{"id":17594,"date":"2014-06-16T14:48:02","date_gmt":"2014-06-16T14:48:02","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=114990"},"modified":"2014-06-16T14:48:02","modified_gmt":"2014-06-16T14:48:02","slug":"gas-e-crise-e-solucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/ultimas-noticias\/gas-e-crise-e-solucao\/","title":{"rendered":"G\u00e1s \u00e9 crise e solu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_114992\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Chile1.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-114992\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Chile1.jpg\" alt=\"Chile1 G\u00e1s \u00e9 crise e solu\u00e7\u00e3o\" width=\"340\" height=\"225\" title=\"G\u00e1s \u00e9 crise e solu\u00e7\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O tanque de armazenamento de g\u00e1s natural inaugurado pela presidente Michelle Bachelet em 14 de maio, que completa o terminal de g\u00e1s natural de Mejillones. Foto: Marianela Jarroud\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Mejillones, Chile, 16 de junho de 2014 (Terram\u00e9rica).- Em abril de 2004, a Argentina come\u00e7ou a reduzir o envio de g\u00e1s natural para o Chile, o que desatou uma crise energ\u00e9tica de grandes propor\u00e7\u00f5es e trouxe \u00e0 tona problemas estruturais no vital setor, que persistem at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Dez anos depois, um terminal de regasifica\u00e7\u00e3o de g\u00e1s liquefeito para reconvert\u00ea-lo em g\u00e1s natural, localizado no porto de Mejillones, 1.400 quil\u00f4metros ao norte de Santiago, parece fornecer boa parte da solu\u00e7\u00e3o para os problemas energ\u00e9ticos do norte do pa\u00eds, epicentro da escassez h\u00eddrica e de milion\u00e1rias atividades de minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A presidente Michelle Bachelet se mostrou confiante de que, junto com as energias renov\u00e1veis, o g\u00e1s natural contribuir\u00e1 para a diversifica\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica e ressaltou que \u201co que fizermos, ou n\u00e3o fizermos, agora ter\u00e1 consequ\u00eancias no futuro\u201d.<\/p>\n<p>Em 14 de maio, Bachelet inaugurou o tanque de armazenamento em terra do terminal de regasifica\u00e7\u00e3o de G\u00e1s Natural Liquefeito Mejillones (GNLM), o maior da Am\u00e9rica Latina e o segundo do mundo, depois do existente no Jap\u00e3o. O terminal \u00e9 propriedade do grupo franc\u00eas GDF Suez, com 63% das a\u00e7\u00f5es, e da estatal Corpora\u00e7\u00e3o do Cobre do Chile (Codelco), que tem o restante das a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Foi Bachelet quem, em 2008, colocou a pedra fundamental do tanque, durante seu primeiro mandato (2006-2010), e em fevereiro de 2010 assistiu \u00e0 chegada do primeiro navio transportando metano. Desta vez, a presidente inaugurou um enorme tanque de armazenamento com capacidade aproximada de 187 mil metros c\u00fabicos, do tipo de \u201cconten\u00e7\u00e3o total\u201d, com tanque de a\u00e7o niquelado dentro de outro e recoberto por fora com concreto.<\/p>\n<p>O presidente do Grupo GDF Suez, Gerard Mestrallet, explicou que foi constru\u00eddo com o mais alto padr\u00e3o de seguran\u00e7a, por isso \u00e9 antiterremoto e fica acima da cota de eventuais tsunamis. O tanque possui 501 isoladores elast\u00f4meros que lhe permitem resistir \u00e0s for\u00e7as provocadas por um terremoto de grande magnitude. Tamb\u00e9m conta com sofisticados sistemas de monitoramento e prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A amplia\u00e7\u00e3o do GNLM significou investimento adicional de US$ 200 milh\u00f5es, que se somaram aos US$ 550 milh\u00f5es iniciais do projeto. A estrutura consolida a unidade da empresa que funcionou durante quatro anos com o navio BW GDF Brussels, que esteve ancorado na ba\u00eda e servia como local de armazenamento das cargas de g\u00e1s que chegavam \u00e0 \u00e1rea.