{"id":17590,"date":"2014-06-16T14:22:18","date_gmt":"2014-06-16T14:22:18","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=114981"},"modified":"2014-06-16T14:22:18","modified_gmt":"2014-06-16T14:22:18","slug":"ira-revela-uma-proposta-de-programa-nuclear-sem-fins-belicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/ultimas-noticias\/ira-revela-uma-proposta-de-programa-nuclear-sem-fins-belicos\/","title":{"rendered":"Ir\u00e3 revela uma proposta de programa nuclear sem fins b\u00e9licos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_114983\" style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/1108.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-114983\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/1108.jpg\" alt=\"1108 Ir\u00e3 revela uma proposta de programa nuclear sem fins b\u00e9licos\" width=\"629\" height=\"419\" title=\"Ir\u00e3 revela uma proposta de programa nuclear sem fins b\u00e9licos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O chanceler iraniano, Javad Zarif. Foto: CC by 2.0\/Behrouz Mehri\/European External Action Service (EEAS)<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Teer\u00e3, Ir\u00e3, 16\/6\/2014 \u2013 O ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Ir\u00e3, Javad Zarif, revelou pela primeira vez, em entrevista \u00e0 IPS, que seu governo prop\u00f4s um plano garantindo que nenhuma reserva de ur\u00e2nio pouco enriquecido do programa nuclear de seu pa\u00eds tenha capacidade para ser desenvolvido com fins b\u00e9licos. Zarif descreveu o plano, apresentado em maio nas reuni\u00f5es com os pa\u00edses do P5+1 (China, Estados Unidos, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha e R\u00fassia mais Alemanha), realizadas em Viena, que exclui o enriquecimento com fins b\u00e9licos.<\/p>\n<p>\u201cOs par\u00e2metros da proposta ser\u00e3o fixados para continuar o enriquecimento pelo Ir\u00e3, mas para dar as garantias necess\u00e1rias de que n\u00e3o enriquecer\u00e1 al\u00e9m dos 5%\u201d, explicou Zarif em conversa exclusiva com a IPS. O chanceler detalhou que o plano implica a convers\u00e3o imediata de cada lote de ur\u00e2nio pouco enriquecido a p\u00f3 de \u00f3xido, que depois seria usado para fabricar elementos de combust\u00edveis para o reator da usina nuclear de Bushehr, pr\u00f3xima \u00e0 cidade de mesmo nome na costa do Golfo Ar\u00e1bico.<\/p>\n<p>Como o Ir\u00e3 n\u00e3o tem a capacidade de fabricar elementos de combust\u00edveis para Bushehr, a proposta implica que o p\u00f3 de \u00f3xido seria enviado \u00e0 R\u00fassia, pelo menos durante v\u00e1rios anos, em lugar de permanecer em territ\u00f3rio iraniano. O plano de Teer\u00e3, que n\u00e3o foi divulgado anteriormente, faz parte de uma postura de negocia\u00e7\u00e3o mais ampla que insiste na necessidade de aumentar em grande parte a quantidade de centr\u00edfugas que o Ir\u00e3 teria no futuro, uma condi\u00e7\u00e3o que os Estados Unidos e o restante do P5+1 recha\u00e7am.<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rios do governo de Barack Obama deixaram claro que Washington pretende uma forte redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de centr\u00edfugas, com o argumento de que n\u00e3o se pode permitir que o Ir\u00e3 tenha a capacidade de enriquecer ur\u00e2nio para armar uma \u00fanica bomba nuclear em um prazo inferior a seis a 12 meses.<\/p>\n<p>Zarif ressaltou que n\u00e3o pode discutir os detalhes da proposta iraniana, j\u00e1 que \u201cainda est\u00e1 em vias de negocia\u00e7\u00e3o\u201d. Mas o descreveu como um ciclo completo \u201cda convers\u00e3o para o concentrado de ur\u00e2nio, para UF6 (hexafluoreto de ur\u00e2nio), para ur\u00e2nio enriquecido, de novo ao p\u00f3 de \u00f3xido, e de volta \u00e0s varas de combust\u00edveis\u201d. Tudo estaria \u201cdesenhado especificamente para satisfazer as necessidades do reator de Bushehr\u201d, acrescentou o chanceler.