{"id":17557,"date":"2014-06-09T15:45:27","date_gmt":"2014-06-09T15:45:27","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=114545"},"modified":"2014-06-09T15:45:27","modified_gmt":"2014-06-09T15:45:27","slug":"casamento-e-obstaculo-para-tratamento-de-mulheres-suazis-com-hiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/ultimas-noticias\/casamento-e-obstaculo-para-tratamento-de-mulheres-suazis-com-hiv\/","title":{"rendered":"Casamento \u00e9 obst\u00e1culo para tratamento de mulheres suazis com HIV"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_114547\" style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/129.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-114547\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/129.jpg\" alt=\"129 Casamento \u00e9 obst\u00e1culo para tratamento de mulheres suazis com HIV\" width=\"629\" height=\"419\" title=\"Casamento \u00e9 obst\u00e1culo para tratamento de mulheres suazis com HIV\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma m\u00e3e suazi com seu beb\u00ea. Em julho, a Suazil\u00e2ndia come\u00e7ar\u00e1 a aplicar a op\u00e7\u00e3o B+, mais recente tratamento contra HIV recomendado pela organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade para mulheres gr\u00e1vidas. Foto: Mantoe Phakathi\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mbabane, Suazil\u00e2ndia, 9\/6\/2014 \u2013 Durante meses, Nonkululeko Msibi ficava sem voz cada vez que tentava dar a not\u00edcia ao seu marido. Ficou sabendo que tinha HIV aos 16 anos, quando deu \u00e0 luz sua primeira filha no Hospital do Governo, nesta capital. \u201cFiquei impactada com a not\u00edcia, mas a aceitei\u201d, contou Msibi \u00e0 IPS. \u201cO mais dif\u00edcil era contar ao meu marido\u201d, confessou. Seu maior medo era que a pusesse para fora de casa acusando-a de ter introduzido o HIV (v\u00edrus causador da aids) na fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Apesar de receber tratamento com antirretrovirais (ART) desde o nascimento de sua beb\u00ea e de viver a dois quil\u00f4metros da cl\u00ednica, onde facilmente podia renovar suas receitas m\u00e9dicas, a menina contraiu HIV, possivelmente atrav\u00e9s do leite materno. O segundo filho de Msibi tamb\u00e9m \u00e9 soropositivo porque a cl\u00ednica n\u00e3o lhe deu nevirapine, apesar de as enfermeiras saberem que era portadora do HIV. \u201cN\u00e3o sei porque isso aconteceu\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>As terapias antirretrovirais diminuem a carga do v\u00edrus no organismo e prolongam a vida.<\/p>\n<p>Mbisi, que nasceu e se criou na zona rural de Motshane, a 15 quil\u00f4metros desta capital, abandonou a escola no terceiro grau e se casou aos 15 anos, gr\u00e1vida de cinco meses. Seus pais, que j\u00e1 estavam divorciados, morreram, por isso seu casamento \u00e9 o mais importante que tem na vida. \u201cAlgu\u00e9m tem de cuidar de voc\u00ea e dos seus filhos, especialmente se n\u00e3o se tem trabalho, como eu\u201d, afirmou. Por isso, quando recebeu o diagn\u00f3stico de HIV, sentiu que o mundo vinha abaixo, n\u00e3o disse nada a ningu\u00e9m nem seguiu o tratamento com antirretrovirais de forma adequada.<\/p>\n<p>O seu est\u00e1 longe de ser um caso isolado. \u201cPercebemos que as mulheres n\u00e3o retornam aos centros de sa\u00fade segundo o cronograma estipulado\u201d, disse a pesquisadora Thandeka Dlamini. Ela e outros colegas come\u00e7aram a analisar o motivo de as mulheres casadas come\u00e7arem tarde o tratamento ou o abandonarem. O estudo, realizado pelo MarxART, um projeto do Programa Nacional de Aids da Suazil\u00e2ndia (Snap), concluiu que \u201cos diferentes desafios socioculturais que enfrentam as mulheres que come\u00e7am uma terapia antirretroviral est\u00e3o por tr\u00e1s de decis\u00f5es que correspondem a padr\u00f5es espec\u00edficos do g\u00eanero\u201d.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um assunto importante porque, a partir de julho, o pa\u00eds lan\u00e7ar\u00e1 a op\u00e7\u00e3o B+, mais recente tratamento recomendado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) para mulheres gr\u00e1vidas portadoras do HIV, independente da contagem de c\u00e9lulas CD4, que consiste em fornecer-lhes antirretrovirais por toda a vida. As c\u00e9lulas CD4 do sistema imunol\u00f3gico s\u00e3o as que lutam contra as infec\u00e7\u00f5es no organismo.