<\/p>\n<p>Sua capacidade equivale a, aproximadamente, 110 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de g\u00e1s natural depois do processo de regasifica\u00e7\u00e3o, que \u00e9 enviado aos clientes, majoritariamente empresas mineradoras, atrav\u00e9s dos gasodutos Nor Andino e GasAtacama.<\/p>\n<p>Os clientes da empresa s\u00e3o os encarregados de importar o g\u00e1s. At\u00e9 agora as mineradoras que assinaram contrato s\u00e3o a anglo-australiana BHP Billiton, a Codelco e a Geradora E-CL, propriedade da GDF Suez. No dia 15 de maio, Bachelet apresentou a Agenda de Energia de seu governo, que aposta nas energias limpas e incentiva o uso de GNL na gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica em substitui\u00e7\u00e3o ao diesel, junto com o uso industrial e residencial.<\/p>\n<p>A Agenda conta com medidas de curto prazo para maximizar o uso da infraestrutura de gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica atual e os terminais GNL. Apresenta outras iniciativas que, no m\u00e9dio e longo prazos, \u201cpermitam aumentar a capacidade de GNL e instalar novas centrais de ciclo combinado a g\u00e1s natural na matriz energ\u00e9tica, dentro do poss\u00edvel mediante novos atores\u201d. Al\u00e9m de Mejillones, o Chile possui outro terminal GNL, na ba\u00eda de Quintero, 154 quil\u00f4metros ao norte de Santiago, propriedade de uma sociedade que tem participa\u00e7\u00e3o da Empresa Nacional do Petr\u00f3leo.<\/p>\n<div id=\"attachment_114993\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Chile2.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-114993\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Chile2.jpg\" alt=\"Chile2 G\u00e1s \u00e9 crise e solu\u00e7\u00e3o\" width=\"340\" height=\"227\" title=\"G\u00e1s \u00e9 crise e solu\u00e7\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Vista a\u00e9rea do terminal de regasifica\u00e7\u00e3o de G\u00e1s Natural Liquefeito Mejillones, no norte do Chile, o maior de seu tipo na Am\u00e9rica Latina e o terceiro do mundo. Foto: Cortesia do GNLM<\/p><\/div>\n<p>Para o diretor do Observat\u00f3rio Latino-Americano de Conflitos Ambientais (Olca), Lucio Cuenca, a proposta do governo deve ser olhada criticamente. Ele disse ao Terram\u00e9rica que o pa\u00eds comete o erro de n\u00e3o pensar no g\u00e1s natural de grande qualidade que seus vizinhos Bol\u00edvia ou Argentina poderiam fornecer, mas no tipo n\u00e3o convencional, principalmente o de xisto, extra\u00eddo das rochas subterr\u00e2neas mediante fratura hidr\u00e1ulica, conhecida pelo termo ingl\u00eas <em>fracking<\/em>.<\/p>\n<p>Segundo Cuenca, atualmente o Chile importa o g\u00e1s principalmente de Trinidad e Tobago e do Catar, mas acredita-se que o governo negociar\u00e1 com os Estados Unidos o fornecimento de g\u00e1s de xisto. Ele afirmou que, embora no caso do GNL as emiss\u00f5es na atmosfera sejam menos contaminantes, \u201cde todo modo prov\u00eam dos hidrocarbonos, por isso tamb\u00e9m gera gases-estufa\u201d e que \u201co GNL \u00e9 considerado como uma fonte de energia de transi\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, \u00e9 um pouco melhor do que o carv\u00e3o, mas n\u00e3o significa que seja \u00f3timo do ponto de vista da energia limpa\u201d.<\/p>\n<p>No Chile h\u00e1 tr\u00eas tipos de gera\u00e7\u00e3o termoel\u00e9tricas: a diesel, que \u00e9 a mais cara e contaminante; carv\u00e3o, que tamb\u00e9m \u00e9 contaminante, mas abundante e barato; e o g\u00e1s, que \u00e9 menos contaminante, mas custa cerca de 30% mais do que o carv\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1991, um ano depois do retorno da democracia ao Chile, os governos chileno e da Argentina assinaram um acordo de complementa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que estabeleceu as bases da interliga\u00e7\u00e3o gas\u00edfera entre os dois pa\u00edses. Mas o falecido N\u00e9stor Kirchner, ao assumir a Presid\u00eancia da Argentina em 2003, priorizou o abastecimento interno, diante de uma evidente escassez do hidrocarbono, que ent\u00e3o era suficiente apenas para abastecer a demanda nacional.