{"id":17614,"date":"2014-06-23T14:29:57","date_gmt":"2014-06-23T14:29:57","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=115225"},"modified":"2014-06-23T14:29:57","modified_gmt":"2014-06-23T14:29:57","slug":"festas-gays-marcam-brechas-na-comunidade-lgbti-cubana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/ultimas-noticias\/festas-gays-marcam-brechas-na-comunidade-lgbti-cubana\/","title":{"rendered":"Festas gays marcam brechas na comunidade LGBTI cubana"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_115227\" style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/1152.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-115227\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/1152.jpg\" alt=\"1152 Festas gays marcam brechas na comunidade LGBTI cubana\" width=\"629\" height=\"429\" title=\"Festas gays marcam brechas na comunidade LGBTI cubana\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Festas gays marcam brechas na comunidade LGBTI cubana.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Havana, Cuba, 23\/6\/2014 \u2013 Dois homens se beijam enquanto um casal de mulheres dan\u00e7a sem incomodar a clientela do clube privado Humboldt 67, um dos locais que viu um fil\u00e3o comercial na insatisfeita demanda por espa\u00e7os recreativos para o coletivo LGBTI (l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, trans e intersexuais), na capital de Cuba.<\/p>\n<p>As festas para homossexuais, que h\u00e1 poucos anos eram ilegais e geralmente acabavam com a chegada da pol\u00edcia, agora t\u00eam programas fixos em estabelecimentos estatais e privados da florescente vida noturna cubana. Por\u00e9m, ativistas alertam para o perigo de que esse direito traga consigo a segrega\u00e7\u00e3o das pessoas n\u00e3o heterossexuais e a forma\u00e7\u00e3o de guetos dentro desse coletivo bastante diverso.<\/p>\n<p>\u201cOs lugares onde as pessoas LGBTI possam expressar seus modos e suas prefer\u00eancias com liberdade e sem press\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios\u201d, disse \u00e0 IPS o ativista Isbel D\u00edaz, do Projeto Arco-\u00cdris, uma organiza\u00e7\u00e3o defensora dos direitos sexuais. Entretanto, fica dif\u00edcil que esses estabelecimentos transformem a consci\u00eancia do p\u00fablico heterossexual homof\u00f3bico porque s\u00e3o espa\u00e7os l\u00fadicos e n\u00e3o de ativismo, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o s\u00e3o gerados pela comunidade LGBTI de maneira aut\u00f4noma, mas buscam ganhos comerciais a partir da lenda de que o mercado rosa \u00e9 muito solvente\u201d, disse, por sua vez, \u00e0 IPS Yasm\u00edn Portales, tamb\u00e9m integrante do Projeto Arco-\u00edris. Portales afirmou que a persegui\u00e7\u00e3o policial diminuiu, mas agora surge uma \u201copini\u00e3o p\u00fablica\u201d ofendida pela exist\u00eancia de locais de lazer que qualifica de \u201cindecentes\u201d. Segundo a ativista, \u201cpassamos da repress\u00e3o em nome da ilegalidade para a legaliza\u00e7\u00e3o e a visibilidade sem o acompanhamento de um debate pela sociedade\u201d.<\/p>\n<p>Projetos culturais independentes como El Divino e Los Dioses Del Olimpo organizam espet\u00e1culos culturais dirigidos ao p\u00fablico homossexual em diferentes boates da capital.<\/p>\n<p>Um p\u00fablico muito diverso, que pode pagar entradas entre tr\u00eas e cinco CUC (equivalente ao d\u00f3lar) em um pa\u00eds no qual o sal\u00e1rio estatal m\u00e9dio \u00e9 de US$ 20 mensais, desfruta at\u00e9 quase o amanhecer de apresenta\u00e7\u00f5es de DJs, cantores populares, transformistas, dan\u00e7as er\u00f3ticas com modelos esculturais, homens e mulheres. Na falta de espa\u00e7os de promo\u00e7\u00e3o, seus promotores divulgam as atividades por meio de mensagens de texto por celular, folhetos entregues nas ruas ou pelo \u201cboca a boca\u201d.<\/p>\n<p>Outros bares, discotecas e restaurantes se declaram amig\u00e1veis com a comunidade gay e l\u00e9sbica. O estatal Escaleras ao Cielo \u00e9 um dos mais frequentados por mulheres inclinadas sexual ou sentimentalmente a outras mulheres, enquanto os privados Le Chansonier e Esencia Habana dedicam noites \u00e0 diversidade sexual.<\/p>\n<p>Mesmo fora da capital surgem esses espa\u00e7os, embora com menor frequ\u00eancia. \u00c9 o caso de La Vaca Rosada, um bar-restaurante privado muito popular no balne\u00e1rio tur\u00edstico de Varadero, 150 quil\u00f4metros a leste de Havana. \u201cEmbora seja uma zona tur\u00edstica, este continua sendo um povoado do campo e n\u00e3o h\u00e1 tantos locais gays como na capital\u201d, disse \u00e0 IPS o dono do lugar, Ever Cano, que precisou come\u00e7ar sensibilizando seus 14 funcion\u00e1rios sobre o respeito \u00e0s pessoas e aos casais de toda condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cano afirma que seu estabelecimento, encravado no terra\u00e7o de sua casa, \u00e9 <em>gayfreindly<\/em> (amig\u00e1vel com a diversidade sexual). A est\u00e9tica gay \u00e9 not\u00f3ria na decora\u00e7\u00e3o pop do local, nos porta-copos com mensagens contra a homofobia e no card\u00e1pio de bebidas que levam nomes como Drag Queen Mojito e Vodka Travesti.