{"id":17558,"date":"2014-06-09T15:40:23","date_gmt":"2014-06-09T15:40:23","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=114541"},"modified":"2014-06-09T15:40:23","modified_gmt":"2014-06-09T15:40:23","slug":"historico-empresas-dos-estados-unidos-revelam-uso-de-minerais-de-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/ultimas-noticias\/historico-empresas-dos-estados-unidos-revelam-uso-de-minerais-de-guerra\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rico: empresas dos Estados Unidos revelam uso de minerais de guerra"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_114543\" style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/128.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-114543\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/128.jpg\" alt=\"128 Hist\u00f3rico: empresas dos Estados Unidos revelam uso de minerais de guerra\" width=\"629\" height=\"418\" title=\"Hist\u00f3rico: empresas dos Estados Unidos revelam uso de minerais de guerra\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Vista da mina de coltan (mistura do minerais columbite e tantalite) em Luwowo, perto de Rubaya, na prov\u00edncia de Kivu Norte, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Foto: Monusco Photos\/CC-BY-SA-2<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 9\/6\/2014 \u2013 Pela primeira vez no pa\u00eds, cerca de 1.300 empresas dos Estados Unidos informaram se os produtos que fabricam ou vendem cont\u00eam minerais que financiam os conflitos armados na regi\u00e3o dos Grandes Lagos da \u00c1frica central. O dia 2 deste m\u00eas foi a data limite para que elas apresentassem suas declara\u00e7\u00f5es, no que foi o primeiro resultado concreto de uma lei aprovada em 2010 pelo congresso norte-americano para ajudar a acabar com a prolongada guerra civil na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC).<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a regulamenta\u00e7\u00e3o da lei foi alvo de reiterados ataques legais de empresas privadas e grupos de press\u00e3o, para os quais o cumprimento do Artigo 1502 da lei que os obriga a apresentar as declara\u00e7\u00f5es \u00e9 oneroso e tamb\u00e9m inconstitucional. Apesar disso, no dia 3, parecia que o fizeram a maioria das empresas que deveriam apresentar declara\u00e7\u00f5es sobre os chamados minerais de conflito ou de guerra em suas cadeias de fornecimento. A informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do p\u00fablico por meio da Comiss\u00e3o da Bolsa e Valores (SEC), \u00f3rg\u00e3o federal encarregado de aplicar o Artigo 1502.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 um dia hist\u00f3rico. H\u00e1 cinco anos esse assunto n\u00e3o estava no radar de ningu\u00e9m, e agora os consumidores podem saber o que h\u00e1 dentro de um produto\u201d, disse \u00e0 IPS Sasha Lezhnev, analista de pol\u00edticas p\u00fablicas da Enough Project, uma organiza\u00e7\u00e3o de pesquisa sem fins lucrativos com sede em Washington. \u201cCreio que muita gente sabia o que empresas como Apple, Intel ou Hewlett-Packard faziam, j\u00e1 que est\u00e3o muito atentas a esse assunto. Mas ningu\u00e9m sabia o que faziam empresas como Walmart ou General Motors\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O Conselho de Seguran\u00e7a da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) reconheceu formalmente em 2009 que a renda obtida com extra\u00e7\u00e3o de minerais fortalecia numerosos grupos armados que operam no leste da RDC. A ind\u00fastria da eletr\u00f4nica \u00e9 uma das usu\u00e1rias mais importantes desses minerais, entre eles estanho, t\u00e2ntalo, tungst\u00eanio e ouro. Desde ent\u00e3o, segundo Lezhnev, 95 minas da RDC foram certificadas como \u201clivres de conflito armado\u201d, enquanto foram desmilitarizados dois ter\u00e7os das minas de estanho, t\u00e2ntalo e tungst\u00eanio no leste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mas o ouro continua sendo um problema importante, e a Enough Project e outras vozes pedem medidas mais concertadas para determinar as fontes de abastecimento, em particular com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ind\u00fastria de joias. Sob diretrizes da SEC, as empresas cotadas nas bolsas de valores dos Estados Unidos agora devem apresentar declara\u00e7\u00f5es anuais detalhando seus esfor\u00e7os para discernir se seus produtos utilizam minerais procedentes de conflitos armados, e, se assim for, seus planos para deter esta pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>V\u00e1rios milhares de empresas foram identificadas como poss\u00edveis vendedoras, inclusive sem saber disso, de produtos contendo esses minerais de guerra. A consultoria Booz Allen Hamilton disse ter participado da fabrica\u00e7\u00e3o de placas de circuitos, montagens el\u00e9tricas e gravadores de vigil\u00e2ncia contendo esses minerais. Muitos desses produtos foram fabricados para o governo norte-americano, afirmou a companhia.