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m revelou que o plano iraniano para garantir que seu pa\u00eds n\u00e3o tenha capacidade de construir armas nucleares \u00e9 muito semelhante \u00e0 proposta que Teer\u00e3 apresentou na reuni\u00e3o com Alemanha, Fran\u00e7a e Gr\u00e3-Bretanha, realizada em Paris em mar\u00e7o de 2005. A proposta, publicada posteriormente pelo governo iraniano, incluiu uma s\u00e9rie de \u201cgarantias t\u00e9cnicas\u201d contra a prolifera\u00e7\u00e3o das armas nucleares, entre elas a \u201cconvers\u00e3o imediata de todo o ur\u00e2nio enriquecido para varas de combust\u00edvel para evitar inclusive a possibilidade t\u00e9cnica de enriquecimento adicional\u201d.<\/p>\n<p>Zarif, que fez estudos universit\u00e1rios nos Estados Unidos, disse que ele mesmo elaborou a proposta em 2005, quando era embaixador do Ir\u00e3 na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), ap\u00f3s consultar cientistas nucleares norte-americanos sobre qual seria a forma de garantir aos europeus e a Washington que o Ir\u00e3 n\u00e3o poderia enriquecer ur\u00e2nio suficiente para armar uma bomba nuclear.<\/p>\n<p>\u201cPerguntei a eles quais elementos ofereceriam a confian\u00e7a necess\u00e1ria\u201d, contou Zarif. \u201cMe deram uma s\u00e9rie de elementos, que coloquei em um pacote e enviei a Teer\u00e3, e da\u00ed o levaram a Paris\u201d, afirmou em refer\u00eancia \u00e0 reuni\u00e3o de 2005 com Alemanha, Fran\u00e7a e Gr\u00e3-Bretanha.<\/p>\n<p>Frank N. von Hippel, ex-diretor adjunto de seguran\u00e7a nacional no Escrit\u00f3rio de Ci\u00eancia e Tecnologia da Casa Branca e atual professor na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, confirmou por e-mail que integrou o grupo de cientistas consultado por Zarif. Hippel recordou que o grupo havia sugerido a Zarif \u201cn\u00e3o acumular reservas (de ur\u00e2nio pouco enriquecido), mas envi\u00e1-lo \u00e0 R\u00fassia para fabricar combust\u00edvel para o reator de Bushehr\u201d.<\/p>\n<p>Peter Jenkins, na \u00e9poca representante permanente da Gr\u00e3-Bretanha junto ao Organismo Internacional de Energia At\u00f4mica, participou da reuni\u00e3o de Paris onde foi apresentado o plano iraniano, em 23 de mar\u00e7o de 2005. \u201cTodos ficamos impressionados com a proposta\u201d, recordou em uma entrevista de 2012. Mas os europeus n\u00e3o a aceitaram como base para a negocia\u00e7\u00e3o porque o governo de George W. Bush (2001-2009) insistia que n\u00e3o se deveria permitir ao Ir\u00e3 nenhuma capacidade de enriquecimento nuclear, segundo diplomatas europeus que participaram dessa fase anterior \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O governo de Obama pretende que Teer\u00e3 obtenha o combust\u00edvel que precisa para Bushehr \u2013 ou para qualquer reator futuro \u2013 da R\u00fassia ou de outras fontes estrangeiras em lugar de depender de sua pr\u00f3pria capacidade de enriquecimento, algo que Zarif recha\u00e7a. \u201cN\u00e3o deveriam nos dizer \u2018voc\u00eas devem contar conosco\u2019. Isso tem 30 anos de atraso\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O chanceler se referia \u00e0 experi\u00eancia do Ir\u00e3 nos anos 1990 com o cons\u00f3rcio franc\u00eas de enriquecimento de ur\u00e2nio chamado Eurodif, no qual o regime do x\u00e1 Mohammad Reza Pahlevi (1941-1979) tinha uma participa\u00e7\u00e3o financeira que garantia a Teer\u00e3 10% do ur\u00e2nio enriquecido pelo cons\u00f3rcio. Mas, quando a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica, que tomou o poder em 1979, reiniciou o programa nuclear iniciado pelo x\u00e1, o governo franc\u00eas impediu que a Eurodif fornecesse ur\u00e2nio enriquecido para o combust\u00edvel do reator de Bushehr, no come\u00e7o dos anos 1980.