{"id":17608,"date":"2014-06-20T16:08:11","date_gmt":"2014-06-20T16:08:11","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=115153"},"modified":"2014-06-20T16:08:11","modified_gmt":"2014-06-20T16:08:11","slug":"politica-externa-dos-estados-unidos-daria-prioridade-a-direitos-de-lgbt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/ultimas-noticias\/politica-externa-dos-estados-unidos-daria-prioridade-a-direitos-de-lgbt\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica externa dos Estados Unidos daria prioridade a direitos de LGBT"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_115155\" style=\"width: 621px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/1140.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-115155\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/1140.jpg\" alt=\"1140 Pol\u00edtica externa dos Estados Unidos daria prioridade a direitos de LGBT\" width=\"611\" height=\"472\" title=\"Pol\u00edtica externa dos Estados Unidos daria prioridade a direitos de LGBT\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os direitos de pessoas LGBT, como os de Uganda na imagem, poderiam ser protegidos por um projeto em discuss\u00e3o nos Estados Unidos. Foto: Amy Fallon\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 20\/6\/2014 \u2013 O Congresso dos Estados Unidos analisa um projeto de lei que daria prioridade aos direitos das pessoas l\u00e9sbicas, gays, bissexuais e transg\u00eanero (LGBT) na pol\u00edtica externa do pa\u00eds. A iniciativa legislativa, denominada Lei Internacional de Defesa dos Direitos Humanos, ordena aos diplomatas norte-americanos que concebam uma estrat\u00e9gia mundial de preven\u00e7\u00e3o e resposta \u00e0 viol\u00eancia contra a comunidade LGBT. Tamb\u00e9m cria o cargo de enviado especial do Departamento de Estado, que coordenar\u00e1 as pol\u00edticas para a \u00e1rea do governo federal.<\/p>\n<p>\u201cPara que os Estados Unidos mantenham a fidelidade ao seu compromisso com a defesa dos direitos humanos de todas as pessoas em todo o mundo, devemos estar junto \u00e0 comunidade LGBT em sua luta pelo reconhecimento e pela igualdade em todas as partes\u201d, declarou o senador democrata Ed Markey, principal patrocinador do projeto de lei. Atualmente, as rela\u00e7\u00f5es homossexuais s\u00e3o ilegais em 82 pa\u00edses, e em cinco deles as pessoas identificadas como pertencentes a uma minoria sexual s\u00e3o condenadas \u00e0 morte.<\/p>\n<p>O tema atraiu a aten\u00e7\u00e3o internacional em fevereiro, quando Uganda passou a castigar a \u201chomossexualidade agravada\u201d com pris\u00e3o perp\u00e9tua. A lei promulgada acabou sendo uma vers\u00e3o mais suave de um projeto proposto pela primeira vez em 2009, que em sua origem inclu\u00eda a pena de morte, apesar da condena\u00e7\u00e3o generalizada de outros governos.<\/p>\n<p>\u201cDesde que foi apresentado o projeto de lei em 2009 at\u00e9 hoje, houve cerca de cem casos de pessoas afetadas\u201d por sua aplica\u00e7\u00e3o, disse \u00e0 IPS Nikki Mawanda, ativista transg\u00eanero de Uganda. Entre eles h\u00e1 \u201ccasos de pris\u00e3o, despejo, mortes, tentativas de assassinato, suic\u00eddios. E agora, enquanto falo, h\u00e1 mais de 108 refugiados LGBT de Uganda vivendo no Qu\u00eania\u201d, acrescentou. Mwanda falou durante uma entrevista coletiva no dia 17, patrocinada pelo Servi\u00e7o Judeu-Americano Mundial (AJWS), uma organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Como ocorreu em outros pa\u00edses com leis semelhantes, a nova norma poderia repercutir na sa\u00fade p\u00fablica de Uganda, com draconianas leis contra os homossexuais. O medo da pris\u00e3o impede que muitas pessoas LGBT procurem os servi\u00e7os de sa\u00fade, j\u00e1 que qualquer um que prestar esses servi\u00e7os a elas \u00e9 considerado culpado, segundo a lei.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1 documentado que h\u00e1 1,5 milh\u00e3o de pessoas LGBT que n\u00e3o t\u00eam acesso a tratamento retroviral contra a aids. Deixar\u00e3o de ir \u00e0s cl\u00ednicas? As cl\u00ednicas deixar\u00e3o de existir?\u201d, perguntou Mwanda. O ativista transg\u00eanero pediu asilo nos Estados Unidos este ano, mas recordou que essa n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o para muitos dos 35 milh\u00f5es de habitantes de Uganda, porque, para conseguir o visto, frequentemente \u00e9 preciso contar com la\u00e7os familiares e certo poder aquisitivo.