<\/p>\n<p>No entanto, a maioria das firmas declarou resultados incompletos. A gigante Microsoft, por exemplo, disse que \u201cn\u00e3o pode excluir a possibilidade\u201d de seus produtos conterem minerais de guerra, mas tamb\u00e9m que ainda n\u00e3o teve a informa\u00e7\u00e3o completa sobre suas fontes de abastecimento em sua \u201cextensa e complexa\u201d cadeia de fornecimento.<\/p>\n<p>Muitas organiza\u00e7\u00f5es ativistas se preocupam com o fato de a maioria das empresas n\u00e3o ter fornecido informa\u00e7\u00e3o sobre as a\u00e7\u00f5es de acompanhamento que tomaram depois das consultas aos seus fornecedores, se \u00e9 que foram tomadas. \u201cEm geral, estamos muito decepcionados com a falta de precis\u00e3o de muitas das declara\u00e7\u00f5es, que carecem da descri\u00e7\u00e3o sobre os processos\u201d, lamentou Carly Oboth, assessora de pol\u00edticas na Global Witness, organiza\u00e7\u00e3o que apoia a regulamenta\u00e7\u00e3o dos minerais de guerra.<\/p>\n<p>\u201cNos preocupa saber como as empresas chegaram a tomar a decis\u00e3o sobre seus minerais de guerra, j\u00e1 que muitas afirmam que s\u00e3o \u2018livres de conflito\u201d, sem indicar como chegaram a essa conclus\u00e3o. N\u00e3o se sup\u00f5e que isto seja um exerc\u00edcio de m\u00faltipla op\u00e7\u00e3o, mas de demonstrar que n\u00e3o est\u00e3o se abastecendo em uma zona de conflito\u201d, destacou Oboth \u00e0 IPS. A Global Witness afirma que a maioria das declara\u00e7\u00f5es apresentadas \u00e9 \u201cinsuficiente\u201d.<\/p>\n<p>Um gargalo crucial para muitas das empresas que devem investigar suas cadeias de fornecimento est\u00e1 nas fundi\u00e7\u00f5es de metal que convertem as mat\u00e9rias-primas em produtos vi\u00e1veis. Uma iniciativa liderada pelo setor industrial, o Programa de Fundi\u00e7\u00f5es Livres de Conflitos, certificou at\u00e9 agora cerca de 40% dessas f\u00e1bricas no mundo, informou Lezhnev.<\/p>\n<p>Mas Oboth assegura que muitas companhias se limitaram a comprovar se seus fornecedores contam com esta certifica\u00e7\u00e3o e nada mais fizeram. \u201cPor outro lado, o que queremos \u2013 e o que exige a norma da SEC \u2013 \u00e9 que fa\u00e7am um acompanhamento das fundi\u00e7\u00f5es. A Intel, por exemplo, visitou as fundi\u00e7\u00f5es para verificar sua pol\u00edtica com rela\u00e7\u00e3o aos minerais de guerra, para ver como identificavam os riscos\u201d, exemplificou.<\/p>\n<p>De fato, a Intel, fabricante de microprocessadores, em muitos aspectos \u00e9 a corpora\u00e7\u00e3o mais ativa no tema. Em janeiro apresentou o primeiro produto do mundo \u201clivre de conflitos\u201d, e foi a \u00fanica empresa a divulgar um informe completo sobre suas cadeias de fornecimento, inclusive antes da data limite para apresentar a declara\u00e7\u00e3o que exige o Artigo 1502.<\/p>\n<p>Em abril uma senten\u00e7a judicial alterou a disposi\u00e7\u00e3o original da SEC e agora as empresas n\u00e3o est\u00e3o obrigadas a declarar se um produto \u00e9 livre de conflitos, embora o processo judicial possa continuar nos pr\u00f3ximos meses. A Intel afirma que esses r\u00f3tulos s\u00e3o importantes.<\/p>\n<p>\u201cUma de nossas caracter\u00edsticas tem a ver com a transpar\u00eancia. Embora n\u00e3o nos seja exigido revelar o estado de nossos produtos, acreditamos que esta transpar\u00eancia demonstra aos nossos clientes e acionistas nosso compromisso com esse tema\u201d, declarou a Intel \u00e0 IPS por meio de um comunicado. \u201cIncentivamos outras empresas a tamb\u00e9m compartilharem as conclus\u00f5es sobre seus produtos enquanto todos trabalhamos para certificar que nossos produtos sejam livres do conflito da RDC\u201d, acrescentou a empresa.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de um \u00fanico produto livre de conflitos no mercado estimulou a competi\u00e7\u00e3o, e se espera que haja uma din\u00e2mica semelhante ap\u00f3s o resultado das declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do dia 2. \u201cJ\u00e1 vimos que outras empresas entraram na corrida para ter o pr\u00f3ximo produto livre de conflitos, e incentivamos os consumidores a cobrarem a participa\u00e7\u00e3o das maiores empresas do setor aeroespacial e automotivo\u201d, disse Lezhnev. \u201cO passo dado pela Intel \u00e9 bom, mas h\u00e1 companhias que s\u00e3o muito maiores. Por exemplo, quando a Boeing ou a General Electric fabricar\u00e3o o pr\u00f3ximo produto livre de conflitos?\u201d, perguntou o analista. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 9\/6\/2014 &ndash; Pela primeira vez no pa&iacute;s, cerca de 1.300 empresas dos Estados Unidos informaram se os produtos que fabricam ou vendem cont&ecirc;m minerais que financiam os conflitos armados na regi&atilde;o dos Grandes Lagos da &Aacute;frica central. 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