{"id":17550,"date":"2014-06-05T15:26:50","date_gmt":"2014-06-05T15:26:50","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=114422"},"modified":"2014-06-05T15:26:50","modified_gmt":"2014-06-05T15:26:50","slug":"argentina-novamente-no-mapa-do-brics","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/ultimas-noticias\/argentina-novamente-no-mapa-do-brics\/","title":{"rendered":"Argentina novamente no mapa do Brics"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_114424\" style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/28.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-114424\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/28.jpg\" alt=\"28 Argentina novamente no mapa do Brics\" width=\"629\" height=\"386\" title=\"Argentina novamente no mapa do Brics\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Foto de fam\u00edlia da V C\u00fapula do Brics, realizada em 2013 na cidade sul-africana de Durban. Foto: Governo da \u00c1frica do Sul<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 5\/6\/2014 \u2013 Enquanto a Argentina come\u00e7a a fazer as pazes com os mercados financeiros internacionais, as pot\u00eancias emergentes do Brics a convidaram para sua pr\u00f3xima c\u00fapula. Este poderia ser um passo para sua reinser\u00e7\u00e3o no mapa mundial, ap\u00f3s o ostracismo que viveu pela crise da suspens\u00e3o de pagamentos de 2001. A letra \u201cA\u201d, inicial deste pa\u00eds do Cone Sul americano n\u00e3o integra, pelos menos no momento, a sigla Brics, formada pelas iniciais de Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul, mas em Buenos Aires j\u00e1 h\u00e1 muitos especulando se ser\u00e1 Bricsa, Abrics ou Bricas.<\/p>\n<p>O convite para a presidente Cristina Fern\u00e1ndez participar da sexta c\u00fapula do grupo, que acontecer\u00e1 no dia 15 de julho em Fortaleza, \u00e9 visto como mais uma piscada para sua incorpora\u00e7\u00e3o depois que a \u00cdndia revelou seu interesse, bem como Brasil e \u00c1frica do Sul, de incorporar a terceira economia latino-americana.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um dado significativo para a Argentina\u201d, afirmou \u00e0 IPS a economista da Universidade de Buenos Aires (UBA), Fernanda Vallejos. Isso \u201cmostra n\u00e3o s\u00f3 o reconhecimento pelos demais integrantes da import\u00e2ncia e da potencialidade da Argentina, como tamb\u00e9m de uma porta aberta para um refor\u00e7o nos campos pol\u00edtico e econ\u00f4mico de nosso pa\u00eds no concerto mundial\u201d, afirmou. Vallejos ressaltou o protagonismo do Brics durante a \u00faltima d\u00e9cada no crescimento da economia mundial, em um contexto de crise financeira no Norte industrial.<\/p>\n<p>Brics foi o nome com que em 2001 o economista Jim O\u2019Neill, da investidora Goldman Sachs, batizou os maiores mercados emergentes. Em conjunto, representam cerca de um quarto do produto interno bruto mundial, 43% da popula\u00e7\u00e3o do planeta e 20% do investimento global. Al\u00e9m disso, segundo destacou a chancelaria argentina, esses pa\u00edses concentram 45% da for\u00e7a de trabalho do planeta, mais de US$ 3 trilh\u00f5es em reservas monet\u00e1rias internacionais e produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola de dois bilh\u00f5es de toneladas ao ano.<\/p>\n<p>Em um mundo marcado pelos blocos, Vallejos disse que o Brics tem crescente eco nos f\u00f3runs internacionais, onde \u201creclamam uma participa\u00e7\u00e3o de acordo com o peso de suas economias\u201d. \u201cA proposta da \u00cdndia, com quem o com\u00e9rcio bilateral cresceu 30% interanual durante 2013, apoiada por Brasil e \u00c1frica do Sul, lan\u00e7a definitivamente por terra a cantilena da oposi\u00e7\u00e3o interna sobre um suposto isolamento do mundo de nosso pa\u00eds\u201d, apontou Vallejos, tamb\u00e9m pesquisadora do Observat\u00f3rio de Energia, Tecnologia e Infraestrutura para o Desenvolvimento.<\/p>\n<p>O convite formal a Fern\u00e1ndez foi feito pela R\u00fassia, que dessa forma tamb\u00e9m confirmou seu apoio. \u201cCreio que isso demonstra que a Argentina est\u00e1 plenamente inserida nas rela\u00e7\u00f5es internacionais, n\u00e3o \u2018isolada do mundo\u2019. Simplesmente, n\u00e3o se amolda \u00e0s pol\u00edticas dos pa\u00edses centrais a qualquer custo e em qualquer circunst\u00e2ncia, como em outros momentos de sua hist\u00f3ria\u201d, destacou \u00e0 IPS o analista pol\u00edtico Nicol\u00e1s Tereschuk, tamb\u00e9m da UBA.<\/p>\n<p>O convite que Argentina recebeu do Brics quase coincidiu com o an\u00fancio, no dia 28 de maio, do acordo alcan\u00e7ado entre o governo de Fern\u00e1ndez e o Clube de Paris, ao qual este pa\u00eds devia US$ 9,7 bilh\u00f5es, desde a morat\u00f3ria de pagamentos (<em>default<\/em>) de 13 anos atr\u00e1s. Setores pol\u00edticos argentinos questionam como ileg\u00edtima esta d\u00edvida com credores oficiais, por ter se originado em sua maior parte durante a ditadura militar (1976-1983). Mas o governo de centro-esquerda de Fern\u00e1ndez espera que o acordo facilite a volta de financiamento e investimento internacionais.