<\/p>\n<p>Washington adotou um forte discurso contra a lei ugandesa, mas muitos ativistas consideram que este teve pouco impacto nos fatos. Washington \u201cexamina exaustivamente a rela\u00e7\u00e3o e a ajuda a Uganda\u201d, disse a presidente da AJWS, Ruth Messenger, no dia 17. \u201cApoiamos o governo dos Estados Unidos por olhar seriamente para esta situa\u00e7\u00e3o, e o Departamento de Estado logo divulgar\u00e1 os resultados dessa an\u00e1lise\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Mesmo em pa\u00edses que carecem de leis repressivas como Uganda, a viol\u00eancia f\u00edsica e psicol\u00f3gica contra a diversidade sexual continua existindo.<\/p>\n<p>\u201cTalvez, alguns se surpreendam com a situa\u00e7\u00e3o na Tail\u00e2ndia, que \u00e9 considerada um ref\u00fagio para os viajantes homossexuais de todo o mundo. Mas a sociedade n\u00e3o aceita as pessoas LGBT\u201d, afirmou Sattara \u2018Tao\u2019 Hattirat, uma ativista l\u00e9sbica tailandesa, na confer\u00eancia do dia 17. \u201cEmbora vivesse na capital e seja de fam\u00edlia de classe m\u00e9dia, me fizeram sentir que minha sexualidade e minha identidade s\u00e3o erradas, que fiz algo de mau na vida passada para merecer isto\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Hattirat contou que as pessoas LGBT da Tail\u00e2ndia sofrem uma \u201cpress\u00e3o extrema\u201d dentro de suas fam\u00edlias, e que muitas s\u00e3o obrigadas a se casar. Isso gera altas taxas de depress\u00e3o e suic\u00eddio, assegurou. A diversidade sexual tailandesa recebe escassa ajuda do governo. Hattirat explicou que o pa\u00eds n\u00e3o tem leis antidiscriminat\u00f3rias e que o Estado tem pouca compreens\u00e3o do conceito de crimes de \u00f3dio.<\/p>\n<p>Os crimes de \u00f3dio existem, \u201cmas a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 bem documentada\u201d, explicou Hattirat \u00e0 IPS. \u201cH\u00e1 viola\u00e7\u00f5es de l\u00e9sbicas e casos em que as fam\u00edlias acorrentam seus filhos em casa. Existem muitos assim, mas n\u00e3o constam das cifras oficiais\u201d, ressaltou. Por outro lado, o golpe de Estado ocorrido na Tail\u00e2ndia em 22 de maio s\u00f3 agravou a situa\u00e7\u00e3o. \u201cEst\u00e3o sendo destru\u00eddas as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas essenciais, o que torna imposs\u00edvel o avan\u00e7o dos direitos humanos, inclu\u00eddos os direitos de LGBT\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Recentemente, os Estados Unidos tomaram medidas em mat\u00e9ria de direitos de LGBT em seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio. O presidente Barack Obama\u00a0 anunciou, no dia 16, sua inten\u00e7\u00e3o de assinar uma ordem executiva proibindo as empresas contratadas pelo governo federal de discriminarem seus empregados em fun\u00e7\u00e3o de sua orienta\u00e7\u00e3o sexual ou identidade de g\u00eanero. A decis\u00e3o \u00e9 a mais importante de seu tipo tomada por um presidente, segundo organiza\u00e7\u00f5es defensoras da diversidade sexual.<\/p>\n<p>\u201cCalcula-se que uma em cada cinco pessoas do mercado de trabalho atua como contratado pelo governo federal, por isso haver\u00e1 gente nos 50 Estados que ter\u00e3o algum tipo de prote\u00e7\u00e3o contra a discrimina\u00e7\u00e3o gra\u00e7as a essa ordem executiva\u201d, ponderou \u00e0 IPS Ian Thompson, representante legislativo da Uni\u00e3o Norte-Americana de Liberdades Civis.<\/p>\n<p>\u201cEm mais da metade do pa\u00eds n\u00e3o h\u00e1 uma prote\u00e7\u00e3o expressa em n\u00edvel estatal contra a discrimina\u00e7\u00e3o dos LGBT\u201d, acrescentou Thompson. Mas essa decis\u00e3o de Obama n\u00e3o elimina a necessidade de o Congresso aprovar prote\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas dos direitos da diversidade sexual, segundo o representante, j\u00e1 que uma ordem executiva pode ser revogada por um presidente futuro.<\/p>\n<p>Estudo de 2011 realizado pelo Instituto Williams, da Faculdade de Direito da Universidade da Calif\u00f3rnia, em Los Angeles, concluiu que 25% dos trabalhadores LGBT dos Estados Unidos foram objeto de discrimina\u00e7\u00e3o durante os cinco anos anteriores. Segundo o estudo, a discrimina\u00e7\u00e3o contra pessoas transg\u00eanero \u00e9 ainda maior. Cerca de 78% das pessoas trans ouvidas informaram sobre ass\u00e9dio ou maus tratos devido \u00e0 sua identidade de g\u00eanero, enquanto 47% disseram ter sofrido discrimina\u00e7\u00e3o no trabalho. Essa discrimina\u00e7\u00e3o se expressa em fortes \u00edndices de pobreza e desemprego na comunidade trans. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 20\/6\/2014 &ndash; O Congresso dos Estados Unidos analisa um projeto de lei que daria prioridade aos direitos das pessoas l&eacute;sbicas, gays, bissexuais e transg&ecirc;nero (LGBT) na pol&iacute;tica externa do pa&iacute;s. 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