<\/p>\n<p>\u201cSou de uma gera\u00e7\u00e3o que sofreu bastante pelas muitas maneiras como os gays foram maltratados em Cuba. Fui expulso do trabalho e do bacharelado por causa da minha orienta\u00e7\u00e3o sexual. Hoje me sinto feliz em poder falar abertamente de um tema que era tabu\u201d, revelou este empres\u00e1rio de 52 anos, que tamb\u00e9m trabalha em uma ag\u00eancia estatal.<\/p>\n<p>Cuba \u00e9 um pa\u00eds de forte cultura machista e homof\u00f3bica, onde houve agress\u00f5es p\u00fablicas a pessoas LGBTI nas primeiras d\u00e9cadas da revolu\u00e7\u00e3o iniciada em 1959. A discrimina\u00e7\u00e3o institucional foi corrigida paulatinamente desde o come\u00e7o dos anos 1990, quando a homossexualidade foi despenalizada. Mas os ativistas afirmam que a pol\u00edcia ainda aplica com frequ\u00eancia san\u00e7\u00f5es por \u201cesc\u00e2ndalo p\u00fablico\u201d a pessoas n\u00e3o heterossexuais, caso se mostrem efusivos em p\u00fablico.<\/p>\n<p>Uma pesquisa sobre o transformismo cubano, publicado em 2011 pela jornalista Marta Mar\u00eda Ram\u00edrez, afirma que as festas gays t\u00eam seu primeiro per\u00edodo entre 1994 e 1997, quando aconteciam clandestinamente na periferia de Havana, com a pol\u00edcia vigiando. \u201cSem se condenar legalmente, mas com m\u00faltiplos pretextos para reprimi-las, ressurgem com novos brios nos anos 2004 e 2005, muito espor\u00e1dicas e isoladas, tanto no tempo como no espa\u00e7o\u201d, resume a comunicadora no blog TransCuba.<\/p>\n<p>A campanha em favor do respeito \u00e0 livre orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero, que desde 2007 \u00e9 promovida pelo estatal Centro Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Sexual (Cenesex), deu visibilidade \u00e0 comunidade LGBTI e impulsionou algumas reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 2010, o Cenesex conseguiu um conv\u00eanio com o Minist\u00e9rio da Cultura para a apresenta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de artistas transformistas na boate Las Vegas, em Havana, que do palco promovem o sexo seguro e a preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis. Sob a luz do palco do Las Vegas, as anfitri\u00e3s Margot e Imp\u00e9rio (nomes art\u00edsticos dos transformistas Riuber Alarc\u00f3n e Abraham Bueno, respectivamente) salpicam suas apresenta\u00e7\u00f5es com mensagens sobre o uso da camisinha.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 muitas estat\u00edsticas sobre LGBTI em Cuba. Mas a Pesquisa sobre Indicadores de Preven\u00e7\u00e3o do HIV\/aids de 2011, do Escrit\u00f3rio Nacional de Estat\u00edsticas e Informa\u00e7\u00e3o, indica que 6,3% dos homens cubanos entre 12 e 49 anos tiveram sexo com outros homens. Deles, 49,6% declararam ter companheiro est\u00e1vel. O estudo tamb\u00e9m mostra que s\u00e3o homens 80% das pessoas que vivem com HIV (v\u00edrus causador da aids), dos quais 86% praticam sexo com outros homens.<\/p>\n<p>A prostitui\u00e7\u00e3o masculina e transg\u00eanero \u00e9 habitual nesses lugares, onde tamb\u00e9m cresce o turismo sexual, de homens gays estrangeiros, majoritariamente de idade madura, que viajam a Cuba para praticar sexo com outros homens.<\/p>\n<p>Alberto Roque, m\u00e9dico e ativista gay, identificou outras discrimina\u00e7\u00f5es latentes nos crescentes espa\u00e7os desse tipo. A seu ver, predominam homens gays, majoritariamente brancos e com alto poder aquisitivo, enquanto l\u00e9sbicas e transexuais permanecem menos vis\u00edveis.<\/p>\n<p>Pensando nas l\u00e9sbicas e transg\u00eaneros sem dinheiro para frequentar centros noturnos, a afro-feminista Anabelle Mitjans criou o projeto Motivito, que realiza reuni\u00f5es l\u00fadicas para pessoas n\u00e3o heterossexuais em casas particulares e lugares p\u00fablicos, sem pedir dinheiro aos assistentes.<\/p>\n<p>\u201cO mundo gay est\u00e1 se convertendo em um espa\u00e7o restritivo economicamente e de consumo capitalista, como um gueto onde as l\u00e9sbicas n\u00e3o s\u00e3o rent\u00e1veis\u201d, afirmou \u00e0 IPS esta professora universit\u00e1ria e que se declara \u201cqueer\u201d (pessoas que rompem com o esquema heterossexual, gay e l\u00e9sbico). Mitjans defende os locais pr\u00f3prios da comunidade LGBTI, mas pede mais. Deseja uma sociedade onde se possa compartilhar e se divertir com seu companheiro, ou companheira, sem ser discriminada, em nenhum lugar. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Havana, Cuba, 23\/6\/2014 &ndash; Dois homens se beijam enquanto um casal de mulheres dan&ccedil;a sem incomodar a clientela do clube privado Humboldt 67, um dos locais que viu um fil&atilde;o comercial na insatisfeita demanda por espa&ccedil;os recreativos para o coletivo LGBTI (l&eacute;sbicas, gays, bissexuais, trans e intersexuais), na capital de Cuba. 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