<\/p>\n<p>O Departamento de Estado norte-americano reconheceu, em 1984, que havia cessado sua coopera\u00e7\u00e3o nuclear com o Ir\u00e3 e que pedira \u201ca outros fornecedores nucleares que n\u00e3o participassem da coopera\u00e7\u00e3o nuclear com Teer\u00e3, especialmente enquanto continuar a guerra entre esse pa\u00eds e o Iraque\u201d, travada entre 1980 e 1988.<\/p>\n<p>Zarif recha\u00e7ou a proposta do P5+1 na \u00faltima rodada de negocia\u00e7\u00f5es, que limitaria as atuais 19 mil centr\u00edfugas iranianas a uma fra\u00e7\u00e3o dessa quantia. \u201cN\u00e3o vamos redefinir nossas necessidades pr\u00e1ticas\u201d, insistiu, referindo-se ao Plano de A\u00e7\u00e3o Conjunta acordado em novembro, que defende um acordo sobre o programa de enriquecimento iraniano cujos \u201cpar\u00e2metros reflitam as necessidades pr\u00e1ticas\u201d do Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Mas Zarif ressaltou que seu pa\u00eds est\u00e1 \u201cpreparado no contexto dessas necessidades pr\u00e1ticas para trabalhar em diversos detalhes t\u00e9cnicos\u201d. O chanceler criticou as declara\u00e7\u00f5es de funcion\u00e1rios antigos e atuais de Washington feitas \u00e0 imprensa, bem como nas negocia\u00e7\u00f5es, quanto ao n\u00famero de centr\u00edfugas iranianas se orientar pela necessidade de ampliar o tempo necess\u00e1rio para o <em>breakout<\/em> de 6 a 12 meses. O termo ingl\u00eas <em>breakout<\/em> se refere \u00e0 capacidade de um pa\u00eds adquirir combust\u00edvel e conhecimento necess\u00e1rios para fabricar uma arma nuclear com relativa rapidez.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos querem que o Ir\u00e3 cesse todo enriquecimento na base de Fordow, que se encontra em um t\u00fanel sob uma montanha pr\u00f3xima \u00e0 cidade de Qom, porque se baseia no argumento de que \u201cn\u00e3o podem bombarde\u00e1-la\u201d, afirmou Zarif. A afirma\u00e7\u00e3o impl\u00edcita de que Washington tem o direito de bombardear as instala\u00e7\u00f5es iranianas \u201ccai mal para a psique iraniana e produz exatamente a rea\u00e7\u00e3o oposta\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>O chanceler questionou a opini\u00e3o refletida pela m\u00eddia ocidental de que o governo do presidente Hassan Rouhani sofre forte press\u00e3o pol\u00edtica para obter resultados nas conversa\u00e7\u00f5es que eliminem as piores san\u00e7\u00f5es contra o Ir\u00e3.<\/p>\n<p>A \u00faltima rodada de conversa\u00e7\u00f5es em Viena, que n\u00e3o teve sucesso, \u201cfoi o momento mais f\u00e1cil em casa\u201d, disse Zarif, e \u201co mais dif\u00edcil\u201d para ele, j\u00e1 que teve de explicar \u201ccada resultado positivo a uma popula\u00e7\u00e3o que \u00e9 sumamente c\u00e9tica quanto \u00e0s inten\u00e7\u00f5es do Ocidente\u201d, assegurou. Se recha\u00e7asse um acordo, receberia uma \u201crecep\u00e7\u00e3o de her\u00f3i\u201d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <strong>Gareth Porter <\/strong>\u00e9 jornalista investigativo independente e ganhador do Pr\u00eamio Gellhorn de jornalismo em 2012. \u00c9 autor de <\/em>Manufactured Crisis: The Untold Story of the Iran Nuclear Scare<em> (Uma Crise Fabricada: a Hist\u00f3ria n\u00e3o Contada do P\u00e2nico pela Capacidade Nuclear do Ir\u00e3), publicado recentemente.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Teer&atilde;, Ir&atilde;, 16\/6\/2014 &ndash; O ministro das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores do Ir&atilde;, Javad Zarif, revelou pela primeira vez, em entrevista &agrave; IPS, que seu governo prop&ocirc;s um plano garantindo que nenhuma reserva de ur&acirc;nio pouco enriquecido do programa nuclear de seu pa&iacute;s tenha capacidade para ser desenvolvido com fins b&eacute;licos. 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