<\/p>\n<p>Desde o ano passado, administra-se a op\u00e7\u00e3o B+ a 600 mulheres como forma de provar a viabilidade, a aceita\u00e7\u00e3o e a prepara\u00e7\u00e3o do sistema de sa\u00fade. Logo se estender\u00e1 a quatro em cada dez gr\u00e1vidas com HIV. O grupo na faixa et\u00e1ria entre 30 e 34 anos \u00e9 o que apresenta maior preval\u00eancia, mais da metade era portadora do v\u00edrus em 2010. As mulheres suazis se preocupam mais com a sa\u00fade do que os homens, mas encontram dificuldade para enfrentar o HIV por din\u00e2micas culturais, concluiu o estudo.<\/p>\n<p>Muitas est\u00e3o diante do dilema entre obedecer aos seus maridos e atender o pessoal da sa\u00fade. Segundo Dlamini, nesse pa\u00eds com uma sociedade conservadora, onde as mulheres foram consideradas inferiores at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo, a mulher deve obedecer ao seu marido, mesmo se este se op\u00f5e aos antirretrovirais ou se prefere recorrer \u00e0 medicina tradicional.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico de HIV amea\u00e7a a sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a das mulheres casadas, que temem ser repudiadas por seus maridos ou parentes deles. \u201cA submiss\u00e3o pode acabar em morte, em revolta, na reviravolta da vida, mas coloca em risco a dignidade e o abrigo que se encontra no casamento. Se este fracassa, \u00e9 uma vergonha\u201d, disse uma mulher casada, de 25 anos, citada no estudo.<\/p>\n<p>A preval\u00eancia nacional de HIV \u00e9 de 26% na faixa et\u00e1ria entre 15 e 49 anos. Al\u00e9m disso, 5.600 mulheres contra\u00edram o v\u00edrus em 2013, segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Dois ter\u00e7os das infec\u00e7\u00f5es s\u00e3o detectadas em mulheres de 25 anos ou mais, quando se casam e t\u00eam filhos. A Pesquisa de Demografia e Sa\u00fade da Suazil\u00e2ndia de 2007 mostra uma alta preval\u00eancia do HIV tanto em mulheres casadas quanto solteiras, mas cada grupo enfrenta diferentes op\u00e7\u00f5es na hora de seguir um tratamento. As segundas t\u00eam poder de decis\u00e3o, as primeiras n\u00e3o.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica Velephi Okello, do Snap, disse que o estudo servir\u00e1 para fortalecer sua estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o. \u201cO estudo nos ajuda a entender porque as mulheres abandonam o tratamento ou o iniciam tarde\u201d, destacou.<\/p>\n<p>O Informe Global de 2013 do Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas Contra o HIV\/aids (Onusida) mostra que nove entre dez mulheres suazis seguem o tratamento depois de um ano. Mas para Okello, uma \u00fanica pessoa que o abandone \u00e9 muito. \u201cPrecisamos compreender as barreiras que enfrentam no \u00e2mbito social para ajud\u00e1-las a continuar com o tratamento\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Dlamini recomenda dotar as mulheres casadas de estrat\u00e9gias de negocia\u00e7\u00e3o, para que possam continuar recebendo antirretrovirais e indagar mais sobre como algumas conseguem contornar essa dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o. Uma delas \u00e9 Msibi, agora com 24 anos, que recebe tratamento junto com seu marido. \u201cQuando minha primeira filha esteve grave, soube que deveria contar minha situa\u00e7\u00e3o\u201d, recordou a jovem.<\/p>\n<p>Com ajuda do pessoal da sa\u00fade conseguiu encontrar sua voz e romper o sil\u00eancio. Msibi falou com sua sogra, que j\u00e1 suspeitava que o beb\u00ea tinha HIV e um exame confirmou seus temores. \u201cMas isso me permitiu revelar minha situa\u00e7\u00e3o ao meu marido. No come\u00e7o custou a aceitar, mas no final o fez\u201d, contou Msibi. Depois ele se capacitou como assessor para HIV\/aids em uma cl\u00ednica local e agora o casal se ajuda para seguir minuciosamente o tratamento com antirretrovirais. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Mbabane, Suazil&acirc;ndia, 9\/6\/2014 &ndash; Durante meses, Nonkululeko Msibi ficava sem voz cada vez que tentava dar a not&iacute;cia ao seu marido. Ficou sabendo que tinha HIV aos 16 anos, quando deu &agrave; luz sua primeira filha no Hospital do Governo, nesta capital. &ldquo;Fiquei impactada com a not&iacute;cia, mas a aceitei&rdquo;, contou Msibi &agrave; IPS. 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