{"id":17574,"date":"2014-06-13T10:31:30","date_gmt":"2014-06-13T10:31:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=17574"},"modified":"2014-06-13T10:34:26","modified_gmt":"2014-06-13T10:34:26","slug":"medicamentos-anti-retroviricos-dificeis-de-ingerir-para-criancas-uganda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/africa\/medicamentos-anti-retroviricos-dificeis-de-ingerir-para-criancas-uganda\/","title":{"rendered":"Medicamentos Anti-Retrov\u00edricos Dif\u00edceis de Ingerir para as Crian\u00e7as do Uganda"},"content":{"rendered":"<p>KAMPALA, 13 de junho de 2014 \u2013 Todas as manh\u00e3s \u00e0s seis horas, antes de ir para a escola, e todas as noites antes das seis horas ao chegar a casa \u00a0depois da escola, Emmanuel, de 11 anos, sabe o que tem de fazer: tomar os seus comprimidos anti-retrov\u00edricos (ARV).<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div id=\"attachment_17575\" style=\"width: 209px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Uganda-ARV-port.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17575\" class=\"size-medium wp-image-17575\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Uganda-ARV-port-199x300.jpg\" alt=\"Abra\u00e7o terap\u00eautico: A conselheira Cathy Kakande incentiva as crian\u00e7as seropositivas com medicamentos, informa\u00e7\u00e3o e muito amor.  Cr\u00e9dito: Amy Fallon\/IPS\" width=\"199\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Uganda-ARV-port-199x300.jpg 199w, https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Uganda-ARV-port.jpg 333w\" sizes=\"auto, (max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-17575\" class=\"wp-caption-text\">Abra\u00e7o terap\u00eautico: A conselheira Cathy Kakande incentiva as crian\u00e7as seropositivas com medicamentos, informa\u00e7\u00e3o e muito amor. Cr\u00e9dito: Amy Fallon\/IPS<\/p><\/div>\n<p>\u201cS\u00e3o muito amargos,\u201d diz este rapaz t\u00edmido e af\u00e1vel, que nasceu com VIH e cuja av\u00f3 idosa toma conta dele, j\u00e1 que os pais morreram com SIDA quando tinha um ano de idade.<\/p>\n<p>\u201cMas n\u00e3o me importo de tomar os medicamentos. Agora estou habituado,\u201d disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>O Emmanuel pode estar tomar os seus medicamentos correctamente, mas para muitas das 35.500 crian\u00e7as no Uganda que recebem tratamento para o VIH, os medicamentos anti-retrov\u00edricos di\u00e1rios s\u00e3o muito amargos para ingerir, especialmente se n\u00e3o compreenderem porque \u00e9 que precisam deles.<\/p>\n<p>O estudo da organiza\u00e7\u00e3o Jovens Vidas apresentado por Rachel Kuwuma, uma investigadora ugandesa, numa confer\u00eancia na Cidade do Cabo em Dezembro, referiu que o facto de n\u00e3o conhecerem o motivo por que tomam os medicamentos era uma importante raz\u00e3o para a n\u00e3o ades\u00e3o entre os jovens.<\/p>\n<p>\u201cInicialmente n\u00e3o sabia porque \u00e9 que estava a tomar os medicamentos e n\u00e3o me esforcei muito, e por vezes at\u00e9 os deitava fora\u2026 na retrete,\u201d disse Mika, de 11 anos, que foi citado na pesquisa que examinou crian\u00e7as seropositivas no Uganda e Zimbabwe durante dois anos.<\/p>\n<p>No Uganda, em 2012, s\u00f3 uma em cada tr\u00eas crian\u00e7as que precisavam de medicamentos ARV os recebiam, de acordo com dados das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Cathy Kakande trabalha para o Fundo Namugongo para Crian\u00e7as Especiais, um grupo ugand\u00eas que proporciona a Emmanuel medicamentos gratuitamente. Ela tamb\u00e9m aconselha o rapaz e a sua av\u00f3. Kakande explicou \u00e0 IPS que a pol\u00edtica do Uganda impede que se divulgue o estado serol\u00f3gico das crian\u00e7as antes de atingirem os 13 anos.<\/p>\n<p>\u201cExplic\u00e1mos ao Emmanuel \u2018Esta \u00e9 a tua vida, portanto se n\u00e3o tomares os medicamentos morres\u2019,\u201d afirmou Kakande. \u201cEle toma-os porque tem de tom\u00e1-los.