<\/p>\n<p>O corte significou forte impacto econ\u00f4mico para o Chile, porque obrigou as geradoras de eletricidade a recorrerem ao petr\u00f3leo, cujo pre\u00e7o no mercado internacional havia subido fortemente. No momento do corte, quase 90% das ind\u00fastrias de Santiago usavam g\u00e1s natural argentino, que tamb\u00e9m abastecia a rede domiciliar de boa parte do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cA decis\u00e3o de Kirchner (2003-2007) se deveu \u00e0 trajet\u00f3ria pol\u00edtica que tem a Argentina, que sempre vai privilegiar os interesses nacionais e estar disposta, seja qual for seu governante, a assumir o custo do ponto de vista da agenda de coopera\u00e7\u00e3o internacional\u201d, pontuou ao Terram\u00e9rica a especialista em pol\u00edtica, Francisca Quiroga.<\/p>\n<p>Ela recordou que, ap\u00f3s os cortes no envio de g\u00e1s, \u201chouve um debate sobre a desconfian\u00e7a que deveria existir em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Argentina nos termos internacionais e que esse era um pa\u00eds que n\u00e3o cumpria seus compromissos\u201d. Mas o cr\u00e9dito obtido por Kirchner foi maior do que qualquer cr\u00edtica externa, acrescentou.<\/p>\n<p>Quiroga ressaltou que a quest\u00e3o energ\u00e9tica \u201c\u00e9 altamente sens\u00edvel, ideol\u00f3gica e estrat\u00e9gica, e tem alto valor nos debates de pol\u00edtica interna\u201d, acrescentando que, no contexto latino-americano atual, \u201c\u00e9 um dos temas da agenda multilateral mais importantes de abordar em rela\u00e7\u00e3o aos desafios do s\u00e9culo 21\u201d.<\/p>\n<p>Contudo, o Chile avan\u00e7a para a constru\u00e7\u00e3o de um terceiro terminal de GNL no centro-sul do pa\u00eds, no qual estar\u00e1 presente a empresa de energia estatal Enap. Para Cuenca, trata-se de uma estrat\u00e9gia que conv\u00e9m aos grandes empres\u00e1rios da minera\u00e7\u00e3o que precisam de energia barata e abundante, pois, a seu ver, se buscaria oferecer no mercado interno pre\u00e7os mais convenientes. Envolverde\/Terram\u00e9rica<\/p>\n<p>* A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>LINKS<\/p>\n<p><strong>Artigos relacionados da IPS<\/strong><\/p>\n<p>Chile fecha a comporta da HidroAys\u00e9n e a Patag\u00f4nia comemora<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ips\/inter-press-service-reportagens\/chile-fecha-comporta-da-hidroaysen-e-patagonia-comemora\/\">http:\/\/envolverde.com.br\/ips\/inter-press-service-reportagens\/chile-fecha-comporta-da-hidroaysen-e-patagonia-comemora\/<\/a><\/p>\n<p>Sol na minera\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ambiente\/terramerica-sol-mineracao\/\">http:\/\/envolverde.com.br\/ambiente\/terramerica-sol-mineracao\/<\/a><\/p>\n<p>Chile emperrado em debate sobre energia hidr\u00e1ulica, em espanhol<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2012\/05\/chile-atascado-en-debate-sobre-energia-hidraulica\/\">http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2012\/05\/chile-atascado-en-debate-sobre-energia-hidraulica\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mejillones, Chile, 16 de junho de 2014 (Terram&eacute;rica).- Em abril de 2004, a Argentina come&ccedil;ou a reduzir o envio de g&aacute;s natural para o Chile, o que desatou uma crise energ&eacute;tica de grandes propor&ccedil;&otilde;es e trouxe &agrave; tona problemas estruturais no vital setor, que persistem at&eacute; agora. 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