<\/p>\n<p>Para o economista Diego Coatz, esse acordo e outras medidas adotadas pelo governo, como a de \u201cmelhorar\u201d suas estat\u00edsticas p\u00fablicas questionadas pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), evidencia um \u201cgiro\u201d das autoridades destinado a \u201cse reintegrar ao mundo em mat\u00e9ria financeira\u201d e a \u201csituar-se de forma positiva internacionalmente\u201d.<\/p>\n<p>Nesse contexto, Coatz, integrante do Centro de Estudos da Uni\u00e3o Industrial Argentina, situa a aproxima\u00e7\u00e3o com o Brics. A incorpora\u00e7\u00e3o permitir\u00e1 que a Argentina \u201cvolte a aparecer como pa\u00eds emergente em vias de desenvolvimento com muito potencial\u201d, afirmou. Tamb\u00e9m representaria uma nova janela de financiamento externo, quando \u00e9 necess\u00e1rio captar divisas e atrair investimentos, acrescentou.<\/p>\n<p>O grupo projeta a cria\u00e7\u00e3o de um Banco de Desenvolvimento Regional, alternativo a organismos como FMI, Banco Mundial ou Banco Interamericano de Desenvolvimento, que poder\u00e1 ser formalizado no encontro de Fortaleza. O banco teria um fundo de US$ 50 bilh\u00f5es para financiar infraestruturas em seus pa\u00edses. Al\u00e9m disso, estabeleceria um fundo de reservas comuns de US$ 100 bilh\u00f5es, que \u201cserviria de seguro diante da volatilidade dos mercados\u201d, segundo Vallejos.<\/p>\n<p>\u201cA Argentina poderia ter acesso a financiamento com taxas menores em rela\u00e7\u00e3o aos onerosos juros exigidos por outros organismos internacionais\u201d e assim financiar a infraestrutura para seu financiamento, ressaltou a economista. \u201cO aprofundamento do com\u00e9rcio internacional a partir de um potencial ingresso no Brics significa importantes possibilidades para a Argentina de avan\u00e7ar fortemente na consolida\u00e7\u00e3o de um perfil industrial de maior desenvolvimento, com inser\u00e7\u00e3o em cadeias globais, desenvolvimento de setores estrat\u00e9gicos e industrializa\u00e7\u00e3o do setor rural\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Mas o interesse seria rec\u00edproco por parte dos pa\u00edses do Brics. \u201cO convite chega depois das turbul\u00eancias nos mercados emergentes no come\u00e7o deste ano, ap\u00f3s as quais a imprensa do \u2018establishment\u2019 financeiro internacional falou de uma \u2018decad\u00eancia\u2019 dos Brics\u201d, disse Tereschuk. Al\u00e9m disso, \u201ca China crescer\u00e1 a um ritmo um pouco menor, a \u00cdndia est\u00e1 em um momento decisivo, com a encruzilhada de crescimento mais acelerado ou paralisa\u00e7\u00e3o, e a economia brasileira n\u00e3o est\u00e1 em um momento t\u00e3o florescente\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, para eles e os demais membros do bloco \u201cunir-se a um pa\u00eds da periferia que integra o G-20 (Grupo dos 20) parece que \u00e9 uma decis\u00e3o interessante dos Brics\u201d, ressaltou Tereschuk. Por sua vez, o G-20, formado por economias industrializadas e emergentes, \u201cest\u00e1 tamb\u00e9m em certa crise, devido \u00e0 crise em que est\u00e3o imersos os pa\u00edses centrais\u201d, acrescentou. Por isso, segundo este analista, a Argentina serviria ao Brics para \u201cfazer com que seja ouvida em un\u00edssono\u201d a voz desses dois l\u00edderes sul-americanos, Argentina e Brasil, \u201cna maior quantidade de lugares poss\u00edveis\u201d.<\/p>\n<p>Para este especialista, trata-se de dois pa\u00edses que lideraram um \u201cgiro \u00e0 esquerda\u201d, com \u201ccrescimento, redu\u00e7\u00e3o da pobreza e da desigualdade em um contexto democr\u00e1tico e demais direitos pol\u00edticos, civis e sociais para seus cidad\u00e3os\u201d. E afirmou que \u201ctodas essas caracter\u00edsticas \u2013 em conjunto \u2013 n\u00e3o podem ser mostradas pelos demais integrantes do Brics\u201d.<\/p>\n<p>Vallejos, por sua vez, destacou o papel da Argentina como fornecedora de mat\u00e9rias-primas. \u201cSomos uma pot\u00eancia em mat\u00e9ria agr\u00edcola\u201d, ressaltou. Al\u00e9m disso, a Argentina \u201cconta com a segunda reserva mundial de l\u00edtio, uma das principais de ouro met\u00e1lico, com quase dez mil toneladas, 500 milh\u00f5es de toneladas de cobre e 300 mil de prata met\u00e1lica, ao mesmo tempo em que nos projetamos como terceiro exportador mundial de pot\u00e1ssio\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>\u201cEstamos sobre a terceira maior plataforma do mundo em mat\u00e9ria de hidrocarbonos n\u00e3o convencionais. E a isso deve-se somar o desenvolvimento tecnol\u00f3gico e o desenvolvimento nuclear para usos pac\u00edficos\u201d, acrescentou o especialista. Bricas, Abrics, Bricsa. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 algo mais do que a defini\u00e7\u00e3o de uma nova sigla. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Buenos Aires, Argentina, 5\/6\/2014 &ndash; Enquanto a Argentina come&ccedil;a a fazer as pazes com os mercados financeiros internacionais, as pot&ecirc;ncias emergentes do Brics a convidaram para sua pr&oacute;xima c&uacute;pula. Este poderia ser um passo para sua reinser&ccedil;&atilde;o no mapa mundial, ap&oacute;s o ostracismo que viveu pela crise da suspens&atilde;o de pagamentos de 2001. 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