{"id":17593,"date":"2014-06-16T14:11:14","date_gmt":"2014-06-16T14:11:14","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=114977"},"modified":"2014-06-16T14:11:14","modified_gmt":"2014-06-16T14:11:14","slug":"energia-universal-esta-a-milhares-de-milhoes-de-dolares-de-distancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/ultimas-noticias\/energia-universal-esta-a-milhares-de-milhoes-de-dolares-de-distancia\/","title":{"rendered":"Energia universal est\u00e1 a milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares de dist\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_114979\" style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/1107.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-114979\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/1107.jpg\" alt=\"1107 Energia universal est\u00e1 a milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares de dist\u00e2ncia\" width=\"629\" height=\"418\" title=\"Energia universal est\u00e1 a milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares de dist\u00e2ncia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A energia e\u00f3lica come\u00e7a a al\u00e7ar voo no Qu\u00eania. Foto: Miriam Mannak\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 16\/6\/2014 \u2013 Uma em cada cinco pessoas do Sul em desenvolvimento n\u00e3o tem acesso \u00e0 eletricidade. A chave para remediar essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o financiamento, mas o mundo est\u00e1 longe de investir a astron\u00f4mica quantia que ser\u00e1 necess\u00e1ria at\u00e9 2030 para alcan\u00e7ar a meta da energia sustent\u00e1vel universal.<\/p>\n<p>O mundo em desenvolvimento foi o tema central do primeiro f\u00f3rum anual de Energia Sustent\u00e1vel para Todos (SE4ALL), realizado na sede da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), em Nova York, entre os dias 4 e 6 deste m\u00eas. Na ocasi\u00e3o a ONU apresentou uma longa lista de promessas de contribui\u00e7\u00f5es financeiras dirigidas a alcan\u00e7ar a meta de SE4ALL at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>A Noruega prev\u00ea gastar US$ 330 milh\u00f5es em projetos de energia renov\u00e1vel em todo o planeta este ano, enquanto o Bank of America emitir\u00e1 US$ 500 milh\u00f5es em \u201cb\u00f4nus verdes\u201d ao longo de tr\u00eas anos, como parte de uma iniciativa de grandes empresas que prometeram investir US$ 50 bilh\u00f5es no ambiente no prazo de dez anos. Essa iniciativa foi assumida na Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, realizada em 2012 no Rio de Janeiro, conhecida como Rio+20.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a Organiza\u00e7\u00e3o de Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo (Opep) criou um fundo de US$ 1 bilh\u00e3o para acesso \u00e0 energia. Tamb\u00e9m o Banco Africano de Desenvolvimento aprovou projetos de energia sustent\u00e1vel no valor de US$ 2 bilh\u00f5es e cofinanciar\u00e1 projetos de US$ 4,5 bilh\u00f5es. No Brasil, o programa Luz para Todos levou energia el\u00e9trica renov\u00e1vel para quase 15 milh\u00f5es de pessoas da \u00e1rea rural que antes viviam praticamente na escurid\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os compromissos e os \u00eaxitos est\u00e3o muito longe de cumprir a meta geral do SE4ALL. O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, disse em 2013 que o financiamento era a chave para resolver a crise energ\u00e9tica, e que para isso seria necess\u00e1ria a assombrosa quantia anual de US$ 600 bilh\u00f5es a US$ 800 bilh\u00f5es at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>As tr\u00eas metas s\u00e3o o acesso \u00e0 energia, a efici\u00eancia energ\u00e9tica e as energias renov\u00e1veis, afirmou Kim na oportunidade. \u201cAgora come\u00e7amos pelos pa\u00edses onde a demanda de a\u00e7\u00e3o \u00e9 mais urgente. Em alguns desses pa\u00edses somente uma em cada dez pessoas tem acesso \u00e0 eletricidade. \u00c9 hora de mudar isso\u201d, acrescentou Kim.<\/p>\n<p>Para conseguir a mudan\u00e7a a ONU est\u00e1 arrecadando fundos, principalmente de grandes empresas privadas e organiza\u00e7\u00f5es internacionais. Entre os participantes do setor privado no f\u00f3rum de Nova York estavam executivos do Bank of America, Citigroup, Coca-Cola, Deutsche Bank, Royal Dutch Shell, Philips Lighting, Statoil e Sumitomo Chemical.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o contou com as presen\u00e7as de quase mil delegados, entre eles chefes de governo, profissionais da energia, representantes de organiza\u00e7\u00f5es internacionais e n\u00e3o governamentais. No entanto, defensores dos direitos humanos e ativistas do setor da energia desconfiam do papel que as grandes empresas podem ter nesse \u00e2mbito.<\/p>\n<p>Dipti Bhatnagar, coordenadora de justi\u00e7a clim\u00e1tica e energia da Amigos da Terra Internacional, disse \u00e0 IPS que a iniciativa SE4ALL \u201cfoi absorvida pelas empresas de energia suja\u201d e, portanto, a ONU n\u00e3o est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de alcan\u00e7ar seu objetivo. Os fundos prov\u00eam de um grupo irrespons\u00e1vel e escolhido a dedo, dominado por representantes de multinacionais, entre elas gigantes petroleiras como Shell, que investem milhares de milh\u00f5es na extra\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis em todo o mundo, apontou.