\u201d<\/p>\n<p>Mas as crian\u00e7as continuam a ser crian\u00e7as, e o Dr. Edward Bitarakwate, o Director ugand\u00eas da Funda\u00e7\u00e3o Pedi\u00e1trica para a SIDA Elizabeth Glaser, explica que o facto de ser mantida na ignor\u00e2ncia pode levar uma crian\u00e7a a n\u00e3o cooperar.<\/p>\n<p>\u201cAlguns tipos de medicamentos t\u00eam mau sabor e se n\u00e3o se disser \u00e0 crian\u00e7a que tem uma condi\u00e7\u00e3o cr\u00f3nica que precisa de ser tratada, isso pode constituir um problema,\u201d explicou.<\/p>\n<p>Algumas crian\u00e7as que vivem com VIH s\u00e3o informadas pelas pessoas que s\u00e3o respons\u00e1veis por elas que t\u00eam tuberculose (TB) e outras doen\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cA crian\u00e7a percebe \u201cCaramba, esta \u00e9 a tuberculose sobre a qual estive a ler, n\u00e3o posso ter tuberculose durante cinco anos,\u2019\u201ddisse Bitarakwate \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>No Uganda, como em muitos outros pa\u00edses africanos que sofreram o profundo impacto causado pela SIDA, os medicamentos para as crian\u00e7as s\u00e3o administrados por prestadores de cuidados. Se um pai, irm\u00e3o ou encarregado de educa\u00e7\u00e3o for alvo de discrimina\u00e7\u00e3o ou tiver receio de ser rejeitado por ser seropositivo ou de ter um filho seropositivo, pode ficar relutante em dar os medicamentos anti-retrov\u00edricos ou n\u00e3o faz\u00ea-lo abertamente.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 apenas uma das muitas raz\u00f5es pelas quais o aumento do tratamento anti-retrov\u00edrico em \u00c1frica est\u00e1 a deixar as crian\u00e7as para tr\u00e1s. Em 21 pa\u00edses mais atingidos, s\u00f3 34 por cento das crian\u00e7as eleg\u00edveis receberam terapia anti-retrov\u00edrica. comparado com 68 por cento dos adultos.<\/p>\n<p>\u201cAlgumas m\u00e3es n\u00e3o querem ser vistas a andar com um saco de compras cheio de medicamentos,\u201d afirma Bitarakwate.<\/p>\n<p>Segundo ele, \u00e9 pior quando a crian\u00e7a adquire o VIH dos seus pais: \u201cExiste a tal culpa.\u201d<\/p>\n<p>Como o v\u00edrus, a auto-estigmatiza\u00e7\u00e3o pode ser transmitida: \u201cA crian\u00e7a cresce e descobre \u2018Tenho esta doen\u00e7a terr\u00edvel e os meus pais n\u00e3o me disseram nada porque \u00e9 uma coisa m\u00e1\u2019\u201d, afirmou Bitarakwate.<\/p>\n<p>A av\u00f3 de Emmanuel tem receio de divulgar aos vizinhos que vivem perto da casa alugada em Kampala que o neto \u00e9 seropositivo, conta Kakande.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 tem receio mas tamb\u00e9m est\u00e1 financeiramente sobrecarregada. \u201cGanha s\u00f3 800 xelins ugandeses (menos que um d\u00f3lar) por dia com a venda de cana-de-a\u00e7\u00facar e tem dificuldade em pagar a renda,\u201d diz Kakande. \u201cS\u00f3 t\u00eam uma refei\u00e7\u00e3o por dia. \u00c0s vezes o Emmanuel toma os medicamentos s\u00f3 com \u00e1gua.\u201d<\/p>\n<p>Os medicamentos anti-retrov\u00edricos em est\u00f4mago vazio podem causar n\u00e1useas. A falta de alimentos \u00e9 apontada como uma das raz\u00f5es pelas quais as crian\u00e7as n\u00e3o querem tomar os medicamentos, segundo o estudo da Jovens Vidas.<\/p>\n<p>Outros factores s\u00e3o o desconhecer o motivo de os deverem tomar, medo de serem vistos pelos outros, medo de serem censurados e de n\u00e3o conseguirem atingir as expectativas dos adultos, e perda de esperan\u00e7a na vida das crian\u00e7as que ficam doentes repetidas vezes.<\/p>\n<p>O estudo concluiu que os problemas de ades\u00e3o nas crian\u00e7as eram normalmente influenciados pelo seu contexto social.