{"id":17587,"date":"2014-06-13T15:29:06","date_gmt":"2014-06-13T15:29:06","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=114903"},"modified":"2014-06-13T15:29:06","modified_gmt":"2014-06-13T15:29:06","slug":"a-crise-nao-impede-que-a-europa-continue-protegendo-seus-banksters","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/ultimas-noticias\/a-crise-nao-impede-que-a-europa-continue-protegendo-seus-banksters\/","title":{"rendered":"A crise n\u00e3o impede que a Europa continue protegendo seus \u201cbanksters\u201d"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_114905\" style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/194.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-114905\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/194.jpg\" alt=\"194 A crise n\u00e3o impede que a Europa continue protegendo seus \u201cbanksters\u201d\" width=\"629\" height=\"406\" title=\"A crise n\u00e3o impede que a Europa continue protegendo seus \u201cbanksters\u201d\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">C\u00e9dulas e moedas. Foto: Kristin Palitza\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Barcelona, Espanha, 13\/6\/2014 \u2013 Seis anos depois do in\u00edcio da crise financeira global, os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia (UE) continuam protegendo seus bancos e seus fundos de investimento, apesar da abundante quantidade de provas de que incorreram em atividades il\u00edcitas ou diretamente delitivas, e o novo ac\u00famulo de enormes riscos financeiros.<\/p>\n<p>O \u00faltimo esc\u00e2ndalo protagonizado pelo setor banc\u00e1rio foi em maio, quando foi anunciado que pelo menos sete bancos, ou sucursais com sede na Europa, se juntaram em um cartel para fixar de forma artificial a taxa euribor (acr\u00f4nimo de European Interbank Offered Rate), taxa europeia de oferta interbanc\u00e1ria, que rege milh\u00f5es de hipotecas e produtos financeiros.<\/p>\n<p>A euribor \u00e9 um \u00edndice de refer\u00eancia di\u00e1rio que desde 1999 vem sendo publicado pela Federa\u00e7\u00e3o Banc\u00e1ria Europeia e que marca a taxa de juro m\u00e9dio pela qual as entidades financeiras emprestam dinheiro no mercado interbanc\u00e1rio do euro a diferentes prazos, de um dia a um ano.<\/p>\n<p>\u201cA Comiss\u00e3o Europeia se preocupa com a possibilidade de que tr\u00eas bancos possam ter participado de um esquema para distorcer o curso natural da cota\u00e7\u00e3o dos produtos derivados da euribor\u201d, afirma um comunicado do dia 22 de maio divulgado por esse \u00f3rg\u00e3o executivo da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas bancos envolvidos s\u00e3o JPMorgan Chase, HSBC e Cr\u00e9dit Agricole. Outros quatro (Barclays, Deutsch Bank, Royal Bank of Scotland e Soci\u00e9t\u00e9 G\u00e9n\u00e9rale) tamb\u00e9m s\u00e3o acusados de falta grave em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 euribor, chegaram a um acordo com os \u00f3rg\u00e3os reguladores.<\/p>\n<p>Devido a esse tipo de pr\u00e1tica, os gerentes banc\u00e1rios desde 2009 s\u00e3o chamados de \u201cbanksters\u201d, um jogo de palavras entre <em>banker<\/em> (banqueiro) e g\u00e2ngster, cunhado em 1937, durante o pior momento da crise econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>A lista de medidas adotadas pelos governos do bloco para evitar impor novas regras ao setor \u00e9 longa. No ano passado, Paris conseguiu que os bancos franceses pagassem ao fundo de garantia de dep\u00f3sitos, criado pela UE, uma contribui\u00e7\u00e3o menor do que a m\u00e9dia regional. \u201cPara isso a Fran\u00e7a contou com o apoio do franc\u00eas Michel Barnier, comiss\u00e1rio europeu de servi\u00e7os e mercados internos\u201d, explicou Burkhard Balz, europarlamentar alem\u00e3o que pertence \u00e0 conservadora Uni\u00e3o Democrata-Crist\u00e3.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 seis anos vemos o mesmo tipo de comportamento quando se trata de regular o setor financeiro\u201d, disse Udo Bullmann, europarlamentar do Partido Social Democrata da Alemanha. Funciona da seguinte forma: \u201cprimeiro, a Comiss\u00e3o Europeia apresenta uma t\u00edmida resposta de regula\u00e7\u00e3o. O Parlamento Europeu a toma e endurece seu conte\u00fado. Depois interv\u00eam os governos e a diluem suavizando o projeto inicial\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cA UE \u00e9 uma comunidade de Estados, mas, definitivamente, os pa\u00edses membros competem entre si em lugar de cooperarem para promover a regulamenta\u00e7\u00e3o do mercado financeiro\u201d, apontou Joost Mulder, da organiza\u00e7\u00e3o Finance Watch, criada em 2011 para fazer contraponto ao poderoso <em>lobby<\/em> financeiro. \u201cCada pa\u00eds quer proteger seus bancos e seus fundos de investimento\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Em setembro passado, a Finance Watch publicou um informe sobre a projetada uni\u00e3o banc\u00e1ria e a reforma do setor na UE e concluiu que, \u201capesar de suas inten\u00e7\u00f5es, n\u00e3o conseguir\u00e1 que os cidad\u00e3os europeus carreguem o peso da quebra dos bancos em caso de uma crise sist\u00eamica, a menos que hajam reformas estruturais significativas dos grandes bancos europeus\u201d.