<\/p>\n<p>\u201cAlertamos o secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, que o SE4ALL e outras iniciativas do f\u00f3rum mundial foram dominadas pelas empresas de energia suja que as utilizam para limpar sua imagem ambiental\u201d, afirmou Bhatnagar. Estas empresas obstruem \u201ca r\u00e1pida transforma\u00e7\u00e3o que se necessita para reduzir nossa depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis e conseguir um sistema energ\u00e9tico justo e sustent\u00e1vel\u201d, advertiu.<\/p>\n<p>Meena Raman, da Rede do Terceiro Mundo, uma organiza\u00e7\u00e3o internacional com sede na Mal\u00e1sia que promove o desenvolvimento ecologicamente sustent\u00e1vel, tamb\u00e9m expressou sua preocupa\u00e7\u00e3o pela participa\u00e7\u00e3o das grandes empresas na meta da SE4ALL. \u201cJ\u00e1 que a iniciativa SE4ALL est\u00e1 dominada em grande parte pelas grandes corpora\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas, por bancos multilaterais de desenvolvimento e capitais privados que buscam o lucro comercial, \u00e9 duvidoso que se cuide dos interesses das pessoas que carecem de energia\u201d, ressaltou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>A \u00eanfase dada nos sistemas modernos de energia centralizados, que s\u00e3o caros e fora do alcance dos que mais necessitam deles, afeta o objetivo que se pretende cumprir com rela\u00e7\u00e3o a garantir o acesso universal aos servi\u00e7os energ\u00e9ticos, acrescentou Raman. Segundo a ativista, uma grande porcentagem dos pobres do mundo, residentes nos pa\u00edses em desenvolvimento, recebem a energia que precisam para sobreviver de tradicionais fontes energ\u00e9ticas que obt\u00e9m por baixo custo nos mercados locais, e que enfrentam a crescente amea\u00e7a da minera\u00e7\u00e3o, da expans\u00e3o da urbaniza\u00e7\u00e3o e da industrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cIsso n\u00e3o \u00e9 necessariamente por n\u00e3o existirem servi\u00e7os modernos de energia nessa sociedade ou localidade, mas em grande parte se deve ao fato de as pessoas pobres n\u00e3o poderem pagar os servi\u00e7os de energia modernos e de maior custo\u201d, explicou Raman. Obrigar os pobres a entrarem no mercado da energia comercial, sem sistemas infal\u00edveis que garantam seu acesso, vai gerar mais priva\u00e7\u00f5es, desigualdade e ang\u00fastia, alertou.<\/p>\n<p>Ban declarou no f\u00f3rum que \u201co desenvolvimento sustent\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sem a energia sustent\u00e1vel\u201d. No segundo dia do encontro, o secret\u00e1rio-geral da ONU tamb\u00e9m p\u00f4s em marcha a D\u00e9cada da Energia Sustent\u00e1vel para Todos (2014-2024), uma iniciativa da ONU centrada na energia para a sa\u00fade das mulheres e das crian\u00e7as em seus primeiros dois anos de vida.<\/p>\n<p>Bhatnagar disse \u00e0 IPS que o atual sistema energ\u00e9tico mundial \u00e9 insustent\u00e1vel e injusto. \u201cPrejudica as comunidades, os trabalhadores, o ambiente e o clima. Para fornecer energia sustent\u00e1vel a quem agora est\u00e1 exclu\u00eddo precisamos com urg\u00eancia transformar nosso sistema energ\u00e9tico atual, controlado pelas corpora\u00e7\u00f5es, em um que faculte \u00e0s pessoas a constru\u00e7\u00e3o de sistemas renov\u00e1veis de energia limpa e controlados democraticamente\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Raman indicou \u00e0 IPS que a primeira prioridade deve ser a redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica das amea\u00e7as ao livre acesso dos pobres a servi\u00e7os energ\u00e9ticos gratuitos ou de baixo custo. O objetivo de proporcionar \u201cservi\u00e7os de energia modernos\u201d aos que carecem deles s\u00f3 pode ser obtido quando o Estado desempenha um papel determinado pelas pol\u00edticas sociais e regula com for\u00e7a a economia de mercado em considera\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as no poder aquisitivo na hora de adquirir energia, ressaltou.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o se consegue com a desregulamenta\u00e7\u00e3o e a privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os frente a grandes capitais e mercados, assegurou Raman. \u201cP\u00f4r muita \u00eanfase no setor privado e na economia de mercado acabar\u00e1 concentrando o acesso \u00e0 energia mais moderna nos que puderem pag\u00e1-la\u201d, acrescentou. Assim, segundo a ativista, o papel das pol\u00edticas de Estado progressistas e inclusivas \u00e9 de suma import\u00e2ncia e deveria aumentar, em lugar de diminuir. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 16\/6\/2014 &ndash; Uma em cada cinco pessoas do Sul em desenvolvimento n&atilde;o tem acesso &agrave; eletricidade. A chave para remediar essa situa&ccedil;&atilde;o &eacute; o financiamento, mas o mundo est&aacute; longe de investir a astron&ocirc;mica quantia que ser&aacute; necess&aacute;ria at&eacute; 2030 para alcan&ccedil;ar a meta da energia sustent&aacute;vel universal. 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