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c0 espera de um milagre <\/strong><\/p>\n<p>\u201cUm desafio muito, muito comum\u201d que esta e outras investiga\u00e7\u00f5es ignoram \u00e9 a influ\u00eancia das igrejas pentecostais evang\u00e9licas do Uganda, refere <a href=\"http:\/\/www.ips.org\/blog\/ips\/from-sorrow-to-happiness-my-journey-as-an-openly-hiv-positive-woman-in-uganda\/\">Jacquelyne Alesi<\/a>, directora de programa da Rede dos Jovens do Uganda que Vivem com o VIH\/SIDA.<\/p>\n<p>\u201cPerdemos mais de 10 crian\u00e7as dessa forma,\u201d disse Alesi \u00e0 IPS. \u201cEles pararam de pedir medicamentos porque acreditavam que as pessoas iam rezar por elas e que iam ficar curadas.\u201d<\/p>\n<p>Emmanuel tem mais dois anos at\u00e9 que seja oficialmente divulgado que tem o VIH.<\/p>\n<p>\u201cQuando divulgamos a sua condi\u00e7\u00e3o de seropositivo, elas [as crian\u00e7as] podem segregar-se elas pr\u00f3prias,\u201d afirmou Kakande. \u201cO nosso papel consiste em conferir-lhes poder. Mas para os jovens seropositivos isso \u00e9 muito dif\u00edcil.\u201d<\/p>\n<p>A Dr\u00aa Solomie Jebessa, conselheira t\u00e9cnica superior junto da Rede Africana de Cuidados para Crian\u00e7as Afectadas pelo VIH\/SIDA (ANECCA), afirma que as consequ\u00eancias das crian\u00e7as n\u00e3o tomarem os medicamentos correctamente podem ser fatais porque a doen\u00e7a avan\u00e7a muito mais rapidamente nas crian\u00e7as por compara\u00e7\u00e3o aos adultos.<\/p>\n<p>\u201cPerdemos muitas crian\u00e7as antes de conseguirmos coloc\u00e1-las no sistema de cuidados m\u00e9dicos,\u201d indicou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>O estigma pode ser igualmente, se n\u00e3o mais, devastador do que o v\u00edrus, afirma a Dr\u00aa Jebessa, que trabalhou com crian\u00e7as seropositivas no Uganda e Eti\u00f3pia. Na sua experi\u00eancia, os clubes de escola e as actividades onde as crian\u00e7as que enfrentam os mesmos desafios podem interagir s\u00e3o cruciais.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma grande necessidade de cuidados psicossociais organizados em \u00c1frica,\u201d apontou. \u201cMuito ter\u00e1 de ser feito para que estas crian\u00e7as se sintam confort\u00e1veis na escola e na comunidade.\u201d<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>FACTOS BREVES SOBRE AS CRIAN\u00c7AS E O TRATAMENTO COM ARV<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Uganda<br \/>\n\u2022 190.000 crian\u00e7as seropositivas com idades compreendidas entre os 0-14 anos<\/p>\n<p>\u2022 35.500 receberam tratamento com ARV<\/p>\n<p>\u2022 110.000 precisam de tratamento com ARV<br \/>\nCobertura da terapia pedi\u00e1trica com ARV<br \/>\n\u2022 35% na \u00c1frica Oriental e Austral<\/p>\n<p>\u2022 15% na \u00c1frica Ocidental e Central<br \/>\nFontes: Unicef, Onusida 2012<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>KAMPALA, 13 de junho de 2014 \u2013 Todas as manh\u00e3s \u00e0s seis horas, antes de ir para a escola, e todas as noites antes das seis horas ao chegar a casa \u00a0depois da escola, Emmanuel, de 11 anos, sabe o&hellip; <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/africa\/medicamentos-anti-retroviricos-dificeis-de-ingerir-para-criancas-uganda\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2036,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-17574","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17574","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2036"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17574"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17574\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17576,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17574\/revisions\/17576"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17574"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17574"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17574"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}