<\/p>\n<p>A uni\u00e3o banc\u00e1ria, que deveria come\u00e7ar a funcionar em novembro, pretende criar uma rede de seguran\u00e7a para minimizar o risco de os contribuintes continuarem assumindo o custo de mais resgates banc\u00e1rios. Seria criada uma nova autoridade europeia, o Mecanismo de Resolu\u00e7\u00e3o \u00danica (MRU), com poder de dissolver ou reestruturar bancos quebrados.<\/p>\n<p>Segundo a Finance Watch, \u201co MRU tem bons objetivos, que s\u00e3o permitir a ordenada reestrutura\u00e7\u00e3o dos bancos nos pa\u00edses membros participantes e debilitar as interdepend\u00eancias entre institui\u00e7\u00f5es financeiras e seus soberanos\u201d. Mas a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o v\u00ea \u201ccomo esses objetivos poder\u00e3o ser cumpridos sem reduzir os incentivos de regulamenta\u00e7\u00e3o que favorecem a d\u00edvida soberana e sim uma reforma estrutural das atividades banc\u00e1rias para que seja confi\u00e1vel a reestrutura\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, ap\u00f3s a crise financeira de 2008, os pa\u00edses industrializados destinaram US$ 1,75 trilh\u00e3o para salvar os bancos em crise. Essa quantia equivale a um ano de sal\u00e1rio demais de 42 milh\u00f5es de pessoas que ganham o sal\u00e1rio l\u00edquido m\u00e9dio alem\u00e3o de aproximadamente US$ 33.840 por ano. O resgate debilitou muitos pa\u00edses europeus, em particular Gr\u00e9cia, Espanha, Irlanda e Portugal, e fez disparar, entre outros problemas, a atual crise de d\u00edvida soberana com seu custo social e humano.<\/p>\n<p>Outro exemplo t\u00edpico da falta de vontade dos governos europeus para regular o setor \u00e9 o infrut\u00edfero debate sobre taxar as transa\u00e7\u00f5es financeiras, uma iniciativa conhecida como Taxa Tobin, que leva o nome de seu incentivador, o pr\u00eamio Nobel de Economia em 1972, James Tobin.<\/p>\n<p>Em setembro de 2011, a Comiss\u00e3o Europeia prop\u00f4s implantar o imposto nos 27 Estados membros da UE at\u00e9 2014. A proposta era gravar as transa\u00e7\u00f5es financeiras entre institui\u00e7\u00f5es cobrando 0,1% sobre a troca de a\u00e7\u00f5es e b\u00f4nus e 0,01% sobre os contratos derivados.<\/p>\n<p>Segundo estimativas iniciais da Comiss\u00e3o, a taxa permitiria arrecadar cerca de 57 bilh\u00f5es de euros por ano. Mas este m\u00eas, ou quase tr\u00eas anos depois de ser proposta, apenas 11 pa\u00edses da UE estavam prontos para aplic\u00e1-la. Al\u00e9m disso, h\u00e1 grandes desacordos entre eles sobre quais transa\u00e7\u00f5es taxar e qual porcentagem aplicar.<\/p>\n<p>O europarlamentar Sven Giegold, do Partido Verde alem\u00e3o e especialista em finan\u00e7as internacionais, inclusive chegou a dizer que \u201ca Fran\u00e7a, supostamente grande partid\u00e1ria da Taxa Tobin, na realidade a matou\u201d. Em maio, durante as negocia\u00e7\u00f5es no Conselho Europeu, o governo franc\u00eas se op\u00f4s a aumentar a Taxa Tobin para a maioria dos derivados financeiros e aos b\u00f4nus estatais. Segundo o parlamentar, \u201ca Fran\u00e7a, obviamente, teme que, se forem taxados, os bancos j\u00e1 n\u00e3o v\u00e3o querer comprar b\u00f4nus\u201d.<\/p>\n<p>Diante dessas obje\u00e7\u00f5es, Giegold se queixou de que \u201ca taxa original para as transa\u00e7\u00f5es financeiras foi desvalorizada at\u00e9 deix\u00e1-la como um imposto in\u00fatil que somente os pequenos poupadores pagar\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Uma nova forma de evitar a regulamenta\u00e7\u00e3o dos mercados financeiros na Europa \u00e9 integr\u00e1-los a projetos vinculantes regionais, como a Associa\u00e7\u00e3o Transatl\u00e2ntica para o Com\u00e9rcio e o Investimento (ATCI), que atualmente a UE negocia com o governo dos Estados Unidos. Mas a Finance Watch afirma que \u201cn\u00e3o h\u00e1 provas de que ser\u00e3o inclu\u00eddos servi\u00e7os financeiros na ATCI\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNos preocupa que o enfoque da UE sobre a coopera\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria de regulamenta\u00e7\u00e3o (dentro das negocia\u00e7\u00f5es da ATCI vinculadas aos mercados financeiros) incentive a converg\u00eancia para padr\u00f5es comuns baixos, e n\u00e3o altos\u201d, ressaltou Thierry Philipponnant, secret\u00e1rio da Finance Watch, em uma audi\u00eancia no Parlamento Europeu.<\/p>\n<p>Segundo ele, \u201c\u00e9 dif\u00edcil ver como a inclus\u00e3o dos servi\u00e7os financeiros nas negocia\u00e7\u00f5es para um acordo de livre com\u00e9rcio entre UE e Estados Unidos, especialmente as partes sobre a coopera\u00e7\u00e3o para a regulamenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o leve a outra coisa que n\u00e3o seja uma corrida abaixo em mat\u00e9ria de regulamenta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os financeiros\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Barcelona, Espanha, 13\/6\/2014 &ndash; Seis anos depois do in&iacute;cio da crise financeira global, os pa&iacute;ses da Uni&atilde;o Europeia (UE) continuam protegendo seus bancos e seus fundos de investimento, apesar da abundante quantidade de provas de que incorreram em atividades il&iacute;citas ou diretamente delitivas, e o novo ac&uacute;mulo de enormes riscos financeiros. 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