rica Latina \u00e0 primeira posi\u00e7\u00e3o na balan\u00e7a comercial de algumas das maiores economias da regi\u00e3o. Em muitos casos a China desbancou os Estados Unidos do que Washington considerava seu quintal dos fundos. Em seu conjunto, as exporta\u00e7\u00f5es latino-americanas para a China cresceram consideravelmente a partir de 2000, com expans\u00e3o anual m\u00e9dia de 23%.<\/p>\n<p>Entretanto, esse quadro relativamente otimista esconde o fato de que nos \u00faltimos anos essa porcentagem caiu precipitadamente. Em 2012, o crescimento das exporta\u00e7\u00f5es para a China caiu para 7,2%. Grande parte da contra\u00e7\u00e3o pode ser atribu\u00edda \u00e0 baixa dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas. Embora as exporta\u00e7\u00f5es latino-americanas para a China crescessem em volume, a volatilidade dos pre\u00e7os permitiu o estancamento de seu valor, quando n\u00e3o sua queda.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina tem forte depend\u00eancia da exporta\u00e7\u00e3o de suas mat\u00e9rias-primas para a China e isso deixa a regi\u00e3o vulner\u00e1vel \u00e0s flutua\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os. Mais de 50% de suas vendas externas se limitam a tr\u00eas setores: cobre, ferro e soja. Essa falta de diversifica\u00e7\u00e3o gera um conjunto de problemas, j\u00e1 que os pre\u00e7os do cobre e do ferro ca\u00edram uma porcentagem de dois d\u00edgitos nos \u00faltimos anos, enquanto os valores da soja come\u00e7aram a estagnar. Al\u00e9m disso, esses tr\u00eas principais produtos de exporta\u00e7\u00e3o se concentram em Argentina, Brasil e Chile, o que tamb\u00e9m revela a falta de diversifica\u00e7\u00e3o regional nas vendas para a China.<\/p>\n<p>Por outro lado, as exporta\u00e7\u00f5es chinesas para a Am\u00e9rica Latina crescem tanto em volume quanto em valor, sobretudo devido \u00e0 diversidade e \u00e0 natureza relativamente especializada dos produtos exportados, em sua maioria procedentes do setor manufatureiro, com forte \u00eanfase na eletr\u00f4nica e nos ve\u00edculos. Essas ind\u00fastrias, em compara\u00e7\u00e3o com as mat\u00e9rias-primas, s\u00e3o muito menos propensas \u00e0 volatilidade dos pre\u00e7os.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia dessa tend\u00eancia \u00e9 o d\u00e9ficit comercial que se abriu entre Am\u00e9rica Latina e China desde 2011. Embora o volume das exporta\u00e7\u00f5es latino-americanas venha em crescimento, a natureza fundamental de seus produtos afeta o crescimento e gera um problema na balan\u00e7a de pagamentos. Enquanto os pre\u00e7os dos produtos b\u00e1sicos seguirem em baixa, essa tend\u00eancia se manter\u00e1 ao longo de 2014.<\/p>\n<p>Na medida em que a China continuar superando os Estados Unidos como principal s\u00f3cio comercial da Am\u00e9rica Latina, a influ\u00eancia de Washington na regi\u00e3o poderia minguar. \u00c9 prov\u00e1vel que a pol\u00edtica externa da regi\u00e3o seja regida no futuro pr\u00f3ximo pela maior depend\u00eancia da demanda chinesa pelos produtos b\u00e1sicos de exporta\u00e7\u00e3o latino-americanos.<\/p>\n<p>A China j\u00e1 empregou seu peso econ\u00f4mico para reduzir a influ\u00eancia pol\u00edtica de Taiwan na Am\u00e9rica Latina. Os nacionalistas chineses veem o pequeno Estado insular como uma extens\u00e3o rebelde do territ\u00f3rio chin\u00eas. Por isso os governos em Pequim procuram limitar todo apoio internacional \u00e0 independ\u00eancia de Taiwan. Se a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) ou o Tribunal Penal Internacional alguma vez tratar do assunto, os chineses j\u00e1 t\u00eam assegurado o apoio de quase todos os pa\u00edses latino-americanos.<\/p>\n<p>Alguns dos pa\u00edses de tradi\u00e7\u00e3o de esquerda na regi\u00e3o se voltam para a China por raz\u00f5es pol\u00edticas, j\u00e1 que a veem como uma alternativa para a hegemonia dos Estados Unidos, mas, talvez, mais significativamente seja que o fa\u00e7am por raz\u00f5es econ\u00f4micas. Na\u00e7\u00f5es produtoras de petr\u00f3leo \u2013 como Venezuela, Brasil e Equador \u2013 s\u00e3o enormemente dependentes da economia chinesa, e Pequim exerce grande influ\u00eancia sobre eles por esse motivo. Assim, tendem a seguir a lideran\u00e7a chinesa no cen\u00e1rio diplom\u00e1tico internacional.<\/p>\n<p>Um estudo recente concluiu que quanto maior for o com\u00e9rcio de um pa\u00eds com a China, mais propenso estar\u00e1 a votar a favor de Pequim na ONU. Isso limitar\u00e1 a capacidade internacional para indagar sobre a situa\u00e7\u00e3o dos direitos humanos nesse pa\u00eds, e poderia significar uma grande ajuda para aqueles pa\u00edses em conflito que recebem o apoio de Pequim, mas n\u00e3o o de Washington.<\/p>\n<p>Em \u00faltima inst\u00e2ncia, na medida em que a China continuar a expans\u00e3o de sua influ\u00eancia pol\u00edtica e econ\u00f4mica na Am\u00e9rica Latina, \u00e9 poss\u00edvel que Washington se sinta cada vez mais distante no que outrora qualificava de \u201co quintal dos fundos dos Estados Unidos\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* <strong><em>Jill Richardson <\/em><\/strong><em>\u00e9 pesquisadora em comunica\u00e7\u00f5es da Iniciativa de Governan\u00e7a Econ\u00f4mica Mundial, da Universidade de Boston, e colaboradora do Foreign Policy In Focus. Atualmente realiza mestrado em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Comunica\u00e7\u00e3o. Este artigo foi publicado pela primeira vez no Foreign Policy in Focus.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Boston, Estados Unidos, 4\/6\/2014 &ndash; Nos &uacute;ltimos 15 anos a China passou de s&oacute;cio econ&ocirc;mico relativamente menor da Am&eacute;rica Latina &agrave; primeira posi&ccedil;&atilde;o na balan&ccedil;a comercial de algumas das maiores economias da regi&atilde;o. Em muitos casos a China desbancou os Estados Unidos do que Washington considerava